Endereço do blogue........peroracao.blogspot.com

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Aquele senhor que vale mais pelo que não diz,


Aquele senhor que vale mais pelo que não diz, do que pelo que diz… Também faz da sua acção não agir. Ou agir na sombra, sem que se venha a saber que afinal agiu, mais, não só agiu como agiu metendo o bedelho onde não é chamado. A única arte que tem é a de comer ele os figos e rebentar a boca aos outros. Como ao seu arqui–rival não consegue enganar, interveio metendo o foice em seara, que foi a sua, e que de há muito a esta parte, manipula a seu favor sem correr os desgaste próprio de quem comanda. Deixando que quem assuma esses riscos de mandar, se desgaste e morra de morte lenta . E já vão não sei quantos nesta voragem.
O outro senhor em guerra de galos com este outro, ao menos não se acobarda e assume por inteiro até o que não lhe cabe de responsabilidade…. E fá-lo até ao absurdo…. As acções, nem sempre hábeis, destes actores, simultaneamente, manipuladores e manipulados, são seguramente sempre muito elaboradas e a custar os olhinhos da cara aos “doozer’s” (fazedores) e consumidores finais das coisas, apesar de penosas e dispendiosas como já se disse, não passam de exercícios de faz de conta …. Virtuais….Eles levam tão a sério essa condição de virtualidade, que nem pestanejam em cumprir os desejos de uma “clic” abstracta a que chamam “Mercados”, contra os interesses mais do que evidentes e reais das pessoas concretas que somos nós. A perversão é tal que, o que á partida é virtual, produz efeitos reais…. E o que de génese, é real passa a ser considerado no âmbito dos jogos virtuais destas Almas…..
Entretanto na sombra de tudo isto e como se isto não existisse, o dito senhor continua a urdir o seu “tabu”, ridículo segredo de polichinelo, como todos os outros a que nos habituou na sua longa, diria antes, interminável carreira de político virtual…. E a manter a boca fechada não só aos “bolos-rei”…
Isto começa a fartar-me porque já nem constitui matéria susceptível de criar indignação…. Isto é aliás um longo e penoso nada. Tal como, que eu me lembre, o foram as consequências dos anteriores , mais que muitos, sacrifícios que já fizemos como sendo derradeiros, para normalizar as coisas….
Ora senhores “importantes” quando é que resolvem retirar como ensinamento que esta forma de resolver as crises, são completamente ineficientes. E a prová-lo está que nunca, apesar de inúmeras vezes aplicado, resolveu coisa nenhuma. (até o FMI, já cá esteve Lembram-se? E esta receita já vai na undécima vez que é aplicada) e a única coisa que fez foi trazer-nos até esta situação que difere da inicial apenas por ser mais grave.
Façam lá um exercício de humildade, e aceitem que o vosso lugar é em casa frente ao televisor a brincar na PS3….  E podem até ligá-las à “net” e jogar um contra o outro, poupando-nos assim ao espectáculo deprimente da Cooperação Estratégica. Seja lá isso o que for….
E por último deixe que lhe diga Sr. que faz de Presidente….Se, como é verdade o seu maior e melhor trunfo é o silêncio e o mistério. Então porque que é que não sai de fininho de cena? Politico que não fala, não erra! E político que não está, sempre pode fazer o papel de messias….. Já viu que glória: O senhor, O Messias…. Como o outro de Santa Comba…. Até lhe fazem romarias. É quase tão popular como a Santa da Ladeira.
Como o senhor acredita na Lei da auto regulaçao dos Mercados, isto é: a lei da oferta e da procura…. Porque é que não aplica essa mesma lei à sua acção política, e deixa o seu partido fazer o seu papel livremente….. Este seu mandato ainda não terminou e já custou aos seus, vai para cinco líderes…. Este que actualmente lidera o PSD será que vai resistir? Aparentemente ele não é muito alinhado na sua bola…. E o Senhor se dissesse que o detesta, não conseguia ser tão expressivo como o é, não o dizendo! (se eu fosse a Maria João Avilez, agora perguntava-lhe: O senhor não convive muito bem com a contrariedade… Pois não?  É que se nota a sua expressão a mudar para sorriso comprometido, quando lhe perguntam aquilo a que não quer responder. E já agora e a propósito …. O Senhor tem outro sorriso?)
Ou, Abrenúncio … Vá de retro, será que apenas não quer que uma crise política provocada pela queda do governo, perturbe e ofusque a sua coroação…. Perdão a sua eleição Presidencial?
Não é que eu me preocupe… Com o mal dos outros!!!!….. Mas sabe, é que estou absolutamente convencido que isso apenas alimenta a sua vaidade e eu detesto vaidosos…… Sobretudo os encapotados de servidores da coisa pública…..


                        António Capucha
        Vila Franca de Xira, Outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Espectáculo de lançamento do CD do Afonso Dias ( a comprar)

Afonso Dias Foto José Serra

E de Outubro se fez Abril
A arte e criatividade tem destas coisas e uma delas é mudá-las!!!! Às coisas!
E faz isso através das pessoas. Electrizando-as….
Num espectáculo, nós, o público, certinho direitinho nos seus lugares. E lá no palco, eles, os “Artistas”, formais no seu estatuto, a debitarem a sua “redondilha”, redondinha e certinha direitinha….
Mas, e se do palco afinal, em vez da sua formalidade, o artista disser do que nós temos atravessado na garganta e não sabemos ou não podemos dar-lhe expressão? Então deixa de se saber onde acaba o palco e começa o público. E este subtil cocktail enche a sala, aliás, extravasa a sala, vai até onde nos leva a imaginação.
No passado Sábado (16de Outubro) foi isso que se deu no auditório do Museu do Neo-Realismo em Vila Franca, cidade. O Ex habitante de Vila Franca, ex Deputado constitucional, Ex membro dos GAC (grupo de acção cultural) de boa memória. Hoje refugiado no quente Algarve, onde continuou a sua actividade artística. AFONSO DIAS, tem produzido vários CD’s. ultimamente de poemas dos nossos maiores autores, e uma incursão pelo eterno e misterioso Fado e também faz teatro, escreve poesia e não só.
Desta feita regressou à canção sempre interventiva, claro, Com o CD de seu nome 13. Porque são treze as canções, porque nasceu a um dia treze, e porque sim.



Foto josé Serra

foto José Serra

 Convidou para o lançamento e para o acompanharem neste regresso às origens da sua consciencialização política, esta simpática terra que é a nossa, Os seus amigos de longa data: MANUEL FREIRE, TINO FLORES E PEDRO LOBO ANTUNES.
E estas quatro figuras tomaram conta da sala, que se revelou pequena para as pessoas que ali acorreram.
Foram mordomos cozinheiros e comensais do grande ensopado, que ali ferveu em lume nem sempre brando como devia, e a idade média dos presentes aconselhava.
Abril, sempre à espreita, e um brilhozinho maroto nos olhos de cada um, que explodiu no final com toda a gente sem conseguir estar quieta no lugar, entoando o: Nascem Flores do Pedro Lobo Antunes. Que foi… É, o Hino do 34. O nº da casa do bairro do CASI, onde todos nós vivemos, fizemos política, amor e nascer flores, tudo às molhadas…..
Faltaram alguns amigos; porque de todo não puderam estar, e outros porque já cá não estão de todo….
A tudo e a todos recantámos e trouxemos à cena. Rememoramos sobretudo o facto de termos sido lindos, cantarmos bem e desencadearmos invejas e o pior que o fél dos fascistas de merda, conseguem segregar…. E resistimos….
FOI LINDO…SOMOS LINDOS  !!!!!

    

Pedro Lobo Antunes a cantar as Flores - foto José Serra
                         António Capucha
           Vila Franca de Xira, Outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Luísa, mãe solteira



A calçada irregular, a noite mal iluminada, só nesta rua, e para disfarçar o cansaço, Luísa contou três candeeiros num longo pisca-pisca…. Como me doem os pés, pensou…. O pensamento vai torpe de ter passado o dia na linha de montagem. Aquela sucessão de gestos sempre igual. Ao fim de quatro horas já a mente dormia, e continuava a mexer os braços e pernas reflexamente como o rabo amputado a um lagarto. O cérebro para ali, já não dizia nada de que desse conta. Os músculos contraíam-se  e distendiam-se ao ritmo certo abandonados à sua condição operária. Agora ao fim de dez horas imaginem se forem capazes,……
Arrasta-se Até casa, se é que se pode chamar casa aquilo, chove lá dentro as paredes escorrem água, Está um daqueles dias em que nada seca…. E as fraldas da menina? P’rá amanhã já não tem…. Tenho que me deitar em cima delas para as secar.  E o pensamento continuava a vadiar preso ao seu ser apenas por uma guita como um papagaio de papel.
Os pés enfim dormentes deixaram de doer e de sentir o frio dos sapatos encharcados. A sua mãe, há-de ter à sua espera um caldinho bem quentinho. Quero ver se ainda apanho o Sr. Fernando aberto para levar um pão de mistura que ele me fie, o de mistura é melhor que enche mais. E sentiu um fio de saliva a encher-lhe a boca. Ai credo, os dias agora são tão curtos. A menina deve estar cheia de fome…. E sem dar por isso estugou o passo… Pobrezinha da minha mãe dizia de si para si, ela não se queixa mas eu bem vejo, qualquer dia nem levantar-se pode. E depois o que é que eu faço, sem a minha querida mãezinha. Um tropeção numa pedra mais saída do parco alinhamento, e desvanece-se este funesto pensamento. Ainda bem coitadinha da Luísa, digo eu… Já tem que lhe baste. Mas praguejou pois então e chamou-lhes “tanta nome”  que se as pedras  tivessem mães, chorariam de raiva…. As pedras das calçadas têm destas coisas, são famosas por serem choronas. Inertes fanchonas….
Esta chuva….. Bom está no tempo dela…..
Tenho que pagar a renda da casa. Não posso esquecer senão lá tenho que aturar o senhorio, mais o seu bafo de alho e comida azeda, e aquela enxúndia trémula ao andar pesado de boi manso… Que nojo! Olhou os sapatos ….. Abertos de lado! Só me faltava mais esta.
A menina Há-de estar cheia de fome! Espera joaninha…. A mãe já vai dar-te a mamada….
Um golpe de vento vira a “sombrinha”  e as gotas de chuva gordas, pesadas fustigam-lhe as faces. Também com este vento ela entrava por baixo e por cima…. Ainda bem que não pus rímel, havia de ficar bonita!!! Parecia um espantalho….
Ai oxalá o Sr. Fernando ainda esteja aberto… É um duche; a mamada à menina,; o caldo quentinho e cama….ÁH e secar as fraldas… A minha mãe não pode secar nenhuma, Eu bem a vejo, ela disfarça mas eu bem vejo, aquele andar bamboleante agarrada aos moveis e a careta de dor ao levantar-se de uma cadeira…. Esta humidade entranha-se-lhe nas articulações…. Pobre mãe…..
Os olhos da menina são assim…. Só vendo. De manhã quando acorda são verdes e à noite quando se deita de barriguinha cheia, são cor de mel…. São tão lindos como contas… Quê??? Mais lindos que contas!!!!
Como que anestesiada, fura a tempestade insensível à chuva, e ao vento e frio. Corpo franzino mas robustecido pelo trabalho duro, quase trabalho de homem, avança impune e decidida….
Amanhã hei-de dar a volta pelo outro lado e vou à Farmácia do Sr. Aurélio por mor dele me arranjar uma coisa qualquer para a minha mãezinha… Injecção que seja…. Nem que tenha que ir ao Sr. Doutor Luis para passar a receita…. Quando tem que ser …. Tem que ser!
“Rás’ ta parta” ao tempo… Que merda.  Quando saiu da fábrica o corpo pedia-lhe descanso…  e agora … Toma lá o descanso. Um raio cortou a noite em duas…. E ela lembrou fugazmente…  Relembra que numa noite assim com o seu namorado, o Júlio, no palheiro do pai dele e enroscados um no outro e nos seus dezoito anos, entrelaçados como duas serpentes, durante sabe lá quanto tempo, se fundiram num só ser…. Uma só alma…. Depois …. Bem depois foi sei lá, nunca experimentara nada assim tão intenso e doce… Não conhecia nada melhor que isso…. Bom…. Desculpa pequenina, os teus beijos lambuzados são o melhor da vida. E mergulhar nos teus olhos é o sublimar de tudo, capaz de secar e matar o nada….. Já vou meu amor…. Estou quase a chegar… Depois é só secar-me… Será que ainda há gás para um duche? Sabia-me bem um duche quente.
Mete a chave à porta e a sua figura esbelta, recorta-se contra o negro da noite. A sua expressão é impossível de descrever sobretudo a do deslize progressivo da dureza de fazer face à intempérie,  para a de felicidade plena….. A joaninha em pé sobre as suas pernitas, a andar pela primeira vez, a correr para ela de braços abertos…. Ela nem pousou o saco com o pão….  Içou-a e foi integralmente lambuzada, que felicidade.
E FEZ-SE ABRIL, PRIMAVERA….      


                      António Capucha
     Vila Franca de Xira, Outubro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

Bendita classe


Bendita classe

Uma noticia com um título que não é hábito despertar-me a curiosidade, não sei lá porque carga d'água, chamou-me a atenção. Rezava assim: Jovem preso em plena baixa lisboeta. Com um regador, um balde de plástico e uma embalagem de "Dystron", com os quais atacava idosos acima dos setenta anos..... Dizia em letra grande.
Estranho não é? Fui ver o desenvolvimento...
Tratava-se, segundo o repórter" estrábico", de um profissional de saúde que terá ensandecido devido ao excesso de trabalho no anterior turno da noite, ( aduziu mais adiante o reporter: o pobre profissional de saúde terá só nessa noite lavado uns dez rabos a velhos e aparado os respectivos cascos....) numa conhecida unidade de saúde da Capital. Ter-lhe-á sido também confiscado o alicate de unhas, cujo brandia em frente à autoridade, quando esta o tentava dominar.
Após umas horas, já mais calmo, disse ao Juiz de Polícia, que se soubesse o que sabe hoje, tinha ido para Técnico de Electrónica, ou assim!
Mas qual quê.... Desde pequenino que aquela mania de ser generoso e solidário com o próximo - seja lá isso o que for!!!!- marcou fortemente o seu destino. Como tinha um "QI" em bom plano, não podia ser simplesmente Bombeiro Voluntário. Mas também porque era um tanto cábula, não conseguiu média para entrar em medicina, logo, cruel como o destino.... Sobrava-lhe ser Enfermeiro.
Assim tarimbou o curso todo na presunção de que ainda assim, ia ser útil aos outros seres humanos.
Mas logo no estágio as coisas começaram a ficar muito claras... Salvar vidas e toda a nobreza que isso acarreta, estava reservada aos médicos cirurgiões, e outros pavões, que deixavam para os outros ( leia-se: os Enfermeiros ) apenas migalhas, o que é acessório, de retaguarda, cuidados continuados.... E um sem número de palavras, tão ocas como um garrafão vazio....
Sr. DR. Juiz, dizia o coitado do enfermeiro. Sou novo mas a frustração é tão violenta que só podia dar nisto.... Em dois anos que levo de profissional, terei seguramente lavado uns dez mil rabos a velhos, e aparado os respectivos cascos.... Dou uma pica aqui outra ali. Lá faço um "pensozeco" de longe em longe.... Mas um salvamento heróico de um doente , ainda que hipocondríaco... isso nunca me tocou e estou certo que jamais me tocará. Mas ainda há pior!!!!!
Não sei porque razão, mas os SR.s Dr.s médicos arrogam-se o direito de se lambuzarem com tudo o que é Enfermeira fêmea..... Só que sobretudo nos turnos da noite, a fadiga e o uso de esteróides e assim, os tipos passam-se... Como tenho a bata igual à das minhas colegas... Pimba!!!! Haja cu, que paciência já não há!!!!!
Estou farto!!!!!
Diga lá Sr. Dr Juiz, não é de um gajo se passar?
O repórter não diz mas eu sei que o bom do Juiz com o seu ar cansado de ver e ouvir tanta coisa, por cima dos óculos devolveu-lhe um olhar complacente. O que é inegavelmente um bom pronuncio sobre a sentença, cuja, o profissional da informação não refere. 
Isto li eu, com aqueles que a terra me há-de comer.... Fiquei sensibilizado e aqui faço eco do quanto aprecio a abnegada resistência espírito de entrega e missão desta classe profissional.... (credo isto parece conversa a propósito da selecção Nacional de futebol)
Força estou com vocês!
                                                        Assistido e Mal pago
                                                      Doente crónico e Assim
                
                  António Capucha 
Vila Franca de Xtra, Setembro de 2008

PS - Mais um texto salvo da reciclagem. Terei na altura, alinhado estas provocações, para uma pessoa amiga pertencente à distinta classe dos enfermeiros, de cujos cuidados espero nunca vir a precisar.... Lavarem-me o rabo e apararem-me os cascos? Isso é que era bom!


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Último Imperador Azteca Guaicaipuro Cuatemoc



Alertado pela minha filha, Diria melhor: repreendido pela minha filha por ingenuamente acreditar em tudo o que vem na "net"E após aguentar estoicamente a exibição da sua douta superioridade, resolvi seguir-lhe as pisadas e pesquisar esta coisa do discurso da mensagem anterior..... Muito provavelmente O autor, ou autores, do texto não terão tido essa intenção. Mas resulta que o tal Embaixador, aparentemente não existe. Aliás esse nome corresponde ao último Imperador Azteca Guaicaipuro Cuatemoc (ver e ouvir vídeo abaixo). E a ser verídica a intervenção do senhor  na tal cimeira , também não me custa imaginar que uma qualquer mão morta, lhe tenha apagado o rasto e dado um sumiço do homem na "net".... 
Existem diversas entradas deste exacto texto em diversas línguas. Ora numa curva mais apertada do seu percurso alguma alma penada, resolveu criar uma expressão mais humana e terá criado a figura do tal embaixador a desancar nos senhores importantes da Europa, esquecendo-se de acentuar a sua condição metafórica. O intuito provável terá sido, digo eu, conferir-lhe idoneidade e acabar com a anonimato. Alguns observadores não fazendo comentários à ideologia implícita, sustentam que um grupo de intelectuais Sul Americanos o terá composto e simbolicamente atribuido ao ùltimo Imperador azteca. E ISSO BASTARIA PARA ACORDAR AS CONSCIÊNCIAS. O ACRESCENTO DE UMA PERSONAGEM ACTUAL RETIRA-LHE: PRIMEIRO, CREDIBILIDADE, À MENSAGEM DIFUNDIDA.
E DEPOIS, RETIRA-LHE O SIMBOLISMO TODO.
Haja ou não fraude Histórica no assunto, não é justo retirar mérito ao texto. Se ele foi ou não, atirado à cara dos nossos governantes actuais da Europa, isso é detalhe.....
Assim na forma de manifesto anti- Imperialista aqui vai em nome da honestidade intelectual.... A devida correcção e o evidente pedido de desculpas.....A autoria do texto, segundo este vídeo, é de Luis Britto Garcia.




 Extraído do blogue de Maria Frô:
A primeira vez que li o texto A Verdadeira dívida (às vezes identificado como “A Dívida externa da Europa” ou “Índio não quer mais apito”) foi em junho de 2002. Ele me chegou por e-mail, sendo apresentado como a transcrição de um discurso do cacique indígena Guaicaipuro Cuatémoc em uma reunião de líderes de governo na Europa. E me seduziu, é claro, porque é uma excelente idéia bem desenvolvida: se a América Latina deve à Europa, a recíproca também é verdadeira; se a nossa dívida é enorme e, a essa altura, impossível de ser paga, a deles é imensamente maior e quase incalculável. A única diferença é que, quando do endividamento do terceiro mundo, chama-se financiamento ao que na verdade é a velha usura; antes, quando os recursos naturais do novo mundo foram “transferidos” para a Europa, entre os séculos 16 e 18, não se chamava empréstimo, mas colonialismo, ao que na verdade era roubo puro e simples. A conclusão é velha e óbvia como as bases do marxismo: o arcabouço jurídico do capitalismo, que permite a cobrança de juros na transferência de recursos entre as nações, só é possível sobre uma base histórica de banditismo. 
“A Verdadeira dívida” é um lúcido ensaio sobre a dívida do terceiro mundo e sua impossibilidade lógica, podendo inclusive ser aplicado aos países da África e Ásia sem grandes modificações. 

MONUMENTAL LIÇÃO DE HISTÓRIA !


Mão amiga fez-me chegar este "mail". Pelo seu rigor e sentido de justiça, não resisto a publicá-lo. Apesar de não ser meu hábito publicar coisas naõ minhas, tenho a certeza que este texto apenas valoriza este "blogue". Da mesma forma que envergonha a nossa civilização, que gostamos de ter como das mais antigas e assentes no Direito. Obrigado Amaral e já agora Obrigado Guaicaípuro Cuatemoc.
      António Capucha

Abandonemos, ainda que por momentos, o preconceito que se instalou nas nossas cabeças em consequência da maneira como nos foi ensinada a História e apreciemos este discurso:
Um discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de ascendência indígena, sobre o pagamento da dívida externa do seu país, o México, embasbacou os principais chefes de Estado da Comunidade Europeia. ·
 A Conferência dos Chefes de Estado da União Europeia, Mercosul e Caribe, em Madrid, viveu um momento revelador e surpreendente: os Chefes de Estado europeus ouviram perplexos e calados, um discurso irónico, cáustico e historicamente exacto. 
· DISCURSO DO EMBAIXADOR MEXICANO ·    

 "Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil anos, para encontrar os que a "descobriram" há 500...
O irmão europeu da alfândega pediu-me um papel escrito, um visto, para poder descobrir os que me descobriram.
O irmão financeiro europeu pede ao meu país o pagamento, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse.
Outro irmão europeu explica-me que toda a dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros, sem lhes pedir consentimento.
Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no "Arquivo da Companhia das Índias Ocidentais" que, somente entre os anos de 1503 a 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.       
Teria aquilo sido um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento!    
Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão.      
Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a actual civilização europeia se devem à inundação dos metais preciosos tirados das Américas.
Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas uma indemnização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. 
     
Tão fabulosa exportação de capitais não foi mais do que o início de um plano "MARSHALL MONTEZUMA", para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra e de outras conquistas da civilização.
Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?
Não. No aspecto estratégico, delapidaram-nos nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias outras formas de extermínio mútuo.
No aspecto financeiro, foram incapazes - depois de uma moratória de 500 anos - tanto de amortizar capital e juros, como de se tornarem independentes das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. 

Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar, o que nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos para cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo.
Limitar-nos-emos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, concedendo-lhes 200 anos de bónus. Feitas as contas a partir desta base e aplicando a fórmula europeia de juros compostos, concluímos, e disso informamos os nossos descobridores, que nos devem não os 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, mas aqueles valores elevados à potência de 300, número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra.
Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue?  

Admitir que a Europa, em meio milénio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para estes módicos juros, seria admitir o seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas.
Tais questões metafísicas, desde já, não nos inquietam a nós, índios da América.
Porém, exigimos a assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente na obrigação do pagamento da dívida, sob pena de privatização ou conversão da Europa, de forma tal, que seja possível um processo de entrega de terras, como primeira prestação de dívida histórica..."  

***
Quando terminou o discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Europeia, Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira Dívida Externa... 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Haja saúde




Bom, eu não sou um rapaz assim tão antigo, mas que eu me lembre, e a respeito de uma grande quantidade de alimentos ou comportamentos pessoais ou sociais, a sabedoria médica já mudou radicalmente a sua opinião e o seu discurso, um bom par de vezes.O que diz muito da ausência de rigor cientifico dos seus oficiantes....
Dirão que ainda bem…. A evolução contínua é uma prova de vitalidade e tal…..
Mas então para quê tanto ardor proibicionista. E foi porque tinham uma certeza tão absoluta destas coisas que foram evoluindo para autoridade delas. E nem sequer lhes deu um ataque de humildade nem nada, aceitaram o pedestal e até puseram uns ares mais doutos. Em verdade, em verdade  vos digo que aquilo que mais evoluiu no campo da medicina foram as carreiras médicas e a organização tentacular da classe que tratou, com eficácia, diga-se, de se assenhorear de todos os poleiros da sua actividade. Batota… digo eu!
Exemplos da falta de rigor:
Tomemos por exemplo o azeite, ou as sardinhas, frescas ou em lata, e de um modo geral todos os peixes que então se diziam raimosos. Igualmente de um modo geral, todas as conservas de peixe..... Para não ir mais longe, quando eu era um garboso mancebo, isto eram tudo coisas do pior, faziam mal a uma quantidade apreciável de coisas e eram fatais noutros tantos casos....
Hoje que a investigação, agora de pendor mais científico, que como se sabe se baseia na dúvida e no exprimentalismo, vem fazer luz sobre o caso. E os sr. Dr.s nem pestanejaram…. Mas é claro sim senhor…. À pois, é evidente o Ómega 3, sim, sim. A sociedade pode contar com a classe para zelar, leia-se: ser autoridade destas novas realidades….. Comam muitas sardinhas , sardas, cavalas e tudo. E quanto às conservas comam-nas por tudo e por nada, comam as latas e tudo…..  E bebam azeite às colheradas…. Ele há-o por aí virgem, frutado, gourmet e até há azeite de azeitonas e tudo
Também já se assistiu a variações igualmente apreciáveis, nomeadamente em relação ao fazer-se ou não corrida, como exercício "cárdio-respiratório".  Tão em voga quando eu era mais novo, que os artefactos desportivos viraram moda e as mais poderosas marcas fizeram fortunas tais que duvido que alguém saiba dizer por extenso semelhante valor…. Obsceno!
Ora esta gloriosa classe profissional, também entrou no coro. E agora sem decoro e  após alguns desenlaces dramáticos, douta e autoritariamente ordena a caminhada  terapêutica.
E o sexo.... Não aquela coisa de uns sermos meninos e meninas, mas a outra coisa, agora assim chamada, e que no meu tempo de rapazola era confessado ao padre, como sendo ASNEIRAS.....  “Então meu menino diz lá os teus pecados. Sr. Padre eu fiz asneiras…. Ele boceja. Sozinho ou acompanhado? “ Claro que algumas delas, das asneiras, o foram... e tão incipientes e desajeitadas, que não valeram a transpiração.... Mas como ia dizendo, o simples e intuitivo acto sexual, não era condenado só pela Igreja..... A medicina da época também lhe atribuía algumas vicissitudes.... Desde provocar estados de anemia e fadiga, sobretudo nas "meseles", quando eles e elas deviam era acumular energia para a gastar na noite de núpcias, em vez de andarem a desperdiçá-la em masturbações de encenações complexas, polifónicas e explosivas.....
Ouvi muita conversa dessa….  "Mas não são apenas estas, as tentações moralistas dos bons do “físicos”….
Ainda agora os há, que dizem ter feito o juramento de Hipócrates e serem assim, defensores da vida.... Contra o aborto, portanto..... E também e por maioria de razão contr'á pívia, porque lança à sua sorte (na sanita)  milhões de hipóteses de vida!!!!
Na minha humilde (não que eu o seja, que não sou!!!! mas porque, pouco sei!), a medicina que almeja a classificação de ciência, desta forma, fazendo juízos de valor e de moralidade, nestas e outras matérias, aproxima-se cada vez mais das áreas de culto religioso, onde os seus profissionais se assemelham mais a sacerdotes que a técnicos.... Aliás é capaz de estar certo, uma vez que na sua origem, quando comíamos carne crua, morríamos como tordos e "esfodaçavamos" à fartazana, os médicos da época acumulavam com assessores dos Deuses e chamavam-se Feiticeiros, Druidas, Xamãns etc.... Dir-se-á:  Ah mas evoluiu-se muito nestes últimos anos.... É verdade, mas foi fruto mais da cavalgada tecnológica que de outra coisa qualquer.... No seu espírito, na sua essência, muito pouco mudou. Na atitude global da medicina perante os valores essênciais da Humanidade, a medicina moderna é cada vez mais um lóbie e cada vez menos uma missão. Nem se trata aqui de saudades dos "Joões Semanas". Mas o que é verdade é que na sua maior parte os Dr's, hoje, comportam-se como iluminados e arrogantes autoridades do que é de bem fazer-se e ser-se!!!!  Intolerável presunção, digo eu!!!!!Também o q'ué que se esperava se se limita a entrada nas faculdades de medicina apenas a "nurd's" e outros marrões. Aparentemente são os mais capazes.... Mas capazes de quê? Eu diria capazes de viver uma vida inteira sem o risco de uma actitude criativa, de desafio....
Também não é bom falar da vertente comercial/profissional e seus elos correlativos, laboratórios, farmácias, gabinetes disto e daquilo, de tudo e mais umas botas. Toda a casta de para-medicinas prolifera, como cogumelos.....E com especialistas e tudo..... Vale tudo, à excepção da massagem tailandesa, a meu ver mal, porque parece que é agradável.
 A prosápia mais detestável é a da especialidade de nutricionismo... Muito popular nos países desenvolvidos, porque o principal desígnio nacional, não é a irradicação da fome. Porque é que não vão pregar nutricionismo para o Ruanda ou assim? Mas cá nos países ditos desenvolvidos esta disciplina faz parte da exploração de uma sociedade coquéte e tola, extraída das teias tele-novelescas....que faz tudo para confundir beleza com saúde. E que igualmente confunde igualdade com a normalização…. Isto é, todos o mais iguais possível. E se possível coquetes e tolos.
Cá por mim dispenso em  boa medida o lugar que a medicina actual me dá na sua cadeia de quem é quem, e tem que fazer o quê....
 O que eu queria da medicina ela não me dá sem que primeiro percorra todo o Calvário e Via-Sacra das suas capelinhas, coisa que é contra a minha religião.
O estado de coisas a que se chegou, tem como responsáveis sobretudo nós próprios, os vulgo DOENTES.....
Do mesmo modo que sem fieis as Igrejas estariam vazias e os padrecas seduziriam as moscas, à falta de melhor, também o medo da doença, o medo de sermos ignorados ( Ninguém nos pergunta o que é que temos!!!! ) e por aí fora, enche as salas de espera dos centros de saúde e hospitais. Coitados, a maioria não percebe que nunca foram curados, pela simples razão de que nunca estiveram doentes.... Mas tal como na religião isto é uma questão de fé..... Com múltiplas variáveis, portanto.....
Tal como disse, em apenas pouco mais de meio Século, sou testemunha de viragens tão radicais como surpreendentes..... Não posso nem dou, portanto, demasiado crédito a tanta patacoada que para aí anda....... Daqui por uns anos, mudam as tendências, mudam as necessidades e realidades sócio-económicas, e as insofismável factualidade de agora, vai "p'ró breijo"!!!
Haja saúde…
                                                              Marmelo Bem-Posta
                                                           Dissabores e correio azul

PS- Peço as mais humildes desculpas às excepções, que sei que existem..... Conheço alguns e algumas Que até fazem o favor de me tratar os achaques. E com uma notável paciência aceitam a minha rebeldia e o arrojo das minhas opiniões desnormalizadas.
Como podem reparar pela data é mais um texto recuperado da "varridela" de ficheiros.
                  António Capucha
Vila franca de Xira, Setembro de2008

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mercados

mercado municipal de Vila Franca de Xira
A minha pobre cabeça anda atormentada a tentar acompanhar o ritmo alucinante a que se sucedem as 
mediatizações de ideias factos ou conceitos que actualmente se produzem.
Cai dentro desta malha o termo muito em voga que respigo a eito de entre muitos outros:
- OS MERCADOS.
Largamente difundido este conceito é utilizado como se de tremoços se tratasse. Do Ex.mo Sr. Ministro do Estado e das Finanças, ao próprio Primeiro Ministro, passando pelo mais indistinto e tirocinante jornalista, até aos especialistas da área de economia e comentadores a granel, todos falam deles, todos os invocam como místicos fundamentalistas, como se fosse uma coisa incontornável; idónea e omnipotente. OS MERCADOS….
Ora…. A boa verdade é que – MERCADOS – toda a gente sabe o que são. Eu por exemplo, supunha ingenuamente, que era por exemplo assim como o mercado de Vila Franca, com os seus bonitos painéis de azulejos e cuja funcionalidade é ser local de venda e compra de coisas. Inquiri ao Deus dará, mas nem a Ti Maria do peixe, nem a padeira algarvia, tão pouco a Mari’Carvalha, confessam ter sido elas a origem da coisa. Nisso foram unânimes: Só se foram as da Ribeira, daqui não foi ninguém…. Bom Tal como nos chapéus… Mercados também há muitos…. É só procurar. Eles há-os de várias formas e dignidades, como o mercado dos ciganos, do Relógio, dos capões… sei lá, que digo eu… são centenas e centenas deles. E servem, todos eles, para o mesmo. Para irmos às “mercas” e para a ASAE fazer o gosto ao dedo…
Só que do pouco que eu fui tirando de tanto ouvir falar deles, dos MERCADOS, percebi que não se tratava destes mercados, mas sim de outra coisa mais sofisticada. Mas como toda aquela gente falava daquilo como se fosse uma coisa evidente…. Eu não quis fazer-me desentendido, porque não sou menos que eles.
Redobrei a atenção e lá fui avolumando os conhecimentos tirando umas de outras. E juntando as partes ao todo. Aduzi então, que essa coisa dos ditos MERCADOS era, não uma, mas duas coisas. Por um lado os MERCADOS BOLSISTAS INTERNACIONAIS. E por outro O MERCADO FINANCEIRO INTERNACIONAL.
Sendo que um influencia o outro e vice-versa. Isto é:
- As BOLSAS traduzem o grau de confiança num determinado negócio ou Empresa ou tudo no seu conjunto, ou seja um país. E os BANCOS INTERNACIONAIS em função disso determinam o juro a que emprestarão o “caroço”, para o tal negócio, a tal Empresa ou país.
Parece simples e intuitivo. E qual será o grau de rigor do funcionamento deste sistema
Vejamos… Se o funcionamento das BOLSAS assentar as suas avaliações no juízo das pessoas que as frequentam, estamos mal, porque na sua maior parte, Deus Nosso Senhor, substituiu-lhes a inteligência pela GANÂNCIA?
E se para além disso, ou exactamente por causa disso, estes, viverem no permanente pavor de perder dinheiro, ou de não o ganhar? (para eles é o mesmo)
Então estes coelhos assustados, exactamente por o serem, farão normalmente, análises das situações políticas e económicas, com graves desvios. Isto por um lado.
Esse facto, (a avidez do lucro e o pavor de o perder) a que se junta um QI rasteirinho, leva-os a embarcar frequentemente em patranhas bem urdidas pelos espertalhaços do tal SISTEMA, especializados em faz de conta.
Sobra pois que, se as INSTITUIÇÕES DE CRÉDITO INTERNACIONAIS, se baseiam nas operações que aqueles lorpas operam em Bolsa, Igualmente graves desvios devem haver nas suas decisões acerca do juro dos empréstimos, digo eu…
E não andarei muito longe da verdade se disser que os desvios, ou enganos, são sempre a seu favor. E contra os interesses dos seus clientes.
E se calhar também não estarei a adivinhar de mais se achar que essas INSTITUIÇOES têm ao seu serviço uma plêiade de especialistas (leia-se aldrabões) industriados em influenciar as “abéculas”em bolsa e virar os seus resultados no sentido mais conveniente para os seus patrões….
Um exemplo ao acaso:
- Há uns anos por alturas dos furacões nas Antilhas e costa Sueste dos EUA, alguma alma caridosa pôs a correr que haviam vários poços de extracção petrolífera off-shore na região, e que esse cenário de catástrofe iria provocar uma quebra na produção. Os tolos nem se deram ao trabalho de investigar um pouco a verosimilhança da “dica”. De imediato se deu uma corrida à compra de acções, porque com menor oferta, sobe a procura e isso significa mais “carcanhois” e mais-valias ao alcance da mão.
Como o furacão passou ao lado, como estava previsto, não foi “golo”. A bola foi à “trave”….
Claro que neste intervalo muitos milhões mudaram de mãos.
Eu só queria um décimo, não desses milhões, mas do que os tristes pardalitos por essas bolsas fora, gastaram em solas de sapatos no seu corre-corre a tentar não perder o comboio.
E SIM… Também nós pobres tolos, é verdade que acabamos por pagar todos, um pouco mais caro do que era devido pela gasolina para os nossos pó-pós.
Pensar eu que é isto que comanda os destinos das economias entristece-me e preocupa-me.
ENTRISTECE-ME por ver pessoas com tão bom ar, tão compenetrados e exalando sisudez por todos os poros, e que em última análise até são os nossos legítimos representantes - Os senhores: Primeiro-ministro e o das Finanças e até o nosso Presidente, (essa alma unívoca, ímpar) - a fazerem estes ridículos e lamentáveis papéis de “meninos bem comportados” para que os tubarões que manipulam este jogo, não nos aparem as asas e assim se perca ainda mais do que já deixaram que se perdesse….
E PREOCUPA-ME porque não se pode esperar nada de bom deste autêntico “nonsense” que ao fim e ao cabo É aquilo a que chamam: A mola real da economia global.
Ao invés trata-se de uma realidade virtual de um faz de conta, mas da qual, perversão das perversões… Os efeitos quase sempre nefastos, são bem reais… E a tal ponto o são, que “a bolha rebentou” (termo que foi usado para o recente estoiro do SISTEMA que abriu a crise que ainda persiste) ….. Preocupante!
Esta, até há pouco tempo inimaginável, inversão de valores no exacto seio do capitalismo internacional, que como é sabido assentava a criação das mais-valias na valorização, de um qualquer produto, mediante a sua transformação em algo mais valioso, por via industrial ou outra, hoje assenta na especulação bolsista. E foi tal a ganância, inflacionaram a tal ponto os negócios, que foi impossível esconder por mais tempo a falência do SISTEMA. E é exactamente uma derivação desse mesmo SISTEMA falido, que nos olha e avalia à lupa para dizer se sim ou não, somos um país viável… Ou devo dizer: APETECÍVEL….
Este SISTEMA, a que eufemísticamente chamam de: OS MERCADOS, não passa pois, de uma mistura não ponderada de uns quantos Chicos-espertos. A que se juntam muitos assustados coelhos. Imensos “tarantas” e acéfalos. E ainda uma pitada de “mongas” QB. Sendo que o traço grosso que a todos une, é a GANÂNCIA…
E “voilá”… Serve-se requentado…
Obrigado… Não tenho fome!!!!!!
   
                                                                      António Capucha

                                                        Vila Franca de Xira, Março de 2010
PS - Salvo da varridela de ficheiros. Apesar da data, ainda está fresco e na ordem do dia.....
                                                           

Colete encarnado, ou: A festa do pau caiado...

Matarroanos com toucas bizarras


  Há uns anos Fiz esta descrição jocosa da festa maior da nossa terra, a uma Srª. "manfreda" que não é de cá. Hoje andava eu a "varrer" ficheiros antigos e dei com ela. Embora a destempo, achei-lhe tanta graça, perdoem-me a presunção, que não resisto a torná-la pública.
António Capucha
Colete encarnado, ou a festa do pau caiado...
Festa de lôgros, a começar logo pelo nome.... Se não vejamos: Como é que, para uma festa EN-CARNADA, se escolhe como dieta principal um peixe.... Claro que, por muita febra de porco, e das outras, que por aí andem, paradas ou em movimento, temperadas ou desenxabidas, é a sardinha a rainha do deixar-se comer.... Em cama de pão ou só por si, supera nestes dias umas tais febras fatigadas de tanta mastigação síncopada a dois tempos: Em cima...Em baixo.... Insiste... Insiste.... 
Quem não se safa é a sarda, p'ra cuja não há pai, e a carne de vaca que com muito cabelo e cornos que nunca mais acaba, anda numa doideira a correr atrás dos cavalos que em vez de índios em cima, trazem uns matarruanos com umas toucas bizarras e com umas vestes tão coloridas como as do "Pai Natal" e com uma tara qualquer que, compulsivamente, os traz agarrados ao pau,.....
De resto, não te sei dizer grande coisa..... Vivo aqui há mais anos que o Cavaco leva de Professor, e ainda não consegui entender esta festa em toda a sua extensão. Mas a avaliar pelo número de pessoas que precisam de se "enfrascar" para aturar a estucha, é um tanto cócó.....
Pois é.... Estão verdes, não prestam!!!!
                                                                Zé Pilantra Salsifré
                                                         Cá se fazem, cá se pagam...                       
           António Capucha
Algures no início do Século XXI





domingo, 10 de outubro de 2010

Na cama, Ou as perturbações do sono



O sono é algo tão volátil que qualquer quase nada o perturba. Do ponto de vista médico o sono é um mecanismo de regeneração do corpo e espírito…. Seja lá isso o que for.
Do nosso ponto de vista, é para ums,  um prazer e para outros,  uma perda de tempo.
Civilizados que fomos sendo, há hoje uma verdadeira cultura do sono. Senão vejamos:
Há horas próprias para o seu exercício.
Há roupa própria para o fazer e por mais estranho que pareça, há metodologias complicadíssimas para satisfazer esta cultura do descanso.
Há sítios próprios para o fazer: As camas. Mas ir para a cama, nem sempre quer dizer que se vá dormir. Há uma variante : O Sofá…. Que é onde os maridos culpados espiam as culpas de elas se sentirem gordas, ou feias, ou ambas as coisas.
E por fim o quarto, que tem como as outras divisões da casa quatro paredes. Mas é o único espaço apelidado de: QUARTO…. Nem sequer é o ultimo, isto é, o quarto da ordem de importância das habitações modernas. Cuja hierarquia começa em Primeiro lugar pela nobreza da SALA; SALA de JANTAR; QUARTOS 1,2 ou 3; COZINHA e por último o 18, ou WC, que em regra fica ao fundo do corredor à esquerda e é o menos nobre de todos pois fica imediatamente antes do ignominioso esgoto….. Coisa réles. O Olho do cu das casas modernas!!!! (Não há nada a fazer…. È por aqui que a peroração me trás. E é por aqui que vou!!!)
Fixemo-nos no quarto que afinal é o terceiro da ordem. Há ainda uma subdivisão que importa fazer no capítulo dos quartos.  O quarto das crianças, por exemplo é definitivamente local de bagunça e barulheira infernal, a ponto de disputar o fim da escala ao 18. Já o chamado quarto de Casal é apenas comparável a uma “catedral”, onde, haja quantas, e de que forma forem as “negas”, Será sempre templo de amor. O que requer vários procedimentos e rituais a montante e jusante dele. 
 As “meséles” penteiam as melenas e aplicam as mistelas de noite para a sua pele ficar a descansar com mais eficácia. Após o que se deitam, Numa rigorosa “esquadria múmica” para não perturbar o efeito dos unguentos.
E os homens entram já de tripa aliviada, pés e cara lavada e pijama abotoado até aos gorgomilos…. E língua atada para nem entrar mosca nem sair bacorada. Por muito que se esforcem os homens nunca passarão de sacristães, onde elas são sacerdotisas…
Em último caso e não raro, quando o sacristão toca a campainha a destempo, ela aplica-lhe umas “galhetas”. Segundo a liturgia do Missal!!!!
Em determinadas regiões e noutras épocas, os paramentos da sacerdotisa consistiam numa túnica de linho, onde uma escassa abertura à altura da coisa, constituía o único acesso a contacto físico…. O resto era linho. O que levava, maridos desensofridos e descontentes com esta injustiça do sistema, a procurar mulheres desalinhadas, isto é : sem linho. E então era um desalinho…. Com ou sem cama no quarto ou na cozinha… até no WC. E até o esgoto marchava, se dela não houvesse recusa expressa.
Mas isso era em tempos idos…. Hoje o Sacristão já tem um sindicato e guerreia com a ordem das sacerdotisas e a coisa tem outros contornos. Quando não há acordo em vez do Anjo S. Gabriel, a juíza é a Tchitchiolina. O que garante algum arrojo nas decisões. Os seus seios desnudados confundem-se com os da República. O que veio conferir aos assuntos de cama,  um cariz político…. E a guerra dos sexos substitui a luta de classes. Sem aparente vantagem uma vez que não se percebe muito bem qual a classe dominante e qual a oprimida…. O que dá origem a muitas confusões….
Mesmo no caso de serem casados, há confusão. Se casados pela igreja e pese embora as patacoadas ditas um ao outro, e de aparentemente não haver “pão cozido para malucos”, tudo fica em “letra morta” e aos recém-casados, fica a faltar apenas uma oportunidade para mandar às urtigas tão veementes juras e tão salubres preceitos….  Que surge em regra quando o maridinho chega a casa e a vê recortada contra o espelho do quarto, quadris alçados e oscilantes, a encerar o chão. E lá se vai  a primeira das regras: Farás truca-truca apenas para procriar……
Viva mas é o prazer, morte ao sono e viva a desbunda…… (É pá … Já vais aí???? É onde a peroração me trás!!!!… Nada disto foi premeditado… Acreditem.)
No casamento civil, acreditem, que só falta distribuírem jacubinamente, um manual do “Kama-Sutra”, tal é a falta de obrigações dos nubentes….
Ora isto não são simples perturbações do sono. São mais a subversão total, tentada e conseguida, dos melhores valores da nossa civilização… Como por exemplo a do direito do senhor feudal dar a primeira “queca” na noiva dos servos, que lhe despertar a  cobiça. Ou a perturbação do sono….
Como se vê nada que nos tire o sono….
Uma última reflexão:
Se: - Quem boa cama faz nela se deita….. É para quê?????
Já não sei nada…. À cautela vou tomar uns drunfos para dormir, não vá o diabo tecê-las!!!!!

                             António Capucha
              Vila Franca de Xira, Outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

1ª República

 Muita gente , para não dizer toda a gente, que tem botado faladura acerca da 1ª República, refere a semelhança da situação política económica e social de então(1910) com a situação presente (2010).... O quadro que levou à falência da República é repetido quase tema por tema e compara com a anormalidade da situação presente. Diz-se que aparentemente não aprendemos nada. Mas pergunto eu, será que tal como então, não está a ser fácil substituir a complexa teia de poder da monarquia???? Sendo que a de hoje em dia, será a monarquia dos vencedores do 25 de Novembro de 75, cuja dinastia se estende até hoje. E tal como a do princípio do Século passado, também deixa atrás de si, uma senda de armadilhas e mares alterosos onde nem com o sextante se pode navegar.... A não ser os que têm o mapa do terreno minado..... Efectivamente os sucessivos governos do pós 25 de Abril, são de uma e da mesma família política, que roda entre si como uma dinastia monárquica!!! Isto apenas em termos de governação, que a classe emergente que de então para cá tem sustentado e mantido a seu favor a situação é uma classe de antigos "vilões", que fruto de diversas habilidades deram origem à aristocracia do 25 de Novembro, os actuais novos ricos , cujos, com o apoio da venalidade dos fazedores de opinião, têm mantido a ideia de que o vinte e cinco de Abril, e os erros dos seus militantes e apoiantes, é que são os culpados da situação em que nos encontramos.
É uma termenda velhacaria....Confundir a generosidade da revolução de Abril com o oportunismo desta aristocracia de novos ricos, broncos, alarves, ignorantes e cagões, como são sempre os broncos , alarves e ignorantes.
               António Capucha
Vila Franca de Xira , Outubro de 2010

D'onde menos se espera!!!

Uma parte de mim contorce-se, e a outra aplaude.... Não me interessa quem a diz .... A verdade é sempre um conceito fundamental sobre o qual assenta tudo o que se quer sólido e correctamente firmado. O nosso futuro colectivo é uma dessas coisas. Não tanto já o nosso sucesso financeiro e económico.... Isso são detalhes que acompanham, surgem como consequência da justeza com que a sociedade tem as suas fundação estabelecidas.Vale a pena ouvir até ao fim... Reparem no silêncio cerimonioso com que a locutora de serviço respeita o fruir do discurso notável do Frei Fernando Ventura.... É ainda por cima um notável exercício de honestidade intelectual, porque apenas no final e instado a tal pela locutora fala sobre a Igreja e o seu papel nisto tudo. Quem assim fala tem o direito inalienável a ser ouvido por inteiro.

 

o mito de Sísifo



O mito de Sísifo

Os nossos sentimentos, sobretudo aqueles de que se fazem as paixões e os nossos sonhos acordados, são tempestades tropicais pela sua violência e transitoriedade. O que me vale é que sou um navio de costado largo.
Conhecem a teoria do Caos? Aquela da borboleta que bate as asas no Japão e desencadeia uma tempestade nas Caraíbas.
Pois com estes dois seres, passa-se algo semelhante. Manuel e Joaquina, um pequeno nada deita tudo a perder. São porém, seres compatíveis quase que em justaposição. No entanto nunca foi possível que se entendessem nem nisto assim!!! Ambos são “low profile”e inteligentes. Ambos possuem a rara capacidade de se porem no lugar dos outros. Ambos se dão às mais diversas causas com generosidade e competência. Ambos partilham os amores e desamores em politica. Ambos têm as mesma malha de valores sociais e educacionais perante a vida e a religião etc….etc. Ambos gravitam à volta um do outro. Ambos recusam de forma sustentada serem o Sol seja de quem, e do que for. São porém e seguramente o Sol um do Outro. Atrevo-me eu a dizer que os conheço como as minhas mãos. Ele já acredita nisso vai para uns anos. Os homens são, apesar de menos atreitos ao romantismo de cordel, ou se calhar justamente por isso, são mais capazes de acções romanescas…. Lancinantes…. Arrebatadas. Ela pelo contrário, onde ele vê janelas de oportunidade, para a realização dos seus destinos paralelos, ela vê não se sabe bem, se passagens secretas de demónios ou  o buraco negro por onde se esvai a decência… Ele faz tudo ou quase tudo, menos o que provavelmente faria variar as coisas…. Ela simplesmente se esquiva assim sem cânticos de vitória, ao invés sobra-lhe sempre algum amargo de boca pela dor que adivinha causar-lhe.
Só que ele, parte de mim e eu próprio, por inteiro, atesto o que ficou dito e que sei ser a verdade emergente desta coisa, não perfaz a razão para que assim seja. Eu de fora, a este distância toda, o apenas eu, suponho, apercebo-me da dor de ambos, e nisso estou só, já que não tenho a certeza de que o Manuel saiba do sofrimento da Joaquina… Se bem que de sinal diferente, de dor não passa. E até a mim me dói estar a contá-la. É uma dor que transporto por mim e por ele, às costas como Sísifo transportava a pedra até ou cume do monte, para no final o ver regredir até ao princípio…. Quem a isso obriga (ela) escolhe suportar a consciência pesada…. O final funesto. E quem isso cumpre (Ele e eu) suporta a frustração constante e permanente. Quem isto observa, ou seja: Eu! Sofro por estar a ver a que tudo não passa de uma presunção absurda e que a solução está ali pujante e evidente à espera de ser tomada às colheradas. Farto de ver a pedra no cume e outras tantas vezes vê-la rebolar por ali abaixo…. Que desperdício….. Penso nisso muitas vezes. Onde há tanta coisa em comum, só se pode esperar cumplicidade, fusão, harmonia.
Acho eu mísero escriba desta tragédia grega, que só uma grande maldade justificará tantas penas e danos, tanto ranger de dentes, tanto sofrimento de ambos. Ainda se fosse só de um? Isso já seria normal….. É chato, mas o Mundo está cheio de chatices… É a vida!!!! Que como é sabido dá muitas voltas e quantas voltas deu!!!! E eu atento, à coca, das voltas da vida, à espera de um rasgo de felicidade, permaneço no meu posto de observador atento das coisas e mistérios…. Destes e de todos os seres humanos que trago espiados….. É um hábito que tenho desde muito novo, observar pessoas, adivinhando-lhes os jeitos e trejeitos. Rejubilar-me com as suas alegrias e vitórias e partilhar-lhes as tristezas, numa espécie de voyeurismo inocentado da coscuvilhiçe…. Estes dois: o Manuel e a Joaquina não são apenas mais dois…. Mas dão-me água p’la barba acho que terei perdido a esperança, de tantas vezes que o pedregulho rebolou do cume até ao sopé da montanha… Quando parecia que enfim lá ia ficar em cima…. Seria mais uma estaca espetada a direito no buraco negro e dos seus acólitos cinzentos. Porquê estes: Ora, porque sim. Aliás não sou eu que os escolho, são eles que escolhem meter-se-me pelos olhos adentro. Para os ter guardados aqui bem junto ao coração, só faço uma exigência: Tem que ser gente boa e inteligente…. Não perco tempo nem gasto neurónios com merdosos e chafurdas…… Lamento mas nisso sou irredutível…..

                                 António Capucha
                  Vila Franca de Xira, Outubro de 2010