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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Vasco, o amansador de cavalos


Naquela mesinha ao cantinho enquadrada por prateleiras de vinho e garrafões bordejando-as no chão, concentrado no prato de grão com mão-de-vaca, e cenouras às rodelas. Está um sujeito de fato azul de corte rudimentar, que me cumprimenta educadamente quando entrei e saudei os presentes. Perguntei só para meter conversa: a mão-de-vaca, está boa? Era evidente que estava. O que dispensava a pergunta. E disse o interpelado que sim senhor …. Estava muito boa…. Prosseguindo esta estratégia que queria dizer lacto senso: quer ser meu amigo, é?
Óh sr. António, disse, traga-me aí uma mão-de-vaca, um jarrinho de tinto…. Isto disse eu, quando ele já vinha a caminho com o prato fumegante. E diz ele para dentro: Óh Paula então trás lá o talher p’ró sr. Capucha…. A Paulinha com os seus olhos melancólicos, relanceando-os no seu característico maneio de cabeça, põe a mesa e recoloca o prato que o pai havia deixado na mesa ao lado. E dali se vai para outro freguês…
Ora isto dia após dia, mudando apenas o prato de substância. Mas nunca de forma muito radical…. Eram sempre coisas dietéticas, levezinhas digamos assim…. Feijoadas,  cozidos à portuguesa, Bacalhauzadas, normalmente à Segunda-Feira…. Esparguete com boi etc…etc….
Era uma delicia, que se batia em qualidade com a comida, as brincadeiras entre o sr. António - o dono - e o sr. Vasco, o tal do fato azul… Óh Tónho tens cabeça de carneiro? Tenho …. Mas “p’rámanhã”. Comes inteira ou queres que te parta os cornos? E trazia já na mão um pratinho com um queijo duríssimo como o sr. Vasco gostava…. Enquanto ele rilhava o queijo íamos afiando o conhecimento e confiança mútuo. Não tardava, estávamos a comer juntos e a partilharmos quês e porquês da nossa vida.
D’hoje p’rá manhã passou de sr. Vasco a Vasco e o sr. António para tónho, ou Tonecas….
O Tonho era um Beirão, que novo veio para a Capital e que se estabelecera ali ao lado da Academia das Ciências com uma mercearia. E como tinha espaço e a mulher cozinhava a preceito, dividiu uma sala e fez uma cozinha e na outra pôs um balcão frigorífico e a máquina da café e o expositor de bolos. Estabelecimento que há-de ter um nome, sim senhor, mas se alguém o conhecia era por acidente. Era o Tónho e mais nada. Restaurante, pastelaria, frutaria e mercearias finas….
Os almoços com o Vasco passaram a ser um tertúlia de conhecimento, de tudo e mais que houvesse. Ele tinha como profissão motorista, melhor: “chauffeur” do Visconde que morava ao lado da Emissora na rua de S. Marçal. Já havia sido condutor da “charrette” no tempo dela, mas tinha começado nas campinas da Golegã, como amansador de bestas-Capucha…. Percebi o remoque, claro, e não me dei por achado e retorqui: Ãh…? Bestas-Vasco?... Então não se diz domador de cavalos? Não senhor… Os bichos nunca se domam… Aprendem é a ser menos bravios…. Mais mansos…. Amansador de cavalos é que é…. Eu mais uns quantos com jeito para aquilo, olhe que é preciso gostar dos bichos ãh…. Malhei tantas vezes com os ossos no chão, áh rapazes….. Primeiro há que andar com eles à roda com uma corda comprida…. Depois vai-se encurtando a corda até estar mesmo juntinho dele. Fazê-los aceitar o cabeção depois o freio…. Mas “óspois” disso tudo têm que ser montados e aí é que é o bonito….Não havia dia nenhum que não fosse um para o Hospital com uma mazela qualquer. Por via disso agora tenho que ser operado à coluna, foram tantos malhos que eu nem sei…. Mas tenho saudades, p’ra já porque era novo! E depois, porque aquilo é que era vida, ao ar livre…. Beber água do cântaro, comer torricado, acender a fogueira com bosta de animais seca…. Namorar as moças do rancho….  
Um belo dia, tive que voltar para o Quelhas e dali para as Amoreiras e perdi-lhe o Norte.  Ao “toneca” ainda o vi um par de vezes, mas onde os vejo amiúde, é a revolver as memórias. Que é o melhor sitio de todos, onde todos incluindo eu, temos menos quinze ou vinte anos. E já tentei explicar isso a não sei quem, e não me fiz entender cabalmente, mas prefiro as minhas memórias à confrontação com a "factoalidade" com a qual raramente me identifico. Muito ao invés, não raro, decepciona-me!!!!


                             António Capucha

            Vila franca de Xira, Fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A verdade e a velocidade da luz.

Telescópio Hubble
O mistério da velocidade da luz, é a melhor maneira de tomarmos consciência da nossa ínfima pequenez. Números exactos e no vácuo, são 299 792 458 metros /segundo. Mas é mais frequente usa-lo na versão aproximada de  300 000 000 m/s, é obra heim….. A ciência, para além de ter vindo, desde o inicio dos tempos do conhecimento, a destruir paulatinamente os mitos e falsidades, de que alguns se servem para controlar e em suma: mandar e manter mandados e quedos, os pobres destituídos de sorte, para fazer deles as suas “bestas de nora”
como dizia “Guerra Junqueiro” in “”Pátria” de 1896….
 Imaginem uma nebulosa de estrelas, como a nossa” via láctea” à distância de 13.2  biliões de Anos luz. Como descobriu o Hubble recentemente, a nossa pequenez no Universo resulta de contas simples…. Basta saber quantos segundos há em 13,2 biliões de anos, e ainda multiplicá-lo por trezentos. E ficamos a saber a quantos quilómetros está a tal nebulosa…. O que também quer dizer que se, e por hipótese, pudéssemos viajar à velocidade da luz (300.000 kilómetros por segundo) levávamos 13.2 biliões de anos para lá chegar… O que para nós, pachorrentas bestas de nora, nem dá para imaginar…. Mas ainda assim é com estas coisas, simples verdades que vamos desmontando as “verdades ancestrais” que mais não são que habilidades e passes de mágica. Ainda não se sabia exactamente como era a nossa terra e já havia muitos que afirmavam ser ela redonda, e por esse simples facto foram assassinados pelo poder de então, que ao tempo era dividido entre a religião e os senhores da terra… Agora que quase todos os mistérios da fé, estão completamente desacreditados. Como é que ainda persistem, o poder estúpido e brutal e sem razão de ser?  E as bestas continuam agarrados à nora, como “Sísifos”
E os chefes das igrejas, continuam com o ar de quem está de posse dum segredo a que nós, as bestas, apenas podemos saber que, vagamente existem, mas nem um pozinho da sua substância nos é facultada…..   
Uma coisa que nunca entendi muito bem, é como é que a igreja católica, se abespinha tanto contra as bruxarias e feiticismos?
Dá a impressão de que ela, a igreja, segue e assenta a sua doutrina na verdade cientificamente provada… E é sustentado por essa realidade que se constituiu em autoridade plenipotenciária. e à sua sombra se afirmaram as mais ferozes e despóticas perseguições….
Outra coisa que me custa a engolir, é que os praticantes da fé em Cristo, sejam activos e místicos defensores de Israel, quando toda a História demonstra que os judeus roeram a corda ao Cristo e nem o reconhecem como personagem Deificada.
Para fazerem juz a sua História, este grupo religioso, com a sua doutrina desbaratada pela lógica e a razão da ciência, só pode mesmo basear-se na arrogância e soberba para terem tantas certezas assim.
Mas vá lá…. Se ainda assim fossem apenas pessoas que acreditam seja no que for… É um direito que lhes assiste…. Agora se persistem em cimentar e alargar o seu poder mesmo sabendo que o fazem mantendo os outros irmãos em Cristo no estatuto de “bestas de nora”…… Então isso não difere muito da bênção, que a seu tempo deram, à escravatura , ou à perseguição dos judeus.... Por exemplo.
Agora são voluntários sociais…. E o que é que fazem?  Tal como, não há muito tempo, só matam a fome a quem foi à missa????….
Desculpem, mas é preciso fazer muito mais, para me convencerem que me merecem outro respeito. Com outras metodologias também a IURD e outros grupos estão no terreno. Basta olhar para a apetência pelo património, que as Misericórdias têm, para dizer com toda a clareza que: Está por provar a diferença da Apostólica Romana, para estas outras, que são venais até ao obsceno.  


                             António Capucha
   
           Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Guerra Colonial

Guerra Colonial- Evacuação de Heli, Alouett III


E vão cinquenta…. Cinquenta anos da data que nos trouxe boquiabertos a ouvir as noticias da telefonia…. O termo, terroristas entrou no nosso léxico, eu não sabia muito bem o que era isso, mas fui levado a sentir alguma proximidade, porque era o que os adultos me chamavam: Terrorista…. Lembro-me, por exemplo, de o “botas”, com a sua vozinha sumida de somítico, e a sua inexpressiva dicção, própria dos velhacos e cínicos, dizer: Para Angola, rapidamente e em força….
Depois foi a interminável guerra, e embora fosse rapazola dava para entender que nem tudo corria assim tão bem…. Eu, e os rapazes da minha idade, fomos crescendo no terror de lá ir parar…. O tempo passava e a guerra não acabava. Não mentirei se disser que foi ela a principal razão da tomada de consciência da situação em termos políticos. E que resultou naturalmente, na politização da nossa geração. Invulgar, diga-se, sobretudo se tivermos em consideração que acontecia em pleno fascismo, e a sua infame repressão dessas coisas. Tudo o que cheirasse a organização era imediatamente investigada, não fosse conter a propósito fosse do que fosse, as sementes da subversão. Sobretudo se se tratava de iniciativas de jovens pré- militares, ou estudantes. Era uma autêntica fobia persecutória. Bastava usar o termo: Colonial, para ser considerado subversivo. O Regime e o provinciano beirão, (o botas) tinham acabado de inventar que aqueles territórios se chamavam: Províncias Ultramarinas. Eufemismo ardiloso…. Aquilo era como se os comunistas nos estivessem a roubar o Minho ou o Algarve…..
A politização trouxe a busca da razão. Era aliás a sua primeira questão. E o Estado português era efectivamente culpado daquilo, que foram as guerras coloniais.  
A maioria dos povos colonizadores da Europa, terão passado por algo semelhante ou antes ou logo após a segunda Grande Guerra Mundial. Para além da sua injustiça esta nossa demanda guerreira era como os comboios da CP da altura: sempre atrasados.  
Este anacronismo Histórico, granjeou-nos animosidades internacionais, e o consequente isolamento nesse termos. Tornou-se imagem também gerada nos neurónios do cavalheiro de Santa Comba: O orgulhosamente sós!!!
Ele parvo não era, este tipo de imagens, colava na perfeição no sentimento muito Nacional do: Portuguezito valente, do pobrezinho mas asseado, do povo de brandos costumes…. Etc….etc… Quer dizer, todo este arrazoado de conceitos era sabiamente utilizado para a perpetuação do regime. E assim, a Nação suportava o esforço da guerra como parte disso, ao jeito de última coluna, da reserva, dos Guardiões da História e valores, da Civilização Ocidental. Ridiculo!!!
Embora para nós, a maioria dos potenciais combatentes dessa guerra, ela, não passasse de um monstruoso equívoco Nacional.
E assim se veio a revelar. Até os profissionais da guerra (os militares de Carreira) estavam contra ela, ou os seus desenvolvimentos. O oficiais do exército, sobretudo, viram os suas profissões  em perigo. E organizaram-se. Claro que rapidamente as razões desse descontentamento passaram a objectivos políticos, pois realizaram que, o problema era global. E o primeiro passo seria acabar rapidamente com aquela guerra sem sentido e sem fim à vista. E que se derrubassem o governo, se resolveriam esse, e outros problemas de que o País sofria.
A guerra foi portanto a mola real do derrube do “Facho” e das suas “capelinhas“. E como é evidente, uma das primeiras medidas foi acabar com a guerra. Foram acordados cessar fogos, entre as organizações combatentes, e depois a coisa foi evoluindo com a lisura possível. Havia questões de quem é quem, acerca das organizações interlocutoras com Portugal. E a descolonização foi muito mais complicada que a independência das Ex- Colónias. Muita gente foi apanhada no meio desta urgência da independência dos novos Países, mas isso são contas doutro rosário. Essa questão não foi tão mal resolvida, como ainda hoje alguns pretendem, porque apesar de tudo não travou a nossa marcha para a Democracia política. Desenvolvimentos posteriores dão razão quer a um, quer ao outro lado, mas do que não restam dúvidas é de que a independência é um direito absoluto dos povos…
Hoje, e de há muito tempo para cá, os jovens têm menos razões para se sentirem inseguros e a verdade é que denotam índices de auto confiança superiores aos nossos, isto apesar do desemprego e da texpansão tentacular deste polvo, (a crise e os seus sacerdotes, acólitos e servitas),  que agora nos ameaça esganar….
Pessoalmente gostaria de ter deixado, como herança à juventude actual, um céu mais desanuviado. Mas valha a verdade que esta é incomparavelmente melhor que a que vivi, se é que estar sob aquele terror, era vida…..

                                 António Capucha

                Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011

Viva a Musica - Afonso Dias

Este espectáculo em devido tempo aqui referido agora disponível no You Tube....
Para mim é dose dupla. É que duma assentada revejo dois amigos: O Afonso Dias e o Armando Carvalheda. Um parceiro de jornada a caminho da eterna revolução. O outro, companheiro da Rádio e não só, amigo e camarada....

Já está on-line!


               
                  António Capucha

Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Treze horas e dois minutos

Sala de aula
Ele saía de casa todas as manhãs para o emprego e era de uma regularidade tal, que dava para acertar o relógio pela sua passagem…. Aliás os vizinhos dividiam a manhã entre o professor já ter passado ou ainda não.
Pendularmente entrava na sala d’aula, dois minutos antes da hora de entrada. Com os mesmos gestos de sempre pousava a mala na secretária, dirigia-se ao ultimo estore da sala e subia-o, repetia os gestos na janela do meio e na outra que ficava mais perto do estrado e do quadro na frente do qual se sentava, atrás da secretária. Tirava o chapéu e o cachecol de lã que pousava sobre o tampo da secretária e volvia o olhar para a entrada da porta no exacto momento em que a campaínha soava a dar a entrada. 
A “catraiada” entrava ordeiramente e ficava de pé ao lado da carteira até  estarem todos e então diziam em coro: Bom dia senhor Professor. Ao que o professor olhando por cima dos óculos respondia: Bom dia meninos…..  
Abram os vossos livros de leitura na página vinte e cinco!
Óh Ernesto…. Lê o primeiro parágrafo. O “arnésto”, para os amigos, lê so-le-te-ran-do, e tropeçando amiúde nas palavras difíceis (lembrando aquela cena do “Aniki bó-bó” em que um rapazola (o menino Eduardo) lia a mando do professor:
- < O joão “ Parvu”….. Como? Interpela o prof.  O João “parvu” repete o moço….
E corta o professor: “parvu” és tu.  Óh menino Pompeu, mostre lá como se lê….>
O Menino Ernesto não estudou a lição! A voz do professor Afonso, condizia com a sua figura: Seco, magro mesmo, enfiado dentro de um fato invariavelmente negro, camisa de colarinho engomado e laço.  O chapéu também preto atarraxado na cabeça, a tal ponto que lhe deixava nos cabelos, - baços, escorridos e penteados para trás - vincos.
Celibatário militante, muitíssimo cumprimenteiro, gentil até à “melosísse”  escorrente a cada curvatura vertebral, como diria Camilo… Atrelado à mão esquerda, uma pasta de cabedal, já se vê, preto…. Onde levava os projectos de aula da classe, os livros e tabuadas e, num compartimento apropriado um papo-seco com manteiga comprada ali na “Palmeira” que lhe ficava em caminho, e que mastigava sincupadamente de permeio com um copo de água,  durante o intervalo. Sentado no seu trono em cima do estrado de onde dominava toda a sala de aula. Testemunhas mudas, por cima do quadro um crucifixo em madeira com o Cristo cromado e os retratos de dimensões consideráveis de dois senhores de ar sisudo. Um por cima e do lado esquerdo do quadro com um senhor fardado, muito importante e do outro lado, direito do quadro, esquerdo nosso, e à mesma altura um outro senhor vestido como o professor e com ar de enfado tolerante….
Uma tremenda alegria!!!! Diria, sem medo de me enganar….
O chilreio das crianças cessava antes da porta de entrada. Aliás, as escada já eram subidas em sentido e aos pares, assim como as descidas…..
A tabuada dos oito cantada a preceito e uma leitura em grupo, esta mais polifónica, completaram a aula.  Aos dois minutos para as treze horas, os dois minutos de sempre e sempre guardados em silêncio, eram o preâmbulo da estridência da campainha accionada pelo Sr. Silva. O Professor Afonso, vigia a ordem de saída da “pardalada”, que só no pátio rompia em chilreios e devassa….. 
O professor passou a mão pela testa. Gesto demasiado exuberante para ele…. Hoje não se sentia muito bem…. O papo-seco caiu-lhe mal…. Arrotava sem destino… Bom…. A ver vamos dizia de si para si…. Pôs o cachecol ao pescoço atarraxou cônscio o chapéu, pegou na pasta e saiu.
Tropeçou nas escadas e caiu estatelando-se no patamar do meio e já não se levantou. Morreu inopinadamente pelas treze horas e dois minutos daquela Quarta-Feira parda e feia….Tinha partido o pescoço que, e ainda não o tinha dito, era alto e esguio....


                           António Capucha

           Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A República

A República
A república não é como a vida de outras coisas, que nascem, crescem e morrem.
É que ela desde a sua Génese em mil novecentos e dez, tem ao longo dos anos, morrido várias vezes para renascer mais à frente de esperanças renovadas…. Sempre renovadas…. Já vamos aí na décima quinta República….
Nasci com ela morta, duma morte que me parecia irredutível, final! Foram cerca de quarenta anos em estado terminal. Mas eis que num Abril que trouxe mais que “águas mil”, renasceu e em sua glória se cantaram mil e uma trovas, glorificando-a….
Mas quarenta anos a desaprender, foram muitas gerações, que quase se esqueceu como e porquê se trata de tão delicada criança. O desmame foi terrível, mas ainda assim não tanto como a sua adolescência. O período, já de si difícil, não contou com todas as nossas energias. E de então para cá tem vindo a morrer e a renascer, o mais das vezes apenas sobre a forma de esperança. Sei lá!!! Relembrem a História recente e verão que não ando longe da verdade….. Agora mesmo há minutos, morreu de síncope…. Quando este desgraçado e esquecido povo, permitiu a eleição do Cavaco Silva. Um “Mandrake” dos números…. Um aldrabão compulsivo….. Assustador militante de criancinhas…. Se aquilo é quem nos representa, devemos ser atrasadinhos, coitados!!!!…..
Mas ontem, nem há um minuto, renasceu a república em todo a seu esplendor. Num insuspeito, vetusto mesmo, programa de TV da RTP N, num lançamento de dois livros seus, a República renasceu, como disse, numa notável intervenção de António Arnaut…
Recarreguei as baterias e restabeleci o orgulho na Nação que somos, no povo que sou e em quem acredito, desde sempre.
VIVA A REPÚBLICA….

                António Capucha

 Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

Breve e verdadeira “estória” do atleta.

Caros amigos.
Reedito este trabalho desta vez com as ilustrações e todo de uma assentada, e não capítulo a capítulo e detrás p'rá frente. Para garantir a sequência correcta, só publicando todo por inteiro. Acontece que é um pouco grande... E o seu conteudo, pode chocar algumas pessoas. Nesse caso ficarei mal no retrato, ou não.... Paciência...
Aduzo em minha defesa, que a intenção não é de forma nenhuma melindrar seja quem for. Se por acaso alguém ficar dessa forma ofendido aceite desde já as minhas desculpas. Embora se trate de uma obra literária e por essa razão, não possa ser cerceada a sua liberdade temática ou de forma, não me custa aceitar que pode esta ser polémica e não vejo razão para não antecipar desculpas.
Ao contrário de muita gente e entidades, eu não gosto de chocar gratuitamente seja quem for.....
Embora goste de agitar, abanar, acordar - ou abanar-me, agitar-me, acordar-me.... É o mesmo!!!!
António Capucha
                              
  I Capítulo
  Preâmbulo ou o Povo de Deus
Há muitos milhares de anos, reza a História, que algures por ali, no sítio a que hoje chamamos Médio Oriente, havia uma tribo de pastores de ovelhas, cujos, afagavam ternamente as bichanas e apedrejavam selvaticamente as suas mulheres. Filhas, irmãs e até as próprias mães, todas por igual levavam na corneta…. Das razões é que a História não reza e pelo simples facto de a História ser sempre escrita por quem malha, e não por quem é, ou foi malhado.
Era este pois, um dos comportamentos típicos deste povo tisnado e de narizes aduncos, que, não se sabe porquê, dizia de si próprio ser o povo eleito.
Não parece credível que a prática eleitoral fosse do conhecimento deste remoto e inculto povo. Razão pela qual a qualidade de “eleito”, me pareça um tanto arbitrária.
Mas este orgulhoso e santificado povo, não se limitava a essa pequena vaidade, tinham que ter um Deus, não um qualquer Deus…. Eles tinham O Deus. E para o comprovar socorriam-se de um calhamaço, a Bíblia, um livro vindo não se sabe bem donde.
Como ignoravam a escrita não terão sido eles portanto, a escreve-lo. Julga-se que o livro, cujo, não passava de uma publicação tipo Tio Patinhas da época, terá sido “aliviado” a algum erudito de passagem.
Ora estes pastores levaram-no consigo, sobraçado no seu vaguear pelo deserto, porque aquela coisa era efectivamente volumosa e eles ainda não tinham construído a Arca D’Aliança. Para tal criaram um grupo de entre eles que o transportava à vez. E inventaram uns rituais e salamaleques antes de lhe pegarem e, quando tudo indicava que deviam ter sido chamados de carregadores do calhamaço, não! Inventaram chamar-lhes sacerdotes ou Profetas. E deram-lhes lugar de destaque na cadeia de comando bem como, passaram a sustentá-los como “burro a pão-de-ló”.
Continuando.
Há falta de melhores recursos, os labregos viam os “bonecos”, e ficavam fascinados com a beleza das iluminuras, que de tão expressivas, se prestavam a imensas “leituras”.
Com efeito, destacavam-se várias figuras de velhos barbudos de olhar furibundo. No qual viram sem sombra de dúvida a “pessoa” do DEUS. Às cobras/mulheres e mulheres/cobras, bichos avulso e coisas do arco-da-velha, estava-se mesmo a ver que eram a personificação do MAL… O diabo.
Assim num ápice ficaram lançados os dados de um jogo (entre o bem e o mal) que havia de durar Séculos e que aliás ainda p’rái está, p’ra lavar e durar.
Mais…. Gente habilidosa, tirocinada e culta, continua ainda hoje a ver naquela salganhada o mesmo que os tisnados e burgessos pastores…. Feitios!!!!
Como não eram nada parvos, eram só ignorantes, criaram as Divindades à medida do seu próprio entendimento das coisas. Mas embora tudo levasse a crer que sim, sustentaram que não senhor…. O Senhor Deus é que nos (os) terá criado à Sua imagem e semelhança, diziam… Espertos heim!!!!! 
E como é evidente tal parecença destinava-se a conferir ao homem, leia-se: ao macho, a predilecção Divina. Logo o poder discricionário que podia ir como até então ocorria, do despotismo à violência.   
Agora não sei como dizer… se eles eram como o Deus, barbudos de olhar furibundo e de justiça implacável, ou se era o Deus que era como eles. Todo poderoso furibundo e déspota. Uma coisa era certa, as mulheres não valiam um pataco e eram até apontadas como a origem ardilosa do pecado. (cobras e bichos)…. E havia também os Querubins que correspondiam aos meninos machos, cujos eram descritos assim como uns rosados leitõezitos com pilinhas minúsculas e asinhas nas costas. As ovelhinhas, essas, passaram a ser o Cordeiro de Deus…. Pouca imaginação como se vê…. Limitaram-se a decalcar a sua prosaica realidade social.  
Definidos os preceitos, mais a sua própria teoria da criação do Mundo cuja obedece a um intrincado enredo cheio de peripécias, que não vale a fadiga de as descrever e ao estimado/a leitor/a é-lhe poupada a empenhada atenção que forçosamente teria de ter para a entender. De resto não vele a pena porque, eram e são, apenas detalhe. O essencial foi o que em verdade, em verdade vos disse. A praxis era naturalmente, a corresponder: Curiosidades… Porquês…Inovação… etc…etc, não eram lá muito bem tolerados. E tabus como o sexo, então nem é bom falar…. Não o acto sexual, mas apenas o sexo, que cada um de nós tem e é uma boa parte da nossa natureza e da nossa condição de SERES HUMANOS. Até esse era olhado de soslaio… Caramba pá…. Não podíamos muito bem ser todos iguais, rosnavam entre dentes… Tínhamos cá as nossas ovelhinhas e “prontes”… Esta grave disfunção social ficou bem expressa na nova Constituição Sagrada já que, segundo o “Holy Book”, a mulher enquanto ser, não foi criada de raiz por Deus. Não senhor!!! Foi feita a partir de uma costela do homem  como um clone… Um ser de segunda.
Logo, fruto dessa desconfiança o sexo como tema globalmente considerado, foi ainda mais “tabulizado” do que antes era, quando eles ainda eram selvagens…. E foi civilizadamente substituído pelo recato, sobretudo o feminino, como virtude primordial.
Nem às crianças era permitido brincar aos médicos, aos maridos e assim….. Que grande có-có!
Está bom de ver que as jovens mulheres da tribo do “povo eleito”, deitadas na esteira, nas noites estreladas, negras com’á fominha, mordendo os lábios e apertando os joelhos, lá iam conseguindo cumprir os “cânones”, isto porque a alternativa era o apedrejamento. E os primeiros a atirar pedras, eram os pais e irmãos. Uma barbaridade. Mas é o que manda o livro!...
Às mulheres casadas, Já era permitida qualquer coisita, mas com contenção, sem excessivas manifestações. Para falar verdade, durante o acto, tão assexuado quanto possível, tinham que gemer p’ra dentro e mexer apenas os olhinhos. Gritos, estavam fora de questão!!!!
Estas, quando noivas, levavam como dote, ovelhas já se vê. E por vezes estavam anos inteiros sem ver o pastor, o que as levava a transes complexas com Anjos, (outros artistas que eles acabaram por inventar) de que resultavam “prenhisses celestiais”, de maridos ausentes e já em plena andropausa. Bom… Adiante….
Quando estavam no Egipto a infernizar a vida aos esfíngicos locais, rogaram-lhes tanta praga que eles preferiam esconder-se em sarcófagos a ter de enfrentar a fúria do Deus dos Hebreus.
Ao fim de longas e tortuosas negociações, passaram de povo escravo a povo nómada e acrescentaram mais umas tantas páginas à Bíblia Sagrada. Neste processo destacaram-se mais uns quantos Profetas, a engrossar o livrinho. Moisés, Josué, Alberto João Jardim, Paulo Portas, etc. Foram estes entre outros, os timoneiros dessa saga hercúlea. E a excursão prosseguiu, por montes e vales atravessando desertos e rasgando mares, na busca daquilo que julgaram ter visto no livro sagrado: A terra prometida pela PAC – Política Agrícola Comum – A terra do leite e do mel… 
A certa altura, vendo-os perdidos, Deus deitou fogo a uma mata no Sinai para lhes indicar o caminho para a sua nova Pátria. A mata ardida deu lugar ao deserto do Sinai, uma das mais inóspitas regiões da Terra. De permeio Deus ditou-lhes as normas fundamentais do bom cidadão. Eram elas três e ficaram conhecidas como: as Três “mandações”, são elas: I - Afagarás a tua ovelhinha, II – Apedrejarás a tua mulher, III – Darás porrada nos teus vizinhos.
Foi então que construíram uma arca em ouro onde passaram a transportar o “calhamaço”. (2)
Volvidos uns quarenta anos a andar às voltas e apesar disso e da perseguição dos Faraós, lá deram com a coisa.
Como o território já estava ocupado, tiveram que andar à porrada com os locatários e vizinhos (Ainda hoje desancam metodicamente, os pobres Palestinianos, para lhes ficarem com a água). Destacou-se nessa luta, um tal David, que derrubou o gigante Golias, cujo, teve morte de passarinho. Ou seja: com uma pedrada nos cornos. Por este facto, veio o franzino David, a ser Rei dos judeus.
Julgam alguns historiadores, que o facto de o pequeno vencer o forte, esteve na origem do popular desporto conhecido por Judo, onde o fraco também suplanta o forte, usando exactamente a sua, dele, força. Com absoluta verosimilhança, diga-se. Se não vejamos: o nome Judo, deriva do termo: Judeu. O tempo encarregou-se de alterar, de judeus para judocas o nome dos seus praticantes. Como sugere a palavra, judoca, é um judeu baixinho e de olhos amendoados. Prossigamos…. 
Os eleitos, nunca se soube por quem, acabam por assentar e foram cimentando a sua civilização na vertente patrimonial. Conquistaram novas pastagens para as suas queridas ovelhinhas e alargaram de tal forma a sua influência, que constituíram um poderoso Reino a que Deus mandou que chamassem Israel. Mas toda a gente conhecia os novos locatários por judeus.
Para os salvar dos pecados do mundo, ao invés de deixarem de prevaricar, os espertalhaços inventaram que um enviado de Deus á Terra, Messias de seu nome, cujo, os levaria à salvação e á vida eterna. Nada mal, heim….
E assim viveram Século após Século, Na paz do Senhor.
Até que os romanos resolveram intervir com vista a normalizar o mercado do petróleo…O afilhado de Nero – Mohamar kadafy - Mandou invadir a Judearia.
E para variar, desta feita, os judeus levaram p’ra tabaco… Mas ainda lhes restavam as ovelhinhas e as gajas para apedrejar…Foi talvez a única colónia romana, onde o circo não substituiu o desporto local. Como a terra deixou de ser deles, já não havia vizinhos para desancar, pelo que passaram a andar à porrada uns com os outros, quando não estavam a apedrejar alguma vadia, ou a afagar as ovelhas.
Os romanos, achavam que aquilo não era normal. Mas para não levantar ondas, fechavam os olhos. 
     
              (2) Ver no Google. Basta digitar: arca da aliança Ou ver o filme do Indiana Jones.
 

II Capítulo
PICT0466A Sagrada Família

Por essa altura, a História precisa, que uma moçoila virgem chamada Maria, terá sido alienada com o dote de um jogo de chaves de porcas, linha branca. E uma bancada “Workemate” da “Black & Deker”, a um “cota” chamado José, que era carpinteiro. (e perguntará a/o estimada/o leitor/a: Mas “atão”, este não era pastor? Não, este carpinteiro, era especializado na construção de paliçadas e currais para ovelhinhas!...)
Este facto que parece, e é, corriqueiro, revela-se de extrema importância para a primeira deriva da religião dos “judocas”.
Ora estava a jovem virgem Maria, a repousar de uma arremetida nocturna do José, durante a qual por mais de três horas ele lhe babara o pescoço todo, sem outro resultado palpável, que não fosse esse mesmo, ela, ao olhar fixamente para uma estrela que se insinuava por uma fresta da porta, por efeito astigmático, esta, resulta num enorme clarão que a cegou completamente, ao mesmo tempo que ouvia uma voz masculina, agradável, que dizia: Sou o Anjo Gabriel e vou-te comer…E ela desvairada: Possui-me…. Possui-me…. Ao lado o José, roncava também desvairadamente. É preciso dizer que os Anjos eram personagens bem apessoados, assim tipo… George Clooney. E eram invariavelmente, precedidos de um feixe de luz. - O que seria destas pobres mulheres se já existissem lâmpadas de halogéneo. Mal acendessem a luz, abandonavam-se à lascívia e à exaltação dos sentidos, com o primeiro fabiano que estivesse presente. E então, lá choviam pedras. Pobres lares!... E depois quem é que fazia a broa? Bom ainda bem que ao tempo, não havia a “Osram” ou a “Philips”…. Prossigamos…
Dessa noite complicada e após tanto desvario, resultou que a Maria, ficou grávida. Mal se começou a notar o abcesso, o falatório, sobretudo do mulherio, era ensurdecedor. E o bom do José resolveu mudar de terra. Assim pela calada da noite, roubou uma motorizada, amarrou-lhe o jogo de chaves e a “Workmate”, montou-se nela mais a Maria, e “zzzeeeta” que se faz tarde.
O Sol amanheceu com eles já p’ra lá das Caldas da Rainha, a caminho da Nazaré. Lugar que acharam ser o indicado para fazer crescer o que quer que fosse que a Maria trazia no ventre.
Seis Meses após estes acontecimentos, a Maria dá à luz, de parto normal, um rapazola, escorreito e de olhos azuis como o pai?! Neste simples acto, a Maria deixou de ser virgem…. Surpreendida/o????? Eu explico: Ao sair, O nado corrompeu-lhe o hímen, desflorando-a… E desse modo, já virgem não era, simplesmente Maria ficou… Embora em sentido contrário, isto é: de dentro para fora, tecnicamente e na prática o que resulta, é a perda da virgindade. Tendo por corruptor o próprio filho, que aliás não é filho, é o pai. Bom… Não é bem isso… Ele é filho e pai num só… Percebe? Não!? Eu também não!....
Este é  o primeiro dos grandes fenómenos que se aproximam. A vida desta criança, como se verá, está na origem de muitos mistérios que perduraram até hoje.
Volvidos uns anos, começa a notar-se que o catraio tinha as suas particularidades. Falava como no cinema ou seja: “Camone”… Que é como falam os Extra-Terrestres. E “fazia-o pelos cotovelos”. Ia para o templo e dava grandes “secas” aos Sacerdotes. E punha-se assim de dedo esticado para o céu e dizia: Em verdade, em verdade vos digo! E dizia!…. Aquela malta achava tudo muito estranho. Mas, e em verdade, em verdade vos digo, que naquele tempo os pobres tolos, achavam tudo o que não fosse pastorícia, atirar pedras às gajas ou afagar ovelhas, muito estranho….
E o Jesus, assim se chamava o portento, lá foi amealhando algum “caparro” e adicionando mais peripécias, às já referidas.
Até que, já nos trinta, resolve meter-se na política…….



III Capítulo
Os últimos três anos
Farto de “clamar no deserto”, que é o mesmo que falar p’ró boneco e porque o partido dos “padrecas”, o P S M C T,  (Partido da Situação e dos que Mamam à Conta dos Tolos), não gostavam dele e ele também se propunha combate-los, fundou o B. E. (Bloco de Esquerda).
E deste modo, conjuntamente com Francisco Louçã, outros judeus e demais discípulos, calcorreou toda a Judeia e territórios adjacentes a pregar a boa nova. E qual era essa? Bom, para já, nada mais nada menos que todos somos iguais perante Deus. Mulheres, incluídas. A missa muda do Sábado para o Domingo, porque ao Sábado o Sr. Prior tem que atender as paroquianas desensofridas. E os putos, têm direito à meninice. Deixai vir a mim as criancinhas…. Dizia!!! Uma palavra d’ordem muito gritada - mais tarde, por mau entendimento dos seus, pretensos continuadores, na longínqua Portus-Gália, veio a culminar no chamado “Processo Casa Pia”.
E dizia mais coisas… E pior, fazia mais coisas… Transformava água em vinho, que lhe valeu uma guerra com as cooperativas vinícolas. Curava paralíticos, leprosos e cegos. Isso custou-lhe uma queixa na autoridade p’rá concorrência por parte do lóbie da saúde. Que achava desleal o tipo andar a malbaratar as curas tão arduamente conseguidas pelos médicos e enfermeiras, e também de caminho, por farmacêuticos.
No entanto, estas e outras façanhas, deram-lhe grande visibilidade. Deste modo engrossava o número de seguidores e o clube de fãs. Um verdadeiro cortejo seguia-O. (Por esta altura começou a falar de si próprio na primeira pessoa do plural e os pronomes pessoais, referentes à si próprio, passaram a escrever-se com maiúsculas.) Àh e também acrescentou ao seu nome Cristo. Que é um termo Grego, não se sabendo muito bem porquê, Ele achava que lhe conferia assim um ar mais clássico.
Não é  o primeiro e revelou-se não ser o último, a não saber lidar com o sucesso e isso veio a sair-Lhe muito caro. Mas adiemos o funesto e continuemos a “curtir” as peripécias da chamada vida pública de Cristo.
Como dizíamos, Ele era seguido por um cortejo de crentes, para além dos discípulos, e a História, está cheia de referências curiosíssimas. Por exemplo: Entre os seus seguidores, um, destacava-se por precede-Lo nas entradas e saídas dos povoados, com o estridente toque duma trombeta. Ora o Cristo queria, por vezes, entrar mais despercebido ou sair mais de fininho, e desta forma isso era impossível. Farto da barulheira, Jesus, virou-Se um dia para o segurança e perguntou-lhe, É pá quem é aquele tipo da corneta? Ao que o interpelado responde: Sr., saiba que é o Tadeu, o anacoreta cego de nascença, que ainda não haveis curado. (estava em lista de espera) Hum…’Tá bem, Trá-lo cá. O cego, arrojou-se-Lhe aos pés e Jesus disse-lhe. Vou fazer-te um poema: Oh Tadeu anacoreta/ Ceguinho que jamais viu/ Vai mas é tocar trombeta/ P’rá puta que te pariu… E curou-o. Como se vê e passe o palavrão inevitável, pois foi mesmo assim que a coisa se passou, Ele era capaz também da ironia. Privilégio dos Deuses. Conto este episódio, Não porque goste de dizer asneiras, mas porque foi a partir daí, que passou a confundir-Se com o Deus. Soberba que Lhe iria sair demasiado caro, como veremos.
Estas suas acções, foram passando despercebidas enquanto decorriam no deserto e pequenas povoações. Lembremo-nos dos deficientes meios de comunicação da altura. Mas aí - and big mistake - achou que já havia uma vaga de fundo e dirigiu-Se à capital: Jerusalém.
Fatal!....
Os sacerdotes e outros tachistas do sistema, viram Nele uma ameaça aos seus privilégios e à própria doutrina ancestral.
Cego pela sua ambição, só fez disparates. Impediu o apedrejamento de uma mulher chamada Madalena, que arrependida do seu passado de meretriz, amiúde, se escondia debaixo das vestes do seu salvador a contar os pardais que lhe cabiam no poleiro.
Os sacerdotes ficaram possessos. Impedir o sagrado apedrejamento…. O resto ainda vá… Agora o que é sagrado, é sagrado….
Mas Ele não se ficou por aqui. Espancou os comerciantes que à porta do Templo vendiam pacatamente “púvides” e “minuins”. À CCP,- Confederação do Comércio da Palestina - pareceu-lhe muito mal…
Mas o pior, mesmo o pior, foi que, Julgando que atrairia mais fieis, insinuou que seria Ele o Messias. E fez com que os seus seguidores assim o chamassem. E como perdido por cem, perdido por mil, comete a derradeira burrice. Diz-Se filho de Deus e criou acto contínuo o grande dogma da sua fresquíssima doutrina: A Santíssima Trindade.
Pasme-se: Ele para além do seu ser material, Era o Deus Pai o Deus Filho e o Espírito Santo. E por acréscimo seria também Rei dos judeus. Assim sem mais nem ontem. Ninguém percebeu esta. E eu, muito menos. Mas mesmo assim houve quem acreditasse. Os tubarões, esses, esfregaram as mãos de contentes. Já cá bateste!... 
                            
                         
IV Capítulo
Últimos três dias

 Estava Ele então a jantar com uns amigos, na churrasqueira do Campo Grande, quando traído por um discípulo, de seu nome Judas, um beijador compulsivo (1). Este beijou-O e os romanos levaram-No preso por atentado ao pudor. Deram-Lhe umas chicotadas e tal, e iam manda-Lo embora, quando o pérfido Caifás, o Sumo-Sacerdote, sibilou: Só????? Mas Ele diz que é Rei dos Judeus!.... Ao que riposta o governador romano: Desde que Ele não diga que é Imperador de Roma. Tudo bem…Se querem sangue por que não o levam ao Herodes o vosso Rei? E lá foi Ele, muito maltratado e já a duvidar de toda aquela história. O Heródes, era um fantoche que os romanos mantinham, apenas para salvar as aparências na ONU. De resto era uma abécula acabada. Lá lhe fez as perguntas que vinham no guião. E Jesus ainda pujante de dignidade, lá lhe foi trocando as voltas. Respondendo-lhe como no filme do Cecil B. De Mile. Assim estilo: Your Word’s , not mine’s. (como eu gostava de ter dito isto. É assim como o nosso: Quem és tu romeiro? Ninguém!!!!)
Bom, o estúpido do Herodes nem percebeu os trocadilhos do Outro. E porque não tinha autoridade nem para mandar açoitar um comunista, devolveu-o ao Pôncio Pilatos, Governador Romano da Judeia.
Este, mal vê Jesus assomar-Lhe à porta, dispara: O quê outra vez por cá. Alguma “fizestes”! Olha pá, assim com’assim, estes papalvos querem-Te na cruz. E eu por acaso até tenho aqui mais dois para crucificar. Vai tudo por atacado e escuso de pagar horas extraordinárias à tropa. Vai pois e desampara-me a loja. Claro que outros relatos destes mesmos acontecimentos, usam uma linguagem mais dramática e escorreita, mas a pequenez intelectual dos intervenientes, excepção feita a Cristo, é de tal ordem, que terá sido por certo este o conteúdo mais que provável, do então ocorrido.
Pronto, ficou ditada a sentença.
Depois as opiniões dividiam-se. Os Romanos achavam que era um pobre diabo, ao passo que o judeus do P S M C T, queriam era vê-Lo morto. O que nem uns nem outros sabiam, nem Ele próprio, o verdadeiro, o da “Bayer”o Cristo tri-valente, é que isto era apenas parte de um plano de Deus Pai, que levaria a que a própria Roma viesse, não só a ser Cristã, mas a ser a sede dos Cristãos. Uma versão revisionista e ainda mais monumental, fantástica e efabulada do que a doutrina do Deus do grande Abraão. Mas isso são contas d’outro rosário…
Ajoujado sob uma cruz pesadíssima, cruzou toda a Jerusalém, trôpego e ensanguentado. Pelo caminho a Madalena ainda tentou limpar-Lhe o rosto, mas os soldados afastaram-na rudemente.
O destino deste infausto desfile era o monte Calvário, onde habitualmente os romanos faziam as execuções dos condenados. Após a penosa subida, foi pregado á cruz e a morte sobreveio lentamente.
Se as/os estimadas/os leitores querem mais pormenores da crucificação, vão ver o filme do Mel Gibson. Porque eu acho que não cabe aqui a descrição da morte, deste ou de qualquer outro personagem. Não dá!… A morte por condenação é algo obsceno, indizível e “inrisível”. Pudores de iconoclasta!... 

(1)               – Esse tal Judas, que ao que parece não era tolo. Aliás há quem sustente que ele e, claro, o Jesus Cristo, eram quem pensava as coisas. Como ia dizendo, Judas, escreveu também a sua versão dos acontecimentos, mas nunca foi homologada pelos senhores que mandavam nestas coisas. E deu-lhe um sumiço….
“Post morten”
A Apostólica Romana, não teve o mesmo pudor  que eu, e usa a sua morte como exemplo de salvação pelo sacrifício. Mais rocambolesco!... Deus terá mandado o seu filho à Terra, para morrer pela salvação do Homem. Mas isto não bastava…Mais difícil ainda…À sua morte adicionaram uma ressurreição absolutamente mórbida. Lembrando desta forma à canalha, que se andarem certinhos, também serão ressuscitados, mas só mais lá para o fim dos tempos, seja lá isso o que for… Mas atenção… Só se andarem na linha.
A Apostólica Romana, honrando as suas origens, “qué-se-dezer”: dum lado  Roma, e do outro aquele Deus furibundo dos pastores. Desta fusão resulta uma igreja, obviamente especializada em aterrorizar os seus pobres crentes. Se virmos bem, é tudo pela negativa. A salvação só se atinge com muito sacrifício e privação de tudo o que manifestamente, dê prazer. Todos os prazeres são pecado. Portanto, todo o sofrimento é redentor.
Sadicamente, exploram o dramatismo da morte de Cristo até ao despudor, como já se disse, e levam-no até ao ponto de o seu símbolo supremo, a sua imagem de marca, ser o pobre do Homem pendurado da cruz em manifesta agonia….
Cá p’ra mim esta escumalha, velhaca e rasteira, só cuida de duas coisas, a saber: Avolumar o seu poder. E transformar o acréscimo do poder em riqueza. E cá…Neste Mundo!... Não vá isso da vida eterna, ser um embuste.
Nessa matéria, é hoje absolutamente sabido que os pilares sobre os quais assenta a doutrina da Igreja, é um chorrilho de mentiras inventadas durante a tenebrosa Idade Média, no recato das Abadias.
Abades alarves, pedófilos e pederastas, linha a linha, foram criando a História que dava mais jeito à manutenção dos privilégios da “Santa Madre”. Com mestria engendraram uma forma de nos manter agarrados p’los “tomates”. E esta é que é a verdade.
A Igreja de Cristã virou decididamente, Católica Apostólica, mas Romana…. Cristã é apenas alcunha


VI Capítulo
Epílogo


Bom….A/O estimada/o leitor/a, estará a falar com os seus botões: Pois… Vão sei lá quantas páginas, já vamos no epílogo e ainda não apareceu o tal ATLETA….
Vá, confesse lá…. Já está a imaginar que isto é uma versão das chamadas técnicas agressivas de vendas…. Um fabiano qualquer inventa uma imagem chamativa, neste caso a figura dum atleta, mas depois vai-se ver e quando você espera um “poster” autografado do Nelson Évora, na volta leva é com uma enciclopédia, um aspirador p’ró carro, ou um produto para desembaciar para-brisas…. Etc.
Não!!!! Juro que não se trata disso.
É uma singela e estrambólica, versão autentica de uma “estória”, dizem que a mais contada das Histórias, e tão autentica e verdadeira quanto a original, Claro que por oposição, é igualmente verosímil dizer-se que é tão fantasiosa e falsa, quanto a outra….(3)
Bom vá lá…. Faça um esforço!!! Ainda não está a ver? 
Quem será O ATLETA?
Está bom de ver!... Só pode ser Ele….
Há mais de dois mil anos a fazer o “Cristo”. Ainda lhe restam dúvidas? O herói, desta “estória” não é só um atleta, Ele é o ATLETA.
Mesmo com um júri de comunistas…. Ganharia sempre. Por isso ganhou lugar na História.
A meu ver, é e será sempre o ATLETA.
E desta forma aqui fica lavrada factualmente, a sua riquíssima “estória”.
Chamar-Lhe atleta, em minha humilde opinião, respeita-O mais, é mais inócuo, ofende menos a sua memória, e o homem superior que parece ter sido. Do que a versão que os seus subsequentes “servidores”, Lhe e nos impuseram...
Não querem que eu sustente esta última afirmação, pois não?... É que é só uma questão de “paleio”…(os vaidosos chamam-lhe Teologia…) Mas, com esse ou outro nome, e a erudição deste ou daquele raciocínio, nada lhe altera as origens evidentemente falsas.  E fiquemos por aqui....

(3)-Tal como a do Judas esta minha versão dos acontecimentos apesar de igualmente verosímil, também não foi homologada, porque o Vaticano mantém contra toda a evidência que a Srª. de Fátima é virgem…. Coisa que deixei claramente demonstrado ser uma impossibilidade total e absoluta. Claro, desde que se trate da mesma Senhora! Agora se for outra…. Já dou o braço a torcer…

                                                  Vila Franca de Xira, Maio de 2006
                                                     Revisto em Novembro de 2009
                                                                 António Capucha
                                                  



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

“Estória” duma “Play Station” que se foi por uma Mariana.

Ceifeiras
O “tónho” endireitou as costas, puxou o boné para a nuca e passou o lenço pelo rosto e pescoço e este ficou ensopado no seu suor. À sua roda a seara a perder de vista ondulava ao de leve ao sabor da “arage” que não refrescava, era cálida. Para trás ficou o trigo ceifado aos molhos e o restolho curto dos caniços agarrados à terra, ao seu lado, aliás, de ambos os lados: o rancho de mulheres e raparigas ceifeiras à jorna, como ele. O capataz diz-lhe lá de longe da sombra da “azinhêra”:  Àh Tónho bebe “áuga” moço dum raio!!!! O patrão “nâ queri”  problemas “co’sindicate”…. Bebe “auga” moço dum cabrão…. O capataz era, melhor…. É, seu tio. E contratou-o por mor da cunhada, que lhe pedira muito para o deixar fazer umas jornas, que o rapaz queria comprar uma “Play Satation”. E que “nâ” se tivesse de cuidados que o rapaz já “amandava” corpo. Passou a rapariga co’cântaro e com o caço deu-lhe a beber  fresquinha da “ribêra”a regeneradora água, Trocaram olhares de “teenager’s” com a limpidez dos seus olhos que revelavam tudo o que se quisesse adivinhar. A voz da mocinha, argentina e doce pergunta: Queres mais tónho? Ele devolveu-lhe um olhar que dizia textualmente: Quero…. Mas não é “auga”!!! Ela assim abordada, corou e baixando os olhos diz: Áh tónho… Tónho…Doido….”Nâ” estás vendo ali a “nhã” mãe”?
Ele toca-lhe a barra da saia quando ele rodopiou para zarpar, e fez rodar ondulantes saia e saiote e tudo… Ele sorriu…
Pôs o lenço lavado em água sobre a cabeça, enroscou-lhe o boné, pega na foice e deita a mão a um punhado de pés de trigo, cega-os por baixo bem rente ao chão e junta-o ao molho que  atrás de si jaz…. Dá mais um pequeno passo e repete os gestos…. E assim por aí adiante, até que o Sol deixa de queimar e declina por detrás do monte. Junta-se aos poucos homens que ali vão, e ala que se faz tarde p’rá taberna do “enjoado” beber umas “mines”….
A conversa ganha corpo à medida que as “mines” se vão goela abaixo…. Áh tónho “tavas” a “boêr” muita “auga”hoje. Todos riram…. Menos o tónho que responde: “Atão, tava calori”….
 A zefa é que te dá o calor se te vê a rondar a filha! E o rapaz, mariola, ri-se e despeja o resto da garrafa.
Quando saiu dali para casa, a rua já era toda dele  e confessava ao “ti manel” que quando via a Mariana (assim se chamava a moça), lhe “ássobia” uma coisa por ele acima, que se tivesse tampa lhe “havera” de saltar a tal ponto  lhe fervia o sangue….
Acredito rapaz, acredito, dizia o homem para o animar. Mas olha “ca” zefa é brava….. Cuida-te….
“Qué” lá saber…. “Nã” há-de ser mais brava, que eu sou apaixonado e o amor ganha sempre.
Hei-de trabalhar tanto, tanto, que lhe vou comprar uma medalhinha em ouro "co" "retrate" da Catarina Eufémia e um fio d’ouro para ela pôr ao pescoço… Qu’é p’ra ver o que diz a velha….
‘Atão rapaz, dizia-me o ti zé do “monti”, que "tavas" no rancho para juntar dinheiro para uma “Plê-esteixon”…. E agora já te ficas pr’um fio d’ouro????
“Nâ”quero saber…. Há-de ser minha por força…. "Ê" "hoji" até lhe “toquê” a barra da saia….. Oh senhores!! E ela riu-se…. Quer mais ti manel????
O homem riu com prazer…. Aquilo é qu’ele estava vidrado hein….
Bom, moço, estás em casa…. Óh ti Ana …. Tá aqui o seu tónho, deite-lhe uma açorda com muito coentro e “dête-o”, qu’ele “amanhin” tá fino!!!!

                         António Capucha

        Vila Franca de Xira, Janeiro de 2011

Apanha do percebe




Vimos no nosso parceiro na blogoesfera: "Amigos de Peniche" e não resistimos a repassa-lo...  
Trata-se de um excerto dum documentário sobre a Berlenga, da autoria de Paulo César Fajardo, a estrear em 2011.

É de facto uma pesca perigosa.... Mas vale a pena....E que são tão bons!!! Sobretudo os da Berlenga.
António Capucha
Vila Franca de Xira, Janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

afonso dias "13" na antena1- VIVA A MÚSICA de Armando Carvalheda




VIVA A MÚSICA de Armando Carvalheda - antena1
ao vivo
Teatro da Luz - Largo da Luz (Carnide)
afonso dias
apresenta o espetáculo
"13"
ao vivo
com
adriano st.aubyn
tó correia
ana marques
ao vivo