sexta-feira, 9 de julho de 2010
Hoje, II Capítulo de
II Capítulo
A Sagrada Família
Por essa altura, a História precisa, que uma moçoila virgem chamada Maria, terá sido alienada com o dote de um jogo de chaves porcas, linha branca e uma bancada “Workemate” da “Black & Deker”, a um “cota” chamado José, que era carpinteiro. (e perguntará a/o estimada/o leitor/a: Mas “atão”, este não era pastor? Não, este carpinteiro, era especializado na construção de paliçadas e currais para ovelhinhas!...)
Este facto que parece, e é, corriqueiro, revela-se de extrema importância para a primeira deriva da religião dos “judocas”.
Ora estava a jovem virgem Maria, a repousar de uma arremetida nocturna do José, durante a qual por mais de três horas ele lhe babara o pescoço todo, sem outro resultado palpável, que não fosse esse mesmo, ela, ao olhar fixamente para uma estrela que se insinuava por uma fresta da porta, por efeito astigmático, esta, resulta num enorme clarão que a cegou completamente, ao mesmo tempo que ouvia uma voz masculina, agradável, que dizia: Sou o Anjo Gabriel e vou-te comer…E ela desvairada: Possui-me…. Possui-me…. Ao lado o José, roncava também desvairadamente. É preciso dizer que os Anjos eram personagens bem apessoados, assim tipo… George Clooney. E eram invariavelmente, precedidos de um feixe de luz. - O que seria destas pobres mulheres se já existissem lâmpadas de halogéneo. Mal acendessem a luz, abandonavam-se à lascívia e à exaltação dos sentidos, com o primeiro fabiano que estivesse presente. E então, lá choviam pedras. Pobres lares!... E depois quem é que fazia a broa? Bom ainda bem que ao tempo, não havia a “Osram” ou a “Philips”…. Prossigamos…
Dessa noite complicada e após tanto desvario, resultou que a Maria, ficou grávida. Mal se começou a notar o abcesso, o falatório, sobretudo do mulherio, era ensurdecedor. E o bom do José resolveu mudar de terra. Assim pela calada da noite, roubou uma motorizada, amarrou-lhe o jogo de chaves e a “Workmate”, montou-se nela mais a Maria, e “zzzeeeta” que se faz tarde.
O Sol amanheceu com eles já p’ra lá das Caldas da Rainha, a caminho da Nazaré. Lugar que acharam ser o indicado para fazer crescer o que quer que fosse que a Maria trazia no ventre.
Seis Meses após estes acontecimentos, a Maria dá à luz, de parto normal, um rapazola, escorreito e de olhos azuis como o pai?! Neste simples acto, a Maria deixou de ser virgem…. Surpreendida/o????? Eu explico: Ao sair, O nado corrompeu-lhe o hímen, desflorando-a… E desse modo, já virgem não era, simplesmente Maria ficou… Embora em sentido contrário, isto é: de dentro para fora, tecnicamente e na prática o que resulta, é a perda da virgindade. Tendo por corruptor o próprio filho, que aliás não é filho, é o pai. Bom… Não é bem isso… Ele é filho e pai num só… Percebe? Não!? Eu também não!....
Este é o primeiro dos grandes fenómenos que se aproximam. A vida desta criança, como se verá, está na origem de muitos mistérios que perduraram até hoje.
Volvidos uns anos, começa a notar-se que o catraio tinha as suas particularidades. Falava como no cinema ou seja: “Camone”… Que é como falam os Extra-Terrestres. E “fazia-o pelos cotovelos”. Ia para o templo e dava grandes “secas” aos Sacerdotes. E punha-se assim de dedo esticado para o céu e dizia: Em verdade, em verdade vos digo! E dizia!…. Aquela malta achava tudo muito estranho. Mas, e em verdade, em verdade vos digo, que naquele tempo os pobres tolos, achavam tudo o que não fosse pastorícia, atirar pedras às gajas ou afagar ovelhas, muito estranho….
E o Jesus, assim se chamava o portento, lá foi amealhando algum “caparro” e adicionando mais peripécias, às já referidas.
Até que, já nos trinta, resolve meter-se na política…….
Golden-share
Golden-share
O “Tribunal” de não sei quê da União Europeia, acaba de tornar público que a utilização da golden-share na PT por parte do governo português, É ILEGAL.
Não me passa pela cabeça acudir pelo Governo, porque é culpado de ter tido sempre uma atitude de subserviência em relação à Europa. Sempre pronto a mostrar-se menino bem comportado e cumpridor…. Não…. Não é isso que mais me preocupa. O que de facto é preocupante é que a UE, continue apostada, não em reformar o sistema, mas em manter obstinadamente as leis do mercado (falido, em queda,descredibilizado!!!!) como prevalecentes aos interesses estratégicos, quer da União quer dos Países individualmente considerados.
O que muita gente faz por esquecer, é que a actual UE, resulta de uma série de acordos sucessivamente negociados que remontam ao “antiquérrimo” acordo entre Estados acerca do controle da produção e comércio, do carvão e do aço, então a base das economias mais evoluídas. Antes do acordo esse mercado, assentava, já então, na lei da oferta e da procura… (a lei da selva, do mais forte) e terá custado aos povos europeus, duas guerras mundiais e milhões e milhões de mortos mais a destruição catastrófica das suas estruturas económicas, sociais, patrimoniais, políticas e até territoriais. O Acordo então conseguido e mantido até aos dias de hoje, embora dito económico, é eminentemente político já que a ideia base era criar uma forma de evitar a todo o custo uma terceira guerra mundial, de contornos previsivelmente apocalípticos. É portanto uma negociação entre Estados soberanos, logo é um acordo POLÍTICO e não só económico…. Muito menos financeiro….
Há, e em conclusão deste raciocínio, implícita na ideia da Europa Unida, que há aspectos quer económicos, quer sociais, quer políticos que são considerados estratégicos. Não podendo portanto estar expostos ao arbítrio da lei da selva.
Espantoso é que no seu seio haja quem defenda o contrário.
Ora estes senhores/rapazes que gerem a UE como se fosse uma enorme Empresa refém das variáveis financeiras internacionais. Se calhar estão a fazer aquilo que sabem…. E só aquilo que sabem….. Ou o que os mandam fazer….
Os governos dos Estados, é que deviam ter mão nisto. Ou caso não o façam estão a deixar-se confundir com estes estranhíssimos interesses, Digo eu!!!!
Há que lembrar a estes “tristes tigres da Buraca” ou “chernes da ribeira de S. Sofia” (tanto faz), que a sua função é zelar pelo equilíbrio e qualidade democrática da UE, e não armar-se em CMVM global.
O Dr. Mário Soares tem efectivamente razão… Faltam valores, reais valores, e cultura europeísta, aos actuais dirigentes da união.
Em resumo, Já não bastava estarmos a ser governados por rapazes. Ainda tinham que ser: Os maus rapazes...
António Capucha
Vila Franca de Xira Julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta
Tal como ficou prometido publica-se hoje o primeiro capitulo da: Breve e Verdadeira "estória" do Atleta.
Bom proveito!!!!
Breve e verdadeira “estória” do atleta.
I Capítulo
Preâmbulo ou o Povo de Deus
Há muitos milhares de anos, reza a História, que algures por ali, no sítio a que hoje chamamos Médio Oriente, havia uma tribo de pastores de ovelhas, cujos, afagavam ternamente as bichanas e apedrejavam selvaticamente as suas mulheres. Filhas, irmãs e até as próprias mães, todas por igual levavam na corneta…. Das razões é que a História não reza e pelo simples facto de a História ser sempre escrita por quem malha, e não por quem é, ou foi malhado.
Era este pois, um dos comportamentos típicos deste povo tisnado e de narizes aduncos, que, não se sabe porquê, dizia de si próprio ser o povo eleito.
Não parece credível que a prática eleitoral fosse do conhecimento deste remoto e inculto povo. Razão pela qual a qualidade de “eleito”, me pareça um tanto arbitrária.
Mas este orgulhoso e santificado povo, não se limitava a essa pequena vaidade, tinham que ter um Deus, não um qualquer Deus…. Eles tinham O Deus. E para o comprovar socorriam-se de um calhamaço, a Bíblia, um livro vindo não se sabe bem donde.
Como ignoravam a escrita não terão sido eles portanto, a escreve-lo. Julga-se que o livro, cujo, não passava de uma publicação tipo Tio Patinhas da época, terá sido “aliviado” a algum erudito de passagem.
Ora estes pastores levaram-no consigo, sobraçado no seu vaguear pelo deserto, porque aquela coisa era efectivamente volumosa e eles ainda não tinham construído a Arca D’Aliança. Para tal criaram um grupo de entre eles que o transportava à vez. E inventaram uns rituais e salamaleques antes de lhe pegarem e, quando tudo indicava que deviam ter sido chamados de carregadores do calhamaço, não! Inventaram chamar-lhes sacerdotes ou Profetas. E deram-lhes lugar de destaque na cadeia de comando bem como, passaram a sustentá-los como “burro a pão-de-ló”.
Continuando.
À falta de melhores recursos os labregos viam os “bonecos”, e ficavam fascinados com a beleza das iluminuras, que de tão expressivas, se prestavam a imensas “leituras”.
Com efeito, destacavam-se várias figuras de velhos barbudos de olhar furibundo. No qual viram sem sombra de dúvida a “pessoa” do DEUS. Às cobras/mulheres e mulheres/cobras, bichos avulso e coisas do arco-da-velha, estava-se mesmo a ver que eram a personificação do MAL… O diabo.
Assim num ápice ficaram lançados os dados de um jogo (entre o bem e o mal) que havia de durar Séculos e que aliás ainda p’rái está, p’ra lavar e durar.
Mais…. Gente habilidosa, tirocinada e culta, continua ainda hoje a ver naquela salganhada o mesmo que os tisnados e burgessos pastores…. Feitios!!!!
Como não eram nada parvos, eram só ignorantes, criaram as Divindades à medida do seu próprio entendimento das coisas. Mas embora tudo levasse a crer que sim, sustentaram que não senhor…. O Senhor Deus é que nos (os) terá criado à Sua imagem e semelhança, diziam… Espertos heim!!!!!
E como é evidente tal parecença destinava-se a conferir ao homem, leia-se: ao macho, a predilecção Divina. Logo o poder discricionário que podia ir como até então ocorria, do despotismo à violência.
Agora não sei como dizer… se eles eram como o Deus, barbudos de olhar furibundo e de justiça implacável, ou se era o Deus que era como eles. Todo poderoso furibundo e déspota. Uma coisa era certa, as mulheres não valiam um pataco e eram até apontadas como a origem ardilosa do pecado. (cobras e bichos)…. E havia também os Querubins que correspondiam aos meninos machos, cujos eram descritos assim como uns rosados leitõezitos com pilinhas minúsculas e asinhas nas costas. As ovelhinhas, essas, passaram a ser o Cordeiro de Deus…. Pouca imaginação como se vê…. Limitaram-se a decalcar a sua prosaica realidade social.
Definidos os preceitos, mais a sua própria teoria da criação do Mundo cuja obedece a um intrincado enredo cheio de peripécias, que não vale a fadiga de as descrever e ao estimado/a leitor/a é-lhe poupada a empenhada atenção que forçosamente teria de ter para a entender. De resto não vele a pena porque, eram e são, apenas detalhe. O essencial foi o que em verdade, em verdade vos disse. A praxis era naturalmente, a corresponder: Curiosidades… Porquês…Inovação… etc…etc, não eram lá muito bem tolerados. E tabus como o sexo, então nem é bom falar…. Não o acto sexual, mas apenas o sexo, que cada um de nós tem e é uma boa parte da nossa natureza e da nossa condição de SERES HUMANOS. Até esse era olhado de soslaio… Caramba pá…. Não podíamos muito bem ser todos iguais, rosnavam entre dentes… Tínhamos cá as nossas ovelhinhas e “prontes”… Esta grave disfunção social ficou bem expressa na nova Constituição Sagrada já que, segundo o “Holy Book”, a mulher enquanto ser, não foi criada de raiz por Deus. Não senhor!!! Foi feita a partir de uma costela do homem como um clone… Um ser de segunda.
Logo, fruto dessa desconfiança o sexo como tema globalmente considerado, foi ainda mais “tabulizado” do que antes era, quando eles ainda eram selvagens…. E foi civilizadamente substituído pelo recato, sobretudo o feminino, como virtude primordial.
Nem às crianças era permitido brincar aos médicos, aos maridos e assim….. Que grande có-có!
Está bom de ver que as jovens mulheres da tribo do “povo eleito”, deitadas na esteira, nas noites estreladas, negras com’á fominha, mordendo os lábios e apertando os joelhos, lá iam conseguindo cumprir os “cânones”, isto porque a alternativa era o apedrejamento. E os primeiros a atirar pedras, eram os pais e irmãos. Uma barbaridade. Mas é o que manda o livro!...
Às mulheres casadas, Já era permitida qualquer coisita, mas com contenção, sem excessivas manifestações. Para falar verdade, durante o acto, tão assexuado quanto possível, tinham que gemer p’ra dentro e mexer apenas os olhinhos. Gritos, estavam fora de questão!!!!
Estas, quando noivas, levavam como dote, ovelhas já se vê. E por vezes estavam anos inteiros sem ver o pastor, o que as levava a transes complexas com Anjos, (outros artistas que eles acabaram por inventar) de que resultavam “prenhisses celestiais”, de maridos ausentes e já em plena andropausa. Bom… Adiante….
Quando estavam no Egipto a infernizar a vida aos esfíngicos locais, rogaram-lhes tanta praga que eles preferiam esconder-se em sarcófagos a ter de enfrentar a fúria do Deus dos Hebreus.
Ao fim de longas e tortuosas negociações, passaram de povo escravo a povo nómada e acrescentaram mais umas tantas páginas à Bíblia Sagrada. Neste processo destacaram-se mais uns quantos Profetas, a engrossar o livrinho. Moisés, Josué, Alberto João Jardim, Paulo Portas, etc. Foram estes entre outros, os timoneiros dessa saga hercúlea. E a excursão prosseguiu, por montes e vales atravessando desertos e rasgando mares, na busca daquilo que julgaram ter visto no livro sagrado: A terra prometida pela PAC – Política Agrícola Comum – A terra do leite e do mel…
A certa altura, vendo-os perdidos, Deus deitou fogo a uma mata no Sinai para lhes indicar o caminho para a sua nova Pátria. A mata ardida deu lugar ao deserto do Sinai, uma das mais inóspitas regiões da Terra. De permeio Deus ditou-lhes as normas fundamentais do bom cidadão. Eram elas três e ficaram conhecidas como: as Três “mandações”, são elas: I - Afagarás a tua ovelhinha, II – Apedrejarás a tua mulher, III – Darás porrada nos teus vizinhos.
Foi então que construíram uma arca em ouro onde passaram a transportar o “calhamaço”. (1)
Volvidos uns quarenta anos a andar às voltas e apesar disso e da perseguição dos Faraós, lá deram com a coisa.
Como o território já estava ocupado, tiveram que andar à porrada com os locatários e vizinhos (Ainda hoje desancam metodicamente, os pobres Palestinianos, para lhes ficarem com a água). Destacou-se nessa luta, um tal David, que derrubou o gigante Golias, cujo, teve morte de passarinho. Ou seja: com uma pedrada nos cornos. Por este facto, veio o franzino David, a ser Rei dos judeus.
Julgam alguns historiadores, que o facto de o pequeno vencer o forte, esteve na origem do popular desporto conhecido por Judo, onde o fraco também suplanta o forte, usando exactamente a sua, dele, força. Com absoluta verosimilhança, diga-se. Se não vejamos: o nome Judo, deriva do termo: Judeu. O tempo encarregou-se de alterar, de judeus para judocas o nome dos seus praticantes. Como sugere a palavra, judoca, é um judeu baixinho e de olhos amendoados. Prossigamos….
Os eleitos, nunca se soube por quem, acabam por assentar e foram cimentando a sua civilização na vertente patrimonial. Conquistaram novas pastagens para as suas queridas ovelhinhas e alargaram de tal forma a sua influência, que constituíram um poderoso Reino a que Deus mandou que chamassem Israel. Mas toda a gente conhecia os novos locatários por judeus.
Para os salvar dos pecados do mundo, ao invés de deixarem de prevaricar, os espertalhaços inventaram que um enviado de Deus á Terra, Messias de seu nome, cujo, os levaria à salvação e á vida eterna. Nada mal, heim….
E assim viveram Século após Século, Na paz do Senhor.
Até que os romanos resolveram intervir com vista a normalizar o mercado do petróleo…O afilhado de Nero – Mohamar kadafy - Mandou invadir a Judearia.
E para variar, desta feita, os judeus levaram p’ra tabaco… Mas ainda lhes restavam as ovelhinhas e as gajas para apedrejar…Foi talvez a única colónia romana, onde o circo não substituiu o desporto local. Como a terra deixou de ser deles, já não havia vizinhos para desancar, pelo que passaram a andar à porrada uns com os outros, quando não estavam a apedrejar alguma vadia, ou a afagar as ovelhas.
Os romanos, achavam que aquilo não era normal. Mas para não levantar ondas, fechavam os olhos.
(1) Ver no Google. Basta digitar: arca da aliança Ou ver o filme do Indiana Jones.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta.
Antes de fundar esta coisa do blogue, o sentimento de que passaria mais tempo a "falar p'ró boneco" do que gostaria, era o maior obstáculo entre abri-lo e não o abrir.
Pronto está aberto e não há volta a dar-lhe.
Este preâmbulo serve para enquadrar um recado. Recado esse que só passará se tiver para onde passar.La Palisse dixit...
O miolo do recado é que queria publicar um texto "esgalhado" há uns anos, sobre a vida dum atleta.... Como é um tanto extenso para estas coisas (tem 17 páginas A4 em cinco capítulos), vou publica-lo ao ritmo de um capítulo por dia.
O seu nome é: Breve e Verdadeira "Estória" do Altleta.
O evento inicia-se amanhã, e terminará seis dias depois.... Espero.
terça-feira, 6 de julho de 2010
As traineiras também se abatem
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| Traineiras |
Rolou o cigarro entre os lábios finos e secos, acendeu-o e puxou uma ávida fumaça. Pegou-o entre os dedos indicador e médio da mão esquerda, ao passo que expelia o fumo retido nos pulmões, em rolos como se de nuvens se tratasse.
Com a outra mão pega no cálice de bagaço, e leva-o à boca. Com um movimento rápido inclina a cabeça para trás e despeja-o, insuflando as bochechas magras do seu rosto tisnado e curtido pelo Sol e a maresia.
Engole a mistela por entre um ah-ah-ah, e um estalar de língua.
Pousa o cálice no balcão com um gesto bem medido com um rigor de experiência feito, enquanto a sua voz de saxo-tenor, roufenha sem ser desagradável, diz: Óh “Tónho”, pinga aí mais um.
Uma portada larga com vidraças em vidro martelado de várias cores e aberta de par em par, dava aquele pequeno estabelecimento sobranceiro à Marginal Norte, o ar de um bar de sala de estar tipo classe média.
Manuel, o “Manél Bitoque”, dá as costas ao balcão e fica-se a olhar.
Os olhos – quase duas fendas no rosto – postos longe, sabe-se lá onde!
Na aparência fita o Mar, a Papôa, ou as gaivotas ali à frente entre a estrada e a falésia….
Puro engano…. Como que por magia, que não por efeito colateral do bagaço, num golpe de asa, voa para o meio da azáfama da Ribeira doutros tempos, na descarga da sardinha e a sua estranha polifonia e colorido. As “motoretas” de carga, de som agreste no seu toque-toque diesel, a prata das sardinhas casando com a vozearia dos homens e mulheres e estes com os apitos graves - solenes – das traineiras gritando ordens, vaidosas, nos seus vestidos de chita, num caleidoscópio de cores ondulantes, mais os seus motores poderosos… E, de entre elas a mais bonita, é a «Flor da Manhã» com o seus dois motores «Penta Volvo» a cantar com a sua voz de barítono profundo…. Era a que mais alto cantava. E era sempre a primeira a chegar aos pesqueiros. “Manél Bitoque” destrinçava o som da sua garbosa traineira de entre toda a frota de pesca de Peniche e não só. O seu ronco, era música para os seus ouvidos um tudo nada duros, ainda assim, ouvia/sentia distintamente a voz daquela sereia mecânica, que o maquinista trazia sempre num brinquinho, o orgulho da Companha.
Ora o “tónho”, o Sr. António para as Finanças, homem avisado, proprietário do «Porta Larga», sabendo onde ele já ia, grita-lhe por entre um sorriso a bailar-lhe nos olhos papudos:
Ah “bitoque”“atão”… o bagacinho é p’ra secar?
O “Manél”a custo, como quem desliga a televisão a meio dum jogo da bola, lá se virou e repete os gestos de “empinar” bagaços. Gestos dos quais não é autor exclusivo, pois trata-se de uma criação colectiva dos consumidores de aguardente, mas é seguramente um bom interprete dessas manobras.
E lá volta a plantar-se à porta, posto nas suas “tamanquinhas” à proa da “flor da Manhâ”, o olhar perdido no horizonte muito, muito p’ra lá da Berlenga…. O vento a assobiar nos cabos, o ssssshhhhssssshhh do casco a deslizar na água. Lágrimas???... Não!!!! É o vento!!!!
Num lampejo, a linha do horizonte regride e fica-se pelo que, fisicamente é a que se avista do «Porta Larga»: o Mar, a Papôa e lá longe o recorte, esbatido pela neblina, da costa até quase à Nazaré. Lembrou-se então que a mulher lhe tinha pedido para trazer um “pexinho” p’rá caldeirada.
Puxa de outro cigarrito, sai para a rua e diz daí:
Oh “Tónho” aponta aí!!!!!
O taberneiro soergue a boina e coça a calva. Passa um pano húmido sobre o balcão de pedra, e num rebolar de pança, vai à gaveta de baixo, ripa de um caderneco seboso e cheio de uma escrita indecifrável, de números e caracteres misteriosos e antes que esqueça, rabisca na coluna com o nome do bom do “Manél”, duas «BP». “Bombas de pelintrões”
(Testemunha que sou daquilo que relato, esclareço que para saber o que significava «BP», queimei as pestanas em pesquisas extenuantes…. Mentira…. Tive foi que arriscar uma “over-dose” da dita poção, para ganhar balanço e pretexto para o perguntar ao “Tónho”. Perdão…. Ao Senhor António, que eu tenho mais jeitos de fiscal das Finanças, que de freguês da tasca.)
Os passos do “Manél bitoque” levam-no às cegas e de cor pelos mesmos caminhos que já trilhara com outras ganas e noutros tempos, quando ia na “ginga” (bicicleta) da Vila Maria até à Ribeira onde embarcava mais a Companha.
Gente fina, trabalhadora e amiga.
Mas o Mar dá…. O Mar tira. E em nome do Mar, se tira também….
Não só vidas… Que essas, chorou-as quanto baste… - ele próprio fintou a morte um bom par de vezes. Mas não houve fuga possível desta morte lenta de tantos e tantos “Manéis” e “Jaquins”.
Já lá vão muitos anos mas está ainda fresco na sua cabeça…
Em nome do Mar e pelo Mar, dizem…Não sei quê a sustentabilidade…. quotas do “pêxe”, peço desculpa….. Do pescado… à espanhola!!!!! É mais fino!!!
Não sei mais o quê…. Subsídios para abate de embarcações….
Os marítimos nunca perceberam o porquê destas medidas. Eles sempre respeitaram o Mar, porque era, e é, a sua vida.
E abater barcos?!?!?!…. Aceitavam melhor que lhes arrancassem um braço.
É melhor para todos… Diziam uns senhores bem-postos, de ar sisudo e de bem com Deus.
E o «Flor da Manhã», foi para lenha e a Companha foi para o desemprego.
Claro…. É melhor para todos….
Não lhe ficou mais raiva do que devia. Que a raiva é coisa ruim… Consome um homem por dentro. Torna-o mau. E nesta Companha que todos os dias larga dali da ombreira do «Porta Larga», não há lugar para homens maus. Há, mas para companheiros…..
Vão com a maré, à proa da “flor da Manhã”, felizes, visivelmente felizes, como crianças de faces afogueadas… Voltam, ou não…. Pouco lhes importa.
Óh “Manél”…. “Manél Bitoque”…. Grito-lhe daqui, do lado do real. Não te esqueças do “pêxe” p’rá mulher fazer a “caldêrada”.
Não sei se me ouviu…. Ele já está um pouco duro de ouvido!!!!
António Capucha
Vila Franca de Xira Junho de 2009
segunda-feira, 5 de julho de 2010
A dimensão humana das relações entre os povos.
Não sei se repararam mas o senhor Aníbal acaba de criar um novo estilo de discurso oficial ao conferir às relações entre povos o carácter... A dimensão: HUMANA.... Isto é uma autentica revolução na retórica oficial. Quem é que havia de suspeitar de uma coisa assim.... É para isso que servem os Presidentes: para nos alertarem para estas realidades semi-escondidas, por detrás da polidez das perorações oficiais. Muito obrigado senhor Aníbal....
Ai de mim pobre tosco que achava que as relações entre Cabo Verde e Portugal eram assim como as do BPN com o Banco Insular. Daí a presença dos Empresários... Não! É evidente que não!... São humanas, as relações são sobretudo, humanas senhores.....
Nosotros não sentiamos tanto orgulho pátrio desde que o nosso primeiro falou em castelhano, aos nuestros hermanos...
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Acordei e!!!!
O Sr. Aníbal é o Presidente.
O Sócrates deixou-se de filosofias e ainda é 1º Ministro.
O PPC (Pedro Passos Coelho)é putativo 1º Ministro.
A D. Manuela Ferreira Leite, continua tal como o Rio de Janeiro continua!
Sua Alteza Sereníssima a rainha Santa Isabel, Perdão, A Queen Elizabeth. Apesar das vozes e das nozes continua accionista da PT.
A Manuela Moura Guedes continua a sujar as orelhas de Batom, quando se ri.
O Artur Albarrãm, continua apostado em produzir o filme: Couraçado Potemkin, versão light.... Com Cristiano Ronaldo no papél de Peeter Pan....
A apresentadora da TV Fátima Campos Ferreira continua a apresentar o "Prós e Prós"
Algo de muito perverso, continua a dividir Portugal de Espanha. Em Espanha uma apresentadora da TVE , loira, beijou um sapo e ele transmutou-se em príncipe Casaram e tiveram muitos meninos. Em Portugal, uma apresentadora da RTP igualmente loira, farta-se de dar beijos no sapo e este não deixa de ser Presidente da Câmara de Sintra e do Benfica....
Não fora começar hoje o Colete Encarnado, festa maior de V. F. de Xira, e não acontecia nada de jeito....
António Capucha
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Em nome de que religião é que a Portugal estará vedado o uso da “Golden Share” na PT….
A forma com que os mais “resinosos” liberais acreditam naquilo a que chamam as “leis do mercado”…. (Deixem os mercados funcionar! Vociferam… Espumam... Os profetas, quer dizer, os lacaios do sistema…) É obviamente uma questão de fé sem o mais leve sinal de racionalidade.
Vimos ainda há bem pouco, o salve-se quem puder de todos e cada um, a acudir pelos seus trapinhos, e os primeiros, foram exactamente os que agora vêm de dedinho esticado, ao PORTUGAL de ABRIL falar de estupidez colonial. Apenas porque o Estado português protegeu os seus interesses…
E a U.E. que assistiu a isto tudo impávida e serena…. Agora é que lhe chegaram os rigores estatutários? Isto é despudor de mais….
Com vossa licença…. Eles que vão mas é à MERDA…. Sim?
António Capucha
terça-feira, 29 de junho de 2010
VARANDA DE PILATOS ou O CIO DO MAR II
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| Varanda de Pilatos |
António Capucha
Vila Franca de Xira Maio de 2009
domingo, 27 de junho de 2010
A gamela - segundo Norman Mailer
Soneto à "laminuta" do Vaz que é António....
Dedicado a um grupo de comensais, queridas amigas, entre as quais conto uma que...... Cala-te boca!!!
As comadres e amigas à volta da gamela.
Para disfarçar a sua fome perversa
Desdobram-se, inventam mil e um temas de conversa.
Diz uma de dentro da sua "armadura" de flanela.
Linda blusa, dispara, como te conténs nela?
A interpelada, em seus pensamentos imersa
Bambaleando a opulenta carne da zona inversa
Rosna em surdina: Escanzelada... Toda tu és canela.....
Então sem mais aquela, atiram-se ao assado
Hum!!... Querida, dá-me mais vinho, está excelente
Copo após copo, p'la ladeira das goelas escorrega.
Do seu devastador efeito, fica-lhes o rosto amassado.
Os olhos turvos e a boca, cada vez mais dolente....
Estalam risos...Ora....Depois se apanharão os cacos da refrega
António Capucha
Óh Senhor Aníbal!?!?
Então, isto é que é cooperação estratégica? Se é , vou ali já venho!!!
Cooperação só se for com a sua própria estratégia. Que com a dos outros órgãos de soberania, especialmente com o Governo da República, não me parece.
E não é de ontem que a “descooperação” vem sendo a sua estratégia. Lembro-me do celebérrimo caso da espionagem a Belém, montada pelo governo, com escutas ilegais, personagens de mistério no “séquito” presidencial na Madeira…. Eu sei lá, isso foi p’raí o diabo a quatro…. Não terá sido apenas uma “estória” mal contada e deselegante. Foi sobretudo, e na minha opinião, apenas falta de jeito. Pronto… Há pessoas que não nasceram para isto. Não é dramático! Dramático é que os eleitores levem tanto tempo a perceber isso.
E sabe porque é que se nota muito que o senhor não nasceu para isto? É que não há memória de um Presidente da Republica, com tão mal disfarçado apetite por liderar os destinos da Nação. Nem tão artificial nas atitudes e declarações. O senhor, pessoalmente considerado, até pode ser boa pessoa, mas como político…. Já não se via um assim p’raí desde o De Gaulle…
Isto porque, segundo o que o senhor terá dito, os seus valores fundamentais são a honestidade a verdade e….. Desculpe varreu-se-me…. Hoje espera-se dos políticos mais do que “chavões”, tão vazios, como uma garrafa vazia…. E há lá coisa mais triste que uma garrafa vazia!?!?
Depois senhor Aníbal, desculpe que lhe diga, mas o que nós queríamos – o que eu queria – era um Presidente da República e não de um professor de cátedra, que de cada dez alocuções ao País, a onze, faz delas lições de economia para adultos, reclusos e Sargentos do quadro Geral de adidos…
Bom, isto assim não é para nós, desculpe a presunção de falar em nosso nome – do povo – nem é para si. O senhor sozinho, não vai lá, nem mesmo com profundos tabus, e como já deve ter reparado os seus indefectíveis, estão em debandada desde a treta do BPN. E o seu PSD - digo seu porque foi criação sua, antes era o PPD - também parece um tanto distraído do seguidismo devido ao seu “líder natural”, ou estarei enganado?
E já agora deixe que lhe diga que já no final do seu segundo mandato como Primeiro Ministro, o senhor até me fez pena. Com toda a gente à sua volta a amanhar-se à “fartazana”, como hienas. E o senhor refém, honra lhe seja feita, do seu apego à honestidade, verdade e… não sei quê.
Tal como o senhor disse a situação portuguesa é complexa, e como se não bastasse o alarmismo que a imprensa imprime à questão para suscitar fortes apetites de compra e consumo das noticias, o senhor também vem a terreiro dizer do pior da situação, e subliminarmente, sugerir que o reelejam. Olhem bem para mim, o meu ar honesto de quem fala verdade…. E…… não sei mais o quê….. Esqueci-me, como já disse. E até sou Professor de Cátedra em economia…
Tal como o De Gaulle alegadamente, conduziu a França á vitória sobre os NAZIS?!?!?…. Ou pelo menos, levou o exército francês à parada de vitoria dos aliados…. Não é bem a mesma coisa, mas fica bem…. O senhor já tem o mérito inquestionável de ter travado a inflação galopante nos idos anos oitenta e noventa do Século passado. Razão mais que suficiente para figurar na História. Embora eu pessoalmente ache que no que respeita a méritos, foram mais os tiros p’ró ar, ou no alvo errado, que os que acertaram na “mouche”. Mas isso são questões mais ideológicas que de outra índole. E como é evidente eu respeito esse género de diferenças.
Mas como ia dizendo, Para uma maioria segura da população, o senhor é tido como tendo sido um bom Primeiro do Governo. Não arrisque agora passar para a História, numa revisão em baixa - para usar uma terminologia que melhor conhece – Como o Chato das Conversas de Economia, Tal como o outro o foi das Conversas em Família…..
Mude de agulha. Faça sobretudo um favor a si próprio e saia pelo seu pé…..
António Capucha
Vila franca de Xira Junho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Como a economia abrandou, seja lá isso o que for, os bancos, perdão… As instituições de crédito, numa “down” de negócios, resolveram assaltar o pobre do “cliente”, fazendo-se pagar por uma série de pequenos serviços, que sempre foram prestados como fazendo parte intrínseca da actividade bancária.
Apesar das enormes camadas de “markting”, como se de “make-up” se tratasse e dos hectolitros de chá sorvidos, quando cai a máscara, é que se vê a verdadeira essência das coisas. E NESTE CASO FOI A CARA DA AGIOTAGEM QUE EMERGIU. Sim…. Que por mais voltas que se dêem, é essa a base do negócio bancário. Muito mais sofisticado e regulamentado… Dizem! Mas é, o que efectivamente é: AGIOTAGEM.
E o que é que mais custa a um “prestamista”? São as “borlas”!!!!
Para ele o negócio tem um só sentido: o lucro. E o que não der lucro terá que ser banido do negócio. Ou incluído nele com um preço, Justo, já se vê…. Borlas é que não…..
Com o crise financeira a aumentar, ou pelo menos a não regredir, são hoje muito menos as chamadas oportunidades de negócios e é natural que a banca veja reduzida a sua liquidez. Então algum “criativo”, lembrou-se de que manter as contas dos clientes abaixo de um determinado valor, ou a zeros, tem custos adicionais. É obviamente falso… Custos tem, mas apenas os que são da natureza do negócio.
Mal, aqui neste particular, andou o Banco de Portugal, e as instâncias governamentais de defesa dos direitos do consumo, que passou uma esponja sobre o assunto, como se a actividade bancária não tivesse responsabilidade nenhuma no surgimento da crise, e generosamente aceitado este sofisma das “manutenções de conta” como uma forma de minimizar os efeitos da dita crise, que permite aos bancos sacar aos desgraçados:
- 5,20 euros para saldos entre 1.500 e 2.500 euros (inclusive);
- 10,40 euros para saldos entre 1.000 e 1.500 euros (inclusive);
- 15,08 para saldos iguais ou inferiores a 1.000 euros (inclusive). (valores por trimestre)
Espantoso… Não é?
O rigor sobre os clientes, só tem igual no “regabofe”, nas mãos largas, para os proventos das administrações…. Sempre em número de duas, porque apenas uma parece mal, é menor, sendo que uma é Executiva e a outra, um pouco mais decorativa. (o Conselho de Admin.)
No entanto, são ambas muito caras….
A natureza das coisas é terrível. Por mais que se tente disfarçar e por muito óleo de fígado de bacalhau que se tenha tomado em pequenino. Por muita polidez nos modos e sofisticação que se afivele, a velhaca da natureza, acaba por revelar sempre a verdade intrínseca, visceral, intestina do que se é. E, desculpem lá qualquer coisinha, mas no vosso caso é: AGIOTAGEM…..
Por detrás dos vossos mármores, da imponência das vossas sedes e das decorações nobres das vossas filiais, eu só vejo a vetusta, a obscura gaiola de um mesquinho agiota Judeu (o invejoso, o prego, o usurário) somítico e sumido por detrás dos seus óculinhos que não escondem antes reforçam, a avidez do seu olhar míope…
António Capucha
Vila Franca de Xira, Junho de 2010
A Banca “rôta”I
A Banca “rôta”I
Nós fiados na grandeza dos bancos… Quer dizer: Eu fiado na grandeza dos bancos, e vai-se a ver, afinal eles, os bancos, também não têm liquidez para os empréstimos que concedem. (aqui o termo concedem não é ironia)
O que eles fazem é pedir emprestado a outros bancos, lá fora, na pátria dos bancos, digo eu, bancos esses que suponho, também são avalizados por outros. Acertam os juros e os outros ganhos de cada um entre si, e o empréstimo é realizado. O sistema está tão bem oleado e ágil que até há normas e supostas regras….. Mas são só para quem, de chapéu na mão, pede que lhe seja concedido um “empréstimozito”, para-fechar-a-varanda-lá-de-casa-que-a-mulher-anda-sempre-a-chatear-com-o-estendal-da-roupa-a-secar-ou-melhor-a-não-secar.
Como uma procissão, este “Calvário” é seguido religiosamente. Acerta-se o juro (agora diz-se SPRED) que, apesar da rigidez das normas e regras, é a “olho por cento”. E o dinheiro aparece vindo não se sabe bem de onde, (também é só papel) e as coisas fazem-se…. As mais valias cumprem-se, e tudo corre sobre rodas.
Mas…. E quando as mais valias não existem? A obra para a qual se fez o empréstimo não se realizou, ou algo do género…. E não é raro!!! Sobretudo em mega-negociatas…. Como o volume de negócios é mastodôntico a coisa com o “barulho das luzes” disfarça…. Quando não!?!?!?
Bom aí conta o que de facto é importante neste negócio. Ou seja: O prestígio das pessoas e instituições (palavra muito em voga…. Até o Benfica é uma instituição!) envolvidas nas diversas etapas do negócio. Tudo gente acima de qualquer suspeita, bem encadernada, e temente a Deus…. Tão temente que às vezes até são da “ÓPUS DEI”… Bom….
Se a coisa der mesmo para o torto e a dívida não tiver qualquer hipótese de ser honrada, e até documentalmente se prove que não houve fraude dos clientes, a culpa foi claramente da gestão que na ânsia de apresentar serviço avançou com os negócios…. Bom, assim sendo, uns “rapazes” muito criativos, especialistas em “engenharia financeira”, (engenharia quê????) arranjam um nome solene, pomposo, chamativo para o tal empréstimo incumprido - mas isso não se sabe – e transforma-se o aborto num produto financeiro para ser vendido em bolsa…. Pois!
Ora esse produto com aquele nome e vindo de quem vem, é como uma traça brilhante para um camaleão…. As CMVM’S, para não parecerem parvos, ou por simples e pura venalidade deixam passar a coisa e os pategos em bolsa a bufar e espumar pela boca, salivam abundantemente na presunção da maior oportunidade de negócio, desde a “pólvora sem fumo” e do “tiro sem pum”.
O pior é quando alguém entre a cabeça e o rabo desta “pescadinha-de-rabo-na-boca”, resolve deixar escapar que aquele produto não representa coisa nenhuma….. É um negócio falhado. E se por acaso esse negócio estava difundido a nível mundial com milhões e milhões de acções vendidas em todas as bolsas?
Está-se mesmo a ver o que dá, não é verdade!!!!
Foi…. Foi assim que se deu a crise de que tanto ouvimos falar….
Algures entre a cabeça e o rabo deste peixe podre que alguns apreciadores dizem ser o “Sistema Financeiro Internacional” (a mim parece-me mais uma estrutura tipo MÁFIA com mais padrinhos que afilhados) explodiu a bronca que nos trás a todos de gatas.
Em boa verdade aqui não há inocentes….
A começar nos Sr.s Administradores. Como é sabido a maioria dos bancos, são estruturas privadas por acções e como é habitual o sistema de controlo de gestão é habilmente manipulado pelas maiorias que se formam para o efeito. Depende desses a nomeação das administrações que, como é evidente não se faz por concurso, nem por critérios de capacidade e competência. Critérios que são frequentemente substituídos pelo compadrio e “amiguismo” de forte tendência dinástica…..
Das prorrogativas da gestão privada fazem parte os prémios por cumprimento dos objectivos traçados. (traçados por eles próprios, já se vê…) e pela Assembleia Geral de Accionistas, controladas pelas tais maiorias que os nomearam…. Objectivos que não são os resultados finais, mas o volume simples de capital emprestado…. Espantoso!!!!)
É evidente que assim, o que vem a calhar às administrações, é que se concedam imensos empréstimos seja a quem for, sejam ou não de risco evidente, venham ou não a traduzir-se em resultados negativos. Depois “com o tal “barulho das luzes” lá se arranjará forma de mascarar os resultados não positivos.
São milhões e milhões como viemos a saber pela imprensa. E isto em relação às “chafaricas” nacionais, que a nível internacional nem sei dizer o seu valor em “numeral ordinal”….
Tudo corre muito bem, até não ser possível esconder a realidade, porque o volume do buraco já é várias vezes maior que o capital disponível. Ou porque uma das “comadres” se zangou e põe tudo a nu. (lembram-se do Jardim Gonçalves?)
Depois é atravessar o deserto. Os visados a sustentar que não senhor…. A CMVM, atrasada, a requerer para ontem uma auditoria…. O Banco de Portugal a lavar as mãos como Pilatos… (Ai….Ai…. Victor Constâncio…. Nunca pensei!!!) Entre “anjinhos” e “mafarricos”, desta “estória” mal contada, venha o Diabo e escolha… A imprensa é a única a “grizar-se” toda e valha a verdade, (eu não disse isto…. Foi um passarinho), a fazer o lamentável papel de moralista barato, como se nunca tivesse metido as mãos na “massa”…. Tal como nunca aceitou fazer de estafeta de lóbies…..
O que cronologicamente se segue é que se exige aos governos – que foi para isso que lhes subsidiaram as campanhas, que o Estado - nós, já se deixa ver – intervenha e salve a banca porque esta é o motor da economia e tal e coiso…. Ouve-se, até doerem os ouvidos, o coro de lamentos dos Ex Ministros, e outros “servitas” nos jornais e TV’s… Até os especialistas do costume bramam…. Pois é … O sistema não é perfeito mas os outros são piores…. O “vozerio” clamando por “medidas adicionais” vem de todos os lados, cerca-nos. É necessário garantir a disponibilidade do pagode para se chegar à frente, pela segunda vez…. A primeira foi quando o governo suportou a queda dos bancos. Claro, não suportou nada…. Fomos nós os contribuintes que o suportamos.
Não é por ingenuidade que simplifico a coisas deste modo. Não ignoro a complexidade destas coisas. Agora…. Também sei que a génese de tudo isto, assenta em princípios muito simples e singularmente primários. Isto é assim como a linguagem digital: cada “frame” contem logo à cabeça a sua identificação “genética”, a sua origem, digamos assim.
Por muito complexa que seja a operação, as constantes são:
1º - O lucro, é sempre o seu Norte, Sul, Este e Oeste. Objectivo de sentido único.
2º - Este facto é religiosamente omitido, tal como as mentirolas dos “putos”.
3º - Todas as envolventes extraordinariamente complexas, servem para controlar e sustentar por um lado o lucro e assegurar pelo outro, a mistificação deste. Muito esforço…. Muito esforço…. Tudo especialmente para si!!!! Claro que tem de ser pago pelo cliente….
É ou não extraordinariamente primário…. Quase infantil? Exactamente porque foi obra de homens e por “sorte marreca” dos de natureza mais ganânciosa e prepotente, logo primários.
Por muito que professores – Ex Ministros, ou não – nos queiram impingir a economia como uma espécie de Bíblia dos nossos tempos, esclareço que para mim, concedo-lhes ser a economia, uma “proto-ciência” e é um pau…. A não ser que alguma alma penada de entre eles consiga desatar o nó Górdio da distribuição de riqueza justa e a contento de todas as partes.
A própria UE, revelando a falta de visão dos seus chefes - os eleitos e os outros que nem por isso – comprovando essa cadeia de interdependência (Máfia), afadigam-se a inventar pequenas reformas ao sistema, por forma a mantê-lo na sua essência… Segundo o princípio mais que conhecido de que é preciso mudar qualquer coisa, para que fique tudo na mesma….
Aliás o exercício deste, ou de qualquer outra forma de poder, é rectilíneo, repetitivo quadrado e estúpido. (é verdade!!!…. Por vezes basta a violência!)
Complicado e a requerer habilidade, é fingir e suportar que não se trata de poder, de mandar…. É antes matéria do interesse comum….
E porquê? Porque é que esta estratégia mais que vista e já azeda, aparece sempre renovada e de cara lavada, como se nunca tivesse tido nada a ver com isto?
Quantas vezes mais será necessário acontecerem crises como esta para nós entendermos que gente desta apenas tem a aparência de decente…
A esta pergunta, impõe-se, digo eu, a seguinte reflexão: “Os povos têm a tendência para confundir sisudez com honestidade e competência.”
E esse é que é o verdadeiro drama…..
António Capucha
Vila Franca de Xira, Junho de 2010

