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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ode ao não fazer


Fernando Pessoa


O verão que tudo subverte, desta feita até escaldou Peniche, que de ar e mar parados, foi presa fácil da massa de ar tropical que nos invadiu este último fim-de-semana. A coisa foi de tal ordem que quase dava para ver a humidade a libertar-se das coisas, fossem elas plantas, pessoas, casas, ou pedras da calçada…
Sem que o clima abafado amainasse um pouco que fosse, foi o céu ficando encoberto estilo capacete. E até grossas bagas de chuva caíram como se fossem lágrimas de homem, assim tipo de, como diz o povo: Lágrimas d’homen, são como as das putas … Ainda não chegaram ao chão e já estão enxutas…. Se o povo o diz, lá sabe do que fala. Porque tanto se esmerou na rima evidente do estranho dito, mas ao que parece verdadeiro. Ou não fosse de Deus a voz do povo…. E que Deus há que minta? Ou então não será Deus….
Isto levar-nos-ia a inúmeras reflexões… Mas estou demasiado quebrado pelo calor para me meter a explorar este, embora fácil, filão. Mas se tivesse que ser feito, bastaria isso para desistir já. Para além de que já não me dá gozo bater no ceguinho era capaz de me fazer transpirar… Ai que prazer / não cumprir um dever, Ter um livro para ler / e não o fazer…
Fiquem então sabendo pela amostra junta que eu não sou calaceiro…. Tenho é alma de poeta. TOMA….

                António Capucha

  Vila Franca de Xira, Junho de 2011

terça-feira, 21 de junho de 2011

Abemus Papam

Também são doze como estes. Um deles, é o outro disfarçado...
Habemus Papam…. É o Grito de felicidade que ecoa pelas esquinas nesta Pátria bendita aquecida pelo Sol e abençoada por Deus.
O Conclave Nacional reuniu as forças restantes, já poucas, e produziu mais um Papa. Este ainda não escolheu o nome pelo qual quer ficar conhecido, nem o “povão” teve tempo de lhe arranjar uma alcunha a preceito… É uma questão de tempo, é a certeza quase absoluta que tenho…. Que motivos, também estou certo disso, não faltarão…
As entradas são de leão…. Este Papa quer partir a loiça toda…. As declarações de intenção são tão boas como as melhores. Uma sondagem particularmente realizada junto das mulheres em ciclo fechado, deu como resultado que não fica muito clara a distinção entre este Papa e o 007, com ou sem ordem para matar. À cautela a confraria das Carmelitas com ténis Adidas, já anda a encaminhar preces várias como prevenção dos futuros incontáveis pecados em pensamento, um pouco mais em palavras e poucos mas bons em obras…. Não públicas que isso não ia ficar bem às irmãzinhas…. Tadinhas tão virgenzinhas…. O Prior mais velho levantava-se da cadeira para assinar o acto de conferir posse, e o seu andar de bimbas apertadinhas (andar novo), denunciava que não queria deixar cair nem uma palhinha que trazia no dito…. Isso e a boca em cu-de-galinha, que se afadiga em conservar no lugar do impróprio sorriso, por mor de não estragar a sacrosanta independência a que o seu cargo obriga…. Não sem que, através das muitas piscadelas d’olho, o brilhozinho nos olhos se insinuasse triunfante… Embora não sendo seu filho dilecto e até tivesse tido um passado um tanto vadio, era a sua Alma, o seu ADN a triunfar….  
Tanta pompa e circunstância a requerer a impossível crónica do Carlos Castro que por motivos óbvios está remetido ao silêncio…. Pobre reino sem cronista… O evento foi no entanto apadrinhado pelo FMI (família muita importante) e será publicada no periódico de Brejenjas de Baixo: “O Clarim Roto”…. A população de Brejenjas de Cima, rival da outra, já fez saber que por via disso vai votar no Rei de Espanha, qu’é por causa das coisas. E mais, a retaliação não se ficará por aqui…. Declarar-se-ão fieis da Igreja Anglicana para o que já organizaram uma excursão até junto do Arcebispo de Cantuária, que desvanecido, aceitou comer com estes portugas, uns pastelinhos de bacalhau e uns tintois de catorze graus. Não se sabe como reagirá o Arcebispo à graduação do vinhaço, Da ultima vez que houve um chá dançante destes, o senhor padre supremo deu um beijo na pata do cavalo da rainha Isabel e aplicou uma palmada na nádega esquerda da senhora. Bom…. Foi cá uma bronca!!!


                  António Capucha


   Vila Franca de Xira, Junho de 2011 

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Aguardemos!!!!

cena final do filme "O clube dos Poetas Mortos"

Num filme de que gosto muito, “O Clube dos Poetas Mortos”, há uma cena passada no plenário do colégio. A vermelhusca criatura do Director do Colégio, largava cobras e bichos pela boca fora, para pescar um culpado para o despautério de ter saído no jornaleco da caserna, que aquele escola devia admitir raparigas. Então um aluno mais malandreco põe-se de pé com um telefone na mão e mima o recebimento de uma chamada que termina assim:
- É para si, senhor director. É de Deus! Diz que o colégio deve admitir raparigas.
Ao contrário do vermelhusco, arrogante e bruto Director, também eu experimentei essa sensação de receber uma chamada de Deus. Só que, suponho, não sou arrogante e bruto.
Deus visitou-me e transmitiu-me uma critica à minha escrita, algo que vinda de Deus só pode ser certa. De modo que, desde esse momento, sempre que me sento para alinhavar umas frases, vigio de tal maneira o que faço que nem chego a faze-lo. Para ultrapassar isto só forçando-me disciplinadamente. Sendo que a premissa é que tentarei seguir as receitas e preceitos que me foram transmitidos, nos quais vejo razão e cabimento.
Já que não me foi criticado o estilo ou a qualidade global, sinto um misto de orgulho, vaidade e uma tremenda responsabilidade. Mistura explosiva….
Estou a resistir, muito embora saiba que andarei a pedalar em seco enquanto não mecanizar as novas normas e formas, que reconheço são um estágio acima do percurso que levo de  escriba espontâneo.
Muito provavelmente, de momento, deixarão de ser assim tão espontâneas como habituei os simpáticos seguidores e leitores do Blogue. Mas acredito que será uma questão de tempo até que uma nova forma sirva o estilo de “estoriador”. E não o contrário, ficarem as “estórias” escravas da forma, por muito mais correcta que esta seja….
Aguardemos serenamente.
Atrás de tempos vêm tempos
E outros tempos hão-de vir….
Como canta o Fausto.
E que ninguém o tivesse dito!
É uma verdade irrefutável…

                        António Capucha

          Vila Franca de Xira, Junho de 2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

E Mozart.... Gostam de Mozart?

Aposto que que nunca ouviram nada assim....
Nada clássico, mas igualmente virtuoso....

                    António Capucha

       Vila Franca de Xira, Junho de 2011

João Villaret

João Villaret
"João Villaret": – Enviado através da Barra de ferramentas do Google"

É com o máximo prazer que publico esta pérola da nossa poesia dita.
Clica  em João Villaret (em cima a azul), depois clica de novo na poesia que queres ouvir.
A Severa por testemunha e o rosto do actor, filho dos amores entre Deus e o diabo. Segundo José Régio no seu Cântico Negro.....
Impossível não partilhar...

                      António Capucha

        Vila Franca de Xira, Junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Estávamos a falar do quê????

Guernica - Pablo Picasso

A grande chatice é que os nossos demónios acordam sempre antes de nós.
Quando tomamos conta do domínio dos nossos sentidos, após a soneca entorpecente, já há muito que os nossos medos e vergonhas, estão no terreno exercendo o seu trabalho de “sapa” de minar as possibilidades de sermos melhores e mais úteis. Alguns, diria, nunca dormem! Esses são os piores. Mefistófeles implacáveis, de eficácia total e sem remissão. Nem sequer é curioso que todos eles façam parte intrínseca da nossa condição de ser. É a mais pura das verdades…. O sono; a fome; a agressividade; o sexo; a paixão…. Sei lá, tantos nomes tem a besta, que nem sequer necessita da nossa vontade para se afirmarem…. Pelo contrário, as virtudes, como: O amor; a solidariedade; a bondade; a generosidade e outros predicados, já requerem toda uma conjunção de sentidos e toda a racionalidade que pudermos arrebanhar.
Isto é: Para fazer “merda” não precisamos de mexer uma palha. Mas para fazer algo que valha a pena, já temos que reunir muitas vontades e todas as capacidades que para o efeito forem requeridas….
Se esta é, e assim parece ser, a ordem natural das coisas, já é esperar muito que nos portemos bem.
Portar mal, passa a ser portanto a ordem natural das coisas, e de estranhar, é que bem nos corram.
Nesta estrutura, que acreditamos seja a nossa, pessoas há que tendo a “telha” de matutar sobre isso, vivem de tropeço em tropeço, numa constante expiação dos seus muitos pecados… E da sua incapacidade de fazer prevalecer a o razoável sobre imponderável. Envelhecem inexoravelmente na complexa frustração de tentarem fazer triunfar o racional e bom sobre o demoníaco venial do seu ser….  Apenas uma coisa pode e pesa bastante nesse particular…. E esse é outro factor que não se controla, é também da lei da vida…. É o Tempo…. Que imperativamente passa sempre e só num sentido. E com ele trás a falência dos demónios. Que não se entregam sem luta. Longe disso! O sono e a fome, deixam de ser urgências. A agressividade, fica nas covas com a fraqueza evidenciada. O sexo…. Deixa-me rir…. E a paixão, por maioria de razão, fica a ser uma coisa dos livros…. 
Apenas num pormenor esta não é a completa e derradeira verdade…. É que por estranho que pareça, é o lado racional, o intelecto portanto, que pega nessas bandeiras do demo, e as projecta numa vida virtual, mas de um rigor tal, que as emoções são mais fortes e distintas do que eram, quando eram só defeitos…. E por artes mágicas, deixam de ser sentidas como perniciosas….
É o verdadeiro “Império dos Sentidos”, sem culpa nem nada, as paixões mais violentas, o sexo mais ardente, desancamos sem piedade neste e naquele, se calhar porque são curricularmente: Este e aquele…. Dorme-se e come-se quando se quer…. E tudo sem remorsos…
Lamento mas se ainda cá não chegaram, a este estágio de perfeição, não tentem entender. Apenas sereis conduzidos a sentimentos de menoridade que podem não ser reais…. Só mais tarde se revelará de que massa sois feitos… Vivam com calma e serenidade porque muito pouco depende da vossa vontade… Não matem a cabeça a procurar a pureza do suco da barbatana. Porque quando cá chegarem verão que não passava de carapau de gato…..
Bom….. Mas, estávamos a falar do quê?????


                           António Capucha

              Vila Franca de Xira, Junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

De 10 de Junho a S.º António

Meu Sant’antoninho onde te porei


Um fim de semana à antiga entre o dez de Junho que voltou a ser o dia da “raça” e de Camões. E o dia de S.º António, conhecido miudamente pelo “quebra bilhas” e que é o santo padroeiro do blogue Peroração….
 Na comemorações do dia 10 de junho, o inefável Presidente da República, exceptuando as inevitáveis incursões, pela economia como se de uma Bíblia ou Corão, se tratasse e num estilo assim de quarta classe para adultos, foi a distância possível para a prédica de antanho. Que como não disse mas pensei, voltou ao mito do portuguesito valente, imérito guerreiro iluminado pelos superiores valores da Pátria e a pureza abençoada e inspiradora da prosa dos senhores, Contra-Almirantes de cacilheiros a que só faltou o rosto tisnado e salpicado de TNT dos nossos camaradas de armas que deixaram, ora um braço ora uma perna espalhados, pulverizados pelo capim. Quando não era a chorosa mãe, pai ou esposa, que recebia na lapela “a carica”no lugar de quem lá deixou a pele toda, Alma e tudo….
Mas a criatura que é economista, não é parvo, e reconstituiu essa cena em espírito com a habilidade verbal que se lhe reconhece. Que pena não haver uma guerrazita, assim assanhada… Mas quê…. Há apenas a selecção Nacional A, e é um pau!!! Já não há o soldado milhões…. Só temos o Ronaldo que não marca nada…. E o Queirós que já foi…. E o Grande Sporting Clube de Portugal que este ano é que é…. Também temos o FMI e o BCE mais a CE mas isso já não interessa, porque já votámos…. É passado…. A tal ponto o é, que a Senhora que quer ir para a cadeira presidencial do FMI, que ao que parece anda atrás dos votos dos países africanos, e como nós somos na Europa os mais parecidos e amigos dos pretos, nos bajulou dizendo que a questão portuguesa não existe enquanto tal…. Que isto da crise para eles, (nós), são favas contadas… A enarigada senhora pode ser tudo mas: pragmática, é o seu nome de babtismo… Então, e com menos esse peso às costas, vá de folia que o Sº António está aí. Acendeu-se a luz ao Santinho  e montámos-lhes guarda durante um tempo enquanto ía crescendo em mim a razão de ser do cognome de quebra bilhas. Outros asseveram que as conserta. Bom…. O grande Vilaret cantava um refrão que era assim:
Se conserto um tacho
Protejo um namoro.
Logo o populacho
Vem cantar-me’m coro
Meu rico Santinho eu não sei, não sei.
Meu San’tantoninho onde te porei….
O som do Cavalinho acompanha como um bom vinho de taberna…. Tudo salta ao som da caixa e da tuba mai’lo bombardino pois então. O clarinete e trompete volteiam como faúlhas, cága-lumes das noites de verão o vinho escorre das paredes como no “Pátio das Cantigas”….. A tal tipa do nariz muito alto e afilado, deve estar enganada….. Não vamos nada pagar a ninguém, simplesmente porque não haverá a quem….. A UE impludirá…. E o FMI vai dedicar-se à costura e a perseguir meninos anafados assim tipo querubins de rabos lustrosos, pilas minúsculas e bochechas rosadas… A única safa é saltarem para o colo protector do Santo António (que lindo nome) e comerem a sopa toda que o Paulo Portas anda aí…..
     

                       António (é de facto um lindo nome) Capucha
                             Vila Franca de Xira, Junho de 201


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Imprensa regional


Mão desconhecida fez-me chegar à caixa do correio um conjunto de textos, que me deixaram indisposto. Durante muitos dias pensei se deveria ou não, fazer o que ora faço. Isto é: Trazer ao Blogue este assunto. E porquê? Porque no centro da questão está um dos meus irmãos. E há sempre por aí uns “zelotas” à espreita para intrigarem o que podem e, até o que não podem.
Mano, desculpa lá, mas não me foi possível segurar por mais tempo a indignação…
A questão é que um “servita”, criatura que milita no PSD e até é vereador da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, por ventura pessoa muito dignamente preocupada, com estas coisas da Agência Nacional para a Qualificação, IP - da qual o meu irmão é Presidente – Não por estranha coincidência ao facto de o seu partido durante a Campanha eleitoral, ter montado uma forte “barrage” de artilharia sobre a referida agência:  Não, como dizíamos, por que seja um moço de recados do PSD,  mas porque é um “cruzado” contra o facilitismo , o despesismo e outros ismos. Bom até aí!?!? Enfim podemos dizer que é a forma dos pobres destituídos fazerem política. Infelizmente, “homens de mão” destes, há-os aos centos…
O grave…. O verdadeiramente grave é que as afirmações eram falsas. E ainda mais grave é que foram produzidas numa entrevista a um jornal regional: O MIRANTE.
E eis-nos chegados ao verdadeiramente assombroso:
- O meu irmão ao abrigo da lei de Imprensa escreve para o Director do jornal, accionando o direito de resposta. Coisa que lhe foi negada porque, e dizia o zeloso director, que segundo o art. Tal e tal, o direito de resposta deve conter o mesmo número de palavras que o texto que a desencadeou…. Se ele (o meu irmão) quisesse publicar o desmentido, teria que pagar o excesso de palavras para o outro texto….
Espantoso não é…. Este director disputa claramente o empenho e ardor partidário ao próprio entrevistado…. Regional, pelos vistos aqui é eufemismo de órgão ao serviço de um a estratégia partidária. Que duvido, faça parte da sua linha editorial….
Ou por ser um vetusto “jornaleco” de província, julgará o “provinciano” do seu director que pode o jornal que deveria servir, ser mãos largas com uns, e apertadinho e rigoroso até ao absurdo com outros. Mais…. Que lhe cabia a ele decidir sobre isso….
Ou ainda, e essa é mesmo tenebrosa, o seu director (O senhor não merece letra grande) quere-o um jornal situacionista, e este episódio é nota de que já está a mudar de agulha…..
Ao menos haja vergonha…. Já que decência!?!?


                                        António Capucha


                          Vila Franca de Xira, Junho de 2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ai Tónho... Tónho...


Há pessoas que são um autentica biblioteca, um depósito de “estórias” umas jocosas onde reconhecemos facilmente uma personagem rica, e complexa que nos apetece contar e descrever… E outras, tão dramáticas que nos deixam no limiar do desespero da esperança na raça humana… Onde a mesquinhez e venalidade das pessoas que somos nós, socialmente falando, nos dão um retrato que rejeitamos logo à partida por inestético e incontável…. Delas não faremos portanto “contas do nosso rosário”. Das outras sim…
E é pena que não tenham nomes mitológicos que lhes assentariam que nem ginjas, à sua façanhuda vida e qualidades. São prosaicamente: Tónhos, Bitoques, Tabefes e outros normalizados viventes, mas que pelos seus “repentes” haviam de ser Ícaros, Hércules, Ulisses e outras homéricas criaturas….
Um dos maiores mananciais de episódios de figurantes desta estirpe, é Uma senhora dona de um Jardim esplendoroso e uma casa linda, um museu vivo, e que para além de me alugar uma casa em Peniche, faz o favor de ser nossa amiga e vizinha exemplar. A senhora, viúva há uma porção de anos, conserva frescas as “estórias” do marido que foi, como a maioria dos penicheiros, de uma vida ligada ao mar, ao peixe e aos pescadores. E não só ali, as suas derivas exploratórias estendiam-se a um vasto território que ia das Caldas à Nazaré e até mais longe onde a vida o levava. Ora, contava ele e a querida amiga da senhora reproduzia, sem lhe acrescentar variantes, que naquele tempo havia na Nazaré uma personagem de nome de guerra: Tónho, que não era muito amigo do trabalho. Não aduz a “estória” razões, mas é derradeira nesse aspecto… Talvez porque apreciava mais o aconchego do rabo, proporcionado pelos bancos da taberna e a “tonteira” que o vinho lhe dava, que os perigos da azafama do mar.
Reza no entanto a “estória” que o bom do Tónho, movido por sabe-se lá que devaneio, um belo dia conduz a bateira até ao mar. Pouco sabedor destas coisas, empurra a embarcação mar adentro, até ter altura d’água para lhe saltar para dentro e meter-lhe os remos. Só que o mar estava bruto e mesmo ali “à babuje”. Vira-lhe o bote e dá-lhe uma palhaça. Ele quase não tinha saído do areal, põe-se de pé num salto e desenhando uma cruz para o mar, com o braço direito no ar, Grita triunfante:
- JÁ NÃO M’ÁLIMPAS-TE…. JÁ NÃO M’ÁLIMPAS…
E virou costas ao feroz inimigo….

Claro que isto é o que foi testemunhado, por várias pessoas, pescadores e não só, daquela comunidade piscatória… E por assim ser, faz agora parte dos Anais… E refere-se a propósito que a promessa foi cumprida, pois nunca mais ao Tónho, alguém viu a ir ao mar… Há até no cancioneiro nazareno uma cantiga popularque reza assim:
-Não vás ao mar, Tónho 
Podes morrer tónho.
Ai Tónho ... Tónho...
Tão desgraçado és.
Ai Tónho ... Tónho...
Nem 'mas botas tens p'rós pés...
                                                     
                                                   António Capucha
                                     Vila Franca de Xira, Junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Delfim Orfão


Não é a primeira vez que em lugar de um Primeiro Ministro, de um Rei ou mais propriamente, de um chefe elegemos um funcionário , um militante de base da fé da doutrina que permite e enquadra a vil chantagem financeira que se abate ferozmente sobre Portugal e o seu povo.... E valha a verdade, sobre toda a sua economia.... Não é a primeira vez que elegemos exactamente os inimigos da Nação.... Há infelizmente mais Migueis de Vasconcelos do que cabem num pequeno país como o nosso. Mas para não me desviar muito do assunto, esta gente quer convencer quem, de que vão mandar e em quê???? Acho eu,  que nem na sua casa vão mandar .... Isto porque, quer um, quer o outro, putativos lideres dos partidos de ambos, têm entre as suas fileiras, funcionários séniores, dessa coisa dos mercados e é a essa gente (aos mercados) que todos devem obediência, e não a estes cavaleiros andantes, que por o serem e fazendo jus ao seu nome não tardarão muito e vão andando. Porque os ditos mercados, letra sagrado para estes rapazes, estão-se  nas tintas para a sua devoção e hão-de apertar tanto a tarraxa que eles não vão poder pagar, e cumprir os sacrossantos compromissos negociados pelos que por isso já foram penalizados...
Agora sim, se falharem, e vão falhar, gostava de saber quem vão culpar.... Pela primeira vez na nossa História recente os rapazes orfãos de Sá Carneiro, tem gente sua, em todo o lado: Um Presidente Um governo e uma maioria (o sonho de Sá Carneiro)..... E não tardará muito que até o porteiro do Ministério das Finanças seja laranjinha ou simplesmente um portas  do Portas.... O do PP.... ..E desta vez nem o Presidente, em teoria, rema contra. O fiel admirador da Margaret Thatcher, fala dos mercados com o amor de servidor dedicado, não me custa a crer que seja mais um agente, um corrector sénior dessa corja.... E aqui reside o único senão desta vaga de fundo.... Apesar dos esforços de Cavaco Silva em substituir Sá Carneiro, no "cargo" de Guru dos laranjinhas, conta, com a eleição deste cavaleiro andante: Passos Coelho, com um grave revés: É que este não perde uma oportunidade de dirigir prédicas e cânticos de louvor ao "Pai Fundador".... E de tão "enarigado" que o rapaz é, também vai salientar o pessoalismo da sua victória. E não vai por certo enquadrar ninguém que não tenha combatido contra os Barões, durante a sua ascensão.... Vou seguir essas partes gagas com algum prazer.... Esse mérito tem-no.... O de não se ter apoiado em ninguém.... A não ser em iguais, como o Miguel Relvas.... O seráfico Cavaco é que não deixará de tentar a projecção da sua majestática sombra... Mas ou muito me engano, ou pode tirar o cavalinho da chuva!!!!
De resto nada a opor.... Ganharam e bem.... Paz à sua alma!!!!


                          António Capucha

            Vila Franca de Xira, Junho de 201