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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Lá vem a estafada questão da TV Pública...

Ri-te ...Ri-te

As combinações de palavras em frases tem o seu quê que se lhe diga. Frases semelhantes onde apenas se altera a ordem das palavras são amiúde exploradas ora por chalaça, ora pela estratégia do equívoco e do trocadilho. Mas também dá muito jeito para confundir e mistificar as coisas e isso é desonestidade. Por Exemplo, se se disser a beira da estrada, embora contenha as mesmas palavras não se pode confundir com a Estrada da Beira. Ou, podemos ainda aumentar a confusão, dizendo que a estrada da Beira tem as beiras da estrada em mau estado. O que leva o bom do fabiano distraído, a associar mau estado à estrada da Beira. Confuso? nem por isso, não é!
Ora os aldrabões profissionais, aqueles cuja existência assenta em falsidades, tantas e variadas são as sendeirices, que para as desmontar é obra. E o que não for desmontado, em regra, concorre para reforçar a probidade da personagem. E isto é um ciclo interminável que a direita faz que dure desde sempre.   
Baseados nestas mesmas verdades, estes senhores do governo estão a confundir, como sempre, Serviço Público, com serviço que é prestado ao Público.  Esta nossa direita é de ideias fixas e sempre que pode, lá vem com  treta de que todas as televisões prestam serviço Público.... E com esta aparente verdade prosseguem: Então porque é que os Portugueses só pagam a RTP? Isto é um assunto mais antigo que o teorema de Pitágoras, só que ao contrário deste, aquele arrasta a sua falsidade cilindrando os tempos e não fazendo luz sobre as coisas como o outro. Quando ainda trabalhava na RDP, membro que fui da sua Comissão de Trabalhadores , foram mais que muitas as vezes que tivemos que sair a terreiro para desmontar estas patranhas com as quais os barões do PSD, mais não queriam que uma fatia do bolo que era pago pelos Portugueses para o serviço Público de Radiodifusão, cujo já não existe porque é partilhado pela Televisão Pública fruto da fusão entre as duas Empresas. Fusão essa que em simultâneo tornou a RTP bem mais frugal do que era até então.... e segundo se sabe e é notório, vai sucessivamente apresentando resultados mais decentes que em épocas idas.
Para ilustrar aquilo que não sei se é estupidez, se desfaçatez - isto porque me parece impossível parir preceitos doutrinários tão ínvios - pois como ia dizendo , num consulado da AD um paraquedista fazia uma coisa arremedando programa radiofónico sobre turismo. Ora o bom do alarve do homem mais não fazia que promover viagens a Cancoon, estava na moda... Ora nós CT, perguntamos ao CA se aquilo era serviço público, ou se era só nabice do energúmeno, ou se seria por ele ter uma agência que vendia viagens a Cancoon?
O presidente do CA do alto da sua cara de pau disse: Que sim senhor, era serviço público, porque havia muitos portugueses que viajavam para o estrangeiro e esses também eram público..... Notável, não é?
Outra parangona consiste em dizer-se que os portugueses pagam a RTP e as outras se pagam a si próprias. Pois eu digo que pagamos todas e bem pagas.... Umas directamente e as restantes através dos consumos dos OMOS dos TIDES e de tudo aquilo que a publicidade cada vez mais nos compele a comprar....
Será que não entendem? será estupidez? Ou será que acham que somos todos néscios?
Em conferências diversas vi vultos maiores, catedráticos,  da direita dizerem barbaridades deste tipo... Nem todos eram imundos sabujos, a roçarem-se nas pernas do chefe. Sonham as alminhas que as tv´s privadas aliviadas dos conceitos de rigor e equidade do serviço público prestarão um melhor serviço ao obscurantismo que em última análise é o negócio desta gente da direita. Tal como o prestamismo o é dos judeus e os milagres são de Deus....
Tudo correu sempre bem e lisinho na RTP? Sabemos que não.... As contradições são mais que muitas. naquelas águas nadam tubarões e lóbies de interesses inconfessáveis, senão pelo menos incompativeis com o interesse público. Pululam os engraxadores e lambe botas, mas isso é transversal a todas as TV's. O que não se pode é abandonar a ideia de uma TV com obrigações de prestação de serviço Público apenas porque há dificuldades em segurar as rédeas desses cavalos. Mas a boa verdade é que tem sido feito alguma coisa nessa matéria. Produções de clássicos da nossa literatura, programas versando a diáspora. Coisas de enorme qualidade. Não são a maioria mas é exactamente isso que se perderá se estes senhores levarem a deles avante.  A direita sempre teve a ideia de que a Cultura é um pastelão chato e inexpressivo, que se faz num sótão às escuras, e as TV'S generalistas e digamos, para o grande público, são dos comerciais que fazem aquelas coisas acéfalas .... Também para quem é ..... Basta mantê-los consumidores compulsivos. O povo quer é rir.... Cheio de contente.....
Quanto à qualidade dos conteúdos, estamos conversados....É mais que evidente a busca do sensacionalismo pelo sensacionalismo nas SIC'S e TV'IS, e o esboço de qualquer programa  ao serviço da cultura e interesse Nacional,  é pura coincidência. E isto é visível até em conteúdos semelhantes. As manhãs das TV'S, são um quase perfeito decalque umas das outras , mas ao passo que na RTP as escolhas dos locais tem algo, pouco mas algo, a ver com a nossa História e cultura. Nas privadas é insuportável o pivete dos interesses comerciais dos Continentes e à promoção de "artistas", comentadores e outros impostores, de mais que duvidoso talento.....
O que é que estas criaturas do governo querem então? Aquilo é gente que estudou e sabe por certo que a nossa economia não tem pujança para sustentar mais um projecto exclusivamente  comercial. Miopia é o que é.... E perigosa.... Poupam pouco mais que uns tostanecos. Explorarão politicamente até ao tutano o terem acabado com mais um imposto directo (o do Áudio Visual). Mas roubam-nos a alternativa ao pãntano de merda rala que será a futura TV em Portugal , cheia de Júlias de Mayas de Gouchas dos Castelos Brancos, Li Lis Caraças e tudo.....


                                     António Capucha

                      Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Hão-de por força ter reparado....

Esta mulher está muito doente

Hão-de por força ter reparado que baixei os índices de produção. Tal deve-se ao facto de ter tido "umas panes" no vértice da saúde. Umas perturbações cárdio-respiratórias e um arreliador  inchaço nas gâmbias e pés (alguma coisa me havia de inchar .... Não é verdade?). Trazem-me de monco caído e sem ganas para muito mais que isto... Nem Peniche me aplacou o mau estar, como é habitual. Mais esclareço, que como sou basicamente um rapaz saudável, lido bastante mal, com seja que maleita for.... Acredito que o "papão" há-de ir sem aviso como veio,  e cá estaremos para perorar à força toda, contra ventos e marés, à bolina se necessário for, que isto de vento em popa não é para mim....

                   António Capucha

     Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Salva Brava

salva brava

Após diversas “caroladas” na parede, sendo que a cada uma se seguiam a sequelas habituais, já tentadas e já falhadas. Pese embora a teimosia que me caracteriza, que leva alguns a confundir-me com pessoa de convicções fortes…. Desisti. Aguardo que chegue o meu informático sénior: O Francisco. E após enfrentar o seu sorriso trocista. O tentar decifrar as quatro ou cinco tecladas à velocidade da vertigem que antecedem a declaração sacramental:
- Pronto já está …. Era isto que querias??? Porra…. Até era….. Mas importas-te de fazer mais devagarinho e explicar o que estás a fazer, sim …. Importas-te???
Espera só um bocadinho que tenho o pão a torrar…. Ou tenho que mudar a água às azeitonas, Ou tenho que olhar p’ró lado e rir à socapa, sei lá….
Lá faço o tal exercíciozinho de humildade de ficar contente com o resultado prático da coisa…. Os meus estimados leitores hão-de pensar que sim senhor estou um Bloguista e pêras. Mas se soubessem o que vai cá p’la casa? Só para mecanizar a inclusão de imagens ou vídeos no blogue, foram várias semanas a olhar bovino o palácio que era o teclanço ágil, sempre a preceder o: Pronto Já está!!!! E sem que pudesse esconder o ar de espanto, acabei por tirar umas por outras e entrar em velocidade de cruzeiro até à próxima surpresa.
O pior é que as personagens das mil e uma “estórias” que se cruzam e entrecruzam na carola aproveitam esse tempo para entrar em auto-fusão e de caminho fundem-me também a mona, que de tanta “merda” que tem, desordenada e bruta, é como se estivesse vazia. E o resultado é este…. Um texto de recurso…. Talvez que com um cházinho de Salva Brava….. Para a minha sogra a Salva Brava , tudo salva…. E é bom à brava….{O Chá Salva Brava é um Tónico-estimulante (fraqueza geral, depressão, menopausa, esgotamentos nervosos), caspa. ...}
Quem sabe????


                          António Capucha
 
          Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Va' pensiero... Riccardo Muti speaking about Italian culture, Opera di R...





Obrigado mano velho... Deixaste-me com a lágrima a assomar-se à janela , donde tombou irreprimivel. Para que se saiba aqui deixo o texto explicativo que me enviaste. Mais uma vez obrigado...
tonica

Quando cantei este coral, com 12 anos, no ginásio de Santarém e o padre Brito a acompanhar ao piano, substituindo a orquestra, estava longe de pensar que "va pensiero" poderia tornar-se uma espécie de hino contra os Berlusconis, os Sarkozys, as Merkel, os Obamas (que desperdício de Nobel!!!), e outros "assassinos" da dignidade humana que estão a destruir, em poucos anos, não apenas a cultura mas tudo o resto que custou à humanidade séculos a ganhar! Infelizmente, em Portugal não há Muttis, nem ópera de Roma. O Zeca Afonso já se foi há muitos anos e a Amália (mesmo sem "tomates" e a cheirar a salazarenta) também. Não é o Quim Barreiros e outros imbecis como ele que nos vão salvar. Temos de ser nós. Viva Verdi, viva Mutti e viva a ópera de Roma!!!
Um abraço do Zeca



          Silvio Berlusconi desafiado por Giuseppe Verdi  ****

No último dia 12 de março a Ita´lia festejava os 150 anos de sua criação,
ocasião em que a Ópera de Roma apresentou a ópera Nabuco de Verdi, símbolo
da unificação do país, que invocava a escravidão dos Judeus na Babilônia,
uma obra não só musical mas, também, política à época em que a Itália estava
sujeita ao império dos Habsburgos (1840).
Sylvio Berlusconi assistia, pessoalmente, à apresentação, que era dirigida
pelo maestro Ricardo Mutti. Antes da apresentação o prefeito de Roma, Gianni
Alemanno – ex-ministro do governo Berlusconi, discursou, protestando contra
os cortes nas verbas da cultura, o que contribuiu para politizar o evento.
Como Mutti declararia ao TIME, houve, já de início, uma incomum ovação,
clima que se transformou numa verdadeira «noite de revolução » quando sentiu
uma atmosfera de tensão ao se iniciar os acordes do coral « Va pensiero » o
famoso hino contra a dominação. « Há situações que não se pode descrever,
mas apenas sentir ; o silêncio absoluto do público, na expecativa do hino ;
clima que se transforma em fervor aos primeiros acordes do mesmo. A reação
visceral do público quando o côro entoa – ‘*Ó minha pátria, tão bela e
perdida’ - *».
Ao terminar o hino os aplausos da platéia interrompe a ópera e o público se
manifesta com gritos de *« bis »,* *« viva Itália »,* *« viva Verdi »* . Das
galerias são lançados papéis com mensagens políticas.
Não sendo usual dar bis durante uma ópera, e embora Mutti já o tenha feito
uma vez em 1986, no teatro À La Sacala de Milão, o maestro hesitou pois,
como ele depois disse : « não cabia um simples bis ; havia de ter um
propósito particular ». Dado que o público já havia revelado seu sentimento
patriótico fez com que o maestro se voltasse no púlpito e encarasse o
púlblico, e com ele o próprio Berlusconi. Fazendo-se silêncio, pronunciou-se
da seguinte forma, e reagindo a um grito de *« longa vida à Itália » *disse:
RICCARDO MUTTI :****

****

*« Sim, longa vida à Itália mas ... [aplausos]. Não tenho mais 30 anos e já
vivi a minha vida, mas como um italiano que percorreu o mundo, tenho
vergonha do que se passa no meu país. Portanto aquieço a vosso pedido de bis
para o Va Pensiero. Isto não se deve apenas à alegria patriótica que senti
em todos, mas porque nesta noite, enquanto eu dirigia o côro que canatava ‘
Ó meu pais, belo e perdido’, eu pensava que a continuarmos assim mataremos a
cultura sobre a qual se assenta a história da Itália. Neste caso, nós, nossa
pátria, será verdadeiramente ‘bela e perdida. [aplausos retumbantes,
incluindo os artistas da peça]*
*Reina aqui um ‘clima italiano’ ; eu, Mutti me calei por longos anos.
Gostaria agora...  nós deveriamos dar sentido à este canto ; como estamos
em nossa casa, o teatro da capital, e com um côro que cantou magnificamente,
e que é magnificamente acompanhado, se for de vosso agrado, proponho que
todos se juntem a nós para cantarmos juntos. »*****

Foi assim que Mutti convidou o público a cantar o Côro dos Escravos. Pessoas
se levantaram. Toda a ópera de Roma se levantou... O coral também se
levantou. Foi um momento magnífico na ópera ! Vê-se, também, o pranto dos
artistas.
Aquela noite não foi apenas uma apresentação do Nabuco mas, sobretudo, uma
declaração do teatro da capital dirigida aos políticos.
AGORA NÃO DEIXEM DE VER E OUVIR PELO LINK ABAIXO è****

 





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Ilha de Utoeya

Buscas na ilha de Utoeya
Os recentes acontecimentos na Noruega, e este início já se pode considerar soft, sobretudo face ao que temos visto da reacção da população e sobretudo dos responsáveis... Que não segurando as lágrimas, dão livre curso à sua indignação e ao seu desgosto. sem vergonhas, num exercício de autenticidade,  de legítimos e expostos sentimentos.... E era apenas isto que gostaria de referir, que este assunto já deu voltas e mais voltas a ponto de não haver ponta por onde se lhe pegue. O discurso do 1ª Ministro e de sua Majestade o Rei, falam-nos de sentimentos de solidariedade, no ódio que urge não deixar crescer.  No facto de serem uma pequena comunidade e não poderem dispensar cérebros jovens e promissores... Assim, com altíssimo sentido de Estado e com o coração nas mãos. Os senhores jornalistas é que como é hábito já se afadigam em traçar estratégias e explicações para a coisa assim tipo: Teoria da conspiração....  Vejam lá que ainda não se extingira o cheiro da pólvora já os escribas locais se grisavam todos a dizer que o energúmeno tinha planos para Portugal , se calhar para dizimar as gaivotas da Berlenga....Repararam que o encontro dos "Jotas" na llha de Utoeya, era multi racial? É assim que se promove a integração ao contrário do que fez o Atrasado do Sarkozi em relação aos Romenos e no fundo é a moda mais recente da Europa, visível no mais mal dissimulado chauvinismo.... E atenção, têm adeptos . Não esquecer que o Nazismo e o fascismo nasceram aqui....
Tenham respeito pela decência dos bárbaros e calem-me essas cloacas!!!!

                António Capucha

 Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Num Plácido Domingo

José Carreras e Plácido Domingo
Num plácido Domingo, que corria lento, o cantante enchia a casa de harmonias com extractos dos então chamados Três Tenores Surripiados na net e passados para uma "pen".... Modernices! Dos três já só sobram dois, como sabemos, o Pavaroti deixou-nos. E o Catalão do josé Carreras esteve por um fio. Entre estes três várias histórias fazem carambola acotovelando-se para chegar à frente nos média e ao grande público sedento destas coisas. Naquele plácido Domingo, assaltou-me como talvez a História de raiz mais humana e bela que de longe se destaca de entre as milhares de historietas destes três. Plácido Domingo, Madrileno que começou por interpretar Zarzuelas e delas terá saltado para a Ópera fruto de uma evolução invulgar e da qualidade da sua voz. Fez carreira na América onde estudou além de canto, música.... Da  boa.... Da superior. Acabou Maestro Tuti...  Mas também não é isto que há para contar dele... Plácido Domingo, não é um cantor da mais fina água ou um Maestro de ponta.... Ela é um ser humano de qualidade superior. Se não vejamos:
- Quando o Catalão José Carreras esteve doente a tratar a sua leucemia no States, naturalmente não olhou a despesas. Até que esgotou as suas economias. É então que uma estranha fundação aparece por detrás de tudo isto a cobrir as despesas do tratamento e estadia do cantor. Só muito mais tarde e por portas e travessas vem a saber que quem estava por detrás da dita fundação era o Plácido Domingo... Ora acontece que era frequente entre ambos, uma certa rivalidade como extensão da rivalidade existente, ancestral e vigorosa, entre catalães e madrilenos, entre Madrid e Barcelona, entre o real Madrid e o barça.... Enfim, dão-se conta do que cada um deles representava.
José Carreras abordou o plácido Domingo, não consta que tenha sido num plácido Domingo... Agradece-lhe muito a atenção. Diz que praticamente lhe deve a vida, E pergunta-lhe porque o fez, e porque disso manteve segredo. Ao que este responde:
Olha fi-lo porque não conseguia encarar a hipótese de ver desaparecer uma das vozes mais lindas de sempre.... E nunca contei a ninguém porque todos sabemos do orgulho e porte Catalão que ostentas e tão bem te fica...
Sublime não é?      
Hoje uma sólida amizade é o centro das relações entre ambos...
E este exemplo, não fez crónica e carreira no "jetset" Internacional. Não rendia, sabem!!!!

                            António Capucha

                       Peniche, Agosto de 2011

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A febre do ouro

Banqueiros

O “Shou” “Shilva” compôs o capachinho seboso no alto do bestunto, ao passo que coçava a nádega esquerda, e esticava o lápis na direcção do empregado mais novo,único para além dele, do estabelecimento: “O Apara Lápis Azul” - Óh Jorge traz aquela caixa de “punaises”,  ali de cima da prateleira.  A lojeca era uma coisa vetusta e sem luz e o seu infausto dono o Sr Silva, não atendia os clientes a não ser em circunstâncias muito excepcionais. Passava todo o santo dia atrás de uma pequena mesinha alta em intermináveis contas e cálculos que lhe faziam chorar os olhos papudos por detrás dos óculinhos  redondos de lentes garrafais com hastes partidas e atadas com adesivo de pensos. Da sua figura perpassava a incongruência dos parcos cabelos grisalhos na nuca e pescoço, e o negro quase azeviche da touca capilar que compunha amiúde.  Das faces pálidas caía-lhe uma barba branca, escorrida e esparsa, que lhe dava pelos peitos. O desgraçado do Jorge era o pau p’ra toda’obra. Vendia os caderninhos de papel agrafado de sebenta, aos putos lá da rua. De quando em vez um lápis ou uma pena de ardósia, uma borracha ou outra, raramente um apara lápis…. Aparos canetas e tinta eram uma raridade, porque já custavam vinte e cinco tostões que para a maltosa do bairro era caroço a mais. O negócio não era por aí além neste particular. Daí que o indecoroso ancião mantivesse à revelia da licença, particularmente portanto, um negócio paralelo de prestamismo. A que se juntava a compra e venda d’ouro prata e jóias e demais coisas de valor, que “vocência” possua e que queira transformar em dinheiro…. Preço justo! Rezava no cartaz desenhado pelo Sr. Jacob Silva numa letra rubicunda, para fixar o qual, pedira os punaises ao Jorge….. O “invejoso” ainda se dava ao luxo de filosofar… Num outro cartaz dizia: Vão-se os anéis … Fiquem os dedos….
A rudimentar montra expunha a felicidade frustrada do Bairro… Brincos anéis, antes dádivas de amor, que não foram resgatados jaziam agora em almofadinhas carmesim muito mais caras do que terão rendido ao antigo dono, parecendo esquifes de amores mortos… Ao Jacob, isso pouco dizia…. Ãhh estes gentios, Não tarda nada já cá estão outra vez…. E não é para comprar sebentas não… Fadistas…. Dêem-lhes fado e tudo vai pelo melhor… O velho agiota, encontrava sempre uma forma de legitimar a sua ganância. E atribuía a si próprio assim como que o papel de  um anjo vingador divino, dos vícios sociais e outros , já se vê….  Mas um dia…. Melhor, uma noite…. O Judeu que dormia paredes meias com a loja e com um olho aberto e outro fechado, foi assaltado e levaram-lhe o “Ourinho” todo que ele tinha na montra e na gaveta da escrivaninha alta em que costumava trabalhar a contar e recontar os haveres, os já havidos e os a haver. O homem deu em louco acusou o pobre do Jorge de estar metido no golpe, oxalá estivesse. Sempre se fazia alguma justiça à exploração de que era vítima. Digo eu em surdina…. A custo  a D. Sara leva-o para a cama de onde já não saiu. Sucumbiu a uma febre tenaz que não o largou mais até sair co’s pés p’ra frente…..
Será que é esta a febre do ouro????

                                 António Capucha

                 Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os sonhos

O Sonho - Pablo Picasso
Quando experimentamos o turbilhão de pensamentos sem os expressar. Ficamos empanturrados… Não podendo impedir-nos de criar pensamentos. Uns, meras posições filosóficas ou científicas, outras, sonhos acordados de uma realidade tão perto e tão longe, à exacta distância que medeia entre o que é e o que não é, que só em sonhos é possível medir a palmo. Por vezes tem a enormidade absurda do Universo. Para noutras ser infinitamente circunscrita ao pequeno micro sistema que somos nós e os nossos botões. É a única forma de voar. As palavras, essas coisas que expressam pensamentos, se pensadas são voláteis volteiam, volteiam e nunca se cansam como faúlhas de um fogo sagrado que é a nossa intimidade. Se ditas ou escritas ficam amarradas ao chão firme e estúpido que dizem ser a triste realidade e valem apenas aquilo que a semântica permite. Nos sonhos não! Atribuímos como entendemos o peso e significado de cada palavra de cada acto. É até possível inventar palavras para sentimentos fugazes que relampejam num ápice e se desvanecem sem percebermos muito bem o que foram. A norma é que nos deixem felizes, por vezes sem saber porquê.
Aliás os porquês valem o que se quiser…
O único senão é que este turbilhão já referido, tem limites. E esse limite traduz-se naturalmente na sua materialização…. Tem que ser dita, ou escrita, para libertar memória para o futuro e expectável exercício de voltar a sonhar… De entre elas, as memórias, umas há que têm anos que não é possível apagar, sem fazer perigar a fornalha dos sonhos. São estas as preferidas. Ternuras antigas. Amores profundos. Gostos e desgostos que fazem o que se é. Áh pois!!!! Somos o que sonhamos, não o que dizemos ou fazemos. Porque estes são determinados pelos outros. O que sonhamos determina o que somos capazes de fazer e de dizer, no fundo: De ser…. Não acreditam?
Experimentem deixar de sonhar acordados, de saborear as emoções intensamente sonhadas, inventadas até salivar abundantemente. Depois, quando por acidente se der essa realidade, vejam se são capazes de sentir algum sabor, algum prazer??….
Exemplo:
- Se fossemos como os cães, cruzávamo-nos com uma fêmea e independentemente de tudo, à excepção de um conjunto pícaro de odores, pulávamos-lhe para cima, In out-In out, e prontes estava feito….
Mas como não somos, andamos tempos e tempos, anos por vezes a sonhar, a imaginar-lhe a nudez, a colar-lhe uma atitude no amor, o roçar de lábios no pescoço o afagar de cabelos a firmeza dos seios sensíveis, a curva do ventre, a púbis em concha, os quadris, tipo pêra se possível… Inventam-se palavras libertam-se grunhidos, gritos abafados a morrer nas gargantas e doces mentiras que nunca mais acabam, até ao estertor do orgasmo que imaginamos sempre simultâneo, interminável, intenso, bruto como o champanhe….
É incomparável não é verdade?   
Melhor que a realidade, seguramente!
Os sonhos, são o sumo da vida….

Eles não sabem nem sonham,
que o sonho comanda a vida
Que sempre que o homem sonha,
o mundo pula e avança
como bola colorida ….
entre as mãos de uma criança.

(in “Pedra Filosofal” de António Gedeão)


                                            António Capucha

                            Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Nós e eles

Governo

Carissimos:
Pareço um padre a falar, não é?
Pois é, mas ao contrário do que é costume não me dirijo ao “éter”, ou à mole humana que somos nós colectivamente considerados. Desta feita queria dizer-vos ao ouvido a cada um de vós, um recado. Para tal impõe-se um pedido prévio de desculpas pelo atrevimento do acto.
Como é de força que tenham reparado, sempre que abordo as questões políticas, ou filosóficas que têm a ver com os nossos destinos colectivos, termino normalmente sustentando que a solução está nas nossas mãos. Que de certa forma somos culpados da chuva que nos cai em cima.
Quem do nosso voto precisa faz trinta por uma linha para nos ludibriar, melhor: seduzir…. E aí há dois ou três factores primordiais com que eles contam:
1º - Com a brevidade temporal dos nossos protestos.
Desarmamos facilmente… Na maior parte dos casos basta uma ligeira folgazinha na tarraxa e já está tudo jóia. E ficamos automaticamente à mercê dos trambiqueiros.
2º - Com os baixos índices de memória. Os mesmos truques e manigâncias são ciclicamente utilizados até ao despudor contando exactamente com isso: O nosso esquecimento.
3º - Com a nossa proverbial ignorância. Que não confessamos. Mas existe. Costumamos dizer : Áh isso são coisas da política…. Isso é lá para eles. Deriva este comportamento da cultura, ou por outro, da anti-cultura feita pelo salazarismo, como forma de nos manter de canga e como dizia Guerra Junqueiro: Bestas de nora.
Muitos mais aspectos haverão. Mas se conseguirmos alterar estes três, vão ver que estes iluminados de merda, ficam a pregar no deserto.
A cidadania é a pedra de toque destas coisas. Aceitamos na calma  princípios que não o são nem nunca o foram, como a sabedoria técnica no poder…. Nada mais falso. Se não pensem:
Se os médicos forem sempre quem controla o poder na saúde, ou a sua variante gestor se houver que conter despesas, quem fica invariavelmente a perder são os utentes. Porque por um lado o sr. Médico tende a ser corporativo e o sr. Gestor, afadigar-se-á em conter cegamente as despesas. Logo um Cidadão politicamente bem preparado, tendo ideias e princípios filosóficos face ao tema, será em princípio o nosso representante mais lógico…. Um de nós, o mais bem preparado e honesto de entre nós, seria a opção correcta. Lembram-se de António Arnaut?
Mas isto é apenas um exemplo do que um raciocínio claro, precisa de memória e cultura politica, para que ocorra a clareza suficiente para decidir correctamente.
Não me digam que é impossível…. Que o nosso povo é assim e outras lamechas que mais não fazem do que nos manter agarrados à nora.
Os países nórdicos nos primórdios do Século passado eram pouco mais que uma sociedade feudal. E vamos a ver, hoje são o que são. A Islândia, foi atingida no coração do seu sistema tal como nós, os Gregos e os Irlandeses, mas ao contrário de todos nós, trataram logo de depurar o sistema interno de poder e estão a um passo de sair por cima desta coisa. Coisa que a maior parte das pessoas não sabe o que foi, foi-lhes habilmente sonegado, porque é disso que têm exactamente medo: Que as pessoas saibam. Trabalho de "sapa" dos políticos no poder, corruptos, imprensa arregimentada e outra canalha geralmente implicada.
Destas coisas só nos libertamos adqirindo sabedoria…. Cultura politica….
E metam uma coisa na vossa cabeça…. Eles, os governantes, não são uns iluminados. Quando muito serão petulantes, vaidosos e arrogantes….
De resto….…… PEÇO MEÇAS.


                               António Capucha

                Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Este Governo, ou os Burlões de feira

video

Explicação da Crise

Lembram-se de como termina aquela encenação de entrevista a um financeiro de top?
À pergunta de quem afinal paga o buraco financeiro deixado pela especulação desenfreada e fraudulenta que ainda está por colmatar, ele responde:

- Ora procede-se como usualmente, vamos ao seu fundo de pensões! ( poste neste blogue: Génese de uma crise. Segue como ilustração ao cimo)

Pois como nós por cá temos o fundo de pensões já sem fundo vai para uns tempos, vão-nos mesmo aos bolsos….
Nós , isto é: os nossos impostos, já taparam o buraco do BPN. Custou-nos dois vírgula quatro mil milhões de €uros… Esta rapaziada porreira, vendeu-o por quarenta milhões de €uros. E a Senhora secretária de Estado do Tesouro tem o topete de vir dizer que é um bom negócio….
Se se cumpre o que o tal financeiro de top disse na entrevista arremedada, e o que está a acontecer se parece perigosamente com a que ele disse, viria a acontecer. Isso quer dizer que por ventura tudo o resto que terá dito também será verdade. E todo este “farol” que são os bancos e o eufemísticamente chamado: “Sistema financeiro”. Não passa de uma enorme trapaça, um tremendo embuste que é sustentado por toda uma “mise en scène”, urdida desde os primórdios da História e a que chamamos PODER. E de uma forma derradeira, somando dois mais dois, se dissermos que isto é criminoso e um caso de polícia, não estamos a tomar uma posição politica de esquerda. Estamos apenas a dizer a verdade. E quem defende o sistema e o representa de livre vontade, quem lucra com ele ou quem vive dele, não passa de um miserável trapaceiro.
Quem denunciou a Exploração do Homem pelo Homem, representa a realidade Histórica, escuda-se na verdade. E quem diz que é apenas uma questão de opinião e que cada um tem o direito a ter a sua e continuam dourando a trapaça como se fosse legítimo, é um vulgar burlão de feira.
Resta-me muito pouco de dúvida acerca disto. Mas os verdadeiros culpados…. Aqueles que friamente têm os cordelinhos desta coisa nas mãos e tudo fazem em nome da sua própria vantagem…. Esses podiam morrer mil vezes que ainda assim não expiariam todo o mal que já  nos fizeram.
A solução é mesmo tomarmos atitudes de denúncia e adequar umas quantas medidas para evitar que estas coisas se repitam. A COMEÇAR POR EVITAR OUTRO RESULTADO IGUAL AO DAS ÚLTIMAS ELEIÇÕES!!!!!
Vamos ver se daqui por pouco mais de um ano, já seremos capazes de entender quem é que é esta gente que lá metemos.


                      António Capucha

      Vila Franca de Xira, Agosto de 2011 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A senhora do Cravo

Fonte de S. Sofia

Há não tanto tempo assim a minha vizinha, lavadeira ainda profissional, no tanque das lavadeiras da Bica do Chinelo, dando livre curso á sua memoria da Vila Franca antiga da qual apenas uma parte conheço testemunhalmente. Para isso contribui o facto de os meus ancestrais não serem de cá, logo não têm memória destas coisas para lá da minha própria…. Acredito até que vadio que sempre fui, bebi bem mais da cultura popular desta terra que eles, os meus pais…. Bom, de qualquer forma tudo o que fique para lá de mil novecentos e cinquenta e cinco, do Século passado, estes olhos não viram, os ouvidos não ouviram, este nariz não cheirou. Estive então à conversa com esta personagem impár, (a minha vizinha lavadeira) na esplanada do café, snak e tudo: O Tanque, na bica do Chinelo. Contava-me ela da senhora de S. Sofia…. Não conheceste filho? Áh era uma senhora muito linda que se banhava nua na cachoeira da ribeira de S. Sofia e que tecia bordados, que voltava a desmanchar, e de novo bordava. Que mãos lindas e delicadas que ela tinha… Toda ela era linda, na verdade!
Hoje Sol aberto que Deus o dava o mesmo local e a mesma curiosidade da minha parte…. Óh vizinha conte lá melhor essa coisa da senhora de S. Sofia.
Ai filho era a Senhora do Cravo, um amigo ao lado confirmava, que sim senhor, era a mãe do tal e tal…. Precisamente! Ajuntou ela, que prossegue:
- Ai era uma beleza, mas não era maluquinha, ficou assim dum parto de um filho. Era uma senhora muito fina!
Então e porquê do Cravo? Pergunto.
Porque era a dona da quinta do Cravo!
Pensei de imediato que esta simples e comezinha realidade seria mais que suficiente para que, manipulando um ou outro facto… Sei lá…. A pureza da nudez da senhora, a cantar uma cantiga à santa do local, no acto obsessivo de bordar sentada nas ervas junto ao regato…. E estava “caldeirado” um fenómeno digno de romaria popular à  Beata, que deu o juízo pelo filho… Já vi romarias a locais de culto, começarem  por muito menos…
Se pelo contrário a senhora fosse feia com’á noite e andasse a levantar as saias aos passantes, então cresceria a lenda duma bruxa tenebrosa e má para afugentar os rapazes da ribeira, e os manter na linha. E foi na linha que eu a conheci: A Ribeira, ainda foi por muitos anos, límpida e farta d’águas, onde era possível colher agriões e outras coisas de comida….
Talvez a Senhora do Cravo faça o milagre de deixar a Ribeira correr como outrora e voltar a deixar crescer nas margens e baixios, os agriões bem picantes. E dar de beber aos passarinhos que de mil cores lhe enfeitavam  as árvores que ornavam as suas margens.
Acabei o cafezinho, despedimo-nos todos até depois e abalei para casa para me agarrar aqui ao PC, e repassar estes novos conhecimentos que considero não dever reter.

                           António Capucha

            Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Viuvez

pintura de Graça morais

Da macieza elástica, firme da pele, só a memória. Do leve rubor das faces, uma pálida flacidez. Do tom de delicado marfim, apenas vestígios em ondas pendentes.
É o corpo que não escapa ao rigor do espelho, quando pela manhã se vê, enquanto faz a sua higiene diária, aplica os unguentos, que acredita a favorecem. Mas sem se dar conta, tudo o que faz ou não faz, apenas caracteriza, acentua, cultiva os tons da viuvez, valor “que mais alto se alevanta”, não apenas fruto das vicissitudes da vida que a desancaram desapiedadamente, ou do estado civil, mas mais como opção de vida e valores culturais. Uma verdadeira assunpção de vontade. Que me dói tão fundo quanto o pouco ou nada, que posso fazer para o evitar. Dói-me assistir a esta imolação que vejo expressar-se cada vez mais no seu corpo e nos seus hábitos de vida. Mas muito mais…. Se fosse capaz de transmitir o que sei ser o potencial desta criatura em diversos domínios. Doer-vos-ia igualmente, esta “dor que deveras sinto”.
Porque observador de coisas, pessoas e seres, que desde que me lembro sou, tenho memória de dezenas de pessoas que quase sem lhes saber os pormenores mais comuns, lhes guardo um cantinho na minha Alma e lhes visto uma vida, como as crianças vestem bonecas.
Projecto-lhes vidas e destinos, mas em privado, sem o atrevimento de um grito: É PÁ ACORDA!!! DE QUE TANTO SOFRES QUE ATÉ SE VÊ????  MERECES MAIS E MELHOR QUE ISTO…. E SABES QUE MAIS? NÃO HÁ NADA QUE MEREÇA O TEU DEFINHAR…. ÉS MAIS DO QUE ISSO…. VALES MAIS DO QUE ISSO!!!!!
E quantas são as Almas neste purgatório, a maior parte das vezes não por pecados próprios. Pois não sei responder a isso. Suponho serem muitas, por ventura a maioria. Mas esta é minha…. É do meu circulo de criaturas onde corporizo o meu amor à humanidade….. Não me causes mais dor… Que já me basta a cobardia de só falar e nada fazer….


                                António Capucha

                Vila Franca de Xira, Agosto de 2011