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terça-feira, 29 de março de 2011

Queridos amigos.

Peroração de Santo António aos peixes

Meus amigos… Não queiram saber o quão solitário é o acto de esgalhar textos, ainda que despretensiosos como estes meus…. Como este que ensaia os primeiros passos ainda a medo, não vá espalhar-se, e tal como o Paulo Futre, entrar numa cabine telefónica, fintar cinco ou seis adversários, mas depois não encontrar a saída…. Ou seja: fazer uma flor ou outra, mas depois vai-se a ver, e aquilo espremido verte pouco ou nada. É que já de há muito tempo para cá, esta coisa de escrever, cada vez mais, menos tem a ver com habilidade, a verborreia, o floreado. E acreditem se quiserem, mas aliás acho que transparece, que não é nada disso que eu quero fazer. É, e julgo que até certo ponto o tenho conseguido. Mas estou a ser juiz em causa própria…. Ou, sou um figurão, uma personagem anacrónica que não realiza plenamente o que são estes novos meios de comunicação…. Que só na aparência tem a vocação que deles espero....
Por aquilo que tenho visto, os Blogues são clubes de “amigos” – as aspas são propositadas – correligionários disto e daquilo, frequentadores dos mesmos bares, como se de tertúlias se tratassem, e se um Fabiano se mete a comentar de forma não “regimental”, os dizeres destes…. A coisa empina!!! De tal maneira que até os “fregueses” rosnam como sabujos de guerra, às canelas de quem se atrever a desconversar. Os conteúdos, esses são vulgares e decalcados do que já se disse em colunas de opinião, da nossa inspirada imprensa…
Outros há, refiro-me a blogues, que são alimentados por amadores –amantes - disto e daquilo e quase sempre de muita qualidade. Muito bem cuidados e as quais recorro sem problemas sempre que preciso de apurar um qualquer pormenor. Outros, a quem deixo aqui a minha vénia, abastecidos por gente da pesada, professores de literatura, português etc…. E também os há de tias e tios perdidos de bem…. ‘Tá “aver”, muito conhecidas lá em casa, mas que se há-de fazer, de tão narcísicos, nem enxergam a sua pequenez e trivialidade…. São estes, grosso modo, os estilos amigos do ambiente cibernautico e promovidos pelos seus agentes: Os  browsers, que é quem tem a faca e o queijo na mão.
Mas toda esta gente tem público e “feed back” garantido, uns por serem de um grupo de opinião vasto, outros porque são incontornáveis “opinion maker’s” e outros ainda porque sim… ( há tempos dou de caras com um blogue à beira do milhão de entradas. É de uma escritora “very Laigt”- de lantejolas - e de méritos mais que duvidosos…
Sim… talvez seja ciúme… Ou falta de humildade ou ambas as coisas…..  A verdade é que um  "matumbo" como eu, com a mania de se servir de um blogue para montra da sua pretensa  veia literária, não tem cabimento. Não é com facilidade que ultrapasso isso e continuo nesta minha saga…. Muita disciplina e a noção, o mais confrontada e ajustada possível, com os meus valores e apurando o sentido de ridídulo… Mas lá está: Minha comigo…. Inferir isto ou aquilo usando o senso comum, toma direcções diferentes, por vezes até antagónicas, e um homem fica dividido e sem saber o que fazer à vida. Se por um lado o meu querido amigo Afonso Dias, se afadiga em convencer-me a editar em livro, estas ou outras coisas. Por outro, com a desculpa de que  é seu "tímbre", publicar coisas mais pequenas, um blogue de referência penichense,  com o qual fiz uma parceria, despacha-me com uma referência – um “post”- charmoso mas sem continuidade, ao passo que eu mantive por muito tempo a referência a ele, e publiquei coisas deles com a devida vénia.
Que pensar então?
Acreditem que não é por precisar que me alimentem o ego e vaidade, mas se por acaso gostam do que escrevo, digam-mo… Acho que um pouco de auto-estima , não será excessivo. 
Nesta curva da vida do Blogue, estou a precisar que me digam o que pensam dele.
E o espalhem pelos vossos contactos. E preciso movimento.... Dá para entender que os blogues vivem disso e não de outra coisa Sr Soisa....
O outro,  precisava de merda, e não precisava de outra coisa! Sr. Soisa…
E eu preciso de carinho, meus amigos e não preciso de outra coisa…

                       António Capucha

        Vila Franca de Xira, Março de 2011

sábado, 26 de março de 2011

O SONO NÃO É A ANTE-CÂMARA DA MORTE!

Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada

Acordou e ainda estremunhado vai a pouco e pouco tomando consciência de si. Identificado que foi, passou à segunda fase: As memórias mais recentes… Terá sido um terramoto, e dos bravos… Tudo abanava furiosamente. Amparou-se e amparou a mesa do computador onde estava a trabalhar, mas as rodas não ajudaram nada. E aquele barulho, misto de motor a gasóleo duma moto bomba e ranger de dentes, alto, forte, em sensurround. Todo o seu corpo vibrava, como as paredes, portas e a tralha toda a desabar. Não sabe ao fim de quanto tempo se sentiu cair à cambalhota com as traquitanas todas, o chão e tudo, como que apanhado num vórtice. Depois não se lembra de mais nada…. Mais tarde acorda e apercebe-se de que não se pode mexer. Na total escuridão sentiu-se encasulado entre cacos…. Sentiu a cara suja de arenito e poeira e tentou limpar-se mas os braços não mexeram mais que isto… ficando-lhe apenas a solução de soprar tentando com o lábio inferior dirigi-lo para a cara…. E aquela coceira…. Realizou a sua situação que várias vezes tinha imaginado ter sido a de outros que ele sabia pelas reportagens da TV. Assim estiveram no seu tumulo de entulho, o mais das vezes. Agora chegara a vez dele….. Que situação…. Talvez se gritasse, quem sabe… Sem saber quanto tempo esteve inconsciente, se calhar já andam aí à procura de gente viva por entre os destroços, com aqueles cães maravilhosos…. Se escapar desta arranjo um cão….  E bem grande, para que bem se veja. Com aqueles olhos redondos e doces, sempre a mendigar uma atençãozinha do dono, Aquela comichão que não pára. Agora deu em dormência. Não sentia o corpo… Nem frio nem calor…. Será isto a morte?
Depois, digo eu que o sei, caiu de novo num estado de letargia, dormiu por sei lá quanto tempo e ele ainda menos o sabe….. Quando despertou, também sem referência temporal que se veja, sentiu sede e o estômago ondulava como uma lesma do mar, e fazia uns “borburejantes” ruídos, como o murmúrio de um regato a serpentear numa floresta de coníferas verdes e altas como torres … Este quadro entreteve-o por breves instantes. Não tardou a que a sua desdita gritasse mais alto que as coníferas….. Começou a sentir dores por todo o lado, até os cabelos a crescer produziam dor. Respirava, percebeu-o por fim, inspirando pequenas quantidades de ar, e a um ritmo muito mais intenso que o normal,,,, respirou fundo mas ficou-se pela tentativa, o peito não podia mexer-se mais que aquilo que tinha mexido até então….. Oprimido por qualquer coisa que também o obrigava a ter a cabeça de lado sem a poder rodar…. Mas podia gritar por socorro…. E fê-lo a custo e teve que respirar à cão durante imenso tempo para ganhar ganas para gritar outra vez…
Quanto tempo terá passado? A imponderabilidade do escuro deixa-o sem referências… Enterrado vivo há, não sabe que tempos….. Demasiados…. Decididamente demasiados!
Volta a pensar nas coníferas a ondularem ao vento, Criptomérias, suponho…. E não supôs mais, volto a dizer eu que o sei: Adormeceu de novo.  Ao fim de muito tempo, despertou na cama de rede do quintal com o vento do lado do mar a tonificar-lhe a tez…. Estaria a sonhar ou ouvia um cão a ladra, não…. Mais a latir, a suplicar que lhe dessem atenção. Dizia lá no seu “ladroês”: ‘Tá aqui um….. Depressa…. ‘Tá aqui um….. O homem começou por ouvir o cão mas agora distinguia “vozerio” de homens a que veio juntar-se um raio de luz que até lhe feriu os olhos. Num ápice, ouviu uma voz mais perto que num sotaque micaelense Diz: Áh “amêgo”, é só um becadênho qu’a gente já o têra daê!!!!! Nem conseguia pensar…. Acho que um sorriso tomou conta dele  e passou-lhe tudo num repente. Sentiu que se erguia qualquer coisa de cima de si . Ficou solto....Então pode ver o homem que falou com ele. Um armário de cozinha bem aviado,  tudo p'ra mais, nada p'ra menos, vestido de Bombeiro. Este pegou-o ao colo. Apesar da euforia de se sentir salvo, aqueles movimentos  acordaram-lhe dores tão fortes, que desmaiou de novo. E quando deu por  si  estava entre lençóis de uma alvura imaculada numa cama do Hospital com uma matula de profissionais de saúde à volta da cama. Todos com um sorriso a rasgar-lhes os rostos.  Então um mais velho  e risonho, Pergunta-lhe:
- Sabe quanto tempo esteve debaixo daquela lixarada?
Abanou a cabeça, que não!!!!
Dez dias senhor…. Dez dias, meu amigo…. Como é que foi capaz de resistir tanto tempo sem água nem nada?
Dormi “S’ôtor”….  Sobretudo dormi!!!!
Afinal William Shakespeare, estava enganado, ripostou o bom do Doutor…. O SONO NÃO É, A “ANTE-CÂMARA” DA MORTE…..
Riram todos…..


                          António Capucha

            Vila Franca de Xira, Março de 2011

quinta-feira, 24 de março de 2011

Obrigado, meus benfeitores.....



Zé povinho

Uma vez por outra, se vê e bem se sente, a vontade do Bom Deus a sobrepor-se à ignomínia e mau estar, que facilmente se instala nestes nossos frágeis "coracõezinhos-zinhos", sempre prontos a vacilar e desesperar por tudo e quase nada....
A intervenção divina, levou os nossos amados líderes à suprema generosidade e eloquente decisão de: DEVOLVEREM A PALAVRA AO POVO....
E o que é que nós, o povo, faremos com essa PALAVRA agora devolvida..... Tão mal lidamos com semelhante coisa.... 
Eu, pela minha parte, sem ter muito certo e claro, que coisa será essa, darei cumprimento ao desejo  expresso  pelos nossos queridos benfeitores. E em duas palavras cumpro os seus ditames, com a forma dura e áspera tão própria do povo:
- "IDE-VOS".... Ou: "FODEI-BOS"!!!!

                     
                               António Capucha
                Vila Franca de Xira, Março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Os padrinhos....



Sucedem-se os vídeos de autores sobre esta gigantesca fraude económica que atinge a Europa e o Mundo. A tentação de as publicar aqui no blogue é enorme.... Mas treze minutos de legendas a "mata cavalos" dissuade-me disso. Primeiro porque é fatigante, depois porque não sei o suficiente sobre economia, para decidir acerca da verosimilhança da predica, nem conheço os peroradores. E há que ter algum cuidado com estas coisas quando se quer algum rigor nestas publicações.
Sem dúvida que fede a distâncias consideráveis, que esta altercação nas economias a nível Mundial, tem na sua origem fraudes e abusos do sistema bancário internacional, que actua como uma Máfia.... Também me parece claro que este sistema é interpenetrado, e interpenetra as organizações políticas e financeiras públicas, bem como, militares e de segurança (insegurança, mais propriamente) dos países mais poderosos (Estados Unidos à cabeça). A Máfia apontava um revólver à cabeça da vitima e isso é uma proposta irrecusável. Neste caso, ameaça-se flagelar um país por  não cumprir os "direitos humanos", ou  para defender o "Mundo Livre", ou ajudar o povo a implantar a Democracia.... Imaginação não falta. Isto é de tal forma  um mecanismo bem oleado, que os seus próprios governos são claramente "shuntados" e incapazes de combater este flagelo.... Aparentemente há a intenção de se substituírem aos Estados como forma dos Países se organizarem. Uma velha tese do capitalismo ultra reaccionário: Acha-se uma forma mais consentânea com as características humanas, (seres gananciosos e individualistas) e portanto melhor que o Estado como forma de organização das sociedades humanas, devendo por esse motivo substituí-lo. E a forma de o conseguirem sem terem que ir a eleições, é destruir as economias a partir dos seus mecanismos de financiamento. E até ver estão a levar a água ao seu moinho. Claro que isto não é por milagre..... Consegue-se instalando "empregados" seus em "lugares chave" do aparelho dos Estados. Se tiverem que ser eleitos ficam um pouco mais caros, mas ainda assim vale a pena porque os lucros expectáveis são obscenos..... 
Todos vimos o filme "O Padrinho", sabemos mais ou menos como se fazem estas coisas.....


                        António Capucha

          Vila Franca de Xira, Março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

PEC IV

PEC IV
Para mim que "não vou em grupos" - e até já vi um porco a andar de biciclette - há aqui nesta ameaça de crise, qualquer coisa que não joga.... O facto de o Governo levar primeiro à Europa o projecto IV de estabilidade e crescimento, sem o ter apresentado nas instâncias de direito em Portugal, A R (Assembleia da República), e nem ter esboçado qualquer tentativa de o negociar fosse com quem fosse, é uma gafe demasiado pesada e evidente para ser cometida por um Sócrates que pense-se o que se pensar dele, não se lhe há-de regatear a conhecida habilidade politica, para  cometer semelhante falha..... 
Será portanto, e a meu ver, algo profundamente estudado, pesado e analisados os seus resultados, e deliberadamente aplicado. Porquê? Não sei! Para chegar onde? Também não sei! E para não ter de andar depois a rebobinar à força toda, é melhor não antecipar cenários..... Uma coisa parece-me certa ..... Ele, o Sócrates , não fez as coisas assim para dar mais oportunidades à oposição, qualquer oposição.....
AGUARDEMOS.....

                                  António Capucha
                    Vila Franca de Xira, Março de 2011



sexta-feira, 18 de março de 2011

Có-có Sr. Soisa








           

           
Conhecia o texto, bem como, acredito, muitos dos meus amigos.... Mas interpretado assim é outra loiça.
Aqui fica o registo e o nosso obrigado ao Victor de Sousa, não Soisa!!!

Dedicado a todos os Soisas que ainda andam por aí....
                António Capucha

Vila franca de Xira, Março de 2011

PS - Peço desculpa pela falta do canal direito do àudio....

quinta-feira, 17 de março de 2011

O Petrodólar


Petrodólar’s um nome muitas vezes falado no seu tempo, e que foi caindo em desuso acredito que por malas-artes de uns quantos sabujos (cães de fila), que aos milhares estão sentados em “lugares chave”, para proteger este e outros segredinhos que seria muito mau que se viessem a instalar na chamada opinião pública. Entre os profissionais da opinião pública, também se hão-de contar uns quantos malabarista do silêncio tumular…. Não é preciso uma grande perspicácia, para avaliá-los e descobri-los, através das trevas que semelhantes esbirros expelem das suas cloacas infectas….

Petrodólar’s….. Uma das maiores mentiras do Mundo…. A estes cruzados do Século XX cá de dentro, há que aponta-los a dedo. E deixar que definhem de vergonha , se é coisa que ainda têm.

Quem me enviou este mail, sugere por exemplo:
Vamos divulgar este mail para que muitas mais pessoas no MUNDO saibam o que se está a passar.
Porquê o ataque à Grécia e a todos os Países do Mediterrâneo (Grécia, Portugal, Espanha e mais) tem como objectivo primordial o ataque ao EURO. Durão Barroso, o português Presidente da CE é uma simples marionete neste jogo...e ele sabe disso!!! E pelos vistos aceita o papel que lhe foi distribuído…. Áh vaidade, Vaidade!!!!

Não sou eu que digo. Foi o Eça de Queiroz que o disse e há cerca de cento e quarenta anos:
“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”


                                                     (Eça de Queiroz, 1867 in “O distrito de Évora”)



A quem servir a carapuça, que a enfie…..

Veja a apresentação que segue.

O Petrodólar
















segunda-feira, 14 de março de 2011

Truculento Milagre

Imagem de agecom-ceut.blogspot.com


 Um caçador afamado, não pelas mesmas razões que as do nosso conhecido João Tabefe, que era de um instinto caçador verdadeiramente inato…. Este de quem vos falo (falar, aqui, é uma força de expressão) hoje, é afamado por ser, sem justapor seja o que for, aquilo que aos caçadores, pescadores e outros, é suposto serem…. .. Isso mesmo: Impostores.... E este é-o, e de uma imaginação digna de registo. Que seja  pois, levado à posteridade mais este enriquecimento do nosso já de si, vasto património de “estorietas” de dimensão mais que a conta….
Pois este ser dotado de imaginação, relatava aos circunstantes ouvintes, uma caçada das arábias nessas terras que das arábias já foram, terras de charneca no  nosso meio-interior Centro, e tanto assim é, que a terra tem o nome de uma das filhas de Maomé, Profeta maior do Islão.
Dizia ele no seu ar distraído “como quem vai de caminho”, entre duas goladas de cerveja:
É pá…. Vocês sabem lá o que foi aquilo…. Toda a Santa manhã, a correr montes e vales e nem um tiro demos …. Eu e mais doze amigos que cedinho, às quatro da madrugada, saímos de Lisboa. E em grupos de três, às seis horas já estávamos a gastar as solas das botas de caça… Umas daquelas sabem como são? Aquelas artesanais, em pele de vitela até meio da canela e sola de pneu, à prova de tudo, sabem que eu nessas coisas não facilito, é sempre do melhor!!! Bem onde é que eu ia? É pá ias naquela de terem começado a gastar solas. Áh pois, muita sola gastamos toda a manhã e nem um pardalito vimos, paramos ao meio-dia para almoçar. Sabem como é!!!! Um trazia um coelho estufado, outro uns pastelinhos de bacalhau e arroz de tomate e pimentos, Havia mais chouriço, paio, presunto, queijo de Idanha, vinhaça da Cartuxa de Évora e pão de Mafra…. A malta estava com “larica” e cheios de sede….. Foram dois vergas para ensopar aquilo tudo, como deve ser….. A coisa caiu-nos na fraqueza e cada um esticou-se para aboborar debaixo do Azinho, que estendia a sua frondosa sombra e o aroma das suas folhas e bolotas e tufos de “carqueja”, poejo e orégãos, inebriavam-nos de tal forma que dali a nada já estava tudo a serrar presunto…..
Estava eu a “tirara água” com a “mona” encostada a uma raiz saliente da azinheira. Eis senão quando, não sei ao fim de quanto tempo, ouvi uma “restolhada” mesmo à minha frente…. Abri os olhos e vi um sacana de um coelhito a mordiscar umas ervitas… Sem deixar de o fitar, como quem aponta a caçadeira, estiquei o braço direito e sem ver, a tactear, agarro um pau. Atiro-o violentamente ao bicho….. E eu seja ceguinho senão foi assim!!!!…. Olhei de novo e vejo dois coelhos! É lá.... Eu não bebi assim tanto!!!! É pá, tinha agarrado noutro coelho e atirei-o ao primeiro e ficaram lá os dois!!!!!….  Fiquei doido de todo, pus-me aos “gritos e vivós”. Acordei os meus companheiros que abriram os olhos de espanto ao quadro  que ali bem na sua frente se desenrolava, Eu de joelhos de braços abertos e um feixe de luz que furava a folhagem a incidir sobre mim. E aos meus pés, os dois coelhos de patitas esticadas que pareciam estar a rezar de mãozinhas postas…. E os seus olhitos sem expressão e parados, eram uma prece morta, a um vivo milagre…..
Nesse mesmo dia nomearam-me o padroeiro dos caçadores….  E ainda hoje aquela árvore é alvo da peregrinação dos caçadores, pescadores e outros impostores…. Fica ali para os lados da Batalha. Uma região muito dada a estas coisas.....
Eu caia aqui mortinho…. Se isto não foi assim!!!!!

                           António Capucha como Augusto Gil (mas ao contrário....)

                           Vila Franca de Xira, Março de 2011





sexta-feira, 11 de março de 2011

Os malefícios do tabaco



Os malefícios do tabaco, são para além da crua realidade, uma comédia teatral - ou tragicomédia, como veremos - de Anton Tchekhov, porque teve seis versões, seis….. Tendo sido inicialmente escrita a pensar no actor cómico Gradov Sokolov ainda no Século IXX (Janeiro de 1885). Este original foi sucessivamente revisto ao longo de dezasseis anos em novas versões, que não consistiram unicamente em acertar melhor a pontuação, ou recompor uma frase ou coisas do género, foi mesmo ao osso do monólogo chegando a alterar o nome da personagem e seu carácter, (de Niukhin a Ivan, passando por  Marcellus…) E de comediante a personagem tragicamente parvo…) Mas não só…  Até o sentido e estrutura da peça,  a tal ponto que, o que começou por ser uma comédia a despertar a interacção com o público, na última revisão, Tchekhov, esboca o retrato de um homem, de um Mundo de uma atitude perante a vida (sic) O patético e grotesco imbecil, a falar à toa sem qualquer autoridade sobre o assunto…. Nulidade  que se compraz passivamente no seu próprio desespero. (sic)
Da comédia inicial, a esta tragédia híbrida, vai bem medida, uma légua da Póvoa….
Ora….. A que vem isto a propósito?
Estava eu amesquinhado por não raras vezes rever estes pequenos e despretensiosos textos, julgando ser uma prova de incapacidade minha em seguir uma ideia e concretiza-la em texto….  E eis senão quando encontro na Net, um artigo de Vera Gottlie intitulado: “A tragédia de um pobre tolo”. É então que fico a saber que o autor Russo, reviu a sua obra um "ror" de vezes....
Cresci p’raí palmo e meio … Ou mais….
Pois se o grande Chekhov, “himself” o fez ! Quem sou eu para não o fazer….. Ou também equivale por dizer que, não será por isso, nem fugirá por aí a veia tonta que me trás agarrado ao computador a alinhavar estas coisas….
E reconforta-me essa e outras reflexões…. Como por exemplo o que tenho aprendido nas pesquisas como esta no universo maravilhoso da Net…. Sem quase me dar conta, há coisas sobre as quais posso escrever de cor, e com tal segurança que não receio recriar e inventar, empolar ou abastardar…..
E faço-o por puro prazer… Melhor que chocolate… Melhor que um golo do Grande  Sporting Clube de Portugal nas redes dos “Lampiões” (esclareço que, o seu valor está exactamente na sua recente raridade)
Vamos então deixar por hoje este monólogo de “pobre tolo”….


                                      António Capucha

                          Vila Franca de Xira, Março de 2011



Contém excertos ( em itálico) da autoria de:
 Vera Gottlieb
Excerto de “A monologue in one act: Smoking is Bad for You”.
In Chekhov and the vaudeville: a study of Chekhov’s one-act plays.
Cambridge: Cambridge University Press, cop. 1982. p. 185‑187.
A tragédia de um “pobre tolo”

quarta-feira, 9 de março de 2011

Chambres, Room’s , Zimmer’s….

Câmara Municipal de Peniche
Chambres, Room’s , Zimmer’s….
É o primeiro grito ouvido de Peniche, gritado por pequenos cartazes que umas criaturas trazem e agitam como espantalhos, na Avenida que das portas da Cidade leva até à Ribeira Velha e ao Forte. Ocupam  locais estratégicos e quase nos entram pelo carro dentro… Estas rapaces, gaivotas de arribação, podiam ser um quadro típico das gentes penicheiras…. Mas não! Os seus vestidos de mil saias coloridas e outros tantos saiotes, aventais bordados camisas brancas e mantilhas pretas, denuncia tratar-se de mulheres do povo, sem instrução escolar, de olhar ávido e astuto tão oportonista como a das gaivotas…. Por vezes trazem uma jovem da família à ilharga, que ajuda na abordagem ao “terista”.
Se se ficassem pelas vestes ainda podiam ser um cartaz turístico a considerar, mas a avidez do olhar denuncia a voracidade pelo dinheiro e apenas isso….
O ouro que pendurado do pescoço destas aves, algum peso faz… É alarde do sucesso desta iniciativa industrial…. Economia paralela, de logros e a roçar a indignidade.
Conheço bem aquilo de que estou a falar. Peregrino de Peniche que sou, de há mais de vinte e oito anos, aconteceu-me mais que uma vez, fruto de equívocos vários, falhar o pouso que habitualmente tinha, e  daí ter que recorrer e estas “industriais” espontâneas.
E sempre para além da incomodidade das circunstâncias, havia que somar o incómodo da observação da natureza do negócio…..
Ora, as pessoas nos cediam a troco de dinheiro a sua casa, e retiravam alegremente para um anexo vetusto e sem luz e dessa manobra resultava normalmente a partilha da cozinha ou da casa de banho. Ou a partilha da casa com uma enfermeira ou professora ou sei lá o quê, mas sempre muito sossegadinha, tão sossegadinha que os senhores nem dão por ela….. Ou ao contrário impingem-nos pela módica quantia a combinar, isto é: Numa breve conversa vão-nos avaliando.... Considerados que foram a necessidade do “terista”, e as posses que ostentam, determinam quanto vão extorquir aos incautos, que a proximidade da noite trás mais inseguros…. Nunca fizemos negócio porque a sordidez da situação foi sempre tão excessivamente gritante, que nunca se sobrepôs à necessidade e urgência sentida….
O que vi, em termos de qualidade da oferta e desfaçatez, se fosse uma experiência muitas vezes vivida trar-me-ia um ódio de morte a esta terra.
O que vale é que como bom “habitué” procuro e tenho conseguido encontrar nesta selva, solução de continuidade, que tem vindo em crescendo. A tal ponto que hoje somos uma família integradíssima e empenhada na evolução desta população que somos nós…. Coração penichense, como a minha mulher disse aquando da apresentação de um quadro seu na inauguração de uma exposição de arte moderna em Peniche… E como tal, o coração sofre:
- Sofre com o sangria a que sujeitaram a frota da pesca….
- Sofre com o definhar lento mas constante da Cooperativa dos Pescadores, e da proliferação e “desemerdanço” das grandes superfícies comerciais….
- Sofre com a substituição dos bairros de pescadores em correntinha de casas como contas de um terço, pelos edifícios típicos do “Portugal Sur le Mer” de gosto “burguesote”….
- Sofre com a localização da “ETAR”…. Embora talvez ali à volta de Peniche, não haja locais que se possam dizer de menor nobreza…. Mas aquele, junto ao cabo é seguramente mais nobre que o Salão Nobre da Câmara Municipal….
- Sofre quando vejo que a praça de Peniche, consegue vender o peixe mais caro que em qualquer outro lado. Inexplicável!!!!!
Mas rejubila por mil e uma coisas…. Sigularmente as mesmas, mas vistas de outro ângulo:
- O prazer sempre renovado de ver os barcos a sair para o mar….
- O prazer de ir à mercearia de bairro comprar a melhor fruta e os bolinhos caseiros e levar de borla os sorrisos da proprietária…..
- Dá-me prazer serpentear pela urbe central e as suas casas despretensiosas na beleza austera das suas grossas paredes e ombrais de pedra trabalhada a traços simples, e a clarabóia por cima da porta de entrada, com vidros e cercadura de pedra.
- Adoro passear ao longo de todo o Promontório do Cabo Carvoeiro….
- Não me cansa ver a Papôa…. E Por trás a ilha do Baleal…. 
- A sardinha de Peniche e todo o seu peixe de uma forma geral, tem um não sei quê…. Um cheiro diferente do dos outros lados….
- Diabos me levem!!!!! Mas até à “Marie Elisabeth”, perdoo o cheiro, por ser uma actividade genuína da terra…. (marie elizabeth portuguese sardines 100% pure olive oil)  E claro, pelo bem que sabem….
- Gosto do sitio onde moro e dos vizinhos e vizinhas…. Pessoas com a capacidade de doseamento de intimidade, que não enjeitam nem impõem. Rara virtude!
 É verdade!!!!!
Por todas estas, e mais as razões que se quiserem ter em conta, é um feio quadro, esse das criaturas a venderem logros em forma de alojamentos…. Deve haver uma forma de sonegar isto aos nossos visitantes…. E simultâneamente, proporcionar ao turista apanhado com as calças na mão, um alojamento alternativo de proximidade e de qualidade e dignidade assegurada….


                             António Capucha

              Vila Franca de Xira, Março de 2011

sábado, 5 de março de 2011

Crónicas e tabus

Mário Castrim
Um jornal diário publica ao Sábado uma revista com vocação generalista e com vários cronistas cada um de sua cor e paladar, cujos não aquecem em demasia os lugares. Já lá vai o tempo dos “opinion maker’s”, tipo Mário Castrim, cuja coluna de culto, (coluna o tanas!!! Era uma página inteirinha), no meu saudoso “Diário de Lisboa”, era de critica de TV, mas que acabava por ser, quase apenas um curso acelerado e intenso de”PCP-ismo”. Quem o lia sabia ao que vinha e com o que podia contar. Mas nada disto vem ao caso, foi só o correr da pena. O que quero realçar, é que colunas de opinião e crónicas vitalícias já acabaram. Ou quase…. Como veremos!
Ora na tal revista que tem sempre um naipe de cronistas de qualidade – Um deles marcou-me profundamente. Não pelas ideias, já que era monárquico, e dos absolutistas, mas pela lisura da sua escrita, que era de uma simplicidade e beleza invulgares. Deixem que vos deixe aqui o seu nome à guisa de homenagem: Dr. António Homem - nenhum aquece, como dizia, o lugar,  excepção feita a dois deles. Sendo que um é um conhecido jornalista e a outra é alguém sob pseudónimo feminino, que se compõe como uma mulher moderna e desinibida, que aborda os problemas da eterna temática das relações entre  sexos, vistos do lado feminino e com alguma dose de irreverência, de arrojo até, entrando às vezes pelo vernáculo adentro, de onde sai, quase sempre, com alguma elegância. Ora, sobretudo entre as leitoras, essas crónicas foram tomando forma de culto. Inúmeras mulheres o referem no “Correio do Leitor”. (não sei se se chama assim, mas estão a ver como é, não é?) A escrita sob pseudónimo aqui é tabu, que habilmente é mantido para ajudar à festa da popularidade da crónica e da cronista. Ora tudo leva a crer, que o outro campeão de continuidade editorial, acumule com a autoria sob pseudónimo da outra crónica de culto feminino. À pala disso mesmo, se lhe retirarem a sua crónica, ele por sua vez também os deixa descalços não escrevendo mais as outras. E aí o Director ou o Editor tem que pensar duas vezes.
Isto em tese…. Faz sentido!
É evidente que em coisa de semelhante sucesso editorial, Não se mexe…. Logo há que manter o tal, a reboque do sucesso de si mesmo…. Esquisito, não é??? É o que dá fazer raciocínios perversos!!!!
Esta dos tabus está a fazer escola. Uns mais inocentes e até geradores de saudável expectativa, como este de que vos falei. E outros ao invés, doentios, falsos e a cheirar a podre, como são exemplo os de alguns políticos… Para disfarçar a sua incapacidade, ou para emparedar alguma sabujice. Simula-se um tabu na presunção de que a malta esqueça o assunto…. Depois quando já não dá para o manter, vai-se a ver e quando este se revela, quase sempre, ridículo, é como se se soltasse a diarreia intelectual dos interpretes…. Passemos adiante….
Estávamos a falar, que é como quem diz, das crónicas da suposta senhora do tabu….  Suposta porque nada prova que seja de uma ela, a sua autoria….
E que importância tem expô-lo, ou desvendá-lo?(ao tabu)
Julgo que exactamente e sem tirar nem pôr, a mesma importância que teria não o fazer!
Apenas assim, fica feito mais um “Post” para o Blogue onde transparece pujante a mania da peroração….
Que cada um cumpra o seu “Fado”
Cumpra o estimada/o amiga/o e  leitor/a a sua parte…. Que eu, já cumpri a minha…..

                             António Capucha

             Vila Franca de Xira, Março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Tãm-tã-rã-tã

Imaginação.... Enorme sentido de espectáculo. Isto é praticamente um circo de pulgas amestradas.... Uma micro-cena. Com meios de produção exíguos mas suficientes, nem de mais nem de menos, um manipulador do boneco feito em tiras de espuma uns adereços cénicos :uma escada, uma tigela com água e uma prancha. O outro toca guitarra e umas gaitas, uma história simples, uma músiqueta alegre e expressiva, muita imaginação. E aí está o espectáculo!!!

quinta-feira, 3 de março de 2011

Neste país que é o meu!!!! Ou as más Companhias.

Sede da CGD

 




 Neste país que é o meu e é o nosso. Que me trás na serenidade da paz com a sua História, restabelecida em setenta e quatro do Século passado.... Embevecido com as  suas belezas que me deslumbram todos os dias.... E o calor que as suas gentes me trazem, a que tenho que juntar as suas muitas e ricas culturas.
Tinha que haver alguma coisa que destoasse.... Não a política, que essa não destoa nem entoa, Mas algo que não deixando de o ser (política) é a proverbial falta de decência e respeito pelo consumidor, na vertente cliente, das grandes companhias, o mais das vezes públicas, e que nos prestam serviços dos quais não podemos prescindir.
Sei lá.... As CP's; As EDP's; As PT's; Os CTT's; As CGD's, que digo eu.... São mais que as mães e todas a apresentar lucros astronómicos e a prestarem serviços miseráveis em termos de qualidade e de respeito pelos mais elementares direitos dos consumidores.... A algumas, é possível po-las com dono! E não tenho hesitado.... Pelo simples facto de ter mudado de operadora de telefone fixo, tenho poupado em média quinhentos por cento ao Mês.... Não é treta. Posso provar... E não foi só de inicio para cativar o cliente, já lá vão uns anos e continua a poupança. Vejam lá com que despudor e quanto me andaram a roubar ao longo de muitos e muitos anos. Hoje em dia a PT, é uma das maiores empresas Nacionais.... A CGD's, também coitadinha, que usou na altura os lucros conseguidos à nossa conta e com a bênção dos sucessivos governos, para erigir aquela Faraónica sede, que envergonha a sobriedade a que uma instituição daquelas se devia obrigar. Esses lucros se fossem entregues às finanças talvez aliviassem  a carga fiscal que à época foi exercida sobre a população e as outras actividades produtivas. Este banco do Estado (nosso portanto, não no sentido de posse , mas mais no sentido do estar ao serviço de quem), vergonha das vergonhas, além de usar e impor aos clientes metodologias do Século dezanove: a sua predilecção por filas e filas de humildes clientes, e métodos de agiotagem iguais ou piores que os bancos privados ..... Bom hoje em dia e porque tocou a rebate ao "sistema financeiro" (eufemismo de agiotagem) todos acertaram agulhas e pagam-se de serviços e até inventaram outros, que são claramente metodologias de funcionamento e deviam e foram sempre consideradas, despesas de exploração. Mas actualmente com a permissão do Banco de Portugal, são debitadas aos clientes. Já todos fomos assaltados por coisas como comissão de descoberto, despesas de manutenção de conta...Etc... Etc..... Uma vergonha....
E a EDP..... A maior Empresa industrial portuguesa? Maior em volume dos lucros e património e quantidade de funcionários. Porque em matéria de qualidade e rigor de serviço prestado, estamos conversados. Ainda hoje fui confrontado com mais uma arbitrariedade, desta companhia que diz de si mesma ser a maior a nível Nacional. É a tal que distribui aos seus gestores de topo, valores rigorosamente obscenos no exacto momento em que o governo decide ir-nos aos vencimentos e pôr tudo de gatas para cumprir as metas do déficit público.... Os milhões e milhões de €uros para premiar as gestões "sublimes" destes senhores, daria por certo para aliviar um pouco a tenaz...... E ainda que o não fosse! Seria sempre mais decente.... 
Meus caros leitores e amigos:
- Há uma palavra do léxico de todas as línguas vivas ou extintas, que sempre foi maldita. Todas as formas de poder e de domínio cultural a tornaram quase diabólica, (e as culturas que não possuíam diabo, inventaram-no para o efeito), deselegante e agreste..... É o termo: NÃO.....
Usemos pois o: NÃO.... NÃO a estas companhias de roubo organizado..... 
Tão cedo quanto haja alternativa, ponha-mo-las com dono!!!!!  Até que aprendam!
Gostava de saber se, por exemplo a EDP, agora que pode vender energia aos Espanhois o faz como faz conosco? 
Ou se a CGD, enterrou dinheiro no BPP ao mesmo juro a que nos emprestou para comprarmos uma casinha?
NÃO, MEUS AMIGOS. NÃO, é a palavra mais importante em qualquer língua...
Perguntem aos poetas, que são os verdadeiros zeladores do peso das palavras......

                     António Capucha


      Vila Franca de Xira, Março de 2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

LET THE SUNSHINE IN….

Esplanada da casa de Peniche
Dantes o Sol, era entre outras coisas, uma grande chatice que só se ultrapassava com doses astronómicas de cervejas, sem que fique perfeitamente claro, se era por causa do calor deste, ou se era pelo prazer da bebida.
Hoje, vedado que está o recurso à cevada fermentada e outros refrescos, tornei-me adorador do Sol…. Não por motivos religiosos, ou políticos, isto é: não por ele ser tido como o Astro Rei, e eu numa real dependência dele, seu súbdito, incondicional, nem consumidor da Chicha: a cerveja Inca para quem o Sol era Deus…. Andavam bem mais perto da verdade, que por exemplo os seus invasores e conquistadores, A recém-tida-e-havida Espanha Católica….
Seja lá pelo que for, a verdade é que consumo tanto quanto posso, das delicias do ardor da pele da cara e dos olhos fechados em contemplação interior e do quentinho temperado pela suave aragem que ulula no pinheiro maneta e na alta aroucária á entrada junto à cancela de ferro, pintada a vermelho Ferrari.
Os olhos fechados devem-se a que não consigo suportar  a luz do dia e ajuda a dormitar, que é o excelente complemento ao conforto e prazer que por volta deste mês, todos os anos, a season trás…. São os primeiros fins de semana do ano em que o Sol passa por cima das ramadas do pinheiro e banham durante quase todo o dia a esplanada frente à casa de Peniche….. Tendo todo o jardim nos ouvidos, os olhos efectivamente são só para fechar, que para o resto são um sentido excessivo para estender a ponte entre mim e o que sei de cor e salteado estar ali à volta. Nem o cheiro se distrai da caldeirada que apura na cozinha…. Os primeiros banhos de Sol do ano são uma liturgia que não dispenso….. O restante Inverno dá-me duas horitas diárias de calor quando o frio, o vento e a chuva o permitem….. Mas assim até fartar, só mesmo a partir de meio de Fevereiro…. No Verão, isto é impossível é insuportável, mas agora e nos restantes meses até Junho é puro prazer. Que agora que está descoberto, não dispensamos, eu a minha mulher e os cães…. Tudo a ver quem mais “lagarta”…..
È naturalmente pecado…. E qual é ele? Segundo os entendidos nestas coisas de roubar aos outros os prazeres, é o da preguiça. Pois se o é, que seja…… E eu ralado…..
Será preciso bem mais que isso para perturbar o usufruto deste maná que tal como o sexo são os únicos prazeres ao alcance dos pobres e deserdados da vida….
O resto é conversa fiada…. O chocolate, por exemplo, o seu lóbie diz e assevera ser melhor que sexo, e tal como este há-o de todos os géneros e sabores….
Um e outro, podem ser comprados, só que desse modo um fica legitimamente nosso e o outro ao invés nunca o será…..
Por outro lado se for roubado, invertem-se os dados, o que era legitimamente nosso passa a ser impropriamente nosso e o outro é legitimado….
Para que ambos estejam em consonância só dados por um terceiro….Isto é: Alguém tem que o dar, nem um nem outro se dão a si próprios….
Pelo contrário o Sol dá-se a si mesmo…. Entrega-se a quem o quiser e souber aproveitar sempre que assoma por entre as nuvens, ou de Céu às escancaras….
É isso que o torna o afrodisíaco mais popular….. E é simultaneamente a melhor forma de estabelecer a ponte entre nós e a natureza de que fazemos parte e de que nos temos afastado sem remissão, e orgulhosamente, sem remorsos….
Usemo-lo….. Cantemos irmãos:  
- LET THE SUNSHINE
  LET THE SUNSHINE IN….

                           António Capucha

        Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PPD-PSD


O PSD, parece um grupo de reflexão e intervenção social e sexual dos anjos SARL, de paroquianos , duma paróquia do Interior obscuro....O que vem a ser isso de contrato verbal de trabalho???? Os simpáticos leigos estarão à espera que o patronato possa usufruir dos incentivos legais para a criação de emprego, com base no "trinta e um de boca"?????Ou que por ser verbal, é como se não existisse e portanto acabar com ele é o mais fácil.... Uma vez que antes de começar já terá acabado.... Contratoalmente falando.... Claro...
Os senhores não param de inventar..... Já tinham inventado a oposição apoiante! O estar contra, vociferar cobras e bichos e votar ao contrário.... Ah .... 'Tá bem.... É alto sentido de responsabilidade.... É no interesse Nacional..... Pois.... Morde aqui a ver se eu deixo!?!?!?
Não é porque os senhores não querem arriscar ser governo no estado em que as coisas estão e sem qualquer hipótese de as alterar  porque as políticas que podem efectivamente alterar este rumo das coisas, não está ao alcance deste ou de qualquer governo que se viesse a formar. (Não!?!?!?.... Não!?!?....) Muito menos a aturar as trapalhadas do inefável Presidente da República, o único Presidente que terá casado e dorme na mesma cama que os propalados "mercados", um amor antigo, não os da Ribeira ou do Bulhão .... Mas os internacionais.... Aqueles que podem mais .... (Para rimar, que não para bater certo). Portanto que sejam outros: O PS, a fazer as despesas da corrida.... Que é o mesmo que dizer.: fazer figuras tristes.... Figura d'urso.....
Ou estou muito confundido, ou há aqui uma séria de equívocos cruzados, de nós pouco complexos, mas muitos, o que os torna dificeis de desatar.....
Dispensávamos portanto o disparate!!!!
Tenham lá paciência e segurem lá os vossos cavalos que ao cheirar a palha já aqui tão perto, escoicinham como pilecas histéricas.....

                António Capucha

Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011


Gracinha bonita


Imagem de: ventonortept.blogspot.com

Da primeira vez, quase não deu conta. Teve apenas a sensação de ter acordado de um sono profundo, com a vaga percepção de que tinha alguma coisa por entre as suas pernas ao nível do pi-pi…. Qualquer coisa que mexia de uma forma que ela não sabe explicar, mas que sentia dentro de si…. E criava uma incomodidade e confusão ao seu estado letárgico…. Acordou com a cabeça em desalinho, e percebeu um movimento ao seu lado de uma sombra que se esgueirava por entre as camas adjacentes…. Sentia-se suja e um desconforto que não sabia explicar fê-la chorar baixinho…. Esteve um bom par de horas acordada sem se atrever a mexer, os braços ao longo do corpo e os olhos no tecto de madeira pintada de branco e a reprimir a vontade de fazer có-có….
A bênção da manhã irrompeu pela camarata através da grande janela que ficava no topo da grande sala. Deixou-se ficar um pouco mais para que as suas amigas não vissem as roupas íntimas que haviam de estar sujas mais a camisa de dormir que tinha o seu nome bordado: Graça!!!!. Quando a primeira vaga de raparigas já se estava a vestir e a casa de banho começou a ficar desocupada, levantou-se de um salto e de soslaio mirou os lençóis, não estavam sujos, teria sonhado???? Foi para a casa de banho. Então fechou-se num “cabinete” com sanita e bidé e tirou as cuecas que estavam coladas aos parcos cabelitos pélvicos dos seus doze anos. Que raio de coisa seria aquela???? O rabito ardia-lhe um pouco mas não conseguia fazer có-có…. Lavou-se furiosamente, se tivesse uma escova usava-a…. A tal ponto se sentia, que queria lavar-se até à Alma esfregava-se quase até sangrar e aquela sensação de sujidade não passava… As lágrimas assomaram-lhe aos olhos… Chorava sem saber porquê e do que chorava ela, uma parte do seu cérebro projectava um manto negro e recusava-se a saber o que era aquilo…. Enxugou as lágrimas, vestiu cuecas lavadas, saiu para a área dos lavatórios, lavou os dentes e chapinhou água abundante sobre a cara até salpicar a camisola interior branca que cobria os seus incipientes seios….
Foi dali com as outras para a forma de onde iam ordeiramente para o refeitório para o pequeno-almoço…. Esforçou-se por tagarelar como sempre fazia, não fossem as outras perceber que havia seja o que for. A verdade é que uma sensação de vergonha vinda não sabe de onde e porquê, confundia-lhe o espírito juntamente com a sensação de estar suja…. Que não passava….
O dia de aulas correu aparentemente como sempre corria…. No seu ritual de campainhas e bons dias Sr. Professor…. Menina Graça! Leia o sumário de ontem….
O padre Celso, um ser pequeno e “rebolão” na sua enxúndia que tremelicava a cada passo que dava  por entre as carteiras… Sempre de preto, parecia um pinguim gordo, até no andar…. E quando se debruçava sobre ela, empestava o ar com o seu hálito fétido de papa-hóstias… E devia mastigar alhos crus para aprimorar o cheirete….
À medida que a noite se aproximava um estranho pavor ia tomando conta dela. Disfarçou quanto pôde, para manter a coloquialidade das sua conversas com as suas amigas… Coisas de raparigas…..
Até que a hora de dormir chegou fazendo-se anunciar com a invariável campainha, e as ordens gritadas pela preceptora, uma aluna finalista…. Apagou-se a luz rolou na cana até à sua posição preferida, de lado em posição fectal. E, era como se estivesse no cadafalso à espera da machadada derradeira…. A sua cabeça fervia-lhe, galopavam pensamentos dos mais atrozes, estaria a passar-se? A realidade confundia-se com o sono que não vinha e o sonho que o não era. E então noite alta, sentiu, ou achou que sentiu qualquer coisa a deslizar-lhe por entre os lençóis. Um par de mãos sapudas tocaram-na puxaram-lhe a roupa para baixo e a camisa para cima…. Queria gritar e não saía som nenhum. Um cheiro a alho e azeite empestou o ar que respirava , sentiu na nuca um bafo quente e pesado. Uma dor no rabo, completava o negro quadro. Primeiro aguda, depois pesada e insistente e uma coisa meio dura meio mole ia e vinha…. Ela chorava baixinho sem sons, apenas as lágrimas e uma expressão de profundo sofrimento e os olhos arregalados…. Depois uma torrente de enxúndia emporcalhou tudo. E quando ele tirou aquela coisa, escorreu para as cuecas empapando-as. Sentiu-o sair da cama deslizar por entre as camas e deixou-a em lágrimas nos seus doze anitos…..
Não esperou pela manhã…. Foi para a casa de banho e chorou não tanto da dor, mas da vergonha e de novo aquela sensação de sujidade, de impureza. Ela não conseguia erradicar de si a culpa que sentia…. Pois se era ela e não outra que ali estava suja e culpada!!!! Lavou-se e enxugou as lágrimas. Saiu com o corpo limpo. Apenas a Alma estava negra e sorumbática, e isso começou a ser notado pelas amigas mais próximas…..
Quanto aos ataques nocturnos, continuaram…. “Aprimoraram-se” em criatividades doentias e devaneios sabujos do abusador….Ela, pobre pequena, por seu lado, fingia sempre dormir chorava em silêncio e esperava o fim…. Era a sua forma de não aceitar os acontecimentos.
E fez-se quase adulta assim sem conhecer nem rapazes, muito menos o amor…. A indiferença acabou por substituir o nojo….. E quando deixou a Casa Pia, estava pronta para ser mais uma Alma penada a vaguear pela vida.
E já é esperar muito…. Que referências é que ela tem? Não conheceu pai nem mãe. O abuso sexual ocupa o espaço que devia ser o do êxtase dos sentidos.
FILHOS DE PUTA. Roubaram-lhe a vida…..  

                           António Capucha
 
         Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011   

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O avô Zé Vaz

José Vaz Antunes
O inefável João tabefe, homem façanhudo de bravata fácil, e sorriso pronto, co-fundador da nossa estirpe, conjuntamente com a Capuchinho vermelho, de quem herdamos o nome. Personagem já atrás "blogada", revelou-se com uma aptidão para figura “estórica”  fora do comum, protagonizando inúmeras peripécias que por pouco não mudaram o rumo da grande História. Não sei exactamente porque portas travessas, um seu sobrinho-neto veio a herdar-lhe o jeito de ser, bonacheirão, desbragado e valentão. Quase que sem de tal se dar conta, acaba este, por repetir ao ancestral, a vocação para fazer "Estória" incógnito, ou quase. Pese embora o facto de a História o mais das vezes o ter esquecido, tal como já tinha feito ao seu parente de antanho, por vício de sistema, ou ignorância dos seus autores autorizados. Fica-nos de ambos, valha-nos isso, flamejante, a "Estória" quase sempre mais verdadeira que a oficial.  Porque “ficou escrita no vento” que sempre sopra a “destempo”, quando não completamente contra a corrente oficial…..
Chegou a vez de este último, o sobrinho-neto, saltar para a ribalta....Era apanhador e processador de “sumagre”, uma espécie de acelga ácida, que antes do limão chegar à Europa, era usada desde os romanos para temperar saladas. E não só.... Dela também se extraía um pó vermelho usado em tinturaria, e segundo reza a sabedoria popular, (A voz do povo , é a voz de Deus) ,  esta planta de montanha, tem igualmente, propriedades medicinais…..
O José Vaz Antunes, assim se chamava o nosso herói, Passou a sua infância e adolescência na terra dita dos “sumagreiros”: Tinalhas…. De onde foi arrancado pelo serviço militar. Não se lhe deu acusar o toque. Imperturbável foi industriado nas artes e aprumo militares. E também foi com serenidade que foi mobilizado para a guerra na longínqua França, isto na  anciã, Primeira República Portuguêsa….. (como se escrevia na altura). Não consta que fosse fervoroso republicano, mas monárquico também não o seria, penso.... Destemido era-o por certo. Andou a fintar as balas e canhoadas dos obuses dos Boches, na batalha de LA LYS, onde muitos portugueses deixaram a pele durante a I Grande Guerra Mundial, reeditando o mito do portuguezinho valente e comedor de Castelhanos e mouros ao pequeno almoço. 
Pois o nosso avô, sobrinho-neto do Tabefe, Não se deixando impressionar pelos horrores da guerra, era no entanto rapaz astuto e observador das gentes e suas coisas. E os franceses, que ele nunca vira mais gordos, tinham jeitos e trejeitos diferentes dos seus e formas diversas de fazer coisas, como o vinho por exemplo. E as mulheres não tinham a alma tão cercada pela “burka” do preconceito. O nosso Zé bebeu de ambos…. E aprendeu-lhe o truque dos vinhos e do resto….  E se de uma lhe valeu a argucia de saber entender as coisas que observava.... Da outra, valeu-se da perdição das francesas pelos seus olhos escuros e risonhos....
De tal forma sorveu as diferentes formas de fazer e ser, que quando regressou à Pátria, ganhou o concurso regional de vinhos e  Arranjou noiva.... Nunca mais passou a bola a ninguém….
O truque parece-me agora ter sido o mesmo para ambos: O amor…. Coisa que para ele, era de aplicação comum a mulheres e pelos vistos: ao vinho. Isto porque na fase critica da sua fermentação dormia na adega fazendo amor com o mosto, controlando a sua passagem do açúcar para o álcool. Como um amante controla e doseia o fruir do prazer que "prodigamente" se cede às companheiras …Como é que eu sei disso? É que eu provei o vinho…. E como felizmente conheço o amor, posso dizer que têm um trajecto comum…. É  feito da mesma massa….


      António Vaz Antunes Capucha

Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mário, o canalizador

canalizador

O Mário, era um rapaz vulgar, não era o Super Mário da Nintendo, mas era igualmente canalizador….
E isso que tem? Deve haver pr’aí mais que muitos Mários que são canalizadores de profissão, que não de estado de Alma. O que há de diferente é que com este, passavam-se coisas do “arco da velha” e que faziam dele uma personagem digna de registo….
A sua particularidade era a de parecer ter surripiado aos carroceiros o seu grandiloquente léxico “jargonístico”. Não se tratava de um vulgar asneirento. Era mais um erudito da arte do Jargão, do “praguejismo” e do palavrão mais vernáculo e expressivo…. Ora isso não desdizia da qualidade do seu trabalho. Profissional competente como poucos era naturalmente o chefe da equipe que fazia com o Alberto, o Beto, para os amigos….
….. Chama de dentro do gabinete o patrão, o Sr. Ezequiel:
- Óh Mário, vão depressa à rua do Moinho nª 37, que há lá uma inundação na casa de jantar da freguesa!
É p’ra já Sr. Ezequiel,,,, Óh Beto,,,, pega na trouxa e acompanha-me….
Montam no teço-teco: aqueles carrinhos que não precisam de carta para ser guiados, a ala que se faz tarde.
A D. Lurdes esperava por eles á porta e já tinha fechado a água. Áh…. Obrigada por terem vindo tão depressa… A coisa é ali no andar de cima para a casa de jantar do andar de baixo…. Ora o competente do nosso Mário realizou logo que mais fácil que partir o chão de cima, era rasgar o “estafe” do tecto de baixo…. E assim se fez. A casa era antiga, “Pombalina”, e no princípio do Século vinte, acrescentaram-lhe a canalização e electrificação por dentro dos tabiques recobertos por “estafe”. (Uma mistura de gesso com esparto ou sisal em placas de pouco mais de dois centímetros de espessura).
Rasgado que foi o tecto no ponto em que ainda evidenciava pingo,  o tubo de chumbo roto ficou logo à mostra. E o Beto acende o maçarico de petróleo, e com a barra de estearina e uma tira de chumbo, sobe até ao tubo, o Mário ficou em baixo estivando com os pés o escadote para não deslizar. Soldado o rasgão do tubo e sustido o pingo, repararam o “estafe com um pouco de gesso e voltaram para a oficina.
Lá chegados, estava o Ezequiel de mão na anca e com cara de poucos amigos.
Então oh Mário, que raio de regabofe foi esse que a freguesa telefonou p´raí num despautério…. E que nos ia processar e não pagava…. Que isto não há direito…. Ordinários….. sou uma mulher decente…. Isto é uma casa de gente séria…..
Sei lá, foi o diabo. Ela diz que vocês se fartaram de dizer ordinarices…..
Hó Sr. Ezequiel…. Olhe que não foi nada disso…. Isto foi assim:
- O Beto estava em cima do escadote a soldar o cano…. E eu estava cá em baixo a segurar o escadote. E “apenasmente” disse:
- ÓH BETO…. TEM LÁ MAIS CUIDADO, QUE JÁ ME DEIXASTE CAIR DOIS PINGOS DE SOLDA QUENTE NOS OLHOS!!!!
                      António Capucha

    Vila Franca de Xira, Fevereiro de 2911