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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A importância de se chamar Aníbal

Como o prometido é devido cumpro hoje a promessa feita à cerca de uma Semana e pouco.

A importância de se chamar Aníbal

Quanto mais não seja para cumprir a lógica das coisas, é importante que, seja o que for, se chame aquilo que é. Parece um exercício demasiado simples, primário, e imbecil, mas é mais importante do que pode aparentar num vulgar e singelo olhar de relance.
Será que nos damos por sistema ao trabalho de pensar nestes pequenos porquês, que pisamos sem dar conta?
Mas vejamos se isto, tem ou não lógica. Porque não experimentam em vez de nomear pessoas e coisas passarem a descreve-las apenas.
Estou certo que mais de metade do que pretendíamos transmitir se perderia ora por falha, insuficiência ou erro na sua descrição. Quer por iguais deficiências de entendimento do lado daquele ou daqueles a quem nos dirigimos.
Mesmo usando as mais sucintas definições e os nomes mais precisos e correctos, ocorrem erros de comunicação, quanto mais se ao invés disso transformássemos tudo aquilo a que nos referimos em conceitos e ideias apenas nossos, isso seria uma terrível Babél….
Vejamos. Neste “blogue”, é feita uma descrição de como eu sou, ou acho que sou, com retrato e tudo. No entanto para quem não me conhece, apenas o meu aspecto fisionómico fica claro. O que convenhamos, diz muito pouco de mim – Quem vê caras!?!?!?!?
Já para quem me conhece, podendo embora discordar do que digo de mim, pode no entanto identificar-me pela foto e dirá: Ah…. O tónica…. Sei perfeitamente…. Mas ele escreve? Olha, não sabia.
Entendem agora o que quis dizer?
Nem mesmo havendo um conhecimento partilhado e vasto das coisas, dificilmente conseguiremos ser cabais no entendimento das mesmas.
Por maioria de razão é assim com qualquer cidadão ou cidadã. E também com o Sr. Aníbal. Dito apenas isto, serão mais as perguntas: quem é?
Que os: ah sim sei perfeitamente!
Carece portanto de mais esclarecimentos….
Dizendo então:
- Aníbal António Cavaco Silva.
Ah sim….. Sei quem é…. Aliás sabemos todos: É o Sr. Presidente…..
Saberão?
Tal como no “blogue”, há que descrever características e ser o mais rigoroso possível para que todos saibamos do que estamos a falar.
Então lá viria o seu perfil, versão Wikipédia:
Aníbal António Cavaco Silva GCC (Boliqueime, Loulé, 15 de Julho de 1939) é um economista e político português e, desde 2006, o décimo nono Presidente da República Portuguesa.
Foi primeiro-ministro de Portugal de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995, tendo sido a pessoa que mais tempo esteve na liderança do governo do país desde o 25 de Abril. A 22 de Janeiro de 2006 foi eleito Presidente da República, tendo tomado posse em 9 de Março do mesmo ano.
Estará tudo dito? Para alguns talvez já chegue, mas para mim é curto.
Para mim falta dizer que é um professor de economia. Que acumula com professor de economia e que professa a arte de ser professor de economia. Alguns “liliputeanos” afadigaram-se em criar dele a imagem de um grande político, Um homem de Estado, de cidadão honesto, impoluto, homem justo, respeitador, sóbrio e sobretudo imensamente capaz. Ora eu acho, fazendo base no que tenho visto que o cavalheiro pode ser muita coisa, mas o que é sobretudo è um político inábil. Com tanta ou tão pouca habilidade que apenas nos tabus, silêncios expressivos e a ser professor de economia, não comete erros. Mas isso ainda vá. Não está Só nessa carruagem.
O que já não dizem os tais artistas é que o senhor em causa é imensamente, diria doentiamente sedento de poder. A tal ponto que não hesitou nunca, em secar por completo o seu PSD, para conseguir os seus objectivos pessoais.
A mim começa a parecer que não estamos a falar da mesma pessoa.
Se a isto juntarmos AS MUITO MAL CONTADAS RELACÇÔES COM O BPN, melhor, com a SLN e as derivas dos seus indefectíveis apoiantes pelas mesmas razões!!!!
Então, venha o mais pintado e diga que estamos seguramente a falar da mesma pessoa.
Como é importante que nos ponhamos de acordo porque seja o que for, ele é uma entidade única, irrepetível (felizmente) e com todo o direito à sua identidade.
Logo, para ser totalmente inquestionável - e porque nunca estaremos todos de acordo quanto à sua definição cabal – como ia dizendo, inquestionável e por isso sumamente importante é o facto de Aníbal ser o sufixo de o neologismo: MARIANI…..
Que é o nome da casa de Férias da família em Boliqueime…. Nome que resulta da feliz conjunção dos nomes dos seus proprietários. Cavalheirescamente MARIA primeiro mais ANI de Aníbal depois. Sendo que, e não sei se repararam, dá-se uma sobreposição de um A, fundindo-os como na vida real o estão….
Que linda imagem…..
Que chique, original e…. Nem sei que dizer….. Parece mesmo um nome de canção do Tony Carreira….
È ou não é importante chamar-se Aníbal?
Com António não dava, não soava. “MARIANTO”…. Que canastrice!
Nem com Cavaco ou Silva…. Ora que lindo…. MARIASIL…. Parece nome de mercearia de bairro.
Bom. Registe-se e releve-se a importância de se chamar Aníbal. Mais o evidente mérito de o ser…..

António Capucha
Vila franca de Xira, Agosto de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Para que não se diga que não falamos de bola

Não gosto de quebrar promessas, mas resolvi "martelar" primeiro este tema com receio de que perca actualidade.... Mentiroso! Fi-lo apenas por que sim....
A. C.


Para que não se diga que não falamos de bola


Não vou esconder que muito embora goste do futebol, ter um clube do coração (O Grande Sporting Clube de Portugal) e tudo o mais, não consigo deixar de racionalmente ter enorme dificuldade em aceitar o mundo do futebol como uma coisa que me mereça muito crédito. E porquê?
Tão só porque no seu obscuro mundo, quase nada tem a dimensão aceitável, o nível de inteligibilidade consentânea com a dignidade humana. A começar no dirigismo saloio de “patos bravos”, passando pela “acéfalopatia” cultivada e com trejeitos de imposição contratual aos pobres (salvo seja) rapazes do chuto na bola. A estes é praticamente proibido ser ou dizer coisas inteligentes… Apenas podem seguir o formulário, assim estilo: Vou tentar fazer o meu melhor para ajudar o grupo de trabalho!!!! (Toma e embrulha!!!!)
E terminando na imprensa da especialidade onde monges copistas cultores do “futebolez” vão cerzindo a sua teia ao sabor do “lobiezinho” que lhes paga os pequeno almoços e assim.
Por detrás e sustentando isto tudo, estamos nós e a nossa inesgotável ingenuidade em contraste com a igualmente imensa generosidade, com que nos entregamos a esta paixão da bola.
Ora, como não quero sob qualquer pretexto entrar neste ninho de ratos, respigo apenas a “estória” que no seu leito correu e que aqui trago porque é um bom exemplo de um dos nossos “pecados mortais”.
O caso é que o Seleccionador Nacional de Futebol, Carlos Queiroz, está a contas com uma trama contra si urdida que pode levar ao seu despedimento, e pior, por via disso à esbanjamento de vários milhões de euros de indemnização.
Carlos Queiroz, está “nos cornos do boi” porque terá dito não sei o quê, referindo-se à autoridade anti dopagem, ou ao seu interprete de circunstância, o que constitui matéria de ofensa, também não sei se à instituição se à pessoa do executor da tarefa. E também não sei se alguém sabe quem é aqui o ofendido (a pessoa ou a instituição)…. O que claramente muita gente sabe é que o sr. Queiroz, terá sido o agressor verbal….
Já lá vai tanto tempo – ter-se-á passado antes do Mundial – que acho estranho que o suposto ofendido: a instituição ou a pessoa, cujo há-de por força ser de compreensão lenta…. Já que levou todo este tempo a sentir-se tão ofendido….
A não ser que caso a selecção portuguesa tivesse feito melhor figura na África do Sul, a ofensa já seria menor… Teria sido só de raspão. O que seria um espanto!
Tudo isto cheira a “encomenda”, onde uma “dama” manhosa faz de “Madalena” e a que, a imprensa, como sempre, corre pressurosa a aproveitar o filão.
A minha opinião é que não se perdoa ao Seleccionador Nacional, ser um mau interprete desta cultura rasteira travestida de futebol, e que ainda por cima não se expressa em “futebolez”. E o facto de ser inegavelmente inteligente causa brotoeja aos zelosos “servitas” do sistema.
A questão de fundo, a origem de isto tudo, não é este argumento de telenovela. A génese de que toda este intrincada ramagem é apenas consequência, é outra. É perversa e está sempre ao serviço dos manipuladores do costume. É uma das nossas originalidades, diria mais: anormalidades da nossa vida colectiva. O que de facto é o motor de tudo isto, é a “autoritarite” aguda das instituições e seus interpretes, que de alguma forma são autoridade disto ou daquilo. Raramente estão estas instituições, melhor, os seus executantes, dispostos a arcar com as inerentes responsabilidades de o serem. É ver a facilidade, quando há bronca, com que essa gente desaparece como por encanto. Agora a pavonearem a suas alegadas autoridades!!!!! “É um ver se te avias”….
Sabemos todos muito bem do que estou a falar. Já todos tivemos por certo um encontro do terceiro grau com este autoritarismo compulsivo. Ele é a marca indelével de quase todas as nossas instituições de serviço público. A tropa, a GNR, a PSP, a ASAE, – encapuçada e armada até aos dentes…. Ridiculo - os contínuos, porteiros, médicos, - aproveito para o cumprimentar sr. Fernando Pádua, autoridade das autoridades – os Professores, ( há quem os veja não como transmissores de conhecimento, mas como autoridades) e claro… Vossas altezas reverendíssimas sereníssimas e certíssimas: as autoridades eclesiásticas, o chefe de uma qualquer repartição….. Sei lá…. São aos centos. E se for caso disso, pode até criar-se mais. Sugiro a criação do posto de chefe dos “mictórios” públicos. Dá-se-lhe um boné e uma farda, e o homem há-de passar o santo dia a zelar por que não se sacudam vezes de mais as “ferramentas”. E chamar-se-á: Contador Supremo de Sacudidelas. Acho que já é suficientemente digno e sonante….
Temos essa mania: O autoritarismo é um resquício do tempo do “facho” que infelizmente encontra sempre entusiastas, não só actores, mas também defensores…. Não tenho qualquer dúvida de que este comportamento, associado a outros é certo!!!! Mas seguramente este, é um travão a qualquer desenvolvimento social, económico, ou político.
E em conclusão, não me custa nada a crer que o tal senhor que ia recolher o “chi-chi”, ou lá o que era, dos nossos briosos rapazes se tenha armado em “autoridade”, e não terá querido ceder a fazer a coisa noutra altura, por ventura, mais adequada ao programa de treino.
Bom… Terá dito de si para si: Ceder a não sei quê?!?! Isso é que não. Eu sou a autoridade do “chi-chi” e ando à cata de prevaricadores…..
Está bom de ver que é do interesse de todos, sobretudo do seleccionador, que as análises fossem feitas e descartada alguma hipótese de uma “vergonhaça” em pleno Mundial…
Tudo aponta para que tenha sido um caso de “autoritarite aguda” a que o excesso de pressão do seleccionador levou a que disparasse alguns impropérios. Mas em privado…. Isto é, não em público…....(Normal, diria…)
Os “servitas” do costume aproveitaram logo, uns para aparecer na televisão – há tanto que não os via!!!! – E outros para tentar restabelecer o cenário de celebração tipo IURD, na nossa selecção. Coisa para a qual o Sr. Prof. Carlos Queiroz demonstra grande impreparação….
É de fazer perder a paciência a um Santo…
Depois não se diga que presunçosamente não falamos de bola.
António Capucha
Vila Franca de Xira Agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A cataplana

É um tanto extenso embora as figuras esbatam um pouco esse fenómeno. Sobretudo um tal "Big Bizu", que embora não passando de um expressivo pimento, diz mais que tudo o que dele se possa dizer ou escrever.

Cá vai pois a Cataplana, obra não feita para o blogue, mas que, julgo, também não deslustra.....
tonica


uma cataplana



Ao contrário do que o nome possa sugerir, a cataplana é tudo menos plana. Há-as de diversos materiais, mas a cor e material dominante e tradicional, é o cobre. Quanto à forma, é consensual. As duas meias luas articuladas de um lado. E do outro, um fecho de mola. Fechada – quase hermeticamente - assemelha-se a uma lentilha gigante. Aberta e vista do seu lado de dentro, são claramente duas bacias geminadas, destinadas a conter qualquer coisa que se lhe queira meter dentro. Já pelo lado de fora, não sei como dizer isto…. Digamos que se as mulheres usassem armadura, seriam a cobertura traseira, ao nível dos seus opulentos quadris. Mais não me atrevo a dizer porque isto é um assunto sério….
Prossigamos!....
Este apetrecho de cozinha, como já se disse, feito em cobre, acrescenta-se agora: martelado, chega às nossas cozinhas cristãs pela mão dos artesãos árabes. Árabes, que à época eram quem detinha a organização política e social aqui neste corredor ao Sol. Eram portanto quem podia usar o martelo, sem que tal fosse tido como acto, ou tentativa de agressão. E no caso usaram-no para legar à descendência, este precioso artefacto, que faz maravilhas às nossas papilas gostativas. E de tal forma as excitam que o fogo do “pecado” só se aplaca com outro pecado igualmente ardente: um bom vinho – é o chamado contra-fogo. O pior, ou o melhor, é que ao fim do terceiro ou quarto copo, excitados pelo xarope e pelas conotações lúbricas da forma da cataplana, ficavam, os pacóvios dos machos ibéricos, nossos avoengos, muito empolgados. E alarve, parva e gulosamente punham-se a tirar medidas às cataplanas das suas “matronas”, que à pala disso, lá iam fazendo o gosto ao dedo, que é como quem diz…. Claro que isto é pouco Cristão, mas - e como Deus escreve direito por linhas tortas, o lado positivo disto tudo é que assim se foi alargando a prol e fundamentando o que viria a ser a nossa civilização.
Eis como – e pouca gente sabe disto – a cataplana está na origem do crescimento demográfico da nossa população. O que se sabe, é que quando já eramos mais c’ás mães, acabamos por correr com a moirama daqui p’ra fora e gamamos-lhes os martelos mai’las cataplanas.
Bom, mas deixemo-nos de “estórias” e voltemos ao cerne da questão. Esta ferramenta, dadas as suas características – o ser hermética e tal – confere-lhe a capacidade, a vocação por assim dizer, de coser (assim mesmo, com ésse) os sabores dos diversos ingredientes que se lá puserem. Adicionando um pouca de gordura vegetal, casa na perfeição toda a casta de legumes com, preferencialmente, peixe, mariscos mas também carne de qualquer ordem. A norma é que o lume tem que ser parcimonioso. A cozedura lenta é a norma nesta, como noutras coisas boas desta vida.
Nos nossos dias em que, dada a refinação dos nossos modos, nos transformamos em seres muito sofisticados e de “lambões” passamos a degustadores, pois então! Esta característica, de cozinhar lentamente, favorece e muito os actuais preceitos sociais, pois deixa tempo para o convívio, enquanto vai fundindo os sabores. E por esta razão e outras que não vêm ao caso, é amiúde o repasto tipo, das reuniões das nossas actuais “matronas”, cujas socializam entre si trocando, além de mimos, “tamparoweres” e mistelas da “Avon”como se de “tramoços” se tratasse. Adiante…



A matrona Montserrat-Caballe
 Só quem nunca tenha passeado nos bairros suburbanos de classe média, aí pelo meio-dia de Sábado é que nunca ouviu, o grito de guerra que ecoa pelas esquinas: Meninas… “Qué’-se” dizer, meninas, meninas, bom, digamos que sim!... (para ler como se um pregão de varina se tratasse)…A cataplana, está ao lume, vamos aqui badalar um pouco, enquanto apura!... Bom…
E desta forma, polida, lá vão confidenciando umas ás outras, segredos de “polichinelo” e as mentiras que todas sabem sê-lo, e que sem excepção passam impolutas num tácito e muito elaborado jogo, mente tu que eu acreditarei, “óspois” trocamos: minto eu que tu acreditas… Este jogo vem desde o tempo em que o primeira macaca desceu das árvores e se tornou “Mulher erecta”. Não se sabe muito bem o que é que ela endireitava, ou se era por se por de pé, que se dizia dela, ser “erecta”. O Kama-Sutra (manual de posições) da época, era muito menos vasto, e asseverava muito prosaicamente o “decúbito ventral”, versão articulada, como a posição normal da fêmea, que ganhou o cognome de “quasi-erecta” porque só se punha de pé para mandar vir… Pode no entanto agora, com alguma segurança, afirmar-se que tinha o condão de endireitar uma coisa nos “Homo-Erectus” que está provado “erectava-se” por influência directa dela. E esta é que é a verdadeira e científica razão de ser: “erecta”, no sentido de: aquela que “erectava”. (Dicionário Porrinhas)
Bom voltemos ao jogo…
O objecto fundamental deste jogo é a disputa de tudo. Seja o que for. Tudo e nada será matéria de contradição, sendo no entanto material mais utilizado: o aspecto físico próprio e o das outras comparsas, os seus meninos, os maridos… Ah e os trapinhos, nunca esquecer os trapinhos. Um exemplo disso – e escolho ao acaso - são os seus maridos. Estes têm sempre em triplicado tudo o que os das outras é suposto serem, ou terem. Os meninos idem, idem… As meninas estão todas no terceiro ano de “Bárbies”. Quanto aos trapinhos, Uiiii, nem ouso tocar nessa matéria… As suas regras, (as deste jogo) cujas nunca ninguém definiu, são no entanto sobejamente conhecidas de todas as participantes.
Claro que há improvisos, quem por este ou aquele motivo não tiver marido, ou filhos, ou ambos, pode sempre arregimentar uma qualquer figura estilística que o substitua. E há sempre um sobrinho para fazer as vezes de “vingador”. (adiante se verá porquê vingadores) Ah… Já me “desquecia”, é rigorosamente proibido jogar com os maridos das outras…. Adiante…
A “codrilhisse”…. Cala-te boca!.... É assim que se chama o jogo, é como um jogo de xadrez em que se mudam as regras a cada jogada. Percebeu? Não? Nem eu….
O que é verdade, verdadinha, é que línguas afiadas cortam o ar como chicotes dizendo coisas de assombro. Quem arrancar, AAAAh’s e OOOOOh’s, mais expressivos, demorados e densos, ganha o bacalhau. Porém, lá por dentro, onde o “tico” e o “teco” circulam a não sei quantos G Hz de velocidade - talvez não sejam assim tantos!... A actividade é frenética. Pelo canto do olho todas espiam todas, anotando mentalmente todos os pequenos - ou grandes - defeitos, descuidos ou erros cometidos à sua volta. Basta multiplicar tudo por todas, para se fazer uma ideia da estafa para os pobres “ticos” e “tecos”.


Tico e Teco
Exemplos, querem exemplos… Não percebo qual a necessidade, mas ‘tá bem. Lá vai:
(Diz uma mentalmente)
- Pois filha, fala p’rái. Apesar de só comeres tiras de coiro, estás mais gorda que uma bácora. Atiras cá uma cataplana que dava p’rá casa real de Espanha mai’la família do Cavaco Silva e comitiva… E a roupinha… Sacos de sarapilheira de cinquenta quilos…. Agora alto e bom som: - Oh Marília, estás muito mais magra, como é que fazes? Responde a interpelada de viva voz:
- Oh querida! Nada de especial… Faço muito exercício e uma dieta “Amaricana”.
Agora em surdina: Fuinha… Escanzelada… Deve ser por seres tão boa que o teu marido me deita olhares gulosos! Pudera, com o que tem em casa!... Está farto de roer ossos… E depois, vestes-te como se fosses a “Twiggy”, só que és p’rái do tempo do “Fons-Hinriques”... Galdéria… E os sorrisos acompanham esta guerra surda mas nunca declarada nem assumida…
De repente, cortando esta torrente de mau estar, lá do canto ouve-se: O meu marido vai comprar um “Bê - Mê - Dâblio… Cresce um coro entre o efusivo e o desdém enjoado: Que bom querida!... Que bom!….
Deves mas é andar a ganha-lo pelas esquinas!... Lambisgoia!.... Claro…. Isto pensaram todas em uníssono, (pensar em uníssono? Compreendi-te!...)
Como se deixa ver, as regras, se as há, são mandadas às urtigas, e é o vale tudo que impera. Mas claro… Claro que são amigas!...isso nunca esteve em causa…
Depois abre-se a cataplana e o seu perfume serena tudo e todas. É engraçado mas comer bem, em regra eleva o espírito, até às mulheres!...
O vinho escorre-lhes pelas goelas, bebem como se de homens se tratassem e o efeito não se faz esperar. Como é sabido, estas coisas têm três distintas fases. Primeira, a euforia. Segunda, a melancolia. E por fim, se não se tiver parado de beber: a prostração.
Sorvidos que foram os primeiros golos, as comensais, individualmente consideradas, acham-se imbatíveis. Todas se consideram controladoras de tudo e todas as que a rodeiam, e as mais belas e esplendorosas criaturas. Não lhes cabe, por assim dizer, uma palhinha na “pandeireta”. Evapora-se a inveja e dissipa-se o azedume e hei-lo que chega, pujante, vigorosa, avassaladora, a segunda fase: A melancolia. Escorre viscosa por toda a sala, é uma comoção colectiva. Afinal sou uma “matrafona”, (não confundir com as: marafonas, bonecas de trapos, lindas, da aldeia de Monsanto)

                                                                                             
                                                                                                                                Matrafonas
                                                                                    

Marafonas
Já olhaste bem para ti por acaso? Eras tão bonita… Os palermas andavam a rapar à volta, vinham comer-te à mão… Agora, tens uma tromba que parece uma máscara Inca, o viço das carnes, murchou, a “virgínia”, que era uma rosa em botão, parece mais um “charrôco”…. Ai…Ai… Mais de metade do que consigo surripiar ao aperto de todos os meses, vai para “betume pedra” e p’rá Micas cabeleireira. O meu homem é uma seca, vem p’rá cama a cheirar a álcool e a colónia barata, das putas. “Odeispois” comigo, cruzes… Que vida!... Que merda!... O que me vale, são os meus meninos, queridos meninos….
E o sublime e genuíno sentimento maternal irrompe devastador. Comoção colectiva… Mas nenhuma dá pelo facto de isto ser uma onda gigante, colectiva… Todas por igual acham que é um assunto só seu, pessoal. Ai os meus meninos….
Os queridos de sua mamã… Como se fossem a extensão do seu ser, os filhos machos são para as suas mães os “Zorros” da história, que humilhando sexualmente as garinas, vingam as frustrações das suas progenitoras, que por sua vez, terão sido humilhadas da mesma forma no seu tempo.
Até que o Sandrinho, (assim se chama o “bacorito” sem pescoço) é muito bem aviado…. Não sai ao pai não…. E é tão bonito… Parece mesmo um daqueles retratos da “OLA”. Quando for grande hão-de ser assim de gajas atrás dele… E ele numa de desprezo, nem as olha e quando pousa o olho numa, Zás… Com o seu “Big-Bizu” racha-a “dáltabaixo”…



big Bizu
 Essas malucas têm a mania que são boas. Mas ficam a saber que a única boa a única que ele quer, é a sua querida mamã.
Por estas e outras razões, fica claro porque é que os homens têm atitudes machistas. Não se está a ver quem os educou para tal, pois não?
Estes sentimentos pouco edificantes, são por assim dizer a fronteira para a terceira fase. A prostração insinua-se ao de leve, o negativismo mais atroz, que de leve, passa rapidamente a pesado… Os olhos entaramelam-se, a voz tropeça e os jarretes claudicam. É física, óbvia e evidente a altercação. O sistema nervoso central, abre brechas por todo o lado. Mas a “psiké” continua a ser cabeça de cartaz. A fase aguda é cada vez mais evidente. Ouvem-se coisas de estarrecer, uma grita que já foi actriz de cinema e que até ganhou um Óscar. Só não sabe que é feito dele. E o príncipe do Mónaco chegou a propor-lhe juntarem os trapinhos, mas na altura não lhe dava jeito e a coisa ficou por ali, pela frustração do príncipe… Mas chegaram a beijar-se…. Pois claro…
A sala dá voltas e voltas a imponderabilidade é total, afinal o príncipe tem orelhas de burro e uma “piça” de querubim. O estertor leva a que se engalfinhem umas nas outras, num vale de lágrimas. Carnes, suor, ranho, base e rímel, misturam-se num cozinhado horrível… A cataplana jaz vencida e as garrafas tombadas são como o rei derrotado naquele louco xadrez.
Uma boa soneca deixará apenas uma dor na tola e um sabor a papéis de música, lá mais para o fim do dia.
Glorioso dia, que rica cataplanada…
Só de imaginar… Dói! Que cena…
Custa a acreditar que criaturas, que, com a sua beleza esbatem a fealdade das rotinas diárias dos dias de hoje… As sublimes mães dos nossos filhos, nossas queridas parceiras, não só de sexo, mas de jornada, por vezes até amigas, companheiras. As mulheres, que não só as suas “cataplanas”, estão ao nosso lado para o melhor e o menos bom. Confesso, que por vezes nos estão por cima… São-nos superiores, a bem dizer…! É consensual, que nos dão lições de como se sofre com estoicismo e são já hoje, nestes momentos mais chegados, nossas concorrentes na chamada escada do sucesso. È justo que se diga, por ser verdade…
Mas então como é possível, aquela loucura insana á roda da cataplana? Ora, está bem de ver! Tal como nas moedas, há duas faces, distintas e manda a retórica destas coisas, que contraditórias entre si.
A cataplana, é portanto e aqui, motor de reflexão sobre a natureza humana feminina. E não uma panela bizarra, que como já se disse, aberta e vista pelo lado de fora, parece a “peida” duma gaja boa….

Gaja boa com armadura vista de frente

Vila franca de Xira, Outubro de 2006

António Capucha

sábado, 31 de julho de 2010

Para breve....

Carissimos:
- Para breve, sem entrar em definições do que é ser breve, glosar-se á - outro bom verbo - o tema < A importância de se chamar Aníbal> Mais se esclarece que não se trata de uma fixação no pobre do senhor.(pobre, salvo seja!!!)  Mas é sem dúvida de entre as primeiras figuras desta região da Europa, e desta metade do Mundo acima do Equador, depois da saída de cena do outro que era Contra-Almirante. É, como ia dizendo e em minha humilde opinião, o mais "glosável" de todos.... Ressalva-se naturalmente o pérfido Capitão Gancho que já nem dá para as crianças comerem a sopa.....

Também está planeada uma deambulação, sem bola, pelo Mundo do Futebol. Que como se sabe é depois desta, a parte mais gaga da nossa inteligência colectiva. Mais ainda que a GNR, PSP, militares, clero em geral e o Relatório e Contas do Banco Pinto e Souto Mayor.
Até lá.....

António Capucha

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Dois verbos...

Dois verbos, que não de encher, bailam-me na cabeça. São eles:
- Perorar.... E Zurzir....
Maldade minha.....
Que quando peroro, zurzo...
E para ser completamente verdadeiro, a minha forma privilegiada de zurzir... É perorar....
Folguem pois as costas dos zurzidos, que a peroração fica no saco ao lado da viola, que por não ser verbo, não é p'raqui chamada.....
Isto assinala o meio das férias, que também não é verbo mas é insistentemente aqui chamada.....
António Capucha
Peniche, Julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

FÉRIAS

Carissimos:
É só para dizer que estou de férias. Quer dizer, mantenho as mesmas actividades "sopeirais" mas mudei de tachos e panelas....
São assim as férias dos serviçais!!!
Em Peniche outra particularidade, é que tenho que dividir a "net" com o Francisco, o que equivale por dizer que não me toca nada, ou quase nada!
O resultado prático disso é que o blogue apresente entretanto alguma falta de combustível...
Pelo facto as minhas desculpas e prometo que não torno.....
António Capucha

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Hoje, VI Capítulo de

Após uma luta sem tréguas com a net da "vodafone",(a"vodafone" ganhou) lá consegui, como se vê, cumprir a promessa de publicar todos os capítulos de:
Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta

VI Capítulo
Epílogo



Bom….A/O estimada/o leitor/a, estará a falar com os seus botões: Pois… Vão sei lá quantas páginas, já vamos no epílogo e ainda não apareceu o tal ATLETA….
Vá, confesse lá…. Já está a imaginar que isto é uma versão das chamadas técnicas agressivas de vendas…. Um fabiano qualquer inventa uma imagem chamativa, neste caso a figura dum atleta, mas depois vai-se ver e quando você espera um “poster” autografado do Nelson Évora, na volta leva é com uma enciclopédia, um aspirador p’ró carro, ou um produto para desembaciar para-brisas…. Etc.
Não!!!! Juro que não se trata disso.
É uma singela e estrambólica, versão autentica de uma “estória”, dizem que a mais contada das Histórias, e tão autentica e verdadeira quanto a original, Claro que por oposição, é igualmente verosímil dizer-se que é tão fantasiosa e falsa, quanto a outra….(3)
Bom vá lá…. Faça um esforço!!! Ainda não está a ver?
Quem será O ATLETA?
Está bom de ver!... Só pode ser Ele….
Há mais de dois mil anos a fazer o “Cristo”. Ainda lhe restam dúvidas? O herói, desta “estória” não é só um atleta, Ele é o ATLETA.
Mesmo com um júri de comunistas…. Ganharia sempre. Por isso ganhou lugar na História.
A meu ver, é e será sempre o ATLETA.
E desta forma aqui fica lavrada factualmente, a sua riquíssima “estória”.
Chamar-Lhe atleta, em minha humilde opinião, respeita-O mais, é mais inócuo, ofende menos a sua memória, e o homem superior que parece ter sido. Do que a versão que os seus subsequentes “servidores”, Lhe e nos impuseram...
Não querem que eu sustente esta última afirmação, pois não?... É que é só uma questão de “paleio”…(os vaidosos chamam-lhe Teologia…) Mas, com esse ou outro nome, e a erudição deste ou daquele raciocínio, nada lhe altera as origens evidentemente falsas. E fiquemos por aqui....

(3)-Tal como a do Judas esta minha versão dos acontecimentos apesar de igualmente verosímil, também não foi homologada, porque o Vaticano mantém contra toda a evidência que a Srª. de Fátima é virgem…. Coisa que deixei claramente demonstrado ser uma impossibilidade total e absoluta. Claro, desde que se trate da mesma Senhora! Agora se for outra…. Já dou o braço a torcer…

Vila Franca de Xira, Maio de 2006
Revisto em Novembro de 2009
António Capucha

domingo, 11 de julho de 2010

Hoje, V Capítulo de

Breve e Verdadeira "Estória" do atleta


V Capítulo
“Post morten”

A Apostólica Romana, não teve o mesmo pudor que eu, e usa a sua morte como exemplo de salvação pelo sacrifício. Mais rocambolesco!... Deus terá mandado o seu filho à Terra, para morrer pela salvação do Homem. Mas isto não bastava…Mais difícil ainda…À sua morte adicionaram uma ressurreição absolutamente mórbida. Lembrando desta forma à canalha, que se andarem certinhos, também serão ressuscitados, mas só mais lá para o fim dos tempos, seja lá isso o que for… Mas atenção… Só se andarem na linha.
A Apostólica Romana, honrando as origens, “qué-se-dezer”: dum lado Roma e do outro aquele Deus furibundo dos pastores, óbviamente especializou-se em aterrorizar os seus pobres crentes. Se virmos bem, é tudo pela negativa. A salvação só se atinge com muito sacrifício e privação de tudo o que manifestamente, dê prazer. Todos os prazeres são pecado. Portanto, todo o sofrimento é redentor.
Sadicamente, exploram o dramatismo da morte de Cristo até ao despudor, como já se disse, e levam-no até ao ponto de o seu símbolo supremo, a sua imagem de marca, ser o pobre do Homem pendurado da cruz em manifesta agonia….
Cá p’ra mim esta escumalha, velhaca e rasteira, só cuida de duas coisas, a saber: Avolumar o seu poder. E transformar o acréscimo do poder em riqueza. E cá…Neste Mundo!... Não vá isso da vida eterna, ser um embuste.
Nessa matéria, é hoje absolutamente sabido que os pilares sobre os quais assenta a doutrina da Igreja, é um chorrilho de mentiras inventadas durante a tenebrosa Idade Média, no recato das Abadias.
Abades alarves, pedófilos e pederastas, linha a linha, foram criando a História que dava mais jeito à manutenção dos privilégios da “Santa Madre”. Com mestria engendraram uma forma de nos manter agarrados p’los “tomates”. E esta é que é a verdade.
A Igreja de Cristã virou decididamente, Católica Apostólica, mas Romana…. Cristã é apenas alcunha…

Hoje, IV Capítulo de

Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta

IV Capítulo
Últimos três dias

Estava Ele então a jantar com uns amigos, na churrasqueira do Campo Grande, quando foi traído por um discípulo, de seu nome Judas, um beijador compulsivo (1). Este Beijou-O, e os romanos levaram-No preso por atentado ao pudor. Deram-lhe umas chicotadas e tal, e iam manda-Lo embora, quando o pérfido Caifás, o Sumo-Sacerdote, sibilou: Só? Mas Ele diz que é Rei dos Judeus!.... Ao que riposta o governador romano: Desde que Ele não diga que é Imperador de Roma. Tudo bem…Se querem sangue por que não o levam ao Herodes o vosso Rei? E lá foi Ele, muito maltratado e já a duvidar de toda aquela história. O Heródes, era um fantoche que os romanos mantinham, apenas para salvar as aparências na ONU. De resto era uma abécula acabada. Lá lhe fez as perguntas que vinham no guião. E Jesus ainda pujante de dignidade, lá lhe foi trocando as voltas. Respondendo-lhe como no filme do Cecil B. De Mile. Assim estilo: Your Word’s , not mine’s. (como eu gostava de ter dito isto. É assim como o nosso: Quem és tu romeiro? Ninguém!!!!)
Bom, o estúpido do Herodes nem percebeu os trocadilhos do Outro. E porque não tinha autoridade nem para mandar açoitar um comunista, devolveu-o ao Pôncio Pilatos, Governador Romano da Judeia.
Este, mal vê Jesus assomar-Lhe à porta, dispara: O quê outra vez por cá. Alguma “fizestes”! Olha pá, assim com’assim, estes papalvos querem-Te na cruz. E eu por acaso até tenho aqui mais dois para crucificar. Vai tudo por atacado e escuso de pagar horas extraordinárias à tropa. Vai pois e desampara-me a loja. Claro que outros relatos destes mesmos acontecimentos, usam uma linguagem mais dramática e escorreita, mas a pequenez intelectual dos intervenientes, excepção feita a Cristo, é de tal ordem, que terá sido por certo este o conteúdo mais que provável, do então ocorrido.
Pronto, ficou ditada a sentença.
Depois as opiniões dividiam-se. Os Romanos achavam que era um pobre diabo, ao passo que o judeus do P S M C T, queriam era vê-Lo morto. O que nem uns nem outros sabiam, nem Ele próprio, o verdadeiro, o da “Bayer”o Cristo tri-valente, é que isto era apenas parte de um plano de Deus Pai, que levaria a que a própria Roma viesse, não só a ser Cristã, mas a ser a sede dos Cristãos. Uma versão revisionista e ainda mais monumental, fantástica e efabulada do que a doutrina do Deus do grande Abraão. Mas isso são contas d’outro rosário…
Ajoujado sob uma cruz pesadíssima, cruzou toda a Jerusalém, trôpego e ensanguentado. Pelo caminho a Madalena ainda tentou limpar-Lhe o rosto, mas os soldados afastaram-na rudemente.
O destino deste infausto desfile era o monte Calvário, onde habitualmente os romanos faziam as execuções dos condenados. Após a penosa subida, foi pregado á cruz e a morte sobreveio lentamente.
Se as/os estimadas/os leitores querem mais pormenores da crucificação, vão ver o filme do Mel Gibson. Porque eu acho que não cabe aqui a descrição da morte, deste ou de qualquer outro personagem. Não dá!… A morte por condenação é algo obsceno, indizível e “inrisível”. Pudores de iconoclasta!...

(1) – Esse tal Judas, que ao que parece não era tolo. Aliás há quem sustente que ele e, claro, o Jesus Cristo, eram quem pensava as coisas. Como ia dizendo, Judas, escreveu também a sua versão dos acontecimentos, mas nunca foi homologada pelos senhores que mandavam nestas coisas. E deu-lhe um sumiço….

sábado, 10 de julho de 2010

Hoje, III Capítulo de

Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta.

III Capítulo
Os últimos três anos
Farto de “clamar no deserto”, que é o mesmo que falar p’ró boneco e porque o partido dos “padrecas”, o P S M C T, (Partido da Situação e dos que Mamam à Conta dos Tolos), não gostavam dele e ele também se propunha combate-los, fundou o B. E. (Bloco de Esquerda).
E deste modo, conjuntamente com Francisco Louçã, outros judeus e demais discípulos, calcorreou toda a Judeia e territórios adjacentes a pregar a boa nova. E qual era essa? Bom, para já, nada mais nada menos que todos somos iguais perante Deus. Mulheres, incluídas. A missa muda do Sábado para o Domingo, porque ao Sábado o Sr. Prior tem que atender as paroquianas desensofridas. E os putos, têm direito à meninice. Deixai vir a mim as criancinhas… Dizia!!! Uma palavra d’ordem muito gritada - mais tarde, por mau entendimento dos seus, pretensos continuadores, na longínqua Portus-Gália, veio a culminar no chamado “Processo Casa Pia”.
E dizia mais coisas… E pior, fazia mais coisas… Transformava água em vinho, que lhe valeu uma guerra com as cooperativas vinícolas. Curava paralíticos, leprosos e cegos. Isso custou-lhe uma queixa na autoridade p’rá concorrência por parte do lóbie da saúde. Que achava desleal o tipo andar a malbaratar as curas tão arduamente conseguidas pelos médicos e enfermeiras, e também de caminho, por farmacêuticos.
No entanto, estas e outras façanhas, deram-lhe grande visibilidade. Deste modo engrossava o número de seguidores e o clube de fãs. Um verdadeiro cortejo seguia-O. (Por esta altura começou a falar de si próprio na primeira pessoa do plural e os pronomes pessoais, referentes à sua pessoa, passaram a escrever-se com maiúsculas.) Àh e também acrescentou ao seu nome Cristo. Que é um termo Grego, não se sabendo muito bem porquê, mas Ele achava que lhe conferia assim um ar mais clássico.
Não é o primeiro e revelou-se não ser o último, a não saber lidar com o sucesso e isso veio a sair-Lhe muito caro. Mas adiemos o funesto e continuemos a “curtir” as peripécias da chamada vida pública de Cristo.
Como dizíamos, Ele era seguido por um cortejo de crentes, para além dos discípulos. E a História, está cheia de referências curiosíssimas. Por exemplo: Entre os seus seguidores, um, destacava-se por precede-Lo nas entradas e saídas dos povoados, com o estridente toque duma trombeta. Ora o Cristo queria, por vezes, entrar mais despercebido ou sair mais de fininho, e desta forma isso era impossível. Farto da barulheira, Jesus, virou-Se um dia para o segurança e perguntou-lhe, É pá quem é aquele tipo da corneta? Ao que o interpelado responde: Sr., saiba que é o Tadeu, o anacoreta cego de nascença, que ainda não haveis curado. (estava em lista de espera) Hum…’Tá bem, Trá-lo cá. O cego, arrojou-se-Lhe aos pés e Jesus disse-lhe. Vou fazer-te um poema: Oh Tadeu anacoreta/ Ceguinho que jamais viu/ Vai mas é tocar trombeta/ P’rá puta que te pariu… E curou-o. Como se vê e passe o palavrão, inevitável, pois foi mesmo assim que a coisa se passou, Ele era capaz também da ironia. Privilégio dos Deuses. Conto este episódio, Não porque goste de dizer asneiras, mas porque foi a partir daí, que passou a confundir-Se com o Deus. Soberba que Lhe iria sair demasiado caro, como veremos.
Estas suas acções, foram passando despercebidas enquanto decorriam no deserto e pequenas povoações. Lembremo-nos dos deficientes meios de comunicação da altura. Mas aí - and big mistake - achou que já havia uma vaga de fundo e dirigiu-Se à capital: Jerusalém.
Fatal!....
Os sacerdotes e outros tachistas do sistema, viram Nele uma ameaça aos seus privilégios e à própria doutrina ancestral.
Cego pela sua ambição, só fez disparates. Impediu o apedrejamento de uma mulher chamada Madalena, que arrependida do seu passado de meretriz, amiúde, se escondia debaixo das vestes do seu salvador a contar os pardais que lhe cabiam no poleiro.
Os sacerdotes ficaram possessos. Impedir o sagrado apedrejamento…. O resto ainda vá… Agora o que é sagrado, é sagrado….
Mas Ele não se ficou por aqui. Espancou os comerciantes que à porta do Templo vendiam pacatamente “púvides” e “minuins”. À CCP,- Confederação do Comércio da Palestina - pareceu-lhe muito mal…
Mas o pior, mesmo o pior, foi que, Julgando que atrairia mais fieis, insinuou que seria Ele o Messias. E fez com que os seus seguidores assim o chamassem. E como perdido por cem, perdido por mil, comete a derradeira burrice. Diz-Se filho de Deus e criou acto contínuo o grande dogma da sua fresquíssima doutrina: A Santíssima Trindade.
Pasme-se: Ele para além do seu ser material, Era o Deus Pai o Deus Filho e o Espírito Santo. E por acréscimo seria também Rei dos judeus. Assim sem mais nem ontem. Ninguém percebeu esta. E eu, muito menos. Mas mesmo assim houve quem acreditasse. Os tubarões, esses, esfregaram as mãos de contentes. Já cá bateste!...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Hoje, II Capítulo de

Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta




II Capítulo
A Sagrada Família



Por essa altura, a História precisa, que uma moçoila virgem chamada Maria, terá sido alienada com o dote de um jogo de chaves porcas, linha branca e uma bancada “Workemate” da “Black & Deker”, a um “cota” chamado José, que era carpinteiro. (e perguntará a/o estimada/o leitor/a: Mas “atão”, este não era pastor? Não, este carpinteiro, era especializado na construção de paliçadas e currais para ovelhinhas!...)
Este facto que parece, e é, corriqueiro, revela-se de extrema importância para a primeira deriva da religião dos “judocas”.
Ora estava a jovem virgem Maria, a repousar de uma arremetida nocturna do José, durante a qual por mais de três horas ele lhe babara o pescoço todo, sem outro resultado palpável, que não fosse esse mesmo, ela, ao olhar fixamente para uma estrela que se insinuava por uma fresta da porta, por efeito astigmático, esta, resulta num enorme clarão que a cegou completamente, ao mesmo tempo que ouvia uma voz masculina, agradável, que dizia: Sou o Anjo Gabriel e vou-te comer…E ela desvairada: Possui-me…. Possui-me…. Ao lado o José, roncava também desvairadamente. É preciso dizer que os Anjos eram personagens bem apessoados, assim tipo… George Clooney. E eram invariavelmente, precedidos de um feixe de luz. - O que seria destas pobres mulheres se já existissem lâmpadas de halogéneo. Mal acendessem a luz, abandonavam-se à lascívia e à exaltação dos sentidos, com o primeiro fabiano que estivesse presente. E então, lá choviam pedras. Pobres lares!... E depois quem é que fazia a broa? Bom ainda bem que ao tempo, não havia a “Osram” ou a “Philips”…. Prossigamos…
Dessa noite complicada e após tanto desvario, resultou que a Maria, ficou grávida. Mal se começou a notar o abcesso, o falatório, sobretudo do mulherio, era ensurdecedor. E o bom do José resolveu mudar de terra. Assim pela calada da noite, roubou uma motorizada, amarrou-lhe o jogo de chaves e a “Workmate”, montou-se nela mais a Maria, e “zzzeeeta” que se faz tarde.
O Sol amanheceu com eles já p’ra lá das Caldas da Rainha, a caminho da Nazaré. Lugar que acharam ser o indicado para fazer crescer o que quer que fosse que a Maria trazia no ventre.
Seis Meses após estes acontecimentos, a Maria dá à luz, de parto normal, um rapazola, escorreito e de olhos azuis como o pai?! Neste simples acto, a Maria deixou de ser virgem…. Surpreendida/o????? Eu explico: Ao sair, O nado corrompeu-lhe o hímen, desflorando-a… E desse modo, já virgem não era, simplesmente Maria ficou… Embora em sentido contrário, isto é: de dentro para fora, tecnicamente e na prática o que resulta, é a perda da virgindade. Tendo por corruptor o próprio filho, que aliás não é filho, é o pai. Bom… Não é bem isso… Ele é filho e pai num só… Percebe? Não!? Eu também não!....
Este é o primeiro dos grandes fenómenos que se aproximam. A vida desta criança, como se verá, está na origem de muitos mistérios que perduraram até hoje.
Volvidos uns anos, começa a notar-se que o catraio tinha as suas particularidades. Falava como no cinema ou seja: “Camone”… Que é como falam os Extra-Terrestres. E “fazia-o pelos cotovelos”. Ia para o templo e dava grandes “secas” aos Sacerdotes. E punha-se assim de dedo esticado para o céu e dizia: Em verdade, em verdade vos digo! E dizia!…. Aquela malta achava tudo muito estranho. Mas, e em verdade, em verdade vos digo, que naquele tempo os pobres tolos, achavam tudo o que não fosse pastorícia, atirar pedras às gajas ou afagar ovelhas, muito estranho….
E o Jesus, assim se chamava o portento, lá foi amealhando algum “caparro” e adicionando mais peripécias, às já referidas.
Até que, já nos trinta, resolve meter-se na política…….

Golden-share


Golden-share


O “Tribunal” de não sei quê da União Europeia, acaba de tornar público que a utilização da golden-share na PT por parte do governo português, É ILEGAL.
Não me passa pela cabeça acudir pelo Governo, porque é culpado de ter tido sempre uma atitude de subserviência em relação à Europa. Sempre pronto a mostrar-se menino bem comportado e cumpridor…. Não…. Não é isso que mais me preocupa. O que de facto é preocupante é que a UE, continue apostada, não em reformar o sistema, mas em manter obstinadamente as leis do mercado (falido, em queda,descredibilizado!!!!) como prevalecentes aos interesses estratégicos, quer da União quer dos Países individualmente considerados.
O que muita gente faz por esquecer, é que a actual UE, resulta de uma série de acordos sucessivamente negociados que remontam ao “antiquérrimo” acordo entre Estados acerca do controle da produção e comércio, do carvão e do aço, então a base das economias mais evoluídas. Antes do acordo esse mercado, assentava, já então, na lei da oferta e da procura… (a lei da selva, do mais forte) e terá custado aos povos europeus, duas guerras mundiais e milhões e milhões de mortos mais a destruição catastrófica das suas estruturas económicas, sociais, patrimoniais, políticas e até territoriais. O Acordo então conseguido e mantido até aos dias de hoje, embora dito económico, é eminentemente político já que a ideia base era criar uma forma de evitar a todo o custo uma terceira guerra mundial, de contornos previsivelmente apocalípticos. É portanto uma negociação entre Estados soberanos, logo é um acordo POLÍTICO e não só económico…. Muito menos financeiro….
Há, e em conclusão deste raciocínio, implícita na ideia da Europa Unida, que há aspectos quer económicos, quer sociais, quer políticos que são considerados estratégicos. Não podendo portanto estar expostos ao arbítrio da lei da selva.
Espantoso é que no seu seio haja quem defenda o contrário.
Ora estes senhores/rapazes que gerem a UE como se fosse uma enorme Empresa refém das variáveis financeiras internacionais. Se calhar estão a fazer aquilo que sabem…. E só aquilo que sabem….. Ou o que os mandam fazer….
Os governos dos Estados, é que deviam ter mão nisto. Ou caso não o façam estão a deixar-se confundir com estes estranhíssimos interesses, Digo eu!!!!
Há que lembrar a estes “tristes tigres da Buraca” ou “chernes da ribeira de S. Sofia” (tanto faz), que a sua função é zelar pelo equilíbrio e qualidade democrática da UE, e não armar-se em CMVM global.
O Dr. Mário Soares tem efectivamente razão… Faltam valores, reais valores, e cultura europeísta, aos actuais dirigentes da união.
Em resumo, Já não bastava estarmos a ser governados por rapazes. Ainda tinham que ser: Os maus rapazes...
António Capucha
Vila Franca de Xira Julho de 2010



quinta-feira, 8 de julho de 2010

Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta

Meus caros:

Tal como ficou prometido publica-se hoje o primeiro capitulo da: Breve e Verdadeira "estória" do Atleta.
Bom proveito!!!!

                                         

                                            Breve e verdadeira “estória” do atleta.

                                                                 I Capítulo
                                                  Preâmbulo ou o Povo de Deus

Há muitos milhares de anos, reza a História, que algures por ali, no sítio a que hoje chamamos Médio Oriente, havia uma tribo de pastores de ovelhas, cujos, afagavam ternamente as bichanas e apedrejavam selvaticamente as suas mulheres. Filhas, irmãs e até as próprias mães, todas por igual levavam na corneta…. Das razões é que a História não reza e pelo simples facto de a História ser sempre escrita por quem malha, e não por quem é, ou foi malhado.
Era este pois, um dos comportamentos típicos deste povo tisnado e de narizes aduncos, que, não se sabe porquê, dizia de si próprio ser o povo eleito.
Não parece credível que a prática eleitoral fosse do conhecimento deste remoto e inculto povo. Razão pela qual a qualidade de “eleito”, me pareça um tanto arbitrária.
Mas este orgulhoso e santificado povo, não se limitava a essa pequena vaidade, tinham que ter um Deus, não um qualquer Deus…. Eles tinham O Deus. E para o comprovar socorriam-se de um calhamaço, a Bíblia, um livro vindo não se sabe bem donde.
Como ignoravam a escrita não terão sido eles portanto, a escreve-lo. Julga-se que o livro, cujo, não passava de uma publicação tipo Tio Patinhas da época, terá sido “aliviado” a algum erudito de passagem.
Ora estes pastores levaram-no consigo, sobraçado no seu vaguear pelo deserto, porque aquela coisa era efectivamente volumosa e eles ainda não tinham construído a Arca D’Aliança. Para tal criaram um grupo de entre eles que o transportava à vez. E inventaram uns rituais e salamaleques antes de lhe pegarem e, quando tudo indicava que deviam ter sido chamados de carregadores do calhamaço, não! Inventaram chamar-lhes sacerdotes ou Profetas. E deram-lhes lugar de destaque na cadeia de comando bem como, passaram a sustentá-los como “burro a pão-de-ló”.
Continuando.
À falta de melhores recursos os labregos viam os “bonecos”, e ficavam fascinados com a beleza das iluminuras, que de tão expressivas, se prestavam a imensas “leituras”.
Com efeito, destacavam-se várias figuras de velhos barbudos de olhar furibundo. No qual viram sem sombra de dúvida a “pessoa” do DEUS. Às cobras/mulheres e mulheres/cobras, bichos avulso e coisas do arco-da-velha, estava-se mesmo a ver que eram a personificação do MAL… O diabo.
Assim num ápice ficaram lançados os dados de um jogo (entre o bem e o mal) que havia de durar Séculos e que aliás ainda p’rái está, p’ra lavar e durar.
Mais…. Gente habilidosa, tirocinada e culta, continua ainda hoje a ver naquela salganhada o mesmo que os tisnados e burgessos pastores…. Feitios!!!!
Como não eram nada parvos, eram só ignorantes, criaram as Divindades à medida do seu próprio entendimento das coisas. Mas embora tudo levasse a crer que sim, sustentaram que não senhor…. O Senhor Deus é que nos (os) terá criado à Sua imagem e semelhança, diziam… Espertos heim!!!!!
E como é evidente tal parecença destinava-se a conferir ao homem, leia-se: ao macho, a predilecção Divina. Logo o poder discricionário que podia ir como até então ocorria, do despotismo à violência.
Agora não sei como dizer… se eles eram como o Deus, barbudos de olhar furibundo e de justiça implacável, ou se era o Deus que era como eles. Todo poderoso furibundo e déspota. Uma coisa era certa, as mulheres não valiam um pataco e eram até apontadas como a origem ardilosa do pecado. (cobras e bichos)…. E havia também os Querubins que correspondiam aos meninos machos, cujos eram descritos assim como uns rosados leitõezitos com pilinhas minúsculas e asinhas nas costas. As ovelhinhas, essas, passaram a ser o Cordeiro de Deus…. Pouca imaginação como se vê…. Limitaram-se a decalcar a sua prosaica realidade social.
Definidos os preceitos, mais a sua própria teoria da criação do Mundo cuja obedece a um intrincado enredo cheio de peripécias, que não vale a fadiga de as descrever e ao estimado/a leitor/a é-lhe poupada a empenhada atenção que forçosamente teria de ter para a entender. De resto não vele a pena porque, eram e são, apenas detalhe. O essencial foi o que em verdade, em verdade vos disse. A praxis era naturalmente, a corresponder: Curiosidades… Porquês…Inovação… etc…etc, não eram lá muito bem tolerados. E tabus como o sexo, então nem é bom falar…. Não o acto sexual, mas apenas o sexo, que cada um de nós tem e é uma boa parte da nossa natureza e da nossa condição de SERES HUMANOS. Até esse era olhado de soslaio… Caramba pá…. Não podíamos muito bem ser todos iguais, rosnavam entre dentes… Tínhamos cá as nossas ovelhinhas e “prontes”… Esta grave disfunção social ficou bem expressa na nova Constituição Sagrada já que, segundo o “Holy Book”, a mulher enquanto ser, não foi criada de raiz por Deus. Não senhor!!! Foi feita a partir de uma costela do homem como um clone… Um ser de segunda.
Logo, fruto dessa desconfiança o sexo como tema globalmente considerado, foi ainda mais “tabulizado” do que antes era, quando eles ainda eram selvagens…. E foi civilizadamente substituído pelo recato, sobretudo o feminino, como virtude primordial.
Nem às crianças era permitido brincar aos médicos, aos maridos e assim….. Que grande có-có!
Está bom de ver que as jovens mulheres da tribo do “povo eleito”, deitadas na esteira, nas noites estreladas, negras com’á fominha, mordendo os lábios e apertando os joelhos, lá iam conseguindo cumprir os “cânones”, isto porque a alternativa era o apedrejamento. E os primeiros a atirar pedras, eram os pais e irmãos. Uma barbaridade. Mas é o que manda o livro!...
Às mulheres casadas, Já era permitida qualquer coisita, mas com contenção, sem excessivas manifestações. Para falar verdade, durante o acto, tão assexuado quanto possível, tinham que gemer p’ra dentro e mexer apenas os olhinhos. Gritos, estavam fora de questão!!!!
Estas, quando noivas, levavam como dote, ovelhas já se vê. E por vezes estavam anos inteiros sem ver o pastor, o que as levava a transes complexas com Anjos, (outros artistas que eles acabaram por inventar) de que resultavam “prenhisses celestiais”, de maridos ausentes e já em plena andropausa. Bom… Adiante….
Quando estavam no Egipto a infernizar a vida aos esfíngicos locais, rogaram-lhes tanta praga que eles preferiam esconder-se em sarcófagos a ter de enfrentar a fúria do Deus dos Hebreus.
Ao fim de longas e tortuosas negociações, passaram de povo escravo a povo nómada e acrescentaram mais umas tantas páginas à Bíblia Sagrada. Neste processo destacaram-se mais uns quantos Profetas, a engrossar o livrinho. Moisés, Josué, Alberto João Jardim, Paulo Portas, etc. Foram estes entre outros, os timoneiros dessa saga hercúlea. E a excursão prosseguiu, por montes e vales atravessando desertos e rasgando mares, na busca daquilo que julgaram ter visto no livro sagrado: A terra prometida pela PAC – Política Agrícola Comum – A terra do leite e do mel…
A certa altura, vendo-os perdidos, Deus deitou fogo a uma mata no Sinai para lhes indicar o caminho para a sua nova Pátria. A mata ardida deu lugar ao deserto do Sinai, uma das mais inóspitas regiões da Terra. De permeio Deus ditou-lhes as normas fundamentais do bom cidadão. Eram elas três e ficaram conhecidas como: as Três “mandações”, são elas: I - Afagarás a tua ovelhinha, II – Apedrejarás a tua mulher, III – Darás porrada nos teus vizinhos.
Foi então que construíram uma arca em ouro onde passaram a transportar o “calhamaço”. (1)
Volvidos uns quarenta anos a andar às voltas e apesar disso e da perseguição dos Faraós, lá deram com a coisa.
Como o território já estava ocupado, tiveram que andar à porrada com os locatários e vizinhos (Ainda hoje desancam metodicamente, os pobres Palestinianos, para lhes ficarem com a água). Destacou-se nessa luta, um tal David, que derrubou o gigante Golias, cujo, teve morte de passarinho. Ou seja: com uma pedrada nos cornos. Por este facto, veio o franzino David, a ser Rei dos judeus.
Julgam alguns historiadores, que o facto de o pequeno vencer o forte, esteve na origem do popular desporto conhecido por Judo, onde o fraco também suplanta o forte, usando exactamente a sua, dele, força. Com absoluta verosimilhança, diga-se. Se não vejamos: o nome Judo, deriva do termo: Judeu. O tempo encarregou-se de alterar, de judeus para judocas o nome dos seus praticantes. Como sugere a palavra, judoca, é um judeu baixinho e de olhos amendoados. Prossigamos….
Os eleitos, nunca se soube por quem, acabam por assentar e foram cimentando a sua civilização na vertente patrimonial. Conquistaram novas pastagens para as suas queridas ovelhinhas e alargaram de tal forma a sua influência, que constituíram um poderoso Reino a que Deus mandou que chamassem Israel. Mas toda a gente conhecia os novos locatários por judeus.
Para os salvar dos pecados do mundo, ao invés de deixarem de prevaricar, os espertalhaços inventaram que um enviado de Deus á Terra, Messias de seu nome, cujo, os levaria à salvação e á vida eterna. Nada mal, heim….
E assim viveram Século após Século, Na paz do Senhor.
Até que os romanos resolveram intervir com vista a normalizar o mercado do petróleo…O afilhado de Nero – Mohamar kadafy - Mandou invadir a Judearia.
E para variar, desta feita, os judeus levaram p’ra tabaco… Mas ainda lhes restavam as ovelhinhas e as gajas para apedrejar…Foi talvez a única colónia romana, onde o circo não substituiu o desporto local. Como a terra deixou de ser deles, já não havia vizinhos para desancar, pelo que passaram a andar à porrada uns com os outros, quando não estavam a apedrejar alguma vadia, ou a afagar as ovelhas.
Os romanos, achavam que aquilo não era normal. Mas para não levantar ondas, fechavam os olhos.

(1) Ver no Google. Basta digitar: arca da aliança Ou ver o filme do Indiana Jones.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Breve e Verdadeira "Estória" do Atleta.

Estimados eventuais leitores e amigos:
Antes de fundar esta coisa do blogue, o sentimento de que passaria mais tempo a "falar p'ró boneco" do que gostaria, era o maior obstáculo entre abri-lo e não o abrir.
Pronto está aberto e não há volta a dar-lhe.
Este preâmbulo serve para enquadrar um recado. Recado esse que só passará se tiver para onde passar.La Palisse dixit...
O miolo do recado é que queria publicar um texto "esgalhado" há uns anos, sobre a vida dum atleta.... Como é um tanto extenso para estas coisas (tem 17 páginas A4 em cinco capítulos), vou publica-lo ao ritmo de um capítulo por dia.
O seu nome é: Breve e Verdadeira "Estória" do Altleta.
O evento inicia-se amanhã, e terminará seis dias depois.... Espero.

terça-feira, 6 de julho de 2010

As traineiras também se abatem

Traineiras

Rolou o cigarro entre os lábios finos e secos, acendeu-o e puxou uma ávida fumaça. Pegou-o entre os dedos indicador e médio da mão esquerda, ao passo que expelia o fumo retido nos pulmões, em rolos como se de nuvens se tratasse.
Com a outra mão pega no cálice de bagaço, e leva-o à boca. Com um movimento rápido inclina a cabeça para trás e despeja-o, insuflando as bochechas magras do seu rosto tisnado e curtido pelo Sol e a maresia.
Engole a mistela por entre um ah-ah-ah, e um estalar de língua.
Pousa o cálice no balcão com um gesto bem medido com um rigor de experiência feito, enquanto a sua voz de saxo-tenor, roufenha sem ser desagradável, diz: Óh “Tónho”, pinga aí mais um.
Uma portada larga com vidraças em vidro martelado de várias cores e aberta de par em par, dava aquele pequeno estabelecimento sobranceiro à Marginal Norte, o ar de um bar de sala de estar tipo classe média.
Manuel, o “Manél Bitoque”, dá as costas ao balcão e fica-se a olhar.
Os olhos – quase duas fendas no rosto – postos longe, sabe-se lá onde!
Na aparência fita o Mar, a Papôa, ou as gaivotas ali à frente entre a estrada e a falésia….
Puro engano…. Como que por magia, que não por efeito colateral do bagaço, num golpe de asa, voa para o meio da azáfama da Ribeira doutros tempos, na descarga da sardinha e a sua estranha polifonia e colorido. As “motoretas” de carga, de som agreste no seu toque-toque diesel, a prata das sardinhas casando com a vozearia dos homens e mulheres e estes com os apitos graves - solenes – das traineiras gritando ordens, vaidosas, nos seus vestidos de chita, num caleidoscópio de cores ondulantes, mais os seus motores poderosos… E, de entre elas a mais bonita, é a «Flor da Manhã» com o seus dois motores «Penta Volvo» a cantar com a sua voz de barítono profundo…. Era a que mais alto cantava. E era sempre a primeira a chegar aos pesqueiros. “Manél Bitoque” destrinçava o som da sua garbosa traineira de entre toda a frota de pesca de Peniche e não só. O seu ronco, era música para os seus ouvidos um tudo nada duros, ainda assim, ouvia/sentia distintamente a voz daquela sereia mecânica, que o maquinista trazia sempre num brinquinho, o orgulho da Companha.
Ora o “tónho”, o Sr. António para as Finanças, homem avisado, proprietário do «Porta Larga», sabendo onde ele já ia, grita-lhe por entre um sorriso a bailar-lhe nos olhos papudos:
Ah “bitoque”“atão”… o bagacinho é p’ra secar?
O “Manél”a custo, como quem desliga a televisão a meio dum jogo da bola, lá se virou e repete os gestos de “empinar” bagaços. Gestos dos quais não é autor exclusivo, pois trata-se de uma criação colectiva dos consumidores de aguardente, mas é seguramente um bom interprete dessas manobras.
E lá volta a plantar-se à porta, posto nas suas “tamanquinhas” à proa da “flor da Manhâ”, o olhar perdido no horizonte muito, muito p’ra lá da Berlenga…. O vento a assobiar nos cabos, o ssssshhhhssssshhh do casco a deslizar na água. Lágrimas???... Não!!!! É o vento!!!!
Num lampejo, a linha do horizonte regride e fica-se pelo que, fisicamente é a que se avista do «Porta Larga»: o Mar, a Papôa e lá longe o recorte, esbatido pela neblina, da costa até quase à Nazaré. Lembrou-se então que a mulher lhe tinha pedido para trazer um “pexinho” p’rá caldeirada.
Puxa de outro cigarrito, sai para a rua e diz daí:
Oh “Tónho” aponta aí!!!!!
O taberneiro soergue a boina e coça a calva. Passa um pano húmido sobre o balcão de pedra, e num rebolar de pança, vai à gaveta de baixo, ripa de um caderneco seboso e cheio de uma escrita indecifrável, de números e caracteres misteriosos e antes que esqueça, rabisca na coluna com o nome do bom do “Manél”, duas «BP». “Bombas de pelintrões”
(Testemunha que sou daquilo que relato, esclareço que para saber o que significava «BP», queimei as pestanas em pesquisas extenuantes…. Mentira…. Tive foi que arriscar uma “over-dose” da dita poção, para ganhar balanço e pretexto para o perguntar ao “Tónho”. Perdão…. Ao Senhor António, que eu tenho mais jeitos de fiscal das Finanças, que de freguês da tasca.)
Os passos do “Manél bitoque” levam-no às cegas e de cor pelos mesmos caminhos que já trilhara com outras ganas e noutros tempos, quando ia na “ginga” (bicicleta) da Vila Maria até à Ribeira onde embarcava mais a Companha.
Gente fina, trabalhadora e amiga.
Mas o Mar dá…. O Mar tira. E em nome do Mar, se tira também….
Não só vidas… Que essas, chorou-as quanto baste… - ele próprio fintou a morte um bom par de vezes. Mas não houve fuga possível desta morte lenta de tantos e tantos “Manéis” e “Jaquins”.
Já lá vão muitos anos mas está ainda fresco na sua cabeça…
Em nome do Mar e pelo Mar, dizem…Não sei quê a sustentabilidade…. quotas do “pêxe”, peço desculpa….. Do pescado… à espanhola!!!!! É mais fino!!!
Não sei mais o quê…. Subsídios para abate de embarcações….
Os marítimos nunca perceberam o porquê destas medidas. Eles sempre respeitaram o Mar, porque era, e é, a sua vida.
E abater barcos?!?!?!…. Aceitavam melhor que lhes arrancassem um braço.
É melhor para todos… Diziam uns senhores bem-postos, de ar sisudo e de bem com Deus.
E o «Flor da Manhã», foi para lenha e a Companha foi para o desemprego.
Claro…. É melhor para todos….
Não lhe ficou mais raiva do que devia. Que a raiva é coisa ruim… Consome um homem por dentro. Torna-o mau. E nesta Companha que todos os dias larga dali da ombreira do «Porta Larga», não há lugar para homens maus. Há, mas para companheiros…..
Vão com a maré, à proa da “flor da Manhã”, felizes, visivelmente felizes, como crianças de faces afogueadas… Voltam, ou não…. Pouco lhes importa.
Óh “Manél”…. “Manél Bitoque”…. Grito-lhe daqui, do lado do real. Não te esqueças do “pêxe” p’rá mulher fazer a “caldêrada”.
Não sei se me ouviu…. Ele já está um pouco duro de ouvido!!!!

António Capucha

Vila Franca de Xira Junho de 2009

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A dimensão humana das relações entre os povos.

O senhor Aníbal que até é Presidente, declarou e eu ouvi, com estes que a terra há-de comer, A terra tem destas coisas, come de tudo e que se farta... Dizia eu, que ouvi o senhor Presidente em Cabo Verde dizer das relações deste país com Portugal, cujas são de carácter Histórico, cultural, humano e até económico (até económico.... Nem parece dele!)....Percebi que estava também a Senhora Ministra da cultura,para acentuar o vector cultural, e desfazer um pouco a média de fealdade destas coisas... Mas quem ele referiu enfaticamente, foi um séquito de empresários de modo vário.... Estas coisas das Empresas e empresários são mais uma questão cabalística que da humanidade, lá isso é verdade.
Não sei se repararam mas o senhor Aníbal acaba de criar um novo estilo de discurso oficial ao conferir às relações entre povos o carácter... A dimensão: HUMANA.... Isto é uma autentica revolução na retórica oficial. Quem é que havia de suspeitar de uma coisa assim.... É para isso que servem os Presidentes: para nos alertarem para estas realidades semi-escondidas, por detrás da polidez das perorações oficiais. Muito obrigado senhor Aníbal....
Ai de mim pobre tosco que achava que as relações entre Cabo Verde e Portugal eram assim como as do BPN com o Banco Insular. Daí a presença dos Empresários... Não! É evidente que não!... São humanas, as relações são sobretudo, humanas senhores.....
Nosotros não sentiamos tanto orgulho pátrio desde que o nosso primeiro falou em castelhano, aos nuestros hermanos...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Acordei e!!!!

Acordei e, grande có-có... Afinal está tudo na mesma.
O Sr. Aníbal é o Presidente.
O Sócrates deixou-se de filosofias e ainda é 1º Ministro.
O PPC (Pedro Passos Coelho)é putativo 1º Ministro.
A D. Manuela Ferreira Leite, continua tal como o Rio de Janeiro continua!
Sua Alteza Sereníssima a rainha Santa Isabel, Perdão, A Queen Elizabeth. Apesar das vozes e das nozes continua accionista da PT.
A Manuela Moura Guedes continua a sujar as orelhas de Batom, quando se ri.
O Artur Albarrãm, continua apostado em produzir o filme: Couraçado Potemkin, versão light.... Com Cristiano Ronaldo no papél de Peeter Pan....
A apresentadora da TV Fátima Campos Ferreira continua a apresentar o "Prós e Prós"
Algo de muito perverso, continua a dividir Portugal de Espanha. Em Espanha uma apresentadora da TVE , loira, beijou um sapo e ele transmutou-se em príncipe Casaram e tiveram muitos meninos. Em Portugal, uma apresentadora da RTP igualmente loira, farta-se de dar beijos no sapo e este não deixa de ser Presidente da Câmara de Sintra e do Benfica....
Não fora começar hoje o Colete Encarnado, festa maior de V. F. de Xira, e não acontecia nada de jeito....
António Capucha

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Está tudo doido
Em nome de que religião é que a Portugal estará vedado o uso da “Golden Share” na PT….
A forma com que os mais “resinosos” liberais acreditam naquilo a que chamam as “leis do mercado”…. (Deixem os mercados funcionar! Vociferam… Espumam... Os profetas, quer dizer, os lacaios do sistema…) É obviamente uma questão de fé sem o mais leve sinal de racionalidade.
Vimos ainda há bem pouco, o salve-se quem puder de todos e cada um, a acudir pelos seus trapinhos, e os primeiros, foram exactamente os que agora vêm de dedinho esticado, ao PORTUGAL de ABRIL falar de estupidez colonial. Apenas porque o Estado português protegeu os seus interesses…
E a U.E. que assistiu a isto tudo impávida e serena…. Agora é que lhe chegaram os rigores estatutários? Isto é despudor de mais….
Com vossa licença…. Eles que vão mas é à MERDA…. Sim?
António Capucha

terça-feira, 29 de junho de 2010

VARANDA DE PILATOS ou O CIO DO MAR II

Varanda de Pilatos

Estranha sensação, poderosa, densa, se bem que suave, assenhoreia-se-me dos sentidos. Julgo estar a dormir. Isto não passará de um sonho!?!? Não tenho a certeza. Os sentidos, parecem despertos. Expectantes... Mas!... Se o for!?!? Não quero acordar!
Tarde manhã ou noite, sei lá às quantas ando. Sei daquela sensação doce de abandono, de desprendimento. Ao redor, tudo parado.. A minha memória afectiva que paulatinamente me vai tomando d’assalto. Me domina, me polariza, oprime agradavelmente.... Tudo é muito difuso.
Reconheço esta matriz de emoções. Aliás, como podia esquecer!!!!
Vivi em tempos uma experiência, que sem saber exactamente porquê, (ou por outra, até sei!!!) me deixou tão indeléveis marcas, que esquecer, é coisa que está para lá do que posso querer.
O que não sei, é porque esperou até hoje para voltar a manifestar-se.
Tudo começou há uns anos num passeio pelo Cabo Carvoeiro em Peniche.
Estava com um moço e meu "cicerone" de circunstância, de visita aquela esplendorosa falésia. A dada altura, já junto ao cabo, vindos dos Remédios, ele disse:
- Ah, a VARANDA de PILATOS!… Venha!
Fui, mas logo recuei ante o que se me deparava. Aquilo é uma falha entre rochas, a escassos meio metro do bordo da falésia…Um degrau de respeito aí para uns trinta metros a pique sobre o mar.
A falha tem quatro ou cinco metros de profundidade. A oitenta centímetros do fundo de terra do lado do mar, está rasgada a varanda.
Uma escada de madeira, grosseira, desengonçada, liga o cimo ao fundo da falha. Faz vertigens! Petrifica….
Vá…. Venha lá! Desafia o rapaz que, já na escada desceu três ou quatro degraus e estica os braços musculados que se agarravam firmemente à escada. Inclina o tronco para trás e repete: Vá lá então…. Venha…. Vire as costas ao mar, não olhe para baixo, olhe para mim desafiou…. Desça um degrau de cada vez.…. Fui! Titubeante , mas fui…
Deslizei então para o espaço entre os seus braços, o tronco e a escada. Vá, isso, assim… O contacto com corpo musculado do rapaz deu-me segurança, calor. Rodei ligeiramente a cabeça. Procurei confiança nos seus olhos. E sorri, não sei porquê sorri…. Isso olhe para mim…. Não olhe para baixo.
Por breves instantes os hálitos de ambos fundiram-se, mas mais nada se fundiu. Foi breve felizmente, este momento de “equívocos”. Agora que penso nisso, não sei qual das desgraças seria maior…. Se cairmos escada abaixo! Se ceder ao encantos do moço!
Aninhada, ou engaiolada naquele abraço, venci o efeito vertigem. Sincronizando os movimentos com os dele, descemos com razoável segurança. O contacto físico, foi agradável, diga-se.
Afogueada, não tanto pelo esforço físico, mas sim pela sublimação do medo vencido de mistura com algum embaraço, reparo que ali na Varanda, os ruídos do mar rebentam-nos na cabeça. Efeito acústico curioso, hipnótico…. Ouve-se o silvo raivoso do vento sem lhe sentirmos a feia agressão. Diria ser mais uma carícia. 
Era o fim daquela tarde de Maio, linda, com um pôr de Sol que incendiava o céu e o mar. Até a cor parda dos rochedos se transmutou em cor de tijolo.
Extasiada não sei por quanto tempo – acho até que o tempo terá parado - sorvi pelas narinas, olhos, ouvidos, poros e tudo o que me liga ao exterior, toda aquela paleta de coisas, cores, sons, cheiros e tudo o mais.
Não me pude ver, mas devia irradiar uma aura fluorescente, tal era a sensação de felicidade plena, selvagem, que se apossou de mim.
O meu companheiro de aventura – aluno de Biologia Marítima, no Instituto fronteiro - desdobrava-se em explicações... Não sei quê…. A formação geológica, não sei que mais… As marés.....
Deixei-me envolver no turbilhão que docemente me subjugava... Deixei-me ir, sem sombra de dúvida ou de pecado, possuída em toda a linha, bem fundo, na minha alma, por aquela conformação cósmica.
Pobre rapaz..... Ou não percebeu… Ou não sei!?!?  Ele era novito, não imberbe, mas novito!! E bonito digo eu…. Coitado!! Tentava impressionar-me, mas quase não recordo o que ele disse. Tudo o que terá dito e feito ficou nas covas, abafado pela explosão que se deu em mim. Ainda hoje o pobre coitado, há-de pensar que eu sou distante ou petulante, ou… Sabe-se lá o quê... Esquisita….
Desde então até hoje, não tinha voltado a sentir aquela sensação de abandono, de entrega, de deixar-me ir no vai-vem hipnótico das ondas, no cheiro da maresia, nas asas da brisa acre/doce que me beija o rosto, na cor do pôr-do-Sol, nas nuvens em castelos coloridos. E a argamassa que tudo une: O MAR. Sempre o eterno… O largo e imenso MAR….  Grosso, gentil…A ribombar-me nos sentidos, a roubar-me ao sossego em que estou posta.
Assim, de mansinho, estas emoções roubam-me as rédeas do querer.
Deixo-me ir nesta avalanche de prazer que de inicio, se insinua tímida, leve. Para a pouco e pouco subir de tom até à “violência” rubra, que me leva a esfregar os joelhos um contra o outro.
O ventre em fogo e os seios hirtos, os tendões retesados. Um sem ter, nem ser de "dores que desatinam sem doer", varrendo-me qual nortada, de lés a lés.
Por fim, uma inundação percorre-me, como um vale é percorrido pela água que um dique não conteve... Torrencial, às golfadas descompassadas, em contra-ciclo com a respiração forte, e o bater acelerado do coração.
Então e sem me dar conta de esforço ou fadiga, tudo se vai desvanecendo, como a doce sensação de uma dor a ir-se.
Alargando o grande compasso, acerto o passo com o tempo. De sobra, apenas consolo, gratidão.
Passei então a mão ao redor, senti a frescura dos lençóis. Senti-me bem.....
Pouco a pouco vou "carregando" o controlo das coisas.  
Nos sons abafados pelos estores corridos, pressinto a Damaia a acordar.
O progressivo tomar de consciência, venceu por fim o torpor e...  É Domingo...
Viro-me, respiro fundo, e retomo o sereno sono, do qual não sei se alguma vez terei saído....

                 Estela Serrano



          António Capucha
Vila Franca de Xira Maio de 2009


domingo, 27 de junho de 2010

A gamela - segundo Norman Mailer


Soneto à "laminuta" do Vaz que é António....
Dedicado a um grupo de comensais, queridas amigas, entre as quais conto uma que...... Cala-te boca!!!

As comadres e amigas à volta da gamela.
Para disfarçar a sua fome perversa
Desdobram-se, inventam mil e um temas de conversa.
Diz uma de dentro da sua "armadura" de flanela.

Linda blusa, dispara, como te conténs nela?
A interpelada, em seus pensamentos imersa
Bambaleando a opulenta carne da zona inversa
Rosna em surdina: Escanzelada... Toda tu és canela.....

Então sem mais aquela, atiram-se ao assado
Hum!!... Querida, dá-me mais vinho, está excelente
Copo após copo, p'la ladeira das goelas escorrega.

Do seu devastador efeito, fica-lhes o rosto amassado.
Os olhos turvos e a boca, cada vez mais dolente....
Estalam risos...Ora....Depois se apanharão os cacos da refrega

António Capucha