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terça-feira, 17 de maio de 2011

Maledicência




Maledicência, é o ruído produzido pelo vozerio daqueles que sabendo-se prejudicados, não sabem no entanto isolar o verdadeiro foco do incómodo e viciam-se em dizer mal de tudo e todos. Claro que esta estirpe não acredita que eles próprios, possam ser motivo de critica....
Nestes últimos tempos temos assistido ao desenrolar dos estandartes do PSD, para a liça que se avizinha. Ainda a cheirar a naftalina, alguns são mais velhos que a Sé de Braga, mas este é recente, porque também surgiu recentemente: As novas Oportunidades..... Toda a casta de malefícios e desvios lhe são imputadas, Mas eu penso que tudo isso, esse tal ruído, não passa de preconceitos academistas herdados do tempo em que éramos um punhado de analfabetos. É famosa a nossa mania dos doutores e engenheiros, e é igualmente evidente, que há sempre pedantes dispostos a manter os muitos outros no analfabetismo envergonhado como sempre o foi .... Quando o que devia, é ter sido uma vergonha Nacional. Esta saudade do obscurantismo não incomoda o PSD e o CDS, que têm liderado a maledicência em relação a esta qualificação pessoal e profissional... Claro que dão-lhe outra voltinha.... Que é quase fraude, destina-se apenas a endireitar estatísticas, que é um sugadouro de dinheiro, etc etc..... Sobre isso pouco sei, mas tenho para mim que qualquer valorização que vá nesse sentido é tão importante que o que possa parecer, ou o custo que tiver, é um investimento no nosso melhor agente económico:AS PESSOAS.
Após esta reflexão resta-me referir que me fizeram chegar um vídeo do You tube, onde isto que acabo de desenvolver é bem reportado. e a figura serena de Soares da Costa é certificado de autenticidade da coisa... A meu ver, este vídeo derrota  o alvoroço histérico dos detractores da iniciativa Novas Oportunidades...
Vejam e decidam depois de se sentirem suficientemente informados, senão acabamos por ser como aquilo que estamos a criticar.... Isto é: Serem coisas feitas em cima do joelho.
António Capucha

Vila Franca de Xira, Maio de 2911

Pinheiro Bravo

caravela portuguesa

A chaga aberta no seu tronco, uma “lascadela” enorme, e com golpes oblíquos descendentes, de ambos os lados, convergentes no eixo do seu corpo, a menos de um metro do chão, e com uma chapa de ferro dobrada em “vê” espetada na parte inferior com o vértice para baixo a colectar as excrescências da frondosa árvore, de onde escorrem as grossas lágrimas de seiva que pastosa e lenta como um glaciar. Não se dá por que escorra, mas escorre, para um pucarinho de barro apoiado por uma tranquinha de madeira espetada na casca do pinheiro, sem o ferir.
O cheiro inconfundível e penetrante da resina (o nome das lágrimas dos pinheiros), começam também elas a ser uma recordação de infância. Primeiro porque já arderam quase todos. E em seu lugar plantam outras árvores, nem sempre autóctones, diga-se…. O pinho está na nossa terra desde sempre e desde muito cedo foi utilizada nas zonas litorais para suster o avanço das dunas… O intuito era o de proteger e criar novas áreas de cultivo. E rezam as crónicas que as nossas Caravelas incorporavam muita da sua madeira, que enquanto verde, se molda com alguma facilidade correspondendo aos caprichos da arquitectura naval, que por sua vez tem que respeitar as leis da hidrodinâmica… Mas não ficava por aqui a contribuição dos pinheiros para a desenvoltura das nossas embarcações. Da chamada resina fazia-se o “Pez”, que em determinado ponto de consistência, embebia um braçado de estopa e calafetava as juntas das pranchas que constituíam os cascos dos navios e lhe conferiam a estanticidade necessária à flutuação, ao mesmo tempo que contribuía para a solidez estrural do conjunto…. Numa outra consistência, bem mais fuida, o pez era usado para pintar toda a madeira, impermeabilizando-a…. O Pinheiro, estava para a construção naval, e a economia desses tempos idos, como o Porco está, ainda hoje, para a culinária: Aproveita-se tudo! Até a caruma!!! Que é nem mais nem menos que as suas folhas em forma de agulhas secas. Eram as acendalhas de então, e os inúmeros “trancos” que iam secando, tombados no chão atapetado de caruma, eram o combustivel dos pobres, chegando mesmo a estar postulado em “Lei”, o Direito das populações a apanha-la…. Por fim, o ambiente que na prevalência dos pinheiros era gerado, pululavam as espécies de caça mais cobiçadas. Sendo que a lei também tinha a mão pesada para os colectores de lenha, que não resistissem ao pular dos coelhitos que havia aos magotes, e que sempre daria para uma família matar a malvada…. Enfim….. Estes tempos de glória e progresso, fizeram-se também de permeio com a miséria da maioria da população… Então como agora, os limites eram extremos…. Os seres privilegiados, nobres de condição os mais deles, enriqueciam despudoradamente sem se importarem com a humilde árvore que lhes deu essa oportunidade de crescer e exercer o poder. E os apanhadores de lenha e caruma, resineiros e os pobres em geral, era vê-los manetas por terem morto um coelhito, na mata Real. Porque se tivesse sido um Gamo….  Não era só a mão, não…Pagava-o com a vida….
Reparem só o que está escrito num pinhal, como a mata Real de Leiria…. Os sossurros do vento nas agulhas dizem coisas, contam coisas, Ai jesus... Valha-me Deus....( poema do Fado dos búzios/Coimbra) O porte altivo dos pinheiros, furando o ar a caminho do Céu, chiando sob a canícula e fazendo estalar as pinhas, seus frutos lenhosos, contam-nos “estórias”, de glória e de morte, de Invernos agrestes, que ajudaram a temperar…. E outras estórias” mais arrepiantes, de bruxas e duendes, de feitiços e “maus olhados”, de lobos e Capuchinhos, de fogos descomunais, Fogo.... Esse bailarino diabólico dos nossos dias....será a factura a pagar por termos sido grandes no passado?  De termos sido navegadores destemidos e hábeis... será???…. Ou será por termos construido também, os melhores navios da época…. E a vela latina para navegar à bolina!!! E porque fomos, seguramente os descobridores de uma nova tecnologia e cultura associada a um conhecimento científico e sistematizado… Que nos tornou os grandes reveladores do Mundo: outro, ao Mundo: este. Que arregalando o olhar lorpa, apenas puderam deixar crescer a inveja e a voracidade rapinante dos corsários... Quiçá, é ainda o mobile desta cruzada rapinante do FMI, da senhora Merkel, Do Pim-Pam -Pum d'ópera bufa do Sarkozy, e outros Bárbaros. A cheirar a after shave....


                                   António Capucha

                     Vila Franca de Xira, Maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bem haja... Santas tardes


Gente doce, há-as aos quilos… Muitas vezes, tal como na fruta, nem sempre o aspecto corresponde aos padrões que nos são impingidos como tal. Na longínqua Tinalhas, quando digo longínqua refiro-me a ambas as distancias: No tempo e no espaço. Como dizia, Tinalhas, aldeia beirã dos meus ancestrais maternos, que não visito vai para mais de cinquenta anos, se calhar porque receio estragar as memórias, o que seria uma pena.
Lembro a fruta pequenina luzidia, saborosa… E a gente linda e doce. Na sua autenticidade…. Mas isso sei-o agora. Ao tempo era impossível saber dos porquês que me lavavam a sentir-me lá tão bem… Não era só a família para quem nós, os netos, éramos o centro do Mundo de permeio com o trabalho ora doméstico, ora rural e onde as relações entre os crescidos não nos despertavam curiosidade nenhuma, porque absolutamente normais e espontâneas… Os maneirismos e hábitos colectivos e tratamentos entre pessoas, eram extensão da inserção individual no diálogo naturalmente permanente com a natureza que sem alarde era uma constante da cultura das comunidades populares do interior.- Já aqui aflorei este assunto no “post”: Manuel, o matador de cobras - A sua religiosidade não era para mim, ainda menino, uma coisa estranha, como era aqui onde cresci… Nada de grandes teologias. Era antes, mais um aspecto da grande, da esmagadora realidade daquelas pessoas, cédula pessoal da sua autenticidade, espontaneidade, bondade intrínseca…. Numa comunidade de sonho como aquela, lembrou-me há tempos o meu primo Zé Tó, era habitual a saudação: Santas tardes, Ou Santas noites…. Como dizemos todos, religiosos e ateus: Adeus, sem pensarmos que nos estamos desse modo a entregar uns aos outros, aos cuidados de Deus… Este cumprimento é conjuntamente com o: Bem haja! Em vez do materialista: Obrigado. (como quem fica obrigado… Em dívida) Uma das pérolas daquele tempo e daquelas terras, distantes como disse. Bem haja é o verdadeiro espírito do Obrigado resultante do usofruto da bondade recíproca. E o mesmo é verdade para a expressão: Santas tardes… Quer intensamente dizer aquilo que inegavelmente parece. E é também expressão da bondade como dado inquestionável da cultura que brota como musgo num muro de pedra…. Granítica… Já se vê….
Pecado e grande digo eu, foi tentar dar significados políticos a estas coisas e valores. Inferir daqui o Deus, Pátria e Autoridade, é abusar…. É violentar esta cultura de ternuras recíprocas…. Que raio faz aqui o termo: Autoridade? Eu que sei do que falo porque vi, ouvi e senti estas coisas digo que: vai aqui tão bem como uma viola num enterro. Como eu odeio estes pequenos e grandes aldrabões….
Desde a longínqua Tinalhas têm sido mais as aldrabices que as razões de júbilo…. Mas enfim homem de bem que julgo me fiz, passo por cima dessas coisas e não me deixo abater assim….
Resisto em nome de Tinalhas, do tio Manel; do tio Zé Vaz; da tia Odete; do tio António Da Avó Rita; do Avô Zé Vaz, da sua égua cor de burro quando foge, do Zé coradinho da camionete, da tia Lenita, da Tamarantonha… Do cão Nero, das galinhas que desancava com flechas de cana…. Sei lá que mais. Muito! O Mundo inteiro coube, sempre coube, naquela pequena aldeia da Beira Baixa….
Juro que é verdade!!!!!
António Capucha
Vila Franca de Xira, Maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Que viva o Teatro

É com prazer sempre renovado que dou expressão, ainda que modestamente, desta forma faço "a minha perninha" num Amor antigo: O TEATRO....

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dona Quixote

Banho literário


Ela era assim, mais ou menos como um D. Quixote, (a quem a literatura de cavalaria deu volta ao miolo), mas ao contrário… Do outro lado…. A sua realidade também derivava directamente da literatura, só que na outra vertente romanesca de Cavalaria. De um lado há o Cavaleiro … E do outro, não a cavalgadura, mas a donzela… Se o Cavaleiro da triste figura, via em tudo demandas de combate pela sua dama… Ela via em quase tudo a quietude frenética de seu ser, agitado objecto de amor, sem saber exactamente que coisa seria essa do amor. Isso e o resto….
O seu universo era um romance de cordel (tipo telenovela), mas erudito - que isto de quem muito lê, “douto” se faz - e de um simples olhar, porque isto de ter os olhos abertos sempre dá para ter de os pousar em qualquer lado, fazer um jogo floral…. De um esgar, em resultado deste empolamento sensorial, um romance de capa cor de rosa de heroínas e vilões…. Naturalmente….
Escrito num guardanapo de papel, peripécias várias em carreirinha descritiva quase infantil, sustêm por assim dizer, a transparência de um coração ardente por quem o outro devia cruzar lanças. Mas qual quê! O outro só de aspecto se assemelhava a um cavaleiro andante …. Os longos cabelos loiros anelados que escorriam pela nuca até aos ombros…. O sorriso trocista e seguro de si…. O metro e oitenta e cinco, acima do solo….. Em tudo um perfeito cavaleiro como o dos livros de folhas cosidas, a linha de cersir, e a cavalo num Barbante, como bacalhau a secar…. Ou um actor de cinema… Ou prosaicamente um rematado malandro….
Comer ou dormir, ciclicamente, desapareciam na voragem da sua literatura que em realidade virtual ia virando…. (Harpejo a propósito)……Acordou, e esticou lânguidamente os membros cada um para onde Deus mandava, e o ventre em fogo e sentindo o suave bafejo do amante no seu pescoço…. Rebolava a pélvis ao ritmo da quietude do personagen que repousava a páginas tantas, do romance pousado na mesa de cabeceira, cuja leitura retomava para encher com um bom vinho de taberna, o copo vazio que eram as sensações que até aí, rasgavam o seu ser….
E “prontos”!!!!! Era mais ou menos assim, dia após dia cada livro servia-lhe um novo e ardente amante….
E tantos foram os dias, que ao deitar se sucediam, despertares subsequentes. Que deste “turbilhão” brotou obviamente um saber literário, como poucos…. E porque não usa-lo…. Sim porque não?
Quilómetros de boa prosa sobre relações entre potenciais amantes, onde está tudo o que deve ser dito…. Mas que já terá sido dito algures numa novela de cavalaria qualquer.
Uma Quixotesca literatura….
A literatura arrebatadora, de sensações fortes, gera mais autores e assim…. Que a vida prosaica, trave mestra do conhecimento.
E deve ser exactamente por isso…. Por ser autêntica e tão prosaica, que dá trabalho encontrar heróis que valham a pena descrever e apresentar…. Que coisa penosa….
  
                                          António Capucha
                            Vila Franca de Xira, Maio de 2011

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cuidado com as imitações....

o astro


Já aqui dei conta da minha intenção claramente expressa de escrever apenas contos, e “estórias” fantásticas ou nem por isso, que me dão muito mais gozo que estar aqui a opinar sobre a realidade pesada, que cobre o manto diáfano da fantasia e que é a triste e enfadonha factualidade destes dias. Mas a verdade é que um blogue também vive disso.
Dito isto, e em esforço cá vamos nós….
Começo a achar que isto da boa, e da má economia é uma falácia… Lá fora, como cá dentro de portas quem vocifera contra o despesismos dos Estados, não protesta apenas contra os desvios destes: Os compadrios ,os institutos, os vícios adquiridos…. Não! Protesta contra o facto de os Estados terem funções em áreas que segundo eles, deviam estar entregues a lei suprema da economia de direita: a lei da oferta e da procura…. Serem objecto de negócio!!!!
Por outro lado a esquerda e o progressismo, sustenta que há matérias que devem ser garantidas pelos Estados, como sejam a Saúde, a Educação e a segurança social, a que se podem juntar sectores tidos como estratégicos da economia como a energia e as comunicações, embora estes, apenas por extensão. Longe portanto da “economia planificada” e total nacionalização dos  meios económicos que era a base das economias soviéticas de antanho e que horrorizam uns e outros…..
O Departamento de economia do Comissariado da EU, bem como do BCE, e sem surpresa pelo FMI, (por ordem: União Europeia; Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional). Ficamos a saber que a EU é partidária da Economia de Mercado (versão de direita da economia). E afadigam-se em fazer a vida negra aos Países que legitimamente optam pelo estado social. Obrigando a um tecto do défice tão baixo, (3%) na zona Euro, estão a dizer claramente que Estado Social é má economia.... Com efeito se o Estado chama a si Um programa de saúde pública universal e tendencialmente gratuita, como a nossa, (por exemplo) está sujeito a maiores deslizes, já que mexe com matérias e bens cujo mercado não pode controlar, ficando desse modo exposto às leis do mercado, que fazem a sua parte de complicar a vida aos governos que o perfilham. E vão conjuntamente com os Burocratas de Bruxelas, apertando a tarraxa, até obrigar os governos a ceder.   
Por sua vez, os Estados, nem sempre bem geridos, diga.se, vão-se deixando cair na teia das dívidas soberanas, na presunção que a nacionalidade está acima destas coisas….. E a verdade é que estava…. Mas a pouco e pouco a dívida vai-se transformando em fraqueza e a fraqueza vai-se traduzindo em submissão…. E isto é um negócio da China, a dívida cresce sempre exponencialmente, e a mesma, nunca estará cobrada..... Não existe autoridade que vede a usura destas gentes.... 
Aqui o espírito de partilha das dificuldades que devia ser o de uma união económica e política, sugere que se devam aplicar sistemas de ajuda, sem por em causa as legítimas opções dos Estados.... Mas não! Como se deixa ver os ricos, novos ricos e empregados do sistema, o que fazem é pressionar os governos a abandonar as medidas base do Estado Social. Deixam cair os mais débeis, para proteger os indíces dos seus crescimentos, económico claro. Se isto é uma União de Estados, eu vou ali já venho!!!! 
Tem a meu ver razão, Mário Soares, quando diz que nada disto teria acontecido com lideres capazes e determinados na Europa… Mas onde é que eles andam? O presidente da comissão Europeia: Durão Barroso é como se sabe de uma firmeza ideológica que disputa a consistência à nãnha. E os Chefes de Estados membros e os Primeiro Ministros são cada vez mais eleitos segundo metodologias que cada vez mais, têm menos a ver com as capacidades políticas ou de gestão…. E cada vez mais a ver com markting político, pago pelos senhores da alta finança internacional, não passam portanto de "empregados" do sistema financeiro internacional….
Posso com alguma segurança dizer que afinal não há uma economia boa e uma má…. O que há, é o que sempre houve: Uma direita política, sedenta de lucro e uma esquerda, obstinada em travar essa exploração ignomíniosa…
Só assim é possível que a finança esteja a tomar o lugar dos políticos…. É hoje frequente a imprensa escolher presidentes de Bancos para botar opinião sobre objectivos políticos, ao jeito de dar a voz a quem sabe destas coisas….. 
Face a isto que fazer? Abandonar-mo-nos à forte maré de Direita????? 
Ora, digo eu… A solução está nas nossas mãos! Os presidentes dos bancos, não podemos escolher, mas os políticos sim. Basta escolhê-los bem…. E eles andam aí é só abrir a pestana, pessoal….. Não vejam apenas à superficie…. Aliás….. Desconfiem mesmo, de quem apresenta uma pelagem certinha, penteada luzidia…..  Tipo: Personagem de telenovela…… Desconfiem, minha gente…. É cada vez mais dramático que nos enganemos…. Espalhem a noticia!!!!!


                         António Capucha

           Vila Franca de Xira, Maio de 2011
  

terça-feira, 3 de maio de 2011

Terrorismos II


Facínoras do pior
 Lá por ter escrito ontem que o Mundo fica melhor sem o Bin Laden, isso não quer dizer que rejubile desvairadamente com a sua morte.
É de crer que o seu desaparecimento a médio prazo venha a resultar no decréscimo de acções terroristas contra o grande Satâm e quem o apoia. Os satélites do costume....
Não tardará no entanto muito, para que seja eleito outro "facínora do pior", porque à máquina "caça fantasmas", não chegam os exercícios para se manter operacional.... precisa de "carniça"... Nos breves momentos de pausa em que estão a "afiar a moca" aposto que não vão dar uma folgazinha ao pessoal, na segurança dos aeroportos, nem aos cidadãos de má catadura por serem oriundos de onde não deviam ser. O Mundo com a psicose da segurança, que levou aos extremos que todos sabemos é tão feio como o Mundo com a perspectiva de ataque da Al Quaeda.... Isto claro, com as devidas distâncias. 
A Humanidade não pode nunca admitir, seja a que título for, o ataque às torres gémeas, em N. Y, ou o ataque ao comboio operário de Madrid.(falo destes porque são os mais falados e conhecidos) E aqui, junto ao coro universal, a minha fraca voz, convicta e sem hesitações.... E a mesma razão que me leva a isso, leva-me também ao comedimento de não festejar a morte do Bin Laden....  Quem exuberantemente festeja a sua morte são os mesmos que para se sentirem seguros aplaudem esta espécie de Estado de sitio em que a convivência das nações esta a cair.... Entre as Nações malditas e as boazinhas, há mesmo muito a esclarecer antes de assim as baptizar..... Isto está de tal forma que até a Rússia, em relação a algumas das antigas Repúblicas Soviéticas, abana com a cabeça que sim, para que estes movimentos, aliás verdadeiramente criminosos, sejam mantidos com o estatuto internacional de terroristas.... Porque sobejamente sabemos, que não seria esse facto que os impediria, à ONU e à comunidade internacional, de apoiar os independentistas, em vez de os condenar
Entre linhas, deixei ontem no "post" , e veladamente, a ideia de que a paranoia da segurança deu oportunidade  a alguns países tiranetes, que têm a distinta lata de em pleno Século XXI,obrigarem largas comunidades ao seu domínio, e assim darem origem a justíssimas e longas lutas pela independência das suas Pátrias.... Refiro-me naturalmente à Espanha e à Inglaterra.... A Espanha sofreu a agressão violenta e descabida na sua carne, e aproveita este caldinho de emoções, para intensificar e diabolizar a ETA... (parece que ainda estou a ouvir o energúmeno do Aznar após o atentado). Esta gente ou não sabe História ou está a confundir a beira da estrada com a estrada da Beira. Ou então querem que todos o confundamos...
E a Inglaterra, ocupa o Ulster à sombra da mesmíssima política de canhoeira do Século XVIII. Para melhor confundir as coisas trataram de, com muito trabalhinho de sapa dos gabinetes de Imprensa, levar este conflito ao Mundo, servido de bandeja como um conflito entre católicos e Protestantes. Que Nação mais cínica..... Trata-se de colonialismo do pior, sendo que, quer a Irlanda quer a Inglaterra são membros da UE, (União Europeia)cuja engole o sapo e aguenta. E é por essa e por outras, que acabará por vir a ser apenas uma união monetária, e apenas isso, numa enorme corporação liderada pelos Estados Unidos... Já há sinais disso.... Ou o que é que julgam que é esta crise das dívidas soberanas? Serve exactamente para apartar os que irão cair no futuro...A Europa da grande História Universal.... Isso não vale nada.... Não vende Hamburguer's... Talvez se safe a Irlanda porque senão os policias de Nova Yorque, fazem greve e os Bin Laden's de então, fazem lá ninho.....
Voltemos à Inglaterra.... Esta Pátria bendita tem também um enclave em Espanha: Gibraltar..... E a Espanha também é da UE, como sabemos. Faz-me confusão como é que conseguem fazer aos Bascos, agora até com alguma engenharia jurídica, Pouco falta para aplicar o preceito fascista de negar-lhes o poderem organizar-se politicamente.... O engenheiro desta obra jurídica foi o famoso juiz Baltasar Garzóm, que depois do brilharete de processar o ditador chileno: Pinochet, pelas atrocidades cometidas contra a humanidade, borrou a pintura toda, com esta obra a roçar o Fascismo, da ilegalização da ETA. Com ferros matas, com ferros morres!!!O Juiz foi processado pelos fascistas remanescentes, gente do pior, e deixado cair pelos usufrutuários das suas anteriores démarches,  o PSOE e o PP tiraram-lhe o tapete... E ele acabou demitido e em colisão com a magistratura, zangado com o Mundo e petulante como sempre....
Um Professor Norte Americano disse que as pessoas actualmente, sofrem sobretudo de gordura mental, naturalmente por falta de exercício.... O que leva à falta de critério necessário para não sermos vitimas destes hamburguer's, que a nossa comunicação social faz o favor de nos servir com tamanha desenvoltura e volume que acaba por nos intoxicar.....
Fica pois aqui a minha modesta e talvez confusa contribuição, para desintoxicar o pessoal....
Eu pelo menos fico.....
Eu comecei a falar do quê?????
               
                           António Capucha

             Vila Franca de Xira, Maio de2011


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Terrorismos

Osama Bin Ladem

Somos em boa medida, aquilo que as vivências e ambientes, sociais e outros, cultivados ou espontâneos, fazem de nós.
Quando eu estava na idade de absorver toda essa informação e formar opiniões e tendências que haviam de se manter para o resto da vida, eram então os anos sessenta, do século passado e nesse tempo: “Terrorista”, era para o regímen de então neste País, de “Deus, Pátria e autoridade”, tudo o que mexia ou fazia mexer as coisas, para além dos Oligarcas Reinantes. De modos que, quem se lhes opunha consequentemente, em acções ditas de terrorismo, quer elas tivessem a ver com libertação dos povos, ou qualquer outra forma justificada, pela História, ou pela justiça da sua luta, tinham esse anátema. Pelo contrário estes “terrorismos” tinham o respeito da história e do Direito internacional.
Eram tidos como legítimos, sobretudo a nível internacional, por exemplo: Os movimentos baptizados de terroristas das Colónias Portuguesas. O exercito Irlandês pela independência do Ulster, (o IRA). A ETA que lutava e luta pela independência do país Basco…. E outras…. Como a FRETILIM, que apadrinhámos, e bem, quando passamos a ter como potência ocupante de Timor, a Indonésia, mas que enquanto lutou contra o ocupante Portugal foi considerado pela ONU e por nós, movimento terrorista…. Aliás esta dicotomia era geral, os países colonizadores, ou simplesmente ocupantes, ou mais simplesmente ainda, com interesses territorial e/ou económicos, acoitados nas suas organizações internacionais, chamavam-lhes terroristas, e estes, o mais das vezes cheios de razão, diziam de si mesmos serem movimentos de libertação…..
O que é que eu quero dizer com isto? Quero dizer, que no essencial nada mudou, a não ser o facto de estarmos num Mundo globalizado e com um polícia único.  E um sentido único, igualmente na ideologia oficial, que se quer igualmente única, para todos os povos e regiões passando por cima da influência que as diferentes religiões trazem às suas áreas de implantação….. Ora isso não cola!!! E é, como se tem visto, geradora de conflitos, um pouco por todo o lado e nem sempre facilmente controláveis.
Numa tentativa de controlar este enorme potencial de conflito, a ideologia oficial resolve intensificar a diabolização dos movimentos de libertação, ou terroristas, como se quiser, estabelecendo assim como que uma enorme cruzada dos dias de hoje, contra a diferença, e pela integração na ordem global.
Como aliás nunca deixou de ser. Só que, e como já disse, tempos houve em que era possível expressar opinião contrária, ou nem tanto, porque luta armada é luta armada: Há mortes, há atentados e também desvios. É ténue a fronteira entre a luta armada pelas legítimas razões, e o vulgar crime de roubo ou assassinato….. Isto nunca foi fácil ou aceite sem reservas…. Como não o é agora, mas agora dá-se o contrário: De um modo geral os média acéfalamente aceitam sem contraditório este absurdo de meter tudo dentro do mesmo saco, ou porque são novos e nunca respiraram outros ares…. Ou porque são incultos, ou pouco curiosos da nossa História colectiva. (ainda há bem pouco tempo caí do espanto abaixo porque encontrei apenas uma referência na wikipédia a Vassilos Vassilicos e ao seu livro “Z a orgia do poder”) Ajudará no entanto se tivermos em linha de conta que a esmagadora maioria dos legitíssimos países hoje existentes, teve na sua génese, mais remota ou mais recente, uma acção de duvidosa justeza…. E a História não pára aqui….. Muitos mais crimes e roubos vão continuar a enformar a comunidade internacional. Mas a civilização e os seus valores essenciais, cria normas e tribunais para suster os excessos. Mas por exemplo o tribunal de Haia, para julgar crimes de guerra contra a humanidade, trás já agarrado ao rabo o vírus que o desvirtua. Este Tribunal não pode imputar crimes de guerra aos militares Norte Americanos em missão de “libertação”…. Isto é válido para a guerra dos Balcãs, da Bósnia do Iraque e qualquer outra guerra que os Estados Unidos façam ou venham a fazer….Batota …..… Não será assim???…..  Como se vê descaradamente também os senhores juízes alinham nesta perversão, e com toda a lata do Mundo até já condenaram uns quantos interpretes de atrocidades, por acaso bons rapazes sim senhor!!!
Escrevo estas linhas no dia em que foi divulgada a morte de Osama Bin Laden…. Que não lutava pela independência de coisa nenhuma, que eu saiba, ele e quem executa as acções, saberão porquê, se é que sabem…. O que se sabe é que as suas acções são extremamente violentas e sangrentas e estas sim de terrorismo, porque se exercem sobre a população civil… Por muito justas que as razões fossem, perderiam toda a credibilidade dada a desnecessária violência vingativa dos atentados.  O outro lado desta moeda é por exemplo o estado de Israel, que considera terrorismo uma acção contra militares por parte das organizações palestinianas.
Eu rapaz dos anos sessenta, que não acho que o “terrorismo”, como eles dizem, um crime comum. Acho e declaro que o mundo fica melhor, mais seguro e o céu mais azul sem esta personagem misteriosa…. E para ficar melhor só custou a sua vida que aliás nos era devida…..

                       António Capucha
                
         Vila Franca de Xira, Maio de 2011

Viva o 1º de Maio

                                                       1º de Maio de 1974
Jornada inesquecível. Que segui pela RTP1, no dia em que vim com os meus camaradas do RI5 - Caldas da Rainha - Ocupar, eles o forte de Peniche, cheio até aos gorgomilos de "pides", e eu mais cinco açorianos ficámos a tomar conta da sede da PIDE de Peniche..... Faz precisamente hoje, trinta e sete anos....

                        António Capucha

                   Penichae, Maio de 2011

Chapéus há muitos palermas - Pontuar como entender.

Chapéus há muitos

                                                                                    

No dia que hoje é hoje, um assunto da máxima importância tomou conta dos nossos cuidados colectivos. Sobretudo a população feminina, por um dia ganha folga da preocupação diária de pôr comida em cima da mesa para alimentar a prole… Na mercearia, na pastelaria, no café e de janela a janela, ecoa a pergunta do dia: Áh Felismina. Óh Adelaide. Óh Estrudes …. Então “vistes” como ia a noiva?
Ia linda, não ia?
As estações de Tv, também não se podiam ver… Os respectivos estados maiores das informações com o apoio de umas aves, que antes fossem canoras, especialistas em etiqueta e formados/as em realeza Britânica, que é o mais importante destas coisas. Simplesmente ridículo….. Para não dizer amoral….A quantidade de abéculas que estava em Londres para dizer aquilo que todos estávamos a ver….  E com o apoio de especialistas, como já disse.
Isto tudo para satisfazer a curiosidade do mulherio, que, a fazer fé naquilo que testemunhei, apenas queriam saber como é que ia a noiva… Provavelmente para secretas comparações com as fatiotas dos nossos republicanos plebeus, e nem sempre probos, como também cabe aqui dizer…. Foi bom para as compras que fui fazer porque estando as abanadoras de nádegas, ocupadas com o traje da criatura, despachei-me muito mais depressa…
O bom q’uisto tem, é que é um dia a menos para a crise. Já que em luta por mediatismo perde, evidentemente perde, para o chapéu da princesa… E é bem feita!!!!
Já agora…. Tróica, não é uma espécie de trenó Russo puxada por três cavalos?
E assim sendo, estes anibais que cá estão, são trenós, tornedós, ou simplesmente os cavalos da coisa?
Vêm porque é que o chapéu da menina ganha?
É que chapéus há muitos…. Mas palermas há muitos mais….         
                                                 Axioma total….  

                                                                                                          
                     António Capucha
  
                 Peniche, Abril de 2011












quarta-feira, 27 de abril de 2011

Flores do mar

Flores do Mar

Gipsofilas…. Gipsofilas, rimará com o quê? Pois em Peniche rima com Chicharro dourado…. Nunca vos passou pelo estreito , não é verdade?
E se forem Estrelícias? Bom aí fia mais fino…. Cheira logo a flor típica da Madeira…. A terra do Soba Alberto João…. Também por cá as temos. Porque clima marítimo é connosco, da mesma forma que com eles é…..  As nossas Estrelicias são então rima de pé quebrado com por exemplo: Badejo, ou Serrajão  que é assim como um Atum rabilho, mas em ponto pequeno….
E que afinidades têm a Tremelga e a Costela de Adão? A Tremelga dá choque e a costela de Adão não! A Costela de Adão dá um fruto extemporâneo parecido com o Ananás, que dizem ser excelente. E a Tremelga nada no fundo do Oceano até ser filada nas redes e então tem vários caminhos, ser seca ao Sol como a Raia, com a qual se assemelha…. Nestes preparos estendida na rede de seca, com golpes do centro para a periferia, não fora a variante da cor e dir-se-ia que era uma folha de Costela de Adão….
Já as Orelhas de Mula, parecidas com o que lhe deu o nome, apenas, um tanto avantajadas e verdes bordejam um canteiro fronteiro ao que tenho na frente, mas sobressaem pela sua opulência, como os Meros que patrulham o seu território de caça como se fossem donos do Oceano e se tornam notados pela sua majestática pose…
As Espadas que em Peniche mudam de sexo, confundem-se, estas já pelo nome, com os Gladíolos….  Que suponho tenham ido buscar o seu nome ao Gládio, a espada dos romanos….  E em verdade, em verdade vos digo, que não há Penichense digno de o ser, que não diga: A Espada quando se refere aquele peixe divino, prateado, esguio e comprido como uma espada…. E não como um espada…. Certo? Depois as miríedes de flores miúdas e belas, cheirosas como as Malva Rosas, as serigaitas das Sardinheiras , os brincos de Princesa – que nas tascas são outra coisa – As Rosas de mil cores e fragâncias …. São do Jardim como de mil cores e sabores são os peixes de cardume…. Aos centos …. Aos milhares nesta terra bendita que é terra e Mar ao mesmo tempo E que na minha cabeça se confundem…. Estar em Peniche é ter tudo isto ao alcance da mão….
Quando saio a porta de casa, tão depressa vou ao Mar buscar limões…. Como vou colher uma folha da Betadine, para derramar a sua seiva ocre numa ferida recente…. Assim tratada, arde como um raio um par de horas, mas no dia seguinte está seca, com uma bela crosta e a cicratização é irreversível.  Ou no jardim lanço largo e vou apanhar uns Percebes….
Percebem? 

                    
                                         António Capucha

                                     Peniche, Abril de 2011



segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril...Sempre



O dia em que foi instituída a esperança que não morre..... E as palavras, com memória, mas de um só sentido: O futuro....


                 António Capucha


   Vila Franca de Xira, Abril de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A marmota e os feijões

Comida levezinha


Quando foi dado o sinal de partida, a pescadinha, dita marmota, lançou-se para a frente a nadar furiosamente, tal era a gana e o empenho que, habituada que estava a perseguir outros peixes, digamos que a perseguir, rabos de outros peixes, só quando o abocanhou deu conta de que afinal corria atrás do próprio rabo. Foi ao abocanha-lo, como se disse, que sentiu um arrepio pela espinha acima… Ora, o que é que levará um bom e delicado peixe, com a cauda enfronhado na sua própria dentuça? Mistérios da natureza? Não! Culinária meus senhores culinária…. Uma arte desenvolvida pelo Homem… Melhor, pelo ser humano quando decidiu fazer de si um ser sofisticado e maneirista… Mas isso é coisa que não se deve generalizar porque alguns há que persistem em manter-se denodados lambões que à cautela, em vez do debicar moderado e educado (maneirista) dos cultores da Culinária… E á degustação preferem  uma “comangada” à fartazana….
Aos lambões, como o João Tabefe, fervorosos seguidores da doutrina da “Tripa forra”. Fé inquebrantável no prato cheio, várias vezes, até ao êxtase místico da “mula cheia”. Esta coisa da Pescadinha aleijada, contorcida como um camarão, cuja não é Alta cozinha. É cozinha popular e também não é dietética, trata-se de um frito e é o mesmo que, pouco mais que nada, para a voracidade destes armários com pernas e uma cuba de fermentação de migas que manda “ventarolas”. A quem esta pescadinha pouco diz… Era muita “mão d’obra” levar quanto bastasse pela goela abaixo, sem se engasgar com uma espinha. Isto para além de por muito corredora e caçadora que ela fosse…. Nunca foi vista a puxar carroça…..
Felizmente, naquela época era pouco frequente o primor “maricas” de Alta Cozinha. Não havia portanto razões para quem assim como o Tabefe fosse, daí sobrasse alguma vergonha, ou descriminado fosse, por essa razão….   
Hoje em dia é bem mais difícil passar por decente nestes preparos glutões…. Numa manobra oportunista, e demagógica já terá surgido por hipótese, cortar a assistência pelo Serviço Nacional de Saúde às doenças derivadas das comangas inopinadas e não normalizadas ou fornecidas por Chefes ou nutricionistas… Para ajuizar da perda desse direito, serão criados tribunais colectivos contituídos por um Juiz de direito Um chefe de cozinha maneirinho, uma nutricionista vesga e a D. Arlete, uma enfastiada de merda…
Ainda por cima, a tal imodestamente chamada “Alta cozinha”, não prova ser mais equilibrada que qualquer “farta brutos”…. É mesmo só peneiras…. Eles bem se esmifram, na imprensa coquete, por tentar passar por boa, as cozinhas de chefes. Internacionais que por seu lado se esmifram igualmente em criações siderais e ligações espantosas, e o que lhes vale é que as suas invenções nunca se irão massificar e por essa, que não outra razão, estranhamente, o negócio vai de vento em popa porque apenas é necessário que fique bem na fotografia… Quanto á freguesia, essa está garantida enquanto houverem novos ricos ton-tons e sedentos de algo que lhes confira assim como que uma certa aristocracia…. E para tal nada melhor que fazer coisas que apenas as elites fazem… 
O nosso amigo Tabefe, meu avoengo que conjuntamente com a Capuchinho Vermelho, terá dado origem à estirpe de Capuchas vermelhos, - conforme foi blogado no “ post”: “As aventuras do insuspeito João Tabefe….“ - Que não era homem para se deixar intimidar por essas estratégias que promovem aquelas comidinhas de nomes amaricados, em detrimento dos substanciais pratos tradicionais cujos nomes se dizem com a mesma facilidade com que se deixam comer… Seja por essa razão ou por outra qualquer coincidência, eu, seu descendente, brandimdo a colher de pau, contra os tachos só me saem coisas levezinhas, razão pela qual granjeei fama e proveito de cozinheiro de mão cheia E não um “unhas de fome” com a mania de atirar p’ro fino. Mas atenção…. Noutras finuras e aguçamentos… Peço meças ao mais pintado…
                 

                                António Capucha

                Vila Franca de Xira, Abril de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

IPL. E eu à rasca...

IPL Peniche

Quantas vezes, sentado numa rocha junto à falésia do Cabo Carvoeiro em Peniche, algures entre a “Cruz dos Remédios” e a “Varanda de Pilatos”, nos Meses da Primavera entrando pelo verão até Agosto, que é quando o Sol se põe entre a “Berlenga” e o Oceano imenso à sua esquerda, ido da “Nau dos Corvos”. Sendo que Em Junho, e visto o espectáculo do meu pouso de vigilante da ordem das coisas: O promontório Norte do maciço do Cabo, o astro rei, pousa devagarinho no horizonte mesmo por detrás do farol da Berlenga Grande….  
Com o rigor da métrica de um poema todos estes pormenores estão gravados em mim de forma indelével, a fogo. E sempre que o recordo, a sensação de paz de espírito de deixa andar, tão agradável, toma-me de assalto. E eu deixo, claro….
Que saudades de quando estava ali em cima, a casa virada ao mar…. Nem era preciso olhar pela janela …. O próprio ritmo das rotinas diárias me dizia que faltava pouco para o pôr do Sol…. E lá ia eu como que hipnotizado….O mergulho do Deus Rá no Mar, dia a dia um pouco, um tudo nada, mais à direita. Sempre igual e sempre diferente… Dias houve em que jurava ter ouvido o “Tssshhh”, do ferro em brasa a mergulhar na água, a que nem faltava a libertação de vapor sob a forma de nuvens entre o rosa e o laranja…. E quando era caso disso, alguns rolos de negrume por cima de tudo isto. Que coisa magnifica….. Que espectáculo sublime…. Gratuito…
Hoje…. Onde estava a casa está a Instituto Politécnico de Leiria, onde um grupo de jovens à rasca, não têm tempo nem paciência para reparar nestas coisas…. Uns a estudar Gestão, outros Biologia Marítima ou Técnologias de Pesca e também Turismo. Sei lá que mais…. Mas sempre à rasca…. Ainda se fosse para que gerações e gerações de jovens encontrasse o seu Norte, eu dava de barato o ter perdido a casinha cosida paredes meias com o palácio real de  Poseidon que depois foi de Neptuno…. E era, até há bem pouco tempo, a República dos meus sentidos…
Para não passarem de “à rasca” qualquer lado enfiado num qualquer beco, lhes servia. E escusavam de me tirar o Sol poente como não há outro…. Há milhares de outros sítios muito mais centrais em Peniche. Muito mais ecessiveis para a estudantada que assim, tem que palmilhar uns bons dois kilómetros e meio até lá acima ao Santuário do Senhor dos Remédios fronteiro e que por muito que o IPL se estique e ponha em bicos dos pés, aquele há-de ser sempre o ex Libris local e o outro a coisa periférica, lateral, acessória…
Por acaso até tenho ideia de como foi feita essa tramóia toda…. Ora, tenho direito a um pouco de má língua, dada a natureza das perdas e danos irreparáveis que sofri…. A delegação do Instituto Politécnico de Leiria ali instalada. Surgiu acoplada aos resquícios de um colégio  ligado à Igreja: “O Colégio Atlântico” falido por gestão danosa.  A diocese de Leiria, lá fez o negócio em família, com o Instituto Politécnico de Leiria…. Este fez obras criou mais uns quantos edifícios e como o terreno é da diocese, ou camarário, é evidente numa das muitas voltas que o mundo dará  e que o Sol se porá, um belo dia deixa de caber ali com dignidade o IPL e fica tudo por junto, e agradecidamente, para a igreja que reeditará um outro colégio que até se poderá chamar “Os Carapaus de corrida”. E eu é que fiquei a berrar e fui escorraçado para a cidade, longe do convívio dos Reis e Deuses com quem privava….
Se acham que isso não é razão????…. Que vale uns quantos rapazolas e mocinhas à rasca, com cara de quem quer ir à casa de Banho….. Com o que deixei para trás….
Contudo os Deuses não me abandonaram de todo…. Estou num sitio bonito com uma Deusa romana: Flora, que na mitologia romana, é uma ninfa das Ilhas Afortunadas. Esposa de Zéfiro( Deus do vento) e Deusa das flores. E como se isso não bastasse tenho vizinhos excelentes…. E eles, os rapazolas, continuam à rasca…..
Flora Deusa das flores
                              António Capucha

                Vila Franca de Xira, Abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

José Mário Branco - FMI 1982

Ver até ao fim. Curtam à ganância.Se os pelos se eriçarem tanto melhor

Quer’outriii

Família cigana

Uma mulher com um menino pela mão, presume-se que seu filho, entra pelo restaurante “O Tanque” junto ao tanque das lavadeiras na Bica do Chinelo, pequeno largo na saída Oeste da cidade. Fronteiro fica às Terças e Sextas de manhã o mercado dito dos ciganos, pois são dessa etnia a maioria dos vendedores….. A senhora na austeridade das suas vestes negras até aos pés, de mil e um saiotes e aventais pediu uma sandes de fiambre pois estava em  jejum, e um galão, para aquecer o estômago.
Ali perto uma velhota numa mesa, debicava bolinhos secos, uns quatro ou cinco, num pratinho de sobremesa.
O pequeno ciganito fixou neste quadro os seus imensos olhos escuros, brilhantes como duas pérolas negras. E que diziam eles? Só faltava babar-se…. Diziam tudo…. A boa da velhota estendeu-lhe o prato e disse-lhe que tirasse um bolo.
A mãe ante este evidência diz no seu jeito cantado:
- Aiiii menino, foi isso q’eu t’ensinei???? O que é que se diz à Senhora!?!?!?
O fedelho baixando os olhos diz:
- Aiiii Quer’ outriiii!!!!!
Ora bom…. Ninguém a mandou perguntar, não é verdade!!!!
Isto vi e ouvi, eu…. E registado ficou….. Penso que a bem das coisas boas e giras que por aí andam, à espera que delas se dê conta. E se faça memória….

                       António Capucha

           Vila Franca de Xira, Abril de 2011 

Ps- Mais um dia a resistir a falar da crise. Espécie de esgoto de suinicultura em que a nossa actualidade politico- financeira se transformou......

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sandrão

Futuro craque da bola: Sandrão
O puto tinha nascido com dois pés e o pai, um taradinho da bola, sempre ouvira os senhores do desporto das rádios e TV’s falarem dos jogadores extraordinários porque tinham dois pés…. Para o progenitor, o Sandrinho,que para a sua mãe era espectável engenheiro hidráulico de olhos azuis, seria o que ele nunca fora, - aquela febre quando era menino, roubou-lhe o poder vir a ser um habilidoso avançado de centro…. O Maradona que se pusesse a pau. Nasceu aquele que o vai destronar. Isto assim dizia o Ernesto, trolha  no Seixal, encostado ao balcão e com a língua já a enrolar-se de tanta “mine” que emborcara para comemorar o nascimento do seu rapaz… Os olhos brilhantes já o viam com a camisola do glorioso jogador peitudo e brigão, perfilado, como uma mola contida, pronta a saltar…. Mentalmente fazia os relatos dos golos do puto maravilha. E vai mais uma “mine”. As “mines” são melhores, porque mais pequenas…. Não têm tempo de aquecer….
Tocou o Té-lé-lé. Áh “Arnesto”. “Atão” parabéns pá!!!! “Tão”…. Está tudo bem? O menino a patroa? Tudo bem? Olha…. Amanhã “nã” venhas trabalhar….
O Ernesto apenas dizia coisas entrecortadas, Sim…. Pois… “Tá” bem… Obrigadinho óh chefe…. Desliga a chamada e o primeiro pensamento foi: É já “amanhim”…. Vou ao estádio da Luz inscreve-lo para sócio…Ainda não é filho de Deus – não está baptizado – mas vai ser primeiro, sócio do Benfica…. Quando fizer vinte e cinco anos já vai receber o emblema d'ouro… E será atleta do clube… Esta antecipação temporal faz-lhe sede…. Vai mais uma “mine”, óh Tonho… enquanto escorria fresca palos gorgomilos, discutia com os seus botões…. A mãe quere-o Sandro…. E isso dá com o quê?
Sandro Eusébio!?!?!? Ou Sandro Mantorras?!?!? Sandro Chalana???? Então o quê?
Tenho que pensar melhor nisso…. Mas amanhã, “quist’hoje” já deu.
O nome é muito importante…. É como os actores de cinema….
“ Tá-se” mesmo a ver não “tá-se…. Um gajo assim Durão : I kill for money… But as you are my friend, i kill for nothing!!! PUM.
E “odespois” o mangas chamar-se p’raí, Manuel Esteves…..
Aqui é a mesma coisa…. ‘Tão a ver um craque da bola marca um “golaço” e diz o locutor:
- GOOOOOOOOLO…. É GOLO DE SANDRINHO….. Tem algum jeito?
Aqui a mulher há-de ter ido buscar esta a uma telenovela….  
Antes de ir à Luz, tenho que ir falar com ela….
Ele há-de ser é: Rodrigão,  Marlom, Oregão ou assim!!!! Estas mulheres!!!!
Calhando o Sandrinho dela, apaixonava-se às Segundas, Quartas e Sextas e sofria ânsias de morte às Terças,  Quintas e aos Sábados chorava no Baile do coxo, que as gajas lhe davam c’os pés…. Ele jogador com dois pés  a levar c’os pés dos quais não precisa de todo….. Tenho que falar c’a mulher…. Ela não está a ver bem a coisa…..
Mas isso é amanhã….. Óh tonho dá aí mais uma “mine”……

                           António Capucha

             Vila Franca de Xira, Abril de 2011

 PS - Não querendo invadir a privacidade do pequeno lampião da foto, aqui ficam as minhas desculpas para algum melindre que sobeje deste facto. 
A identificação da foto é a que segue:
NO BENFICA CONTRA O VIT. GUIMARÃES, FINAL DO TORNEIO DA POVOA DO LANHOSO ... diogopinto10.blogspot.com

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Memorial do blogue

Big bizu em "A Cataplana"
Varanda de pilatos
Eu gostava de vos contar uma “estória” ao jeito de muitas que já vos contei, jocosa heróica Q. B., o mais possível fantasiosa, que não fantástica, que seja uma representação da vida ordinária e vulgar de criaturas simples, ordinárias e vulgares.( o Bilhete de identidade da juventude do meu pai dizia dele, ser um cidadão ordinário…. Era o tempo em que os cidadãos se dividiam em vulgares e transcendentes, especiais de corrida, digo eu…..)
E personagens? Sem dar por isso já vão mais que muitas….. Daqueles contos maiorzinhos: A Cataplana, ou a Verdadeira “Estória” do Atleta, só por si trazem bastantes personas, umas mais gratas que outras, mas não de forma a que as torne em personagens tipo, têm vida e personalidade no âmbito daquelas “estórias” em concreto, mas fora dela não respiram tão forte, como por exemplo o inefável João Tabefe, caçador imérito e avoengo de referência da linhagem Capucha, é um artista e tanto. Outro, o "Nandinho de Campolide". Um “pintas” que resultou da mistura, ou soma não ponderada de uns quantos personagens reais. Cada um com seu predicado mas que têm em comum uma malandrice endémica, daquelas que não sai nem com “sabão macaco”. Muitos estão a pensar que isso de sabão macaco é um recurso estilístico, uma brincadeira de palavras…… Pois não senhor…. Fiquem sabendo que existiu…. Era um sabão ou um conglomerado de detergente com material abrasivo, que fazia o efeito que hoje em dia é feito por uma panóplia de produtos que se comem uns aos outros, em concorrências nem sempre leais, coisa a que o bom do macaquinho era poupado…. Estava só no mercado…..  
E "o Constantino"…. O tal que dava choques eléctricos, com a sua imponente narigueta, pequenês quase anã e barba cerrada que parecia lixa nº 3….
Outros de tão reais que deixam um buraco aberto pela sua ausência.:
O Vasco que amansava cavalos, bestas…. Capucha….
O Tonho amigo próximo e distante, que Trouxe a aviar copos na marginal Norte do Cabo Carvoeiro (Peniche em "As Traineiras também se abatem") ao pungente Manel "Bitoque" de alcunha, que deriva de um outro bitoque que era Zé e esse,  foi-o efectivamente e ainda o deve ser….
Personagem de mistério esta Estela Serrano, interprete da mais sensorial experiência proporcionada pela enorme força mística do promontório do Cabo Carvoeiro. As sensações que esta paisagem e toda a conjunção dos diversos elementos em presença, são de tal forma avassaladores que uma personagem máscula, não exprimiria tamanho acervo sensual…. Sem a mais pequena hesitação fui Estela Serrano, sem dar por isso e em minha opinião este conto a “Varanda de Pilatos” é um hino à sensibilidade feminina. Embora por vezes me queira parecer que hoje em dia as moças prefiram ser assim uma espécie de “Rambas”. Conceito em que a heroicidade substitui a fragilidade, ao mesmo tempo coureácea feita de sensibilidade a rodos, que delas faz aquilo a que num raro, (porque de qualidade), filme Holliodesco, se chama “Flores de aço”….. Senti-lhes a força ao cria-lo. Felizmente não me faltou agilidade mental para o fazer…. Exactamente por isso é um dos textos de que mais me orgulho….. Pode parecer muita coisa, mas é só isso, o que já não é pouco…..
Revisiteei-os e gostei…. Revisite-os também e digam-me qualquer coisa.
Consegui o que fundamentalmente queria, que era não falar da merda da crise que já foi financeira e económica e que agora é também política. Mas tenho para mim que o que é, é MERDA, pois a isso cheira. Já mete nojo ouvir tanta gente a repetir-se e a grizarem-se todos, sem uma pontinha de originalidade. Os nossos jornalistas, cronistas, comentadores e blogistas, arregimentados até aos tomates e a repetirem até ao absurdo a mais baixa expressão dos média portugueses de que tenho memória…..
Escapemos pois a esta vergonha colectiva…..
"Vasco o Amansador de Bestas"-Capucha
                                                                                      
                             António Capucha                                   

                 Vila Franca de Xira, Abril de 2011


sexta-feira, 8 de abril de 2011

nova bandeira italiana

Nova bandeira de Itália, proposta por Berlusconi
Fiquem-se com esta durante o Fim de Semana.....

António Capucha

A Mãe




 E com todo o prazer que aqui divulgo mais esta produção do Teatro Municipal de Almada. 
E VIVA O TEATRO!!!!!