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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Natal

Exemplo de Presépio




Para que conste, tenho memórias ainda bem vivas do Natal tradicional de inevitáveis contornos religiosos, mas que não deixa de conter alguns resquícios das festividades pagãs dos nossos ancestrais….
Estou portanto em posição de opinar acerca das diferenças e aquilatar da qualidade humana e social de um,  e compará-lo com este outro Natal, que nos tem vindo a ser habilmente imposto: O Natal da Coca  Cola /Nórdico/Cristão….
E há diferenças em relação a quase tudo, a começar logo no calendário.
O lado Cristão desta festa começava na véspera do dia 25 de Dezembro, data em que alegadamente Jesus menino terá nascido. A sua expressão máxima é a Missa do Galo à meia noite de 24 para 25, que tem uma liturgia específica alusiva à circunstancia da natividade e toda aquela colateralidade da família (sagrada família), mais os pormenores fantásticos que têm a ver sobretudo com a maternidade virgem, dogma de pureza portanto de santidade. Para tal as peripécias são deveras mais do domínio do fantástico, de permeio com alguma veracidade histórica….
Este Natal religioso conviveu desde os tempos antigos até há bem pouco tempo, com as festas pagãs do solstício de Inverno, bem menos erudito e romanceado que este. Como todas, ou quase todas, as manifestações sóciais anteriores à cristandade, tinham a ver com as preocupações dominantes dos humanos, cujos, na ausência de outros valores culturais mais avançados, que tinham a ver com a sobrevivência das pessoas. Assim os rituais destas “proto-religiôes” celebravam a fecundidade e a abundância de alimentação. Sendo que por fecundidade se entendia a das fêmeas tanto humanas, como dos animais domésticos de que dependiam em boa medida, e a da terra fecunda, à qual se deitavam as sementes. Esta celebração do solstício de Inverno ao contrário da do Verão mais exuberante, era celebrada no recato aconchegado das habitações, o que favorecia o espírito de família, ainda incipiente, o espírito de grupo, ou consciência tribal…. A sua expressão era a partilha espontânea da comida e dos prazeres comuns mais diversos, por assim dizer….. Estes aspectos foram evoluindo naturalmente até hoje perdendo a parte mais animalesca da coisa e acentuando os aspectos rituais de integração e de família, esta já interpenetrada pela doutrina e moral cristãs, como é exemplificado na simbologia do presépio…. Mantém-se no entanto o aspecto da partilha dos alimentos, que são vitualhas de estalo. Toda a gente aprimora o receituário gastronómico.
Actores destas coisas são os diversos fritos, filhós à cabeça, mas há dezenas de coisas de fazer babar o menos lambão. Cuscurões, fritos de abóbora, rabanadas, fatias de parida, azevias, o incontornável pão, enchidos e queijos…. Sei lá que mais…. E o protagonista é o vinho novo, cujo há-de escorrer como um rio pelas goelas de todos. Claro que o prato de substância variava de região para região e até, de terra para terra, consoante os seus hábitos e haveres. O que por exemplo faz espécie, é que o prato de base em Trás-os-Montes seja o polvo cozido.... E esta hein!!!

Filhós

Manda a tradição que as famílias se visitem e ofereçam, uns aos outros, o que de melhor têm. Da fusão com o Natal da S. Madre, resulta, para além da já referida Missa do Galo, que o Padre lidera esta procissão entre as casas dos paroquianos, onde, para além de tentar manter-se de pé e sem oscilar demasiado, vai distribuindo bênçãos e elogios aos preparos alimentícios… Claro que o Padre não vai só nesta excursão degustativa. É precedido de gaiatos a tocar sinetas, mais o sacristão e o grupo vai engrossando à medida que o vinho escorre. Chegam a estar mais de trinta pessoas numa casa, uma intensa actividade comunitária…. O que vale aos anfitriões é que todos trazem oferendas…. Eu muito miúdo ainda participei nestas excursões que ainda subsistiam nas Aldeias do interior. Nestas regiões o dia de Reis, a 6 de Janeiro, é o dia de se trocarem prendas. A igreja atenta ao fenómeno inventou a prenda no sapatinho do Menino Jesus…. E cantam-se as Janeiras, músicas populares cantadas em grupo de casa em casa. Fortemente interpenetradas de moral e doutrina cristã, tanto quanto de vinho para aclarar a voz, mas à quais (às quadras das Janeiras) nunca faltava uma certa brejeirice…

"Arvem" de Natal


Pai natal- Papai noel- Santa Clauss etc...



Nas regiões mais “desenvolvidas”, já tinha desaparecido, substituído pelo tal Natal (não confundir com o tal Canal) da Coca Cola e do Pai Natal. Continua a ser a família o valor base da coisa, mas não há misturas com os vizinhos. A comunidade aqui começa no pai e acaba no filho mais novo…
Esmiuçando a coisa e falando bem e depressa este natal manda isto tudo às urtigas e promove o individualismo e o consumismo a níveis absolutamente doentios. Os presentes que se dão em dia de reis, nesta versão vesga, começam logo em finais de Outubro, e terminam quando o pessoal já está completamente teso e com os “plafons” de crédito esgotados. Fruta da época!!!!
Então, e isso também cabe na natureza humana, inventaram-se coisas apenas por estratégia comercial. Ou imitaram-se outras dos “Amaricanos” e Nórdicos europeus…. Lado a lado olham-se de soslaio o pequeno presépio e a imponente e vistosa árvore de Natal. (a mais das vezes, apenas PIMBA…) Ao passo que mastigamos a ave mais endémica da região, que como se sabe: é o peru, e viramos o bolo Rei e as lampreias, os troncos e outras patacoadas de super-mercado….. Além do tradissionalíssimo peru assado no forno, as prendas deixaram de ser trocadas entre todos, ou ainda que fantástico, metidas pelo menino Jesus no sapatinho, são trazidas agora pelo Pai Natal, que desce pela chaminé. Uma personagem supostamente nórdica da Lapónia, num trenó puxado por renas, que até têm nome e tudo…. Mas, o diabo é que gato escondido……. Pois é….. Este velhote de ar saudável e simpático foi criado pela Coca Cola…. E a Coca Cola tê-lo-há decalcado de uma outra personagem que foi um arregimentador (o antecessor do Tio Sam) de mancebos para a tropa na altura em que os “Amaricanos”  estavam em guerra, cuja fisionomia era a mesma. Os mesmos óculinhos, o mesmo sorriso, o mesmíssimo ventre inchado, e o cabelo e barba branca crescidas. Resta acrescentar que era o maior dos angariadores de rapazes para a tropa e era extremamente popular. Daí a Coca Cola ter ido buscar a sua imagem para a operação de Markting de meados do século passado. Claro que vender refrigerantes é igual a vender seja lá o que for, logo aquela figura transitou para Pai Natal, e em função disso criou-se uma verdadeira cultura…. Claro, de consumismo….
As janeiras foram também substituídas pela estridência dos sininhos do trenó e uns estúpidos corais e vozes tipo Bob Hope, a dizerem bacoradas na sua língua de trapos.
Este Natal é tão poderoso que até foi inventado um subsídio pecuniário, dito de décimo terceiro mês, ou subsídio de Natal, para podermos dar combustível a esta enorme fornalha que é o Natal moderno e cosmopolita…. Este dito subsídio, é assim e portanto, uma espécie de toma lá , dá cá!  
O mais espantoso de tudo é que nesta altura do Natal, somos sempre tocados por uma espécie de calor suplementar. De ternura e humanidade……
Vá lá saber-se porquê!
Ficam aqui ditas estas verdades. Cada um que diga de sua justiça.


                         António Capucha

     Vila Franca de Xira, Dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Na praia da Nazaré… Ninguém pode andar em pé

praia da Nazaré


Uma imagem que gravei, e peguei, com cola que pega cientistas ao tecto, e cá ficou, e ficará, até que o Sr. Alemão (Alzeimer) tome conta de mim. Ou quando a energia for desligada e os neurónios se forem apagando progressivamente, como as luzes de uma árvore de Natal. Ficará esta presente com toda a informação que pude reter com os meus sentidos poderosíssimos de criança com pouco mais de quatro, cinco anos.
Estava eu de férias com a família na Nazaré. Uma praia como não há outra. Uma verdadeira escola de coisas, desde os naufrágios de “bateiras” de pesca, ao puxar das redes à mão até ao retirar dos barcos que rolavam para terra em cima de troncos redondos que iam sendo postos adiante dele e por debaixo da quilha, até terra seca. Esta tarefa era feita por juntas de bois. De tudo isto assisti, ao longo dos anos em número apreciável. Mas Aquela coisa supera tudo…. Mesmo a impressionante imagem das mulheres de xailes negros pela cabeça, num berreiro desesperado pelos seus maridos, pais e irmãos joguetes das ondas e do mar cruel e vingativo, como um Deus Grego, por terem logrado tirar-lhe a sua prata (as sardinhas) e outros tesouros.  E o regabofe de puxar as redes. Só estando lá…. As vozes de comando dos homens: Hei-Hô…. Hei-Hô…. Hei-Hô…. Numa espécie de jogo da corda com o mar…. O segredo era vir um pouco mais cá, quando o mar vinha. E resistir de pés fincados quando ele ia p’ra lá. O peso das redes era sempre um bom presságio ainda que dificultasse tudo….

Juntas de bois a puxarem uma embarcação
Puxar as redes




Muitas coisas fui sorvendo do lugar, pese embora a pouca idade. Mas esta, que vos vou contar, é que me encheu as medidas: Foi a queda de um avião mesmo à frente dos olhos a poucos metros da rebentação do mar. Um espanto. Só mesmo na Nazaré….
A praia estava cheia de banhistas, quando vindo de Norte, do Sitio,(onde a tal Senhora gosta que lhe façam festas  dos Círios. Sabem o que são? Informen-se...) 
O ruído de um motor foi crescendo e quando apareceu imponente como um grifo, todos vimos a asa  direita bater num varão de ferro do miradouro do Sitio, e estilhaçar-se toda. A aeronave descreveu um mergulho curvo em pirueta sobre o seu lado direito e mergulhou na água do mar imenso. Juntem a isto tudo os efeitos sonoros e o quadro começa a compor-se.
O avião (ou o que restava dele) estava nos dias seguintes nas areias finas cercado por uma corda e guardado por militares… Tratava-se de um herança  dos amigos alemães do António, o outro, e com a sua chapa ondulada e pintura verde azeitona.

 
Junkers W 34

Sem a cruz que a amostra ostenta e numa amalgama disforme, que nunca associei a desastre e morte (que é evidente ocorreram). Aquilo para mim passou a ser a estética associada ao barulho de ferros torcidos do embater de asa e a sequente queda e o ruído típico de aceleração do motor a percorrer a fatal elipse direita ao oceano e o enorme Shuááaá do mergulho…. Ali tão perto… Então à coca ouvia os comentários dos adultos muito preocupados com a eventualidade de o avião bater com a outra asa, porque assim em vez de mergulhar no mar caía na praia e então seria pior para todos… Esta mania dos adultos virem sempre com eventualidades… E eu que até era uma criança espantadiça, nunca a coisa me impressionou negativamente… Para mim foi o filme perfeito um perfeito acordo entre sons e imagens… Irrepreensivel, o choque, a elipse e o mergulho fisicamente perfeitos  e os restos do avião eram um monumento a esse espectáculo….. Simples, não é????

                       António Capucha

    Vila Franca de Xira, Dezembro de 2010

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Não é Meteorologia

Boas Abertas
Melhor que Boas Festas.... São as "Boas" Abertas!!!

petição online: «Um Abraço Azul ao TMA - Contra o corte de 23%»

Teatro Municipal de Almada

Caros Amigos,

Acabei de ler e assinar a petição online: «Um Abraço Azul ao TMA - Contra o corte de 23%»

http://www.peticaopublica.com/?pi=TMA

Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

Subscreve a petição e divulga-a pelos teus contactos.

Obrigado,
António Vaz Antunes Capucha

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dá-me lume, por favor?




Queira Deus que eu não adoeça….
Ouvimo-nos dizer vezes sem conta, o mais das vezes sem convicção de que tal desígnio repouse nas mãos de Deus. Não se trata sequer de uma manifestação primária de religiosidade. Se bem que a atitude contrária, também não seja o ateísmo. É como dizer: Adeus! É apenas uma das constatações da origem cristã, da nossa cultura.
Era assim, dizendo mentalmente de si para si: “Queira Deus que eu não adoeça…”. Que imersa em seus pensamentos a Teresa entrou no café, Para um momento de sossego entre o trabalho e casa. Para além de fugir do frio, estar ali, sentada confortavelmente e também confortada pela recente sensação de ter um Emprego, era visivelmente um enorme prazer. Que tanto trabalho me deu a arranjar. Pudera com as coisas como estão!!! Se entro de Baixa eles fazem-me a folha…. Não posso adoecer!
Ficou logo na mesa junto à entrada e através da porta envidraçada via os transeuntes dobrados sobre si mesmos para melhor reterem o pouco calor que os agasalhos geravam, coitados, pensava. Esta visão aumentava a sensação de conforto que sentia. 
Óh Sr. António…. Uma bica se faz favor…. Pediu na sua voz jovem e clara. Tanto que eu penei… Mas agora tenho um Emprego….
Calma…. Encara isso com naturalidade…. Mas era impossível suster aquele fogo, aquela onda de entusiasmo…. As pazes feitas com o Mundo…. Apetecia-lhe meter conversa com toda a gente….. E de novo: Calma…. Calma mocinha, disse-se. Tens que descer à Terra…. Não é nada de mais….. Tenho formação superior tenho um excelente currículo, eles precisavam de mim, quanto muito, tanto quanto eu precisava deles. Nada de extraordinário!
Mas era impossível suster Este “coqueteile” de sentimentos. Era inebriante com um bom copo na discoteca.
E até na prática era não só um grupo de sentimentos novos, como até era o acesso a uma nova realidade, a uma vida diferente, para melhor claro….
Podia perfeitamente por exemplo, pedir uma tosta mista ou um prego, o que lhe desse na gana, já não tinha que contar os tostões…..
Em sequência disto pega no telemóvel e liga para casa…. Sim… Mãe, sou eu! Estou aqui no café e vou comer aqui qualquer coisa. O meu rapagão, está bem? Põe-lhe o telefone no ouvido, pediu…. Oláááá….. É a mamã…. Tem tantas saudadinhas do seu quiduxo…. E vai por aí fora numa terminologia irrepetível, como se fosse um pacote de bom-bons ou um frasco de rebuçados…. Indizível, para quem não é mãe….
Óh mãe, então não contes comigo para jantar. ‘Tá, eu amanhã aqueço-o e é o meu jantar. Desliga o té-lé-lé com um sorriso…. Já não tenho que andar sempre a enviar SMS’s . E ouvi o meu menino…..
Óh Sr. António. Traga-me uma tosta mista e um sumo qualquer, pode ser de pêssego!
Cruzou a perna, puxou de um cigarro e pediu lume ao vizinho do lado, Obrigada sim…. Óh Sr. António traga-me também um isqueiro se faz favor…. Só temos daqueles de marca…. Pode ser, responde. E pensa: posso muito bem oferecer um isqueiro de marca a mim própria…
A tosta com o queijo bem fundido, como ela gostava, fumegava na sua frente. Tirou uma das metades e mordeu-a… Que boa que estava! Vazou um pouco do sumo no copo e beberricou um pouco, saboreando cada pedaço, e cada momento.
Depois esperava que aparecesse alguma amiga, dava “duas de conversa”, pagava e ia para casa encher o rechoncha de beijos. E em paga levava as lambedelas do Nelsinho. Mas, do seu menino é tudo santo….
E este pensamento foi a acha que faltava na fogueira para se “grisar” toda. Acabou a refeição, puxou de outro cigarro da mala, reparou no isqueiro novo e com um sorriso voltando-se para o vizinho do lado pediu:
O senhor dá-me lume, por favor???


                      António Capucha

    Vila Franca de Xira, Dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Insuspeito do costume

Populares depondo flores nas campas de Alfredo Costa e Manuel Buíça. (Documentos Carvalhão Duarte/Rocha Martins/Fundação Mário Soares)
Manuel Buíça, morto
O insuspeito do costume: João tabefe, personagem já aqui “blogada” revelando ter sido meu “avoengo”, por ter misturado fluidos com a “Capuchinho Vermelho”. Isto depois de a ter salvo das garras e dentuças do lobo mau que, não fora isso, e seria ele e não o “tabefe” o meu avoengo… O acaso tem destas coisas e por vezes lá acontece uma volta surpreendente da “Estória” e as coisas ficam mais asseadinhas, do que os acontecimentos vinham adivinhando.Que ficariam a pensar de mim os caros leitores se eu fosse descendente do lobo mau? Eu bem podia estar p’rá ‘qui, a debitar prosa escorreita e verídica, que a minha credibilidade seria zero…. Olhem só como as coisas nessa eventualidade seriam....Não sei quê…. António Lobo-Mau…. Capucha não, que a Capuchinha teria ficado nas entranhas da fera, e neste momento o que ela seria, eram vestígios orgânicos, (coliformes fecais) no vastíssimo espectro da biodiversidade da mata onde ficava o território do lobo mau, que era ali para as Beiras bem interiores. Quanto muito teria engordado uns escravelhos, moscas e carochas.Valeu-me portanto a intervenção atempada e intrépida, do meu estimado bem-feitor e ancestral, o querido João tabefe. Por via disso quem é hoje vestígio da biodiversidade da mata na beira interior é o lobo, e triunfantes os genes da capuchinho vermelho, ainda hoje fazem parte do meu ADN, que como também já foi objecto de “bloganço”, já terei assegurado a sua continuação em termos de futuro….
Mas voltemos ao meu avoengo. Este figurão, era um caçador e tanto… e tinha uma “telha” especial para fazer coisas que alteraram o rumo provável da História, levando a que os acontecimentos dessem verdadeiros golpes de rins, e apresentassem os contornos fantásticos (estórias) que acabaram por a incorporar. (À História; naturalmente)
Como é sabido ele era o couteiro do morgado das Cardosas, exactamente fruto da sua habilidade como pisteiro e pontaria invulgar.
Ora o Sr. Rei D. Carlos, que como se sabe entre outras coisas era um viciado em caça, não perdia a oportunidade de ser presenteado com bons couteiros. E numa caçada com o referido morgado, ao seu olho clínico não escapou a espantosa aptidão do João para aquela actividade. Então, e sem qualquer sofisma, desatou a pressionar o Morgado das Cardosas, que mal entendeu a ideia, dela tentou tirar partido. Ora durante o almoço e a tarde de ripanço, um estranho negócio correu entre dois bons oficiais de seu ofício. O resultado foi que o joão Tabefe, passou de couteiro da Herdade do Morgado para Couteiro da Casa Real. E em contra-partida o morgado foi autorizado a fazer o Tal Centro Comercial de Vila Franca de Xira que tanto ambicionava.
Volvidos alguns anos de boa e prolífera relação caçadora, El Rei e o Tabefe, passaram a ser inseparáveis. É que O rei apreciava a sua desenvoltura, que não se ficava nas artes de caça. Era um individuo esperto, que aprendia depressa, corajoso, “peitudo e brigão” e era leal como poucos. Assim passou a acompanhar El Rei, para todo o lado e figurão que era, até não se dava por perdido ou achado nas manobras do protocolo, que por vezes até era complicado. E o Rei apreciava essa sua faceta.
Eis como “avant-garde”, foi talvez o primeiro “guarda costas” da História.
Só que naquele dia de 1 de Fevereiro de 1908 pelas 17H20 minutos, hora e dia fatídicos para a monarquia, mas de esperança para a República, não fora o João Tabefe, nesse dia, ter sido enviado por El Rei, à corte de Espanha para combinar os detalhes de uma caçada conjunta ao javali, no Alentejo na zona de Olivença, e, o Manuel dos Reis da Silva Buíça, não tinha tido a oportunidade de matar o Rei e o seu filho, porque o desenvolto João tabefe o teria seguramente impedido.
Como se deixa ver é rara a vocação para estas façanhas, deste meu antepassado. De tal maneira se acentua esta tendência que até por omissão acaba por ser decisivo para o curso da História.
Os longos serões à lareira da casa da Beira Baixa, foram o local onde esta e outras verdades foram sendo transmitidas de geração em geração. Algumas mais épicas, outras menos exuberantes, aquelas mais romanceadas e estas mais relatadas, foram o tema dos serões familiares onde aprendemos o orgulho de ser quem somos. Por certo me perdoarão esta pequena vaidade.


                         António Capucha
  
      Vila Franca de Xira, Dezembro de 2010

sábado, 4 de dezembro de 2010

Natal negro - Boas festas


Presépio africano
Serão capazes de imaginar o menino Jesus preto????
 A nascer na "cubata" ladeado não, pelos pachorrentos bichinhos do curral, mas paredes meias com lacraus, sibilinas cobras e bichos vários.
 Para aquecer o corpo franzino, o bafo da vaquinha e do burrinho são substituídos pela respiração fétida, a gula contida, de um leão e um furibundo búfalo..... Lá fora as hienas rondam atraídas pelos odores pícaros do parto.
 Os pais negros como tições, não o olham babados, estão acocorados à porta da cubata com uma personagem estranha meio avestruz, meio homem, que é nem mais nem menos que o feiticeiro da tribo... Numa língua de trapos, que é a deles, combinam a data da circuncisão, e o seu preço em galinhas ou cabras.... Esta coisa, a circuncisão, é o único pormenor comum ao nascimento de ambos os meninos.... Hoje em dia isso é  pouco falado, mas ao Cristo bebé, também lhe riparam o prepúcio.

 Voltando aoNatal do pretinho..... Naturalmente os cânticos alusivos ao seu nascimento, não são aquelas anormalidades cheias de sininhos, guizos e corais histéricos em “chinfrim canónico”. Mas sim uma batucada à maneira, cheia de ritmo e num estranho e sedutor balanço que nos puxa para a dança e para a exibição dos corpos em êxtase..... Negros na sua origem e na associação óbvia ao pecado e á luxúria...  Destas malas-artes em ritmo pouco ou nada celeste, nasceram os agora quase brancos, jazz e rok and roll.
Sinceramente prefiro-os aos tlim-tlim-tlim…em “amaricano (anglo saxónico)”, que como se sabe, é a língua destas coisas !!!!
Porque aquilo que foi o nosso Natal ancestral, o Celta, do Solstício de Inverno, desapareceu suplantado pelo Natal da coca-cola em associação com o Natal Cristão. Que bem conheci ainda menino e que não era nada disto…
Estranha e contra natura associação, diga-se… Dum lado um velhadas nórdico com um sorriso senil e evidentes tiques pedófilos e do outro, um menino palestiniano, portanto,  Louro…. Com os seus pais da terra, que afinal do Céu são…. Muito complicado….
Se a isto juntarmos que na representação da natividade  - o presépio – não se distingue quem é mais burro… Se o José que acredita ter a Maria concebido sem pecado. Se o burro em si, que é óbvia e notoriamente burro…
 Por estas razões, que não outras, celebro portanto o Natal do menino preto. É menos produzido…. Tem  mais substância!!!!
 E como não posso abusar dos prazeres da mesa, vingo-me, desancando na corrente doutrinária dominante!!!!!
 
Um bom natal a todos e um ano novo feliz…. já que mais pobre parece que vai ser…..
                                           

                                                           
                 António Capucha
Vila Franca de Xira, Dezembro de 2010







quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

OUTONO

salpicado das pétalas brancas da roseira de S. Teresinha

O Sol a custo rompia o tecto de nuvens espesso, negro, ameaçador. Cada “negrume”, trazia consigo um badanal de vento trovões poderosos e bátegas de chuva que num ápice enchiam as ruas e caminhos. Depois vinha o Sol amarelo e sem calor, enquanto as nuvens no horizonte prometiam uma chegada em estilo. No jardim da D. Lénia, estas faziam-se anunciar com rajadas de vento que abanando furiosamente a enorme araucária, que tinha os seus últimos rebentos a seguramente, uma vintena de metros do chão. O enorme pinheiro manso maneta, uivava de dor. E o loureiro, redondo e denso, sacudia as folhas mais secas enchendo o chão à sua volta, aqui e ali salpicado das pétalas brancas da roseira de S. Teresinha, fronteira à esplanada que lembravam flocos de neve que lentamente tombavam nas lajes de pedra cinzenta, pedra do cabo, do tempo em que ainda era permitido apanha-las. Mais ali ao lado dois marmeleiros ainda com alguns frutos pendurados em estertores de morte deixavam cair os enormes marmelos e as videiras de folhas avermelhadas seguras pelas suas gavinhas, pouco cediam à vontade do vento mas as suas folhas desmaiavam dos braços quase nus. O limoeiro agarrado ao muro como lapa, alienava um ou outro fruto que acabava rebolando no passadiço acimentado, até à terra molhada da horta fronteira. 
Bordejando a casa grande, de portadas vermelho vivo, e paredes brancas, o canteiro de hortênsias de pétalas verdes descoloridas e folhas de forma cardióide, saracoteiam como vizinhas à conversa.    
O chá príncipe ondula como erva que é, e a enorme latada de vide brava de garras fincadas na parede aventura-se pela parede da casa que já fora adega. O musgo no toco de árvore, nem mexe de tão curto que parece o cabelo de um recruta. Muito sofre a frondosa romãzeira… com os ramos recobertos de imensa folhagem miúda, atirados de um lado para o outro, revelando as rolas que nela se abrigaram.
O pé de salsa ali à porta, abrigado pela pedra do canteiro medra a olhos vistos. E debaixo do pinheiro A árvore do diabo com as suas flores a lembrarem enormes campânulas de “abat-jours” penduradas, brancas umas, outras caídas, mortas e castanhas juncam o canteiro, fronteiro. Ainda debaixo do pinheiro, melhor, meio pinheiro!!! Duas redondas e bonitas cameleiras parecem árvores dos beijinhos, com as camélias vermelhas a sugerir beijos, de lábios de sevilhanas, de carmesim pintados. E as sardinheiras de mil e uma cores um tanto por aqui, outra ali. E para acompanhar o uivo do vento as castanholas das folhas duras e grandes das magnólias, a entrechocarem-se…..

                         António Capucha

      Vila Franca de Xira, Dezembro de 2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sei lá…. Sou bem!!!!




Que agenda cheia eu tenho…. Fazer a depilação, entregar aquele artigo para a “TV vómito” sobre os rapazes e a moda, depois vou a correr para o “restaurant” onde o grupo das “nevróticas” tem o seu almoço semanal, a seguir, corro para o ginásio queimar as gorduras adquiridas ao almoço, com isto tudo são horas de ir para casa. O Artur já há-de estar por essa hora à minha espera. Chego…. Escolhemos a “pisa” que vamos jantar, que entretanto chega com o eterno rapaz vesgo de cor e a cheirar a “piperones”…. Damos-lhe a gorjeta e tal, e atiramo-nos a ela…. Em breve resta só cartão…..E uma pontinha de fome, mas assim é que é bom…. Esfalfo-me a escolher os trapinhos que vou levar à noite ao: Gosta pouco Gostas – no Swing Club Porto, já sinto o ambiente a descomprimir o “stess” acumulado durante o dia, (então não é????) e o sabor “afrodisíaco” dos “coqueteis”. Deixo umas “rolhas” ao gato e descemos de elevador metemo-nos no”jeep” BMW, e, cá vamos nós noite!!!!
O parvo do “portas” a fazer que não nos conhecia, a mim praticamente do “Jetset” falada em tudo o que é revista de interesse. Amiga e comentadora dos “Blogues bem” e de referência. Óh filhas só visto…. Tive que o meter na ordem. Vocês é que nunca me viram virada do avesso. Sou muito “in”, mas se me chega a mostarda ao nariz, é q’ueu sou filha de peixeira, ouviste óh gordo da merda….. Bom o gajo virou fininho e entrámos na boa. Eu tenho destas coisas, aprendi de pequena a falar assim curto e grosso e todas as portas se abrem. A abanar a cabeça e a serpentear o corpo. O Artur não gosta muito, mas há um preço a pagar por uma boneca do quase “Jet-set”, inteligente, que se dá com gente importante e tudo e com um daqueles «savoir-faire », que nem te conto. Aquele sorriso  que quer dizer sabe-se lá o quê. Aquela postura afirmativa o estar sempre bem…. De resposta fácil…. E aquela sabedoria rara de saber sempre a quem tem de se juntar, quer seja ali a dançar, como nas tertúlias a conversar. Aquela pontaria certeira de se mesclar com os que parecem ser os que « dão as nove horas »…. É preciso ter muita estaleca para a desarmar. Ela é a rainha da noite, dança e rodopia, passa de par em par, o rosto afogueado mas sem transpirar, coisa « careta » essa de transpirar. Nem uma gota…. Fresca e cheirosa na sua colónia C.H., das lojas mais finas. Começa lá mais para a madrugada a ficar cansada, então vai ao Bar e diz ao Barman, é óh tu arranja aí uma dessas coisas. O homem um pretalhão retinto, passa-lhe com algum recato um embrulhinho de papel que ela disfarçadamente abre e toma com um gole da mistela que está a sorver por uma palhinha e que parece um daqueles chapéus da Cármen Miranda.
E retoma o “rodopianço” e aquela alegria obrigatória estudada e aplicada sem mestria…. Dir-se-ia antes: com boçalidade! Palavra que não consta do seu livro de estilo, mas que, tal como na estória do rei vai nu, é o que por força de razão tem de ser dita.
 E a noite, termina de gatas, tudo se esfuma com os primeiros raios de luz do Sol. A fealdade natural retoma o seu direito de ser, e com o Artur pela “arreata”, arrastam-se para a sua casinha num bairro Muito “in” e “bem”.
Segunda Feira, voltará a construção do ser sublime de elevado QI, ao almoço das “frenéticas”…."‘peraí"….. Não eram “nevróticas”?????, ao puxar pelo corpinho no ginásio, passar pelo emprego, cultivar o espírito, intervir nos blogues bem, e de bons costumes. De gente muito fresca e conhecida. Enfim restaurar o “stress”……
Mas agora é dormir! Será que ressono? Pode lá ser….
Óh senhor escriba, está a brincar? Só pode!!!! A ressonar eu?????

                             António capucha
   
             Vila franca de Xira, Novembro de 2010

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cabo Avelar Pessoa


O Cabo Avelar Pessoa não é só o nome da embarcação que faz o transporte de pessoas e bens de Peniche para a Berlenga.
O legítimo proprietário desse nome foi um militar, suponho que da marinha de guerra portuguesa que viveu em mil seiscentos e pouco. E foi Comandante da guarnição do forte de S.João Baptista da Ilha da Berlenga Grande.
Passe a inflação destas coisas, (hoje em dia, um Cabo nem de sí próprio é comandante), mas o termo de: Cabo, deriva do latim que ao contrário do que muita gente pensa, não é a língua dos Cristãos, mas sim dos Romanos. Daí ser também a língua em que se expressa o nosso direito, que como se sabe vai beber a sua inspiração ao direito latino. Assim o termo: Cabo, resulta de séculos de abastardamento do termo original que é Caput, (os italianos ainda hoje usam o termo: Capo, para designar chefe) que significa cabeça, de qualquer coisa. Ex. Caput Mundi significa: Capital do Mundo.
Cabo é portanto a cabeça o comando, neste caso de tropas… No caso do António Avelar Pessoa, ele era o chefe de vinte e seis soldados que com ele constituíam a guarda e guarnição do Forte da Berlenga. Que já fora Convento de frades, ali estabelecidos diziam, para socorrer os náufragos que amíude iam ao charco naquelas perigosas águas entre o cabo Carvoeiro e o arquipélago. E sabe-se de tanta coisa acerca deste Cabo Porquê? Porque este homem e os seus subalternos com poucas perdas do seu lado deram um arrepio de monta a uma Armada Espanhola de cerca de vinte barcos, Tendo afundado um e avariado irremediavelmente outros dois e resistiu até ter munições para os seus fuzis e pólvora para os “canhangulos”. Ainda assim só foi vencido após a pouco edificante, melhor…. A torpe traição de um dos seus soldados.
Esta façanha, teve honras de passar para a Grande História e é assim que hoje o Barco que faz a viagem entre o continente e a Berlenga, tenha o seu nome.
O antigo, pois já se contam dois com o mesmo nome, Foi aquele,a daptado de uma traineira de pesca a que adicionaram uma cabine para os viajantes terem um pouco mais de conforto. Mas os locais e os visitantes mais costumeiros viajavam sempre cá fora à proa, ou à ré ao vento e aos salpicos de mar. Tanto quanto sei, este barco teve apenas um percalço. E de uma estranheza impressionante. 
A zona é muito ventosa, pouco propícia portanto, à formação de nevoeiros, no entanto quando os há, são de uma densidade leitosa. Pois os diabo os tece…. Um “habitué” ia sentado à proa e displicentemente, com um braço de fora pendurado da amurada, na cavaqueira com  amigos e o nevoeiro cerra-se ali à entrada da barra. Buzinando furiosamente  tudo quanto eram barcos ao mar, assinalavam a sua presença, mas então uma traineira roça levemente pelo Cabo Avelar, proa de bombordo de um com proa de estibordo do outro e o pobre rapaz viu o seu braço decepado. Mito ou verdade, foi assim que eu a comprei e é assim que eu a vendo….
Por motivos turísticos, que não por causa deste caso, foi mandado construir uma nova embarcação, como é evidente a traça é a de uma traineira, só que foi feita de raiz para barco de passageiros e tem portanto mais lugares e o seu conforto e níveis de segurança foram ampliados. Para herdar o nome do destemido Cabo Avelar, foi preciso destruir o outro. E é Assim que hoje em dia entre Maio e Setembro se pode ver o Cabo Avelar Pessoa que parece um cacilheiro de proa mais altaneira a furar as ondas para lá e para cá, no pino do verão, umas duas vezes por dia, Tão destemido como o “Caput”, António Avelar Pessoa a galgar as onze milhas marítimas entre Peniche e o Cais do Carreiro do Mosteiro da Berlenga grande….. 
Hoje em dia os Castelhanos podem estar descansados que em vez de levarem para tabaco, se fumarem, é melhor levarem eles o tabaco que nós apenas fornecemos a beleza indescritível das ilhas e os escaldões… Esses são à borla.
Uma das coisas mais curiosas quando se chega à Berlenga, é que, olhamos para de onde viemos e quase não se vê terra. O mais das vezes confunde-se de tal maneira com a neblina que até faz confusão … Porque de terra se vê clara e perfeitamente a ilha até de muito longe. De tão longe que, a curvatura da terra tem destas coisas, e cria a ilusão d’óptica de estar o arquipélago  num plano superior ao nosso.  Visto do Alto Veríssimo, por exemplo, parece que a cidade de Peniche se afunda no mar e lavanta a ilha da Berlenga Grande, como um Hino à coragem de um Cabo, que pela sua valentia, é capaz de fazer corar de inveja, muito Almirante de águas turvas…..    

                                   António Capucha
           
                Vila Franca de Xira, Novembro de 2010
Avelar Pessoa, actual




                                                                                                             




 













Cabo Avelar Pessoa , antigo

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

“Albergue Espanhol”

Carta aberta ao Sr.
Fernando Moreira de Sá e ao Blogue: “Albergue Espanhol”

A expressão “Albergue Espanhol”, é o que” na gíria francesa significa um lugar onde as culturas se misturam como num caldeirão, onde não há regras e tudo pode acontecer”. (Wikipédia)
Quando um blogue adopta esse nome, pode esperar-se uma mistura de muitas coisas com alguma arbitrariedade, ou informalidade, mas onde a pedra de toque é a variedade e a liberdade de expressão.
Ora se num dado momento damos de caras com uma publicação nesse blogue, de alguma coisa, cujo despropósito sugere um determinado alinhamento, dependência ou ter sido feito por encomenda. Então o nome não perde, apenas razão de ser. Levanta até fundadas suspeitas de artimanha ou armadilha para caçar e arregimentar incautos….
Suponhamos ainda que desconfiado, um leitor avisado e experiente nestas manobras mefistofélicas, resolve fazer um apequena investigação, nada de muito profundo ou invasivo, tão pouco “Pidesco”, e descobre uma ligação mais que provável a um Partido Político e a uma Câmara municipal. (O PSD e a Câmara da Maia.) Naturalmente se acentua a desconfiança. Se a isto juntarmos que alimentamos com o sujeito desta acção, uma troca, nem sempre elegante, diga-se, mas onde do outro lado – o do tal sujeito – Apenas houve esquivas ao encarte das questões levantadas, e que da sua parte concluem a troca “epístolar” com o encerramento do acesso de comentários com a desculpa esfarrapada de, por respeito ao leitores, não querer descer ao insulto (palavras suas). O que fez na prática, foi usar sem escrúpulos do privilégio que o outro não tem, de por ser o dono do média, encerrar a questão. Típico, é aliás, a primeira matéria curricular do curso de Comunicação social.
Ora a outra personagem sou eu. E como não nasci ontem, nem foi ontem que caí do ninho, resolvi saber quem era a outra personagem de mistério, que até nem esgrimia mal. Uma voltinha na “net”. E fico a saber que apesar do estilo pomposo, não passava de um jovem debutante de jornalista….
Cursou na sua cidade da Maia, Comunicação Social e formou-se em 2008. Nesse mesmo ano este génio da Comunicação Social ingressa na Câmara municipal da Maia, como Assessor de Imprensa , Comunicação e imagem e mais não sei quê…. Bom …. Palavras para quê…. Este tipo de ascensão, digamos que, meteórica, está invariavelmente associada a um fenómeno, do qual não digo o nome, mas espero que quem isto ler, faça o favor à inteligência Nacional, de chamar os bóis pelos nomes….
Querem saber que mais? Chamem-lhe instinto, Chamem-lhe o que quiserem, mas foi isso, que me pareceu quando tropecei naquele blogue que ardilosamente se chama: Albergue Espanhol, mas que devia urgentemente mudar de nome e por duas razões de substância:
1ª – Por uma questão de honestidade editorial…
2ª - Por respeito aos leitores que assim podem estar a comer gato por lebre!
Vá lá, abandone esse seu ar de grave de experiente profissional e revele a sua dependência funcional. Não sei porquê mas parece que a direita tem sempre tendência a renegar-se a si própria numa espécie de auto-nojo…. Não temos de ser todos independentes e bem–pensantes, alguns terão de fazer o trabalho que dá razão de ser às coisas….  Não é vergonha nenhuma. Vergonha é ser desonesto e ser desonesto é querer passar por aquilo que se não é.
Pelo que fica dito, não me venha com mais reprimendas que não lhas admito. Admita antes que foi um erro a publicação do texto do Eduardo Prado Coelho ou se entender ainda lhe deixo a hipótese de confessar que não lhe foi possível impedi-lo. Outra saída não lhe deixo…. Se foi efectivamente ideia sua, que Deus se compadeça de si.

 

                 António Vaz Antunes Capucha
                     25 de Novembro de 2010