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sábado, 28 de maio de 2011

Porra... Até a igreja deixou cair o Latim.....



Não se entende facilmente esta fixação do PSD em privatizar a RTP, mas lá está presente na cábulazinha do Pedro Passos Coelho, Ou em alternativa, proibi-la de emitir publicidade e isso sim, já faz alguma luz sobre o assunto. Isto é assim uma espécie de mal-formação congénita, que se transforma em doença infantil, depois em doença de "crescimento" e, estou certo, virá a transformar-se em doença a carecer de cuidados continuados e por fim será terminal, Lá terá que ser!!!! 
De cada vez que se apanham no governo, lá vem a velha e estafada teoria dos custos, que agora até estão bem comedidinhos, sobre os impostos pagos pelo cidadão, como se isso os ralasse, para manter uma TV ao serviço do Estado, que como se sabe é a estrutura inimiga da livre iniciativa, do personalismo cristão, das sagradas leis do Mercado, e toda a correnteza de disfarces que a direita utiliza para dourar a pastilha e fingir de forma lorpa que tem um ideário.... Como íamos dizendo, a intolerância do PPD à TV pública, também não tem nada a ver com qualquer estratégia ou ideário em relação a isso...... Nem mesmo é por causa do notório asco a tudo o que é público..... Trata-se tão somente de tentar assaltar o bolo da publicidade e reduzir a concorrência, o que também significa dinheiro...
Óh senhores do PPD, cuidais que somos tolos???? Julgais que não se vê o brilhosinho nos olhos piscos, ávidos apenas de dinheiro e poder?
Vou contar-vos uma coisa e vejam lá se entendem de vez, que o espectáculo já começa a ficar triste.
Abram os ouvidos.... Nós não pagamos só a RTP.... Pagamos  essa, e as outras todas que operam no País..... Se a uma pagamos uma taxa, às outras pagamos os Tides, Palmolives colgates e toda a casta de traquitanas que compramos e cujas mais valias, vão numa não despresável fatia, pagar principescamente as SIC's TVI'S e toda a sorte de derivadas e integradas nesse circuito económico da publicidade, controlado por meia duzia de macacões....
Ora.... Se não é por ignorância destas coisas, o que  é que leva o PPD A referir essa questão sempre que vem a votos.... Uma vez até esteve quase a consegui-lo..... Um Ministro adjunto do Primeiro M. mais presistente ía conseguindo... O governo é que caiu.... Caiu porque, bem.... Sabemos todos porquê e quem veio a seguir aproveitou as valas abertas no tecido da empresa e operou as reformas que a tornam hoje uma estrutura quase dez vezes mais barata do que já foi..... E também se sabe como foi.....Mas isso foi o PS que fez.... Bom e também não devem querer que eu explique porque é que a RTP chegou ao disparate a que chegou, ou querem???? Acho que ouvi um não! Também.... Já é passado.... 
Então porquê voltar à carga.... 
Porra... Até a igreja deixou cair o Latim.....
Faltam-vos temas, bandeiras chamativas de cores garridas? 
Eu estou a fazer descontos e tenho em carteira uma série de ideias....
E sapo por sapo....Haãã , já engoli tantos!!!!

                      António Capucha

        Vila Franca de Xira, Maio de 2011









   

quinta-feira, 26 de maio de 2011

mais perto de Deus.



- Tive o raro privilégio de assistir ao parto dos meus filhos. Embora tendo sido cesarianas e a mãe estar "off line", o nascimento de um novo ser humano,é sempre algo de sublime.... É seguramente o acto em que estive mais perto de Deus.... Se é que me faço entender!!!!
António Capucha
Vila Franca de Xira, Maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Eleições

Ho…ri…óps….. Marlene


Já me referi mais que uma vez a propósito de varias outras questões colaterais a esta, que as Eleições para cargos na nossa República, está cada vez mais desviada da letra e espírito da Constituição. Senão vejamos: Embora para o cargo de Primeiro Ministro (PM) não haja eleição prevista, todos os Grandes partidos, se calhar só dois, embora o CDS como é hábito, se ponha em bicos dos pés… Acaloradamente se posicionam para disputar a eleição para PM …. Coisa que não existe…. E comete até a relativa “ilegalidade”, de passar por cima de uma séria de procedimentos a ter pelas outras entidades da República, a saber: O Presidente e a Assembleia da República. O Primeiro Ministro, não é eleito… Pode até não ser o cabeça de lista do Partido mais votado para a Assembleia… Pode até haver várias combinações possíveis para conferir maioria suficiente e capaz de governar e poder aprovar só por si as leis vitais para gerir as questões da coisa pública…. Nem é exactamente a mesma coisa concorrerem três candidatos a PM, ainda que esclareçam como pensam fazer as alianças pós eleitorais. Ou concorrerem as listas, umas contra as outras e após as eleições, analisados os resultados, e formadas as maiorias,  o cabeça de lista para deputados do partido mais votado será convidado por quem de direito. o Presidente da República a formar governo. Agora, e por absurdo considerem o seguinte….. Estes candidatos a PM, sedentos de projectar a sua individualidade, figuras impares que se acham ser, temerariamente passam a campanha a dizer que, com este e aquele partido…. Nada de coligações, apenas porque lhes dá jeito ao discurso ou por questões de markting…. Depois das eleições se a realidade for diferente dos seus desejos e não for possível haver maioria sem aquele tal que andou toda a campanha a negar a possibilidade de coligação. Com que credibilidade fica à partida esse eventual PM?  A esta festa todos ajudam, médias à cabeça. Claro que é bem mais excitante um candidato a PM que um obscuro candidato a Deputado. Do mesmo modo que é mais e melhor noticia, se estiverem envolvidos 30 mortas e centenas de estropiados, do que a desmontagem de uma rede de tráfico de crianças, mas onde não perpassa o horror, o drama de uma violaçãozita de um menor….. E até nós ajudamos à festa pois consumimos preferencialmente este tipo de coisas picantes, excitantes…..
Só que, ora vejamos: Desta forma os Partidos deixam de ser estruturas de pessoas com opiniões e vontades semelhantes sobre o pais e a sociedade e passam a ser os ajudantes do senhor candidato a Primeiro Ministro. Depois o que ganhar, em vez de servir o programa do Partido, é o partido, grupo parlamentar a cabeça, que serve o seu senhor. Grossa confusão se desenvolve a partir de um equívoco aparentemente inócuo. Derramam-se depois, lágrimas de crocodilo a propósito do descrédito dos parlamentares….Mas pouco lhes sobra para desempenhar a sua tarefa. O seu eclips, é função directa do personalismo político,  que, e tal vai o desvario, que já há quem concorra para Presidente da Assembleia da República.... Extraordinário....
Numa altura como esta, em que o mais pequeno deslize é a morte do artista, não são só os governos e as maiorias que têm que ser fortes…. Os PM’s também convêm que não tenham pés de barro ou sejam fracos das canelas….  E já agora também dava jeito que não fossem tão “Naíve’s” como isso, ou tão de olhos arregalados do constante espanto da descoberta: “da pólvora sem fumo e do tiro sem pum”!!! Ou ainda com uma boa dose de oportunismo, assentar  todas as baterias e paus de fósforo, para um determinado sector da sociedade, na perspectiva de conseguir a percentagem de share, que lhe permita ser a moleta de… Quem ganhar….. 
Dirão:  Ãh  são estratégias…. Sentido de pragmatismo…. Boa qualidade Para um político….
Se eu conheço a forma de pensar do povo, o que vão achar desta amálgama de Bons rapazes, é que é mais fácil que o Ex. Chefe do FMI tenha estado a “jogar aos três cantinhos” com a empregada do Hotel, que sair destes “valetes” um Primeiro Ministro forte, experiente e de mãos limpas, para fazer as reformas e as quase revoluções, que são necessárias fazer…..
Não me ponho p’raqui a fazer futurulogia, mas apesar da gravidade da situação exigir outro comportamento, ninguém mudou uma vírgula à forma de encarar as Eleições…. Portanto eu não espero mais do que já vem sendo a tendência geral: O descrédito e simultâneo afastamento da acção política por parte dos eleitores….
Mais do mesmo…. Portanto.                         


                        António Capucha

          Vila Franca de Xira, Maio de 2011

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sabedoria popular

charneca alentejana

O Sr. Anselmo é o caseiro duma propriedade no Alentejo. Essa propriedade era pertença de uma família cujo Herdeiro é uma pessoa minha conhecida, que trabalhou comigo na RDP, onde era o eng. responsável pelas obras e novos projectos de construção. Foi ele mesmo que me contou esta "estória".... Entre ele e o Sr. Anselmo havia um trato acerca da propriedade e amanho da herdade. Basicamente e se não me falha a memória a coisa era mais ou menos assim. O meu colega apenas tinha tempo e disponibilidade para lá ir de longe em longe. Então tratou com o senhor Anselmo, caseiro já desde o tempo do seu pai, o seguinte: Ele cultivava e administrava a terra, e dela tirava o seu sustento e vencimento. Já que o ordenado de engenheiro, não dava para pagar-lhe decentemente. E ao fim de tantos anos a courela passaria para o seu nome ficando apenas a casa de família na posse do eng. Xis. Sendo que a sua conservação e limpeza ficava a cargo da "ti" Estrudes, mulher do Sr. Anselmo.... Quanto aos acessos e outras minudências, nem se deram ao trabalho de acertar, já que as relações entre ambos eram seguríssimas, baseadas na grande ternura que o velho Anselmo, que não tinha filhos da sua “Estrudes”, dispensava ao seu menino. E este sentimento era recíproco… O engenheiro tinha pelo Anselmo uma estima e respeito que se deve a um pai que já não tinha.  Concluído que está a definição do quadro de relações entre eles, entremos na “estória”, propriamente dita.
Ora de passagem num belo Fim de semana, para temperar a alma com um pouco das suas raízes, Xis, a deambular pela charneca pasto do gado, dá de caras com o Anselmo agachado, fitando o horizonte e com ar preocupado. Então Anselmo, Abraçam-se e pergunta: algum problema??? Ãh…. Roubaram-me uma vaca…. E eu até sei quem foi!!! Mas aquilo é gente bravia…. Tão manhosa que nem a polícia nem a GNR quer nada com eles…. Diziam: Áh "ti" Anselmo, aquilo só se a gente os visse mesmo estar a roubar…. E mesmo assim!!!! Com cuidado, que aquela gente tem o dedo leve no gatilho da “caçadêra”… São malteses do pior....
Xis volta à carga: Mas Óh Anselmo, tem que haver uma forma de dar a volta a isso…. E se metesses um advogado a tratar do assunto?
E responde de pronto o interpelado com um sorriso “manholas”: E LÁ SE ME IA OUTRA VACA!!!!


                             António Capucha

               Vila Franca de Xira, Maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ribeira de S. Sofia

Fonte de S. Sofia

Hoje foi-me confiado um segredo…. Uma senhora já com a sua idade, que conheço  do meu deambular por aqui e ali e que associo ao tanque das lavadeiras bem pertinho da minha casa. De olhos muito vivos e sagacidade típica das mulheres do povo… Um tudo nada mais baixa que eu, porque já começou a minguar, mas que ainda se mexe bem e dá para adivinhar que já conheceu outros portes, mais escorreitos, diria. Em conversa que presenciei com uma rapariga de passagem pelo local onde “calhandrávamos” um pouco, disse ela então: È rapariga, pareces o mano Jacinto …. Vais a setenta e a travar….. A mocinha não percebeu e prosseguiu a “mata cavalos” E a senhora disse-me: Áh…. Sabem lá essa do mano Jacinto! Ó vizinho!!!! Já há poucos a saber estas “estórias”….. Já agora eu conto.
Ali à rua Direita, um pouco acima da “muda da Mala Posta”, dois irmãos diferentes e parecidos, faziam as delícias de vizinhos. Um gorducho, o outro magrito e ambos com um pequeno defeito num dos pés que fazia com que “atirassem com os pés p’rá doca”, como nós, a garotada dizíamos. Ocupavam o primeiro andar de uma casa algo ampla para o que era hábito na altura e naquela rua. De janelas escancaradas o mais forte tocava um piano desafinado e o mano “magrelas”, “sarrotava” uma rabeca cheia de pó branco, proveniente das cerdas do arco a roçar pelas cordas, sendo que é isso que produz o som do instrumento….. Ora os manos Jacinto, tinham um carro, que na altura já era um calhambeque…. Verdinho claro e descapotável que o mano guiava com parcimónia e poderosos  “rateres” de escape…. Daí à malta inventar a ladainha foi um ápice: Óh mano? A quantos vamos?
Mano…. A setenta e a travar!!!!. A recordação destas coisas fez-nos rir com prazer….  Então… O mistério adensa-se….  Óh vizinho, e a lenda de S. Sofia…. Eu ainda a conheci!!!
É lá….. Parece que tocou uma campainha cá dentro. Essa não conheço, respondi. Segundo ela era uma moça filha de  gente fidalga que morava ali sobranceira ao regato. Despia-se  e tomava banho numa represa na base duma cachoeira… Isso era o bastante para os olhos patuscos do povo a guindarem a Deusa. Mas não se ficava por aqui…. Depois sentava-se na margem e fazia “crochet”…. Quando se acabava a linha, desmanchava tudo e fazia de novo…. Estas bizarrias, mais a grande beleza, da vestal deram em mito, e do mito à lenda da S. Sofia, foi um tiro. E a minha interlocutora conheceu-a, de vista claro, A senhora de S. Sofia…. Uma lenda viva…. Hei-de tirar isso tudo a limpo….
Hoje a Ribeira de S. Sofia, é uma destemperada ribeira que a maior parte do tempo não passa de um fio d’água, mas que quase todos os anos galga as margens furiosa. Se calhar  porque já muito pouca gente sabe da sua beleza bucólica e importância que teve para a Vila. A ribeira rasgava a urbe ao meio ali pela zona dos correios, e desaguava ao lado da fábrica do descasque do arroz. Nunca a vi assim… Algures nos primórdios do Século passado, A ribeira foi enterrada, melhor encanada, entre a Bica do Chinelo e a foz, no Tejo que é o grande lençol d'água de cujo vaivem nem sempre manso, resultaram as planícies deslumbrantes desta terra. E do curso a céu aberto da ribeira resultou outra coisa, esta no plano sociológico. A ribeira servia também de fronteira entre a Vila dos lavradores e rurais e a Vila dos varinos…. Duas culturas diversas, que cresciam cada uma para seu lado. Apenas a paróquia, a escola e a Junta era a mesma. Cada uma tinha a sua traça arquitectónica, o seu clube desportivo e as suas forças vivas como se costuma dizer. O desaparecimento da ribeira é hoje difícil dizer, se foi causa se foi consequência da interpenetração das duas culturas…. Se calhar é mais equilibrado dizer-se que foram os ventos da História que vieram esbater essas diferenças que as novas gerações já não interpretam… Não sei se bem, se mal…. Mas isso é um facto…
Uma coisa posso eu dizer: Quando rapazola, de olho arregalado e sensores em dia, não dei por nenhum drama, nem rezava a História que tivesse havido alguma liça Montecchio Capuleto. Mas isso digo eu que sou um mocinho com a “ponta do rabo branco”, isto é: sou da Castanheira do Ribatejo, embora tenha vindo morar para a vila em cinquenta e cinco do Século XX, com cinco anos mal feitos…. Por ventura membros de uma ou outra comunidade, à época, e sobrevivos ainda hoje, sintam presentes os ardores e o acinte da diferença por vezes gritado. Sou capaz de imaginar que sim…. Porque conheci o poder dos senhores da terra, aceito que a flor que se pudesse cheirar, não eram bem eles….
Bom….. Já lá vai….. As minhas classes, de instrução primária, já não havia nada disso. Éramos só putos a brincar ao boi e a puxar as tranças as miúdas…. E agora então…. Um dos bisnetos do senhor feudal da vila e concelho, andou na Escola oficial com o meu filho….  E é assim que vai forjando o futuro.


                           António Capucha

              Vila Franca de Xira, Maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Homens da luta

A alta finança é o despudor em toda a linha

Talvez seja aconselhável abrir definitivamente um parêntesis na expressão da veia tonta contista e cronista, e centrarmo-nos no que urge, até ao dia cinco de Junho, dia em que se joga quase tudo do que será necessário para ultrapassar por cima, a fasquia da rasteira que os nossos queridíssimos aliados e  consócios Europeus nos passaram,  tão só porque os seus velados Deuses exigem o pagamento da dívida provocada pelos seus desvarios. Isto não é uma afirmação gratuita…. Pode faltar-lhe muita coisa, mas está hoje em dia mais que provado que se tratou exactamente disso: Dum desvario, duma golpada da mega banca como agora se diz. E que agora somos nós que temos que pagar…. Máfia? 
No filme o Padrinho II ou III, há um diálogo interessante entre o futuro D. Corleone e a sua namorada, e a sua futura esposa…Dizia ela:
- Trabalhas agora com o teu pai…. Prometeste que nunca terias nada a ver com os negócios da família!!! És ingénuo, ou julgas que eu o sou, ou quê?
Responde o interpelado:
- O meu pai não é diferente dos outros homens poderosos da política ou dos negócios!
E ela não desarma:
- Sim, mas esses não andam para aí a mandar matar este e aquele.
- Quem é que está agora a ser ingénuo???
Exemplar….. Não é verdade????
Essa é a premissa de que partimos. A certeza de que estas recentes ocorrências no mundo da alta finança, são criminosas, porque provocam males irreparáveis a enormes massas de seres humanos. E ilegais porque ao arrepio da legislação Internacional, que existe e tudo….
Resulta daí, que quem sem disfarce, veladamente, protege defende ou lucra com as ilegalidades tem que ser combatido perseguido e preso.
Nem de perto nem de longe, alimento a esperança de que algo semelhante, alguma vez venha a suceder. As suas protecções estão muito mais fundo do que dura a necessária coesão de combate a isso…
Na peça: A Mãe Coragem, de Bertold Brecht, a personagem de um soldado na contenda em cena, vocifera cobras e bichos contra os chefes e militares e a vergonha daquela guerra….
A personagem da Mãe Coragem serena e cinicamente diz: O problema não é teres raiva que chegue…. O verdadeiro problema é : quanto tempo dura a tua raiva!!!!
O soldado dispara: Vai à merda…. E sai de cena com o barrete enfiado até aos pés.
Ainda que seja difícil por-mo-nos todos de acordo durante o tempo suficiente para tirar o tapete a estes marmanjos, já é relativamente fácil fazer com que os seus agentes políticos e ideológos sejam “shuntados”; anulados. Basta que não se vote em quem defende, enquadra ideologicamente, e objectivamente sirva, ou se sirva, lucre ou faça com que se lucre, com semelhantes pantominices….Aliás, basta que diga que é uma chatice mas não há volta a dar-lhe, é porque está feito com eles.... Fieis das doutrinas liberais, que de liberais só tem o nome,  o que são é selvagens defensores da lei do mais forte, o que faz retroceder a História das civilizações uns bons Séculos atrás... E esses já por cá temos quanto baste, desde o primeiro poleiro até perder de vista, é quase tudo dessa gente.
Claro que se deve honrar os compromissos internacionais, assunção de dívidas, incluídas, mas devem ser questionados à luz da legislação e do direito internacional, o seu volume real, os juros e o como é que é pago… As chamadas Dívidas Soberanas dos países mais fracos, e a metodologia seguida pelos ditos credores, é a agiotagem mais atroz, e vergonhosa, para a comunidade das Nações, que se possa imaginar. Sobretudo quando nunca se fala da dívida dos países poderosos…. Que ascende a valores tão astronómicos, que fazem empalidecer a dos países pobres e estes são para não pagar nunca, e ninguém fala nisso… pelo contrário a dívida dos pobres. cujos são servidos de bandeja aos credores que emprestam a todos, ricos e pobres… É assim como que um osso que se lança aos sabujos….  Vá lá…. Fartem-se aí vilanagem…. Se não aceitarem isto, nós deixamos de proteger, o negócio, com o nosso poder militar e outros… E a instabilidade sucederá ao “progresso” e assim perdemos todos…. Pois é….. Borregos assustados …. É sabido que se espantam…..
Vamos à solução global…. A chave é: Pôr-lhes o sabujos fora de jogo….. 
Está nas nossas mãos abrir janelas, ou mantê-las todas cerradas e com gelosia…… Se aliviarmos a gelosia, já é qualquer coisa!!!!
Vale a pena fazer….
Vote como se fosse a última oportunidade……

                           António Capucha

             Vila Franca de Xira, Maio de 2011

Bem Haja…. Santas tardes…





Gente doce, há-as aos quilos… Muitas vezes, tal como na fruta, nem sempre o aspecto corresponde aos padrões que nos são impingidos como tal. Na longínqua Tinalhas, quando digo longínqua refiro-me a ambas as distancias: No tempo e no espaço. Como dizia, Tinalhas, aldeia beirã dos meus ancestrais maternos, que não visito vai para mais de cinquenta anos, se calhar porque receio estragar as memórias, o que seria uma pena.
Lembro a fruta pequenina luzidia, saborosa… E a gente linda e doce. Na sua autenticidade…. Mas isso sei-o agora. Ao tempo era impossível saber dos porquês que me lavavam a sentir-me lá tão bem… Não era só a família para quem nós, os netos, éramos o centro do Mundo de permeio com o trabalho ora doméstico, ora rural e onde as relações entre os crescidos não nos despertavam curiosidade nenhuma, porque absolutamente normais e espontâneas… Os maneirismos e hábitos colectivos e tratamentos entre pessoas, eram extensão da inserção individual no diálogo naturalmente permanente com a natureza que sem alarde era uma constante da cultura das comunidades populares do interior.- Já aqui aflorei este assunto no “post”: Manuel, o matador de cobras - A sua religiosidade não era para mim, ainda menino, uma coisa estranha, como era aqui onde cresci… Nada de grandes teologias. Era antes, mais um aspecto da grande, da esmagadora realidade daquelas pessoas, cédula pessoal da sua autenticidade, espontaneidade, bondade intrínseca…. Numa comunidade de sonho como aquela, lembrou-me há tempos o meu primo Zé Tó, era habitual a saudação: Santas tardes, Ou Santas noites…. Como dizemos todos religiosos e ateus: Adeus, sem pensarmos que nos estamos desse modo a entregar uns aos outros, aos cuidados de Deus… Este cumprimento é conjuntamente com o: Bem haja! Em vez do materialista: Obrigado. (como quem fica obrigado… Em dívida) Uma das pérolas daquele tempo e daquelas terras, distantes como disse. Bem haja é o verdadeiro espírito do Obrigado resultante do usofruto da bondade recíproca. E o mesmo é verdade para a expressão: Santas tardes… Quer intensamente dizer aquilo que inegavelmente parece. E é também expressão da bondade como dado inquestionável da cultura que brota como musgo num muro de pedra…. Granítica… Já se vê….
Pecado e grande digo eu, foi tentar dar significados políticos a estas coisas e valores. Inferir daqui o Deus, Pátria e Autoridade, é abusar…. É violentar esta cultura de ternuras recíprocas…. Que raio faz aqui o termo: Autoridade? Eu que sei do que falo porque vi, ouvi e senti estas coisas digo que: vai aqui tão bem como uma viola num enterro. Como eu odeio estes pequenos e grandes aldrabões….
Desde a longínqua Tinalhas têm sido mais as aldrabices que as razões de júbilo…. Mas enfim homem de bem que julgo me fiz, passo por cima dessas coisas e não me deixo abater assim….
Resisto em nome de Tinalhas, do tio Manel; do tio Zé Vaz; da tia Odete; do tio António Da Avó Rita; do Avô Zé Vaz, da sua égua cor de burro quando foge, do Zé coradinho da camionete, da tia Lenita, da Tamarantonha… Do cão Nero, das galinhas que desancava com flechas de cana…. Sei lá que mais. Muito! O Mundo inteiro coube, sempre coube, naquela pequena aldeia da Beira Baixa….
Juro que é verdade!!!!!
António Capucha
Vila Franca de Xira, Maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

Maledicência




Maledicência, é o ruído produzido pelo vozerio daqueles que sabendo-se prejudicados, não sabem no entanto isolar o verdadeiro foco do incómodo e viciam-se em dizer mal de tudo e todos. Claro que esta estirpe não acredita que eles próprios, possam ser motivo de critica....
Nestes últimos tempos temos assistido ao desenrolar dos estandartes do PSD, para a liça que se avizinha. Ainda a cheirar a naftalina, alguns são mais velhos que a Sé de Braga, mas este é recente, porque também surgiu recentemente: As novas Oportunidades..... Toda a casta de malefícios e desvios lhe são imputadas, Mas eu penso que tudo isso, esse tal ruído, não passa de preconceitos academistas herdados do tempo em que éramos um punhado de analfabetos. É famosa a nossa mania dos doutores e engenheiros, e é igualmente evidente, que há sempre pedantes dispostos a manter os muitos outros no analfabetismo envergonhado como sempre o foi .... Quando o que devia, é ter sido uma vergonha Nacional. Esta saudade do obscurantismo não incomoda o PSD e o CDS, que têm liderado a maledicência em relação a esta qualificação pessoal e profissional... Claro que dão-lhe outra voltinha.... Que é quase fraude, destina-se apenas a endireitar estatísticas, que é um sugadouro de dinheiro, etc etc..... Sobre isso pouco sei, mas tenho para mim que qualquer valorização que vá nesse sentido é tão importante que o que possa parecer, ou o custo que tiver, é um investimento no nosso melhor agente económico:AS PESSOAS.
Após esta reflexão resta-me referir que me fizeram chegar um vídeo do You tube, onde isto que acabo de desenvolver é bem reportado. e a figura serena de Soares da Costa é certificado de autenticidade da coisa... A meu ver, este vídeo derrota  o alvoroço histérico dos detractores da iniciativa Novas Oportunidades...
Vejam e decidam depois de se sentirem suficientemente informados, senão acabamos por ser como aquilo que estamos a criticar.... Isto é: Serem coisas feitas em cima do joelho.
António Capucha

Vila Franca de Xira, Maio de 2911

Pinheiro Bravo

caravela portuguesa

A chaga aberta no seu tronco, uma “lascadela” enorme, e com golpes oblíquos descendentes, de ambos os lados, convergentes no eixo do seu corpo, a menos de um metro do chão, e com uma chapa de ferro dobrada em “vê” espetada na parte inferior com o vértice para baixo a colectar as excrescências da frondosa árvore, de onde escorrem as grossas lágrimas de seiva que pastosa e lenta como um glaciar. Não se dá por que escorra, mas escorre, para um pucarinho de barro apoiado por uma tranquinha de madeira espetada na casca do pinheiro, sem o ferir.
O cheiro inconfundível e penetrante da resina (o nome das lágrimas dos pinheiros), começam também elas a ser uma recordação de infância. Primeiro porque já arderam quase todos. E em seu lugar plantam outras árvores, nem sempre autóctones, diga-se…. O pinho está na nossa terra desde sempre e desde muito cedo foi utilizada nas zonas litorais para suster o avanço das dunas… O intuito era o de proteger e criar novas áreas de cultivo. E rezam as crónicas que as nossas Caravelas incorporavam muita da sua madeira, que enquanto verde, se molda com alguma facilidade correspondendo aos caprichos da arquitectura naval, que por sua vez tem que respeitar as leis da hidrodinâmica… Mas não ficava por aqui a contribuição dos pinheiros para a desenvoltura das nossas embarcações. Da chamada resina fazia-se o “Pez”, que em determinado ponto de consistência, embebia um braçado de estopa e calafetava as juntas das pranchas que constituíam os cascos dos navios e lhe conferiam a estanticidade necessária à flutuação, ao mesmo tempo que contribuía para a solidez estrural do conjunto…. Numa outra consistência, bem mais fuida, o pez era usado para pintar toda a madeira, impermeabilizando-a…. O Pinheiro, estava para a construção naval, e a economia desses tempos idos, como o Porco está, ainda hoje, para a culinária: Aproveita-se tudo! Até a caruma!!! Que é nem mais nem menos que as suas folhas em forma de agulhas secas. Eram as acendalhas de então, e os inúmeros “trancos” que iam secando, tombados no chão atapetado de caruma, eram o combustivel dos pobres, chegando mesmo a estar postulado em “Lei”, o Direito das populações a apanha-la…. Por fim, o ambiente que na prevalência dos pinheiros era gerado, pululavam as espécies de caça mais cobiçadas. Sendo que a lei também tinha a mão pesada para os colectores de lenha, que não resistissem ao pular dos coelhitos que havia aos magotes, e que sempre daria para uma família matar a malvada…. Enfim….. Estes tempos de glória e progresso, fizeram-se também de permeio com a miséria da maioria da população… Então como agora, os limites eram extremos…. Os seres privilegiados, nobres de condição os mais deles, enriqueciam despudoradamente sem se importarem com a humilde árvore que lhes deu essa oportunidade de crescer e exercer o poder. E os apanhadores de lenha e caruma, resineiros e os pobres em geral, era vê-los manetas por terem morto um coelhito, na mata Real. Porque se tivesse sido um Gamo….  Não era só a mão, não…Pagava-o com a vida….
Reparem só o que está escrito num pinhal, como a mata Real de Leiria…. Os sossurros do vento nas agulhas dizem coisas, contam coisas, Ai jesus... Valha-me Deus....( poema do Fado dos búzios/Coimbra) O porte altivo dos pinheiros, furando o ar a caminho do Céu, chiando sob a canícula e fazendo estalar as pinhas, seus frutos lenhosos, contam-nos “estórias”, de glória e de morte, de Invernos agrestes, que ajudaram a temperar…. E outras estórias” mais arrepiantes, de bruxas e duendes, de feitiços e “maus olhados”, de lobos e Capuchinhos, de fogos descomunais, Fogo.... Esse bailarino diabólico dos nossos dias....será a factura a pagar por termos sido grandes no passado?  De termos sido navegadores destemidos e hábeis... será???…. Ou será por termos construido também, os melhores navios da época…. E a vela latina para navegar à bolina!!! E porque fomos, seguramente os descobridores de uma nova tecnologia e cultura associada a um conhecimento científico e sistematizado… Que nos tornou os grandes reveladores do Mundo: outro, ao Mundo: este. Que arregalando o olhar lorpa, apenas puderam deixar crescer a inveja e a voracidade rapinante dos corsários... Quiçá, é ainda o mobile desta cruzada rapinante do FMI, da senhora Merkel, Do Pim-Pam -Pum d'ópera bufa do Sarkozy, e outros Bárbaros. A cheirar a after shave....


                                   António Capucha

                     Vila Franca de Xira, Maio de 2011