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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Reedição de: A cataplana

Agora que sei "importar"  imagens e outros rigores destas coisas dos blogues. Resolvi reeditar um texto já aqui publicado, mas por inépcia minha, na altura ainda não consegui passar as imagens para o corpo do blogue o que lhe retira uma boa dose de impacto. (se se derem ao trabalho de comparar com a anterior publicação, vão ver que me dão razão...)
O seu nome é: A Cataplana, (um texto um tanto mais longo que o habitual, mas verão que vale a pena.....) E na altura foi dedicada a um grupo de comensais , queridas amigas, entre as quais conto, esposa e amante numa só pessoa - É obra heim!!!...- Trata-se de uma visão jocosa e provocadora da natureza feminina. Esclareco já à partida que não se trata de uma posição em relação à condição feminina.


                António Capucha
              Vila Franca de Xira, Novembro de 2010


                          A Cataplana                                      
                        

Cataplana aberta


Ao contrário do que o nome possa sugerir, a cataplana é tudo menos plana. Há-as de diversos materiais, mas a cor e material dominante e tradicional, é o cobre. Quanto à forma, é consensual. As duas meias luas articuladas de um lado. E do outro, um fecho de mola. Fechada – quase hermeticamente - assemelha-se a uma lentilha gigante. Aberta e vista do seu lado de dentro, são claramente duas bacias geminadas, destinadas a conter qualquer coisa que se lhe queira meter dentro. Já pelo lado de fora, não sei como dizer isto…. Digamos que se as mulheres usassem armadura, seriam a cobertura traseira, ao nível dos seus opulentos quadris. Mais não me atrevo a dizer porque isto é um assunto sério….      
Prossigamos!....
Este apetrecho de cozinha, como já se disse, feito em cobre, acrescenta-se agora: martelado, chega às nossas cozinhas cristãs pela mão dos artesãos árabes. Árabes, que à época eram quem detinha a organização política e social aqui neste corredor ao Sol. Eram portanto quem podia usar o martelo, sem que tal fosse tido como acto, ou tentativa de agressão. E no caso usaram-no para legar à descendência, este precioso artefacto, que faz maravilhas às nossas papilas gostativas. E de tal forma as excitam que o fogo do “pecado” só se aplaca com outro pecado igualmente ardente: um bom vinho – é o chamado contra-fogo. O pior, ou o melhor, é que ao fim do terceiro ou quarto copo, excitados pelo xarope e pelas conotações lúbricas da forma da cataplana, ficavam, os pacóvios dos machos ibéricos, nossos avoengos, muito empolgados. E alarve, parva e gulosamente punham-se a tirar medidas às cataplanas das suas “matronas”, que à pala disso, lá iam fazendo o gosto ao dedo, que é como quem diz….  Claro que isto é pouco Cristão, mas - e como Deus escreve direito por linhas tortas, o lado positivo disto tudo é que assim se foi alargando a prol e fundamentando o que viria a ser a nossa civilização.
Eis como – e pouca gente sabe disto – a cataplana está na origem do crescimento demográfico da nossa população. O que se sabe, é que quando já eramos mais c’ás mães, acabamos por correr com a moirama daqui p’ra fora e gamamos-lhes os martelos mai’las cataplanas.
Bom, mas deixemo-nos de “estórias” e voltemos ao cerne da questão. Esta ferramenta, dadas as suas características – o ser hermética e tal – confere-lhe a capacidade, a vocação por assim dizer, de coser (assim mesmo, com ésse) os sabores dos diversos ingredientes que se lá puserem. Adicionando um pouca de gordura vegetal, casa na perfeição toda a casta de legumes com, preferencialmente, peixe, mariscos mas também carne de qualquer ordem. A norma é que o lume tem que ser parcimonioso. A cozedura lenta é a norma nesta, como noutras coisas boas desta vida.
 Nos nossos dias em que, dada a refinação dos nossos modos, nos transformamos em seres muito sofisticados e de “lambões” passamos a degustadores, pois então!...
Esta característica, de cozinhar lentamente, favorece e muito os actuais preceitos sociais, pois deixa tempo para o convívio, enquanto vai fundindo os sabores. E por esta razão e outras que não vêm ao caso, é amiúde o repasto tipo, das reuniões das nossas actuais “matronas”, (fig. abaixo)
A matrona Montserrat Caballé
Cujas socializam entre si trocando, além de mimos, “tamparoweres” e mistelas da “Avon”como se de “tramoços” se tratasse. Adiante…
Só quem nunca tenha passeado nos bairros suburbanos de classe média, aí pelo meio-dia de Sábado é que nunca ouviu, o grito de guerra que ecoa pelas esquinas: Meninas… “Qué’-se” dizer, meninas, meninas, bom, digamos que sim!... (para ler como se um pregão de varina se tratasse)…A cataplana, está ao lume, vamos aqui badalar um pouco, enquanto apura!... Bom…
E desta forma, polida, lá vão confidenciando umas ás outras, segredos de “polichinelo” e as mentiras que todas sabem sê-lo, e que sem excepção passam impolutas num tácito e muito elaborado jogo, mente tu que eu acreditarei, “óspois” trocamos: minto eu que tu acreditas… Este jogo vem desde o tempo em que o primeira macaca desceu das árvores e se tornou “Mulher erecta”. Não se sabe muito bem o que é que ela endireitava, ou se era por se por de pé, que se dizia dela, ser “erecta”. O Kama-Sutra (manual de posições) da época, era muito menos vasto, e asseverava muito prosaicamente o “decúbito ventral”, versão articulada, como a posição normal da fêmea, que ganhou o cognome de “quasi-erecta” porque  só se punha de pé para mandar vir… Pode no entanto agora, com alguma segurança, afirmar-se que tinha o condão de endireitar uma coisa nos “Homo-Erectus” que está provado “erectava-se” por influência directa dela. E esta é que é a verdadeira e científica razão de ser: “erecta”, no sentido de: aquela que “erectava”. (Dicionário Porrinhas)
Bom voltemos ao jogo…
O objecto fundamental deste jogo é a disputa de tudo. Seja o que for. Tudo e nada será matéria de contradição, sendo no entanto material mais utilizado: o aspecto físico próprio e o das outras comparsas, os seus meninos, os maridos… Ah e os trapinhos, nunca esquecer os trapinhos. Um exemplo disso – e escolho ao acaso - são os seus maridos. Estes têm sempre em triplicado tudo o que os das outras é suposto serem, ou terem. Os meninos idem, idem… As meninas estão todas no terceiro ano de “Bárbies”. Quanto aos trapinhos, Uiiii, nem ouso tocar nessa matéria… As suas regras, (as deste jogo) cujas nunca ninguém definiu, são no entanto sobejamente conhecidas de todas as participantes.
Claro que há improvisos, quem por este ou aquele motivo não tiver marido, ou filhos, ou ambos, pode sempre arregimentar uma qualquer figura estilística que o substitua. E há sempre um sobrinho para fazer as vezes de “vingador”. (adiante se verá porquê vingadores) Ah… Já me “desquecia”, é rigorosamente proibido jogar com os maridos das outras…. Adiante…
A “codrilhisse”…. Cala-te boca!.... É assim que se chama o jogo, é assim como um jogo de xadrez em que se mudam as regras a cada jogada. Percebeu? Não? Nem eu….
O que é verdade, verdadinha, é que línguas afiadas cortam o ar como chicotes dizendo coisas de assombro. Quem arrancar, AAAAh’s e OOOOOh’s, mais expressivos, demorados e densos, ganha o bacalhau. Porém, lá por dentro, onde o “tico” e o “teco” circulam a não sei quantos G Hz de velocidade - talvez não sejam assim tantos!... A actividade é frenética. Pelo canto do olho todas espiam todas, anotando mentalmente todos os pequenos - ou grandes - defeitos, descuidos ou erros cometidos à sua volta. Basta multiplicar todas por todas, para se fazer uma ideia da estafa para os pobres “ticos” e “teços”.

tico e teco

Exemplos, querem exemplos… Não percebo qual a necessidade, mas ‘tá bem. Lá vai:
(mentalmente)
- Pois filha, fala p’rái. Apesar de só comeres tiras de coiro, estás mais gorda que uma bácora. Atiras cá uma cataplana que dava p’rá casa real de Espanha mai’la família do Cavaco Silva e comitiva… E a roupinha… Sacos de sarapilheira de cinquenta quilos…. Agora alto e bom som: - Oh Marília, estás muito mais magra, como é que fazes? Responde a interpelada de viva voz:
- Oh querida! Nada de especial… Faço muito exercício e uma dieta “Amaricana”.
Agora em surdina: Fuinha… Escanzelada… Deve ser por seres tão boa que o teu marido me deita olhares gulosos! Pudera, com o que tem em casa!... Está farto de roer ossos… E depois, vestes-te como se fosses a “Twiggy”, só que és p’rái do tempo do “Fons-Hinriques”... Galdéria… E os sorrisos acompanham esta guerra surda mas nunca declarada nem assumida…
De repente, cortando esta torrente de mau estar, lá do canto ouve-se: O meu marido vai comprar um “Bê - Mê - Dâblio… Cresce um coro entre o efusivo e o desdém enjoado: Que bom querida!... Que bom!….
Deves mas é andar a ganha-lo pelas esquinas!... Lambisgoia!.... Claro…. Isto pensaram todas em uníssono, (pensar em uníssono? Compreendi-te!...)
Como se deixa ver, as regras, se as há, são mandadas às urtigas, e é o vale tudo que impera. Mas claro… Claro que são amigas!...isso nunca esteve em causa…
Depois abre-se a cataplana e o seu perfume serena tudo e todas. É engraçado mas comer bem, em regra eleva o espírito, até às mulheres!...
O vinho escorre-lhes pelas goelas, bebem como se de homens se tratassem e o efeito não se faz esperar. Como é sabido, estas coisas têm três distintas fases. Primeira, a euforia. Segunda, a melancolia. E por fim, se não se tiver parado de beber: a prostração. 
Sorvidos que foram os primeiros golos, as comensais, individualmente consideradas, acham-se imbatíveis. Todas se consideram controladoras de tudo e todas as que a rodeiam, e as mais belas e esplendorosas criaturas. Não lhes cabe, por assim dizer, uma palhinha na “pandeireta”. Evapora-se a inveja e dissipa-se o azedume e hei-lo que chega, pujante, vigorosa, avassaladora, a segunda fase: A melancolia. Escorre viscosa por toda a sala, é uma comoção colectiva. Afinal sou uma “matrafona”, (não confundir com as: marafonas, bonecas de trapos, lindas, da aldeia de Monsanto)
marafonas




matrafonas






Já olhaste bem para ti por acaso? Eras tão bonita… Os palermas andavam a rapar à volta, vinham comer-te à mão… Agora, tens uma tromba que parece uma máscara Inca, o viço das carnes, murchou, a “virgínia”, que era uma rosa em botão, parece mais um “charrôco”…. Ai…Ai… Mais de metade do que consigo surripiar ao aperto de todos os meses, vai para “betume pedra” e p’rá Micas cabeleireira. O meu homem é uma seca, vem p’rá cama a cheirar a álcool e a colónia barata, das putas. “Odeispois” comigo, cruzes… Que vida!... Que merda!... O que me vale, são os meus meninos, queridos meninos….
E o sublime e genuíno sentimento maternal irrompe devastador. Comoção colectiva… Mas nenhuma dá pelo facto de isto ser uma onda gigante, colectiva… Todas por igual acham que é um assunto só seu, pessoal. Ai os meus meninos….
Os queridos de sua mamã… Como se fossem a extensão do seu ser, os filhos machos são para as suas mães os “Zorros” da história, que humilhando sexualmente as garinas, vingam as frustrações  das suas progenitoras, que por sua vez, terão sido humilhadas da mesma forma no seu tempo.    
Até que o Sandrinho, (assim se chama o “bacorito” sem pescoço) è muito bem aviado…. Não sai ao pai não…. E é tão bonito… Parece mesmo um daqueles retratos da “OLA”...Quando for grande hão-de ser assim de gajas Atrás dele… E ele numa de desprezo, nem as olha e quando pousa o olho numa, Zás… Com o seu “Big-Bizu” racha-a “dáltabaixo”.....
Big-Bizu



Essas malucas têm a mania que são boas. Mas ficam a saber que a única boa a única que ele quer, é a sua querida mamã.     
Por estas e outras razões, fica claro porque é que os homens têm atitudes machistas. Não se está a ver quem os educou para tal, pois não?
Estes sentimentos pouco edificantes, são por assim dizer a fronteira para a terceira fase. A prostração insinua-se ao de leve, o negativismo mais atroz, que de leve, passa rapidamente a pesado… Os olhos entaramelam-se, a voz tropeça e os jarretes claudicam. É física, óbvia e evidente a altercação. O sistema nervoso central, abre brechas por todo o lado. Mas a “psiké” continua a ser cabeça de cartaz. A fase aguda é cada vez mais evidente. Ouvem-se coisas de estarrecer, uma grita que já foi actriz de cinema e que até ganhou um Óscar. Só não sabe que é feito dele. E o príncipe do Mónaco chegou a propor-lhe juntarem os trapinhos, mas na altura não lhe dava jeito e a coisa ficou por ali, pela frustração do príncipe… Mas chegaram a beijar-se…. Pois claro…
A sala dá voltas e voltas a imponderabilidade é total, afinal o príncipe tem orelhas de burro e uma “piça” de querubim. O estertor leva a que se engalfinhem umas nas outras, num vale de lágrimas. Carnes, suor, ranho, base e rímel, misturam-se num cozinhado horrível… A cataplana jaz vencida e as garrafas tombadas são como o rei derrotado naquele louco xadrez.
Uma boa soneca deixará apenas uma dor na tola e um sabor a papéis de música, lá mais para o fim do dia.
Glorioso dia, que rica cataplanada…
Só de imaginar… Dói!  Que cena…
Custa a acreditar que criaturas, que, com a sua beleza esbatem a fealdade das rotinas diárias dos dias de hoje… As sublimes mães dos nossos filhos, nossas queridas parceiras, não só de sexo, mas de jornada, por vezes até amigas, companheiras. As mulheres, que não só as suas “cataplanas”, estão ao nosso lado para o melhor e o menos bom. Confesso, que por vezes nos estão por cima… São-nos superiores, a bem dizer…! É consensual, que nos dão lições de como se sofre com estoicismo e são já hoje, nestes momentos mais chegados, nossas concorrentes na chamada escada do sucesso. È justo que se diga, por ser verdade…
Mas então como é possível, aquela loucura insana á roda da cataplana? Ora, está bem de ver! Tal como nas moedas, há duas faces, distintas e manda a retórica destas coisas, que contraditórias entre si.
A cataplana, é portanto e aqui, motor de reflexão sobre a natureza humana feminina. E não uma panela bizarra, que como já se disse, aberta e vista pelo lado de fora, parece a “peida” duma gaja boa….
Gaja boa com armadura, vista de frente
                        António Capucha
         Vila Franca de Xira,Outubro de 2006



                                                   

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mohanima



Mohanima, peço desculpa se não for assim que se escreve. Era, espero que ainda o seja, um negro guinéu cujo nome indicia ser de uma das etnias muçulmanas, e que estava para ficar no RI 5   das Caldas da Rainha. O bom do homem era assim para os trinta aninhos bem puxados, mas como não tinha família nem casa para onde ir, foi ficando no quartel com a tolerância do Comando. A sua figura desencadeava de imediato  simpatia e a vontade de lhe fazer bem. Invulgarmente pequeno mas proporcionado, negro retinto de musculatura impressionante e com uns pés de um tamanho que lhe dariam para dormir em pé… Claro que havia uma contrapartida para a generosidade do Comando. Estava encarregado das piores tarefas, a que os outros soldados fugiam como o diabo da cruz. Mohanima, tratava das pocilgas da unidade…. Onde chafurdavam uns bácoros e bácoras de criação, para os Sr.es comandantes, messe de oficiais e assim…. O comum dos mortais bem podia esperar sentado que nem o cheiro de febras destes animais lhe iriam passar debaixo dos narizes….. Uma unidade modelo até neste particular. Os privilégios a quem são devidos e “mai nada”…. O resto era disciplina…. Na justa medida da protecção e garantia destas premissas…. (os privilégios)
E isto é infelizmente verdade, e transversal a toda a tropa por onde andei. E andei por muito lado. Havemos de voltar a isto noutra altura…..
Agora é o Mohanima….. Pois este Pim-Pam-Pum, levava as suas tarefas muito a sério como se disso dependesse a própria vida, e até certo ponto assim era. E falava num português meio atravessado. Por exemplo, não dizia furriel…. Dizia “Esfurier", a que acrescentava invariavelmente o monossílabo : Pá. Aliás um estrangeiro, qualquer que seja, que aprenda a nossa língua de ouvido, a primeira coisa que aprende é a meter o: pá, coisa que quer dizer um milhão de coisas e serve de muleta a tudo e a nada.
Um belo dia o nosso Mohanima, diz-me: É pá, esfurier pá, Queres ir a ver? Os porca estás a "parire" pá. E lá fui para as “catacumbas” do Mohanima, onde de facto uma enorme Marrã se espremia convulsivamente, e expulsava a tempos um bacorito, ora rosado ora preto ou malhado envolvidos num véu individual, eram muitos…. Durante uma boa hora estive fascinado a ver aquela coisa notável do começo de uma vida. O Mohanima afadigava-se a limpar os bacoritos a levá-los para junto das tetas, e fazia sempre um festinha na enorme cabeçorra da porca sempre que passava por ela. Perguntei: é pá? Então se não há nenhum porco preto, como é que a porca tem bácoros pretos e malhados? E adiantei manhoso:  Mohanima… O que é que tens andado a fazer com a porca????…..
"Esfurier" pá…. Não "berinca" pá!!!! Não "berinca"!!!!
Mal Disparara isto, e já estava arrependido de o ter feito. Vi o amor e dedicação do pobre homem para com os bichanos e aquilo pareceu-me um hino ao amor total… Universal …. E de imediato realizei a espécie de boçalidade que a tropa, ou seja o treino militar, nos dá no acto em que nos rouba a identidade, sensibilidade, e tudo o que nos faça sentir expostos à realidade e a pensar pela nossa cabeça - anátema destas coisas da tropa… E substitui tudo isso por os sacramentais IN, NT e os superiores…. (IN - inimigo e NT - nossas tropas, superiores, vá lá saber-se em quê.). Tudo contra os IN, sem pensar, automaticamente… E repor a mordaça para as NT….  Dizem que reforça o espírito de equipa e a solidariedade em combate…. Não sei… Nunca entrei em combate…. Mas eles também não. Na sua grande maioria os comandantes, são muito bons é a mandar os outros combater. Como é que sabem então que assim é que é…. Assim é que se reforça a disciplina… São aliás tão bons a mandar combater como a manter os privilégios próprios. Também hei-de voltar a isto….. Por enquanto folguem….
Aquele quadro de natividade, portas a dentro do quartel, desencadeou-me um sem número de sentimentos, que o resto do dia já não foi o mesmo.
Fui dali à messe de Sargentos fazer o contra-senso de comer uma sandes de presunto, como já disse noutra ocasião: as melhores de unidade… E com o estômago mais aconchegado e aquecido pelo cafezinho no final, fui para o campo de jogos encostar-me a um pinheiro e meditar nestas últimas e poderosas revelações. Decidi primeiro, que nunca haveria de esquecer estes acontecimentos, e não esqueci. E segundo, logo ali promovi o Mohanima, de tratador dos porcos a: PARTEIRO DE BACORITOS…..


                       António Capucha
     Vila Franca de Xira, Novembro de 2010




quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PARE ESCUTE E OLHE!!!



A tarefa mais urgente no nosso país, não é, ao contrário do que dizem os profetas vesgos, que a nossa comunicação social (que também vai ter que mudar, e muito) nos atira para cima às pazadas!Não é nenhuma meta de carácter económico..... A primeira condição a estabelecer é a credibilidade dos agentes políticos, partidos à cabeça, uma vez que são eles que nos propõem candidaturas. Uma primeira triagem, portanto...
A coisa primeira e indispensável para se sair deste vórtice, que conduz ao esgoto.... Os primeiros a mudar seremos todos NÓS, no nosso conjunto e dimensão politicocultural..... Enquanto não se der esta transformação estaremos sempre a andar em circulos viciosos... Isto é: Escolhemos mal os nossos representantes, porque temos valores que são deformados, doentios. E por sua vez os mal escolhidos, MAL NOS SERVEM, porque não sabem fazer melhor, ou porque são venais, desonestos ou ambas as coisas....
O hábito de escolher pelo que aparentam ser, tem-nos levado sistematicamente, a escolher mal.... Resta saber por quanto tempo mais vamos eleger pessoas com base na aparência, de honestidade e competência, como se isso fosse dependente do aspecto. Depois isso é facilmente manipulável em termos de markting político.
Estivemos até aqui a cometer sistematicamente o mesmo erro, será preciso mais o quê, para de vez entendermos isso na sua crueza, e para nós pouco simpática, extensão....
Se aumentarmos e apurarmos, os nossos critérios de escolha, estou convencido de que as coisas começarão a mudar, primeiro lentamente e depois num galope imparável.... Sem truques e manhas....
Uma vez que é muito dificil que de hoje para amanhã acordemos todos cheios de clarividência, Ao menos tornemo-nos desconfiados, dos candidatos que se apresentam como Messias.... Salvadores da Pátria.... Factores por si só, de estabilidade ou progresso. Desconfiem dos que passam a vida a dizer da sua capacidade, impolutos cidadãos, sem mácula, que a cada minuto referem como seu único interesse, servir o país etc.... etc.... Esses no mínimo, são só farol.... Claro que por acréscimo, normalmente estes, tem para além deles próprios, uma matula do caraças para se encherem à nossa custa.....
Não dá para esperar mais, isto pode cair-nos em cima como um comboio desgovernado... Por isso e como no caso dos comboios é fundamental o: PARE ESCUTE E OLHE.....
                  
                     António Capucha

Vila Franca de Xira, Novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Debate do O.E. 2011

Assembleia da República
No magnifico cenário da Assembleia da República, casa maior da Democracia, decorre neste momento o mais deprimente dos espectáculos.... O do "faz de conta"....
O debate acerca do OE, para o ano que vem, a decorrer no Parlamento e a ser transmitido em directo nos canais de TV de informação, mais não faz do que acentuar o descrédito em que chafurdam os nossos representantes eleitos. Lamentável!!!!
Que debate vem a ser este quando o desfecho já foi negociado à nossa frente, passo a passo e com detalhes de impressionante rigor,(dir-se-ia até, desnecessário rigor). A verdade disto tudo, é que este debate está completamente esvaziado e é um mero exercício de retórica  virtual... Bem como o é, de hipocrisia bem real...
E isto em ambos os sentidos. À direita esgrimem-se argumentos inúteis, , Ninguém convence ninguém muito menos o público... Já está tudo decidido. Como é que credibilizam então o seu antagonismo? É apenas Show Off!!!! Afirmo sem medo de errar.
E à esquerda Ps e Bloquistas estão aliados, unidos pela candidatura do Manuel Alegre. É também portanto, um duelo com pólvora seca.
Sobram os Comunistas, e centristas que o não são. Que como quase sempre atiram umas pedradas para o ar, mas que não assustam ninguém, porque por muito que se estiquem não fazem qualquer moça no sistema. São no entanto pessoas de grande persistência, sobretudo os comunistas, que fruto da sua tradição ideológica, continuam a sua evangelização..... Quanto ao PP, o "chico-espertismo"e o anúncio arrivista e constante da descoberta da pólvora sem fumo e do tiro sem pum!!!! também não dão, sequer coceira, aos partidos maiores....
Este triste espectáculo devia ter lugar mas em voz off. Poupavam-se e poupavam-nos a este deprimente espectáculo de homens adultos, honrados e probos, a brincarem aos debates....

                António Capucha

Vila Franca de Xira,Novembro de 2010

sábado, 30 de outubro de 2010

O “SÓCAS”

Pensava eu.....

Pensava eu, que o nosso Primeiro era tão só um tipo tão obstinado, teimoso mesmo, que essa realidade ofuscava tudo o resto, chegando a parecer estúpido, néscio, um badameco vaidoso, intolerante e arrogante.
Mas alguns pormenores revelavam dele, ser um hábil político, capaz de lidar com coisas extremamente complicadas, compagináveis apenas com pessoas de grande equilíbrio entre o instinto e a racionalidade e a cultura de Estado. Pessoas muito qualificadas. Estou a lembrar-me por exemplo, de como lidou coma questão das escutas a Belém. Magistralmente fez com que a castanha estalasse na boca do queixinhas do Sr. Silva. Em relação ao qual não restam dúvidas de que é uma personagem politica destituída de imaginação…. Completamente quadrado!!! Mestre da trivialidade e da menoridade intelectual, cuja se esgota na sua qualidade de economista, professor e tudo… Coisa que desconfio, acumula com o seu ser privado e individual….
Estes últimos desenvolvimentos, da novela da aprovação do OE (orçamento de Estado), revelam um Sócrates a abanar por todos os lados e a deixar-se ultrapassar, nesta luta estúpida, que só rende em países do terceiro Mundo, e que consiste em revelar à opinião pública, à frente da qual tudo se passa, de quem é a culpa de estarmos tão mal… Tão mal,,, Que os “mercados” não gostam de nós, e não nos dão dinheiro para  comprarmos  chupas…. (é um pouco mais que isso, mas a ideia é a mesma)
O PPD brilha no espectro politico e prepara-se com a bênção do Sr. Presidente Silva  para fazer o PS governar segundo os seus ditames e estilo.
Pode e é dito em jeito de desculpa, coisa que não lhe conhecia, que é em nome do interesse Nacional. Mas, “isso é conversa mole para boi dormir”, como dizem os nossos irmãos brasileiros. Isto porque faça Portugal o que fizer será sempre penalizado pelos “merdosos” que manipulam os chamados mercados. E pelos ricalhaços da Europa, que hão-de continuar a tratar-nos como seus Jardineiros, enquanto não lhes pregarmos um valente “cagaço”. E isso sim, é coisa que eu esperava do nosso ministro maior. Em vez do: Porreiro pá…. Um valente toma à “bordalesa” e um marzapo das Caldas para enfiarem onde quiserem…..
Será que se trata do mesmo “animal feroz” que enfrentou lóbies tão poderosos como o dos farmacêuticos, (industria ou comércio a retalho). Ou o criador politico do “Magalhães”. E a reforma do ensino? Pode não ter sido o melhor caminho, mas revela muita coragem…. Enfrentou o “lóbie” dos Profes, perdeu. Voltou a erguer-se e voltou à luta…. Desculpem lá , mas tomates tem o homem….
Mas não!!! Ou me saiu ainda mais malandro do que eu sou capaz de imaginar, e eu tenho em matéria de malandrice uma imaginação fértil, ou então esgotou-se-lhe o gás. E assim sendo, é melhor que vá “engenheirar” para onde puder. Enquanto ainda é tempo de uma remota hipótese de recuperação da esquerda. Se bem que remota não se podem dar ao luxo de a protelar. Lembram-se do Ferro Rodrigues,? Também parecia uma luta inglória, no entanto o “Cherne” acabou por ganhar por muito pouco….
O que se avizinha é a concretização do sonho do Sá Carneiro: Um Governo, um Presidente e uma maioria….. E então é que vai ser o regabofe…. Não é por questões técnicas de gestão governativa, que essa gente quer um Estado menos gordo, é sim porque acreditam que o Estado está a roubar áreas de negócios à iniciativa privada….
A boa verdade é que os nossos governantes  anteriores e actuais , assobiam para o lado, e vão permitindo ou praticando a má gestão da coisa pública, abrindo caminho às considerações e ao oportunismo da direita partidária…. Não importando se a questão é vital, e que permaneça abrigada da voragem dos interesses privados…. 
Os mercados não gostam da ideia de Estado Social, mas se houver uma boa, comprovadamente boa, gestão, que remédio terão senão meter a viola no saco…..
Vejam lá se eles se metem com os países nórdicos….. Não há na UE, países com Estados mais Sociais que estes. Eles …. Os “mercados”, só se metem com quem tem convicções pouco fortes, acerca do seu caminho colectivo e de como se organizam para o atingir….
E o Resto é paisagem…. Sr. Sócrates, nosso primeiro….
Óh senhores…. E o que me custa é o espectáculo degradante do Sr. Silva travestido de virgem guerreira. Quando não é, nem uma coisa nem outra….
Quadrado será e sempre. Se ele ganhar, em vez do triunfo do Cubismo, teremos rodas quadradas e vulgaridade ao quadrado….
Até já me está a fazer doer!!!!

                            António Capucha
           Vila Franca de Xira, Outubro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O sacristinha

Missa Sagrada
Clementina, perdão a Srª. D. Clementina, tinha o hábito de pigarrear alto e bom som, não para aclarar a voz, que a tinha bem tonitruante, mas por alegado tique, o que constituía assim como que uma inconveniência, na Igreja Paroquial desta simpática vila, no extremo Sul do Ribatejo, porque alegadamente perturbava a liturgia…
Quando a D. Clementina desobstruia a goela entre o, In omne tempus e o ite missa est, isso implicava de imediato, o virar de cabeça do padre que a olhava por cimo dos óculos e com tal desaprovação evidenciada, que a visada punha de imediato a mão na boca e recolhia-se em quase expiação. Os, melhor, as fieis paroquianas permitiam que se lhes aflorasse às faces uma expressão de enfado o que aumentava a culpa da D. Clementina, pois que, nem entre as suas pares, encontrava solidariedade e compreensão. Apenas os Santinhos nos seus altares, ficavam impassíveis, mudos e quedos face ao dislate… O que nem lhe passava pela cabeça, era afrontar a autoridade eclesiástica do Padre. A estas discrepâncias correspondia  o cantar mais alto e o esbracejar mais vincado do “Manél” sacristão para tentar abafar a altercação e inopinado acontecimento . O Sacristão principal, único autorizado a tocar o sino e dirigir o coro das paroquianas e encher as galhetas de vinho de missa. Passava negra vida por mor de cuidar de que tudo decorresse com normalidade…
Ora estas peripécias e subtis variáveis à liturgia do dia, aliás, de cada dia, não passavam despercebidas ao sacristão improvisado, ajudante à missa das oito de todos os dias. O malandreco à socapa, ria deste ritual paralelo ao ritual predominante da celebração, que vinha escarrapachado no calhamaço das missas do padre, e dos esforços frustrados do 1º sacristão para os minimizar.
À mística, apesar de tudo, da D. Clementina, chegou mesmo a ser recusada a sagrada comunhão, à falta de melhor razão, exactamente por ter amiúde, cometido o pecado da imodéstia de usar tais guturais sons, unicamente para se evidenciar… 
Ora, ao sacristão improvisado, estas coisas pareciam-lhe despropositadas, mas acabava por aceitar e até entrar no aplauso unânime, porque a D. clementina o fuzilava com os olhos injectados de sangue quando o via rir á socapa das suas cenas e dos ralhetes subsequentes.
E não sabia ela, que o rapazola bebia às escondidas o sagrado vinho de missa na sacristia. Não sabia ela nem ninguém…  Senão não seria com o olhar que o fusilava….
Mas isso era coisa a que não resistia… O vinho era diferente de todos os que conhecia e que lhe causavam asco de tão ásperos que eram…. Mas aquele não! Era agradável, doce  e inebriante…
Tudo corria bem ao ajudante do sagrado oficio, não fosse a sua mãe teimar em lhe vestir calções, que lhe deixavam os joelhos nus sobre a escadaria de mármore negro do Altar Mor,  sempre que os salamaleques, cujos nunca entendeu, determinavam que se ajoelhasse. Era isso e aquela coisa de passar do lado direito para o lado esquerdo do Altar, algumas acompanhadas de badalados da campainha que lhe faziam uma confusão do caraças. O Sr. Padre ajudava-o maneando a cabeça para um lado ou para o outro, ou fazendo com a mesma que sim, para a “campaínhadela”. Isto não parecia nada bem era ao Sr. “Manel” porque era do seu âmbito e devia ser ele a conduzir a  inepta criatura.
O que convém aqui esclarecer é que o mariola, vigiava o vinho que era deixado na galheta e quando terminava o Santo Sacrifício da Missa, recolhia os elementos da Santa cena entre eles as galhetas do vinho e da água, e a caminho da sacristia em gestos mais que estudados e experimentados, emborcava o néctar restante. O “Manel”sacristão, fiel depositário do garrafão do precioso líquido, é que devia dizer de si para si: Alguma se passa… O Sr. Prior ultimamente bebe o vinho todo. Mas claro que experimentado acólito que era, sabia que isso não eram contas do seu rosário… Daí não rezar dos anais da Paróquia de Vila Franca de Xira, o misterioso desaparecimento da vinhaça de estalo para as missas. Faça-se pois luz, sobre o assunto. E se restar neste Mundo dos vivos alguém a quem este mistério traga intrigado, Fica a saber o como, ficando nas covas como convém, (não há aqui lugar a denunciantes e bufos) o quem!!!!
Áh é verdade, soube-se  muito tempo depois destes acontecimentos, que a D. Clementina, terá morrido com idade para tal, e com um cancro na garganta…
O pequeno sacritão, pede humildes desculpas por ter rido das cenas originadas pelos sonoros aclaros de voz da senhora…
O sabor do vinho de missa é que não lhe sai da cabeça!!!!!


                        António Capucha
     Vila Franca de Xira, Outubro de 2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Será que isto levanta?

Óh senhor Silva....Será que isto levanta????
E pronto não há acordo. Afinal azeite e água não se misturam…. Ainda bem digo eu, em nome da lógica das coisas….
Aparentemente o que alimentou os noticiários destes últimos dias, era a esperança, baseada sabe-se lá em quê, que o Governo do PS ia passar a governar baseado no OE do PSD. Só mesmo com muita fé é que se podia esperar isso. Conhecendo-se a personalidade política do José Sócrates, isso seria o menos provável.
E não seria só isso…. O 1º Ministro não iria assistir impávido e sereno ao cimentar da ideia de que o Presidente Silva, era o motor e garante da estabilidade em Portugal. O resto são números e profissões de fé dos economistas e fieis servidores das teorias dos “mercados”.
 Há a lamentar, que tardasse tanto este corte com a corrente néo-liberal que vem inchando. O governo tem mantido uma atitude dúbia em relação a estas questões…. Mas estamos chegados ao ponto em que não há nada a perder…. Ser governo, Pagar a factura de impopularidade por o ser, e aplicar a política dos outros. Só mesmo por masoquismo, ou estupidez…..
E agora que o Presidente Silva, já desfez o tabu, e se prepara para passear o seu imodesto factor de equilíbrio, de fiel da balança politica, imparável até à vitória final…. Então, dizíamos, é que não há mesmo nada a perder….
Não espero milagres. Mas o primeiro passo está dado…. Claro que o governo vai cair.
Mas isso era uma questão de tempo.
Tal como estão as coisas em termos económicos e políticos, e com a margem de manobra que resta aos governos que fazem parte do Euro, sobretudo se pobres como nós somos, dois meses de governo seja de quem for, são o suficiente para cair no mais atolado dos descréditos, Pois que sejam os que acreditam no sistema que nos provocou estas perturbações – os ditos mercados  e seus servidores e fieis acólitos – que sofram o desgaste por eles provocados….
Espero que esta seja a fronteira do faz de conta, que tem sido a actuação deste governo. É aliás a maior das contradições do estilo do Sócrates, Teria sido mais fácil que em vez de afirmar sempre a seu arrogante protagonismo, numa espécie de Xadrez suicida em que jogava deliberadamente para debaixo de xeque, (o que, como se sabe é proibido pelas regras do jogo.) assumindo a responsabilidade de coisas que não dominava, e tivesse a seu tempo reconhecido publicamente a sua incapacidade para fazer face às questões. Que isto que nos estava a acontecer era assim como que uma enxurrada imparável, e que ele nada pode fazer porque é apenas 1º Ministro de Portugal e as soluções , tal como as causas não estão ao nosso alcance.
É um exercício de humildade que lhe causa brotoeja, mas que lhe pode custar demasiado sobretudo ao PS e ao País, por tabela.
A solução já não passa por ele, que parece ser um protagonista a quem se extinguiu o papel. Mas alguém vai ter que começar a chamar os bois pelos nomes,  e a bater o pé aos “patrões” da UE, Já que se a UE enquanto tal, deixou os países mais frágeis ao Deus dará face à investida dos especuladores internacionais, ENTÂO, SERVE PARA QUÊ???? E como é evidente que os poderosos não se deixarão comover, é preciso tomar atitudes. Por exemplo criar com os outros países do Sul da Europa um lóbie inflexível, que faça mossa e acabe de vez com as mais que muitas descriminações de que têm sido alvo. Por parte da Alemanha, Reino Unido e França. Reparem só nesta contradição: O reino Unido, vulgo Inglaterra dá-se ao topete de ter colónias e de as defender tenazmente, em dois países também membros da UE. A Espanha e a Irlanda.(respectivamente: Gibraltar e o Ulster)
Como é que se sustenta uma coisa destas?
E como é que a Alemanha não aceitou qualquer facilidade de pagamento que aliviasse as contas de Portugal e da Grécia, a quem também vendeu dois ou três submarinos????? Se calhar para defender os corais do Egeu!!!!
Países do Sul e Irlanda Unidos numa estratégia de subverter esta união que não é a nossa Ou é?
O Durão “cherne” e o próprio Sócrates, grizaram-se todos com o Tratado de Lisboa que apenas transforma a UE cada vez mais num tratado apenas económico, onde como se sabe impera a estratégia bancária. Porreiro pá!!!!
Claro que isto sou eu a sonhar…. O que provavelmente vai acontecer é que, como profetizava Saramago, Portugal acabe como província de Espanha e A Irlanda cada vez mais britânica emigra toda para a América para policias de New York e “prontes”…..
E VIVA ESPANHA!!!! A Liza Minnelli em fundo, canta a Big Apple….. e Zorba rodopia bêbado.
A Portuguesa e o Danny Boy choram convulsivamente…. O Zorba continua a dançar….
CAI O PANO.
 
               António Capucha
Vila Franca de Xira, Outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Aquele senhor que vale mais pelo que não diz,


Aquele senhor que vale mais pelo que não diz, do que pelo que diz… Também faz da sua acção não agir. Ou agir na sombra, sem que se venha a saber que afinal agiu, mais, não só agiu como agiu metendo o bedelho onde não é chamado. A única arte que tem é a de comer ele os figos e rebentar a boca aos outros. Como ao seu arqui–rival não consegue enganar, interveio metendo o foice em seara, que foi a sua, e que de há muito a esta parte, manipula a seu favor sem correr os desgaste próprio de quem comanda. Deixando que quem assuma esses riscos de mandar, se desgaste e morra de morte lenta . E já vão não sei quantos nesta voragem.
O outro senhor em guerra de galos com este outro, ao menos não se acobarda e assume por inteiro até o que não lhe cabe de responsabilidade…. E fá-lo até ao absurdo…. As acções, nem sempre hábeis, destes actores, simultaneamente, manipuladores e manipulados, são seguramente sempre muito elaboradas e a custar os olhinhos da cara aos “doozer’s” (fazedores) e consumidores finais das coisas, apesar de penosas e dispendiosas como já se disse, não passam de exercícios de faz de conta …. Virtuais….Eles levam tão a sério essa condição de virtualidade, que nem pestanejam em cumprir os desejos de uma “clic” abstracta a que chamam “Mercados”, contra os interesses mais do que evidentes e reais das pessoas concretas que somos nós. A perversão é tal que, o que á partida é virtual, produz efeitos reais…. E o que de génese, é real passa a ser considerado no âmbito dos jogos virtuais destas Almas…..
Entretanto na sombra de tudo isto e como se isto não existisse, o dito senhor continua a urdir o seu “tabu”, ridículo segredo de polichinelo, como todos os outros a que nos habituou na sua longa, diria antes, interminável carreira de político virtual…. E a manter a boca fechada não só aos “bolos-rei”…
Isto começa a fartar-me porque já nem constitui matéria susceptível de criar indignação…. Isto é aliás um longo e penoso nada. Tal como, que eu me lembre, o foram as consequências dos anteriores , mais que muitos, sacrifícios que já fizemos como sendo derradeiros, para normalizar as coisas….
Ora senhores “importantes” quando é que resolvem retirar como ensinamento que esta forma de resolver as crises, são completamente ineficientes. E a prová-lo está que nunca, apesar de inúmeras vezes aplicado, resolveu coisa nenhuma. (até o FMI, já cá esteve Lembram-se? E esta receita já vai na undécima vez que é aplicada) e a única coisa que fez foi trazer-nos até esta situação que difere da inicial apenas por ser mais grave.
Façam lá um exercício de humildade, e aceitem que o vosso lugar é em casa frente ao televisor a brincar na PS3….  E podem até ligá-las à “net” e jogar um contra o outro, poupando-nos assim ao espectáculo deprimente da Cooperação Estratégica. Seja lá isso o que for….
E por último deixe que lhe diga Sr. que faz de Presidente….Se, como é verdade o seu maior e melhor trunfo é o silêncio e o mistério. Então porque que é que não sai de fininho de cena? Politico que não fala, não erra! E político que não está, sempre pode fazer o papel de messias….. Já viu que glória: O senhor, O Messias…. Como o outro de Santa Comba…. Até lhe fazem romarias. É quase tão popular como a Santa da Ladeira.
Como o senhor acredita na Lei da auto regulaçao dos Mercados, isto é: a lei da oferta e da procura…. Porque é que não aplica essa mesma lei à sua acção política, e deixa o seu partido fazer o seu papel livremente….. Este seu mandato ainda não terminou e já custou aos seus, vai para cinco líderes…. Este que actualmente lidera o PSD será que vai resistir? Aparentemente ele não é muito alinhado na sua bola…. E o Senhor se dissesse que o detesta, não conseguia ser tão expressivo como o é, não o dizendo! (se eu fosse a Maria João Avilez, agora perguntava-lhe: O senhor não convive muito bem com a contrariedade… Pois não?  É que se nota a sua expressão a mudar para sorriso comprometido, quando lhe perguntam aquilo a que não quer responder. E já agora e a propósito …. O Senhor tem outro sorriso?)
Ou, Abrenúncio … Vá de retro, será que apenas não quer que uma crise política provocada pela queda do governo, perturbe e ofusque a sua coroação…. Perdão a sua eleição Presidencial?
Não é que eu me preocupe… Com o mal dos outros!!!!….. Mas sabe, é que estou absolutamente convencido que isso apenas alimenta a sua vaidade e eu detesto vaidosos…… Sobretudo os encapotados de servidores da coisa pública…..


                        António Capucha
        Vila Franca de Xira, Outubro de 2010