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sábado, 12 de janeiro de 2013

Poema

O Xico Braga e eu próprio em Dezembro de 2012


Estava de volta dos meus papeis e dei de caras com um poema que escrevi quando tomava uma bica à espera de serem horas de te ir ver, no S.Jose.
Um abraço
Xico


Set  2011

É senhor do claustro, aquele pombo!
Não entendo o que diz no sussurro de cada voo
mas algo sei: é comigo que ele fala.
Aqui, outrora, havia frades a intrigar com deus
Em rezas surdas, pediam companhia com certeza.
Não eram menos do que este pombo, senhor do claustro
feliz por ter agora parceiro no voo
daqui para ali e vice-versa. Arrola o pombo.
Ganhou, como se fosse frade, uma donzela.
Escrevo um poema num claustro antigo enfeitado a azulejos
os célebres azulejos do país que é Lisboa.
Disfarço. Em versos, recuso dizer a causa que me trouxe.
Falo de pombos, de claustro, de versos.
E não digo que menti.
Sim. Compreendi perfeitamente o que dizia o pombo
no seu voo enclausurado. Mas disfarcei.
Dói muito ouvir: “O teu amigo vai morrer!”
É senhor do claustro, aquele pombo.
E sabe. E tudo sabe. Sabe tudo, aquele pombo.

(Enganou-se, felizmente. Ou, de propósito, me enganou
para que eu relembre a dor que dói quando se veste de saudade.)


PS - Enviado pelo meu amigo Xico Braga via e-mail, e contém apenas um erro: em Setembro de 2011 eu estava em S. Marta, que tem de facto uns magníficos claustros... Obrigado...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Demónios.....




Os nossos demónios, tão velhos quanto o Mundo, continuam a atazanar-nos, a nós pobres mortais. Eles, impossibilitados, como parecem, de exercer maior pressão, fustigam-nos a nós como o fariam os "gremlins", pequenos diabretes que fazem partidinhas e partidonas. Assim são os nossos demónios, criam-nos pequenos problemas que todos juntos, fazem a nossa felicidade ou infelicidade. E de tal modo isso é certo, que pequenos nadas fazem as grandes diferenças... Mas não deixam de ser apenas pequenos nadas. As grandes maldades, já as suportei e deixaram as suas marcas, mas não me foram superiores... Fui mais forte que elas sem dúvida, resta-me apenas o demónio de explicar convenientemente, como foi possível inverter tudo.... Sempre me baseei na explicação lógica das coisas, mas desta não sou capaz de encontrar e isolar a razão. Vou ter que aprender a viver com essa dúvida. Não tenho outro remédio. O que não vou agora, é deitar fora uma vida inteira a racionalizar as coisas da vida, e passar a achar, que afinal há uma entidade superior ao nosso intelecto e esse sim tem o omni-poder sobre tudo e sobre todos. Não sou capaz desse exercício....Não vai ser por causa de uma simples dúvida que vou mudar de atitude..... Todos os dias faço um "scan"sobre a minha História recente, e estou certo que um qualquer pormenor, até então escondido num nicho de memória, se revelará, e explicará de uma forma racional, este bizarro desfecho...

                                       António Capucha


                     Vila Franca de Xira, 11 de Janeiro de 2013 

Donos de Portugal.


Depois de ver e ouvir este video até ao fim, o que passou depressa, ocorre-me uma "mensagem " ACORDAI !!!!
O filme da RTP 2, que passou às duas da madrugada
Documentário de 48' mas que é essencial ver (quando tiver tempo) para se perceber como se fizeram e se reproduzem as grandes riquezas em Portugal ...
As famílias que mandaram e mandam em Portugal...
O filme da RTP 2, que passou às duas da madrugada...se isto não é censura...
PS- Enviado por e-mail pelo meu primo João chaparro... Obrigado. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

FMI.



Do alto da nossa História contemplamos estes trastes a fazer de gente. E esta gente a fazer de povo. E este povo a fazer de conta, que os trastes não existem. Não pode ser real aquilo que todos os dias ouvimos. E ouvimos coisas de pasmar. Parecem ser ditas por encomenda. Ainda há pouco o FMI, dizia que nos países aos quais  se aplica a receita de intervenção, deviam ser substituídos os conceito de contenção por acções de crescimento da economia, mas isso foi dantes, agora vem com um relatório em termos completamente opostos, a aconselharem cada vez mais contenção da despesa e retracção da economia. No fundo o que eles não querem é que o Estado, qualquer Estado tenha responsabilidades sociais... Depois não querem que digamos que isto é tudo uma brincadeira, um jogo, tão pérfido que um dos jogadores é em simultâneo árbitro, o zelador das regras.... E a nós, só nos resta o papel de trouxa... Armam-se em entidades independentes, supra-ideológicas, mas vai-se a ver, e são defensoras das doutrinas capitalistas onde se fundou a crise que agora vivemos, é essa a lógica do seu funcionamento. Querem que aceitemos que os "mercados assentam em bases racionais, e depois no espaço de um mês dizem uma coisa e o seu contrário. Estamos entregues à bicharada..... Dizem que Portugal é uma Fénix a renascer das cinzas, e logo a seguir dizem que pensando melhor, é preciso esticar mais a corda. Não há forma de entendermos alguma lógica nestas coisas,  que não seja a da exploração alarve dos mais indefesos.... Por mim....
Tenho dito.... 

                                            António Capucha

                            Vila Franca de Xira, 10 de Janeiro de 2013   

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Iscas, com elas....



Quando estive no Montijo, costumava fazer uma brincadeira sobre as iscas. Normalmente à refeição, sempre havia um ou outro comensal, que não gostava do prato do dia, e fazia caretas. Então eu, fazia bem alto a seguinte declaração:   Vou abrir uma roulote de sandes estaciono ali à porta e faço uma fortuna a vender sandes de iscas e copos de três ao pessoal daqui, não acha senhor Ricardo? E eu vou ser seu sócio! ripostava o interpelado. E ao lanche era o presunto de Barrancos e as malgas de Alvarinho....  Todos riamos das graçolas... Eram um pronúncio de saúde.... Tempos bons esses do Montijo.... Que saudades desses momentos e dos amigos, tantos, práticamente todos os funcionários. Mas permitam-me que saúde em especial a Marta, que espero esteja a ter uma boa gravidez. Isto tudo a propósito de iscas, que fizeram as minhas ultimas três refeições, como mais ninguém gosta cá em casa, banqueteio-me sozinho.... 
Não só para lembrar o Montijo, mas também, tenho ainda no pulso direito a fitinha vermelha que a Rute me atou, um beijinho Rute.... Dona dos mais límpidos e bonitos olhos azul turquesa, a pedir meças ao Céu. Quem vê com olhos destes, só pode ver beleza  e armonia. E a Catarina, minha fisioterapeuta muito querida, um beijo para ti menina bonita.... E a outra Marta a senhora serenidade em pessoa. Abraços ao pirata do André, do Gonçalo, do passarinheiro Claudio, do Francisco, bom amigo. Beijinhos às doutoras e enfermeiras e enfermeiros que me trataram, mais a Drª. da farmácia, A senhora assistente social, a terapeuta da fala a  recepcionista., sei lá beijinhos para todas, nunca vos hei-de esquecer..... Toda/os e cada um/a de per si, me ajudaram a passar, e transformaram, os meses que aí passei, nos melhores, desta minha cruzada contra a desdita....
Impossivel  esquecer-vos.... 
Abreijos.....

                                                  António Capucha

                                  Vila Franca de Xira,9 de Janeiro de 2013

   

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Blogoesfera.....



Este meu blogue, tem a rara capacidade de ser várias coisas numa só. Ele é confessionário, é jornal de parede, é um guia gastronómico, é repositório de contos e crónicas, é púlpito, é muro das lamentações, sei lá é tudo e mais alguma coisa que por acidente ainda não foi inventada. Áh, e não menos importante, é completamente honesto....  É ponto d'honra!!!! Em tempos idos mantive uma questeúncula com um rapaz bem pensante, Empresário e tudo, a propósito duma coisa publicada no seu blogue, o "Albergue Espanhol" Um pormenor mas que destoava da proposta de intenções do blogue. Por difinição albergue Espanhol, é um ponto de cruzamento de várias culturas e tradições, uma espécie de amalgama onde tudo parece misturar-se, numa quase anarquia. Pois não senhor o que aquilo era com todo o despudor, era um orgão oficial destes novos ventos PPD's. do Passos Coelho e camarilha. alguns membros do corpo redactorial até deram em deputados eleitos nessa lista partidária. Por detrás dessa cortina diáfana, do conceito de albergue Espanhol, Gato escondido, estava uma descarada máquina de propaganda situacionista. Claro que achei isso desonesto e disso os critiquei. mantive aceso debate nem sempre polido, valha a verdade, E o rapazinho recém formado jornalista revelou a sua falta de cultura, no fundo eram todos uns clientes do PPD, que estavam a pagar em géneros, os favores que os mantinham em lugares de topo do aparelho partidário. Apesar de o blogue ser bem sucedido, eles não passavam de rapazes e raparigas, tão pequeninos e já tão velhacos.... Por isso revelo tanto orgulho nas vinte mil entradas no meu blogue, é que ele é total e completamente independente e honesto..... Assumo por completo as afirmações produzidas. e não viro a cara à luta, muito menos uso máscaras.....Sou e serei o tonica, que alguns de vocês conhecem doutras lides, muitas e variadas, e esse grupo de amigos pode atestar a veracidade do que afirmo a pés juntos....Quem vem ao meu blogue sabe ao que vem, nâo vem ao engano....  

                                            António Capucha

                           Vila Franca de Xira, 8 de Janeiro de 2013   


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Vinte mil entradas....




É uma cifra importante e um número redondo... Vinte mil visitas ao blogue.... É obra.... Ainda que fossem entradas de tropeções casuais, que não são, seriam muitos enganos! É como a "estória" do Secretário de Estado das Colónias do tempo do facho que de visita a uma delas e perante uma vastidão enorme de terreno á sua frente exclama: É pà, que enorme roça de milho!!! O machambeiro que estava ao lado corrige-o: Óh senhor Secretário, isto não é milho, é capim..... Seja lá o que fôr, é muito!!!! riposta de pronto o secretário.... Bom, não será o caso..... Sei que tenho amigos fieis, esses sim...... Muitos... Que têm gosto em seguir as publicações que faço no blogue. para eles o meu Obrigado, espero nunca vos desiludir. E que a "veia tonta" não me falte....

                                        António Capucha

                        Vila Franca de Xira, 7 de Janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

U. E.




Dia de Reis, manda a tradição que se coma bolo-rei, cujo não era esta coisa furta-cores que é agora, mas es curo adoçado com mel ou melaço e tinha frutos secos, beber jeropiga e cantar, não o "tiro-li-ro", mas as janeiras. E acabar com as broas de mel e aniz, mais as filhós do Natal. Com o tempo, foi-se perdendo o significado desta festa, perdida na voragem comerciante do Natal. Seria hoje quase impossível restabelecer esta data-festa, que aqui ao lado, em Espanha, por acaso ainda mantém a importância, é hoje que as crianças recebem as prendas que os nossos petizes receberam no Natal e os nossos tetra-avós, nem isso. Os festejos desta época do ano celebravam o solesticio de Inverno e o ciclo interminável das actividades rurais, a eterna renovação e fecundidade da Terra e dos Homens que dela viviam. E de que já muito poucos ainda vivem, porque a Europa, isto é, a Alemanha, a França e o Reino Unido, não querem. E nós andámos a engordar porcos, que fingiam ser agricultores para receberem os subsídios para não semear.E a fechar as fábricas texteis para não, tirar o negócio à China, que tinha que comprar as máquinas ás Alemanhas, às Franças e às Inglaterras...... Agora estamos sem aparelho produtivo, e a ter que pagar aqueles que fizeram a nossa desgraça. Custa a engolir.... Espero que numa volta apertada, daquelas em que a História é fértil, estes países fiquem na merda, que eu ainda lhes mijo para cima..... O que nos estão a fazer é inaudito.... Vergonhoso....   

                                      António Capucha

                    Vila Franca de Xira, 6 de Janeiro de 2013

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dia muito positivo...




Dia muito positivo.... A consulta lá foi a tempo e horas o que é raro, e o Dr. Valente, sempre igual a si próprio, não deixou os créditos por mãos alheias, explicou-me tudo certinho direitinho, os passos que vamos dar daqui para a frente, uma vez que está tudo a correr bem. Vou fazer uns TAC's ao abdómen, e só após isso ele me encaminhará para o processo da processo da prótese. E muito depois com toda a segurança, desfaz o "estoma" e reconstroi o intestino.... Parece que vai ser um pouco mais complicado do que eu imaginava, mas ele é que sabe, ele é que tem os livros..... No entanto, acho que lhe agradou o meu estado geral..... Mas sim, estou à entrada da recta final.... E hoje foi o seu início.....Auspicioso... Evidente.... De marca forte e indelével.... O Dr. Valente não é um ilustre desconhecido, é um amigo..... Ele e a minha "benfeitora" a minha querida médica de família, a Drª. Eduarda, são os marcos da minha recuperação.... Devo-lhes a vida , tão só isso. Coisa pouca como se vê..... Ainda hoje me disse que  a operação que fiz era de elevado risco, mas a outra solução, era estar agora a fazer tijolo. Estarei sempre grato a estes dois amigos. 

                                              António Capucha

                                Vila Franca de Xira 4 de Janeiro de 2013  

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Amanhã é que vai ser....




Pode muito bem começar amanhã a última fase da minha recuperação. Amanhã está marcada uma consulta com o cirurgião que me operou. Acredito que me irá receitar a prótese para a perna esquerda e a partir daí basta-me aprender a andar com ela. Se se revelar necessário, voltarei para o Montijo para me adaptar a ela.Também pode amanhã ficar marcada a intervenção cirúrgica, para reverter o intestino e livrar-me de vez destes incómodos sacos pendurados do abdómen, colados como lapas. É portanto o dia D, desta minha saga. Tenho uma inflamação no coto da perna esquerda, mas não é nada que me preocupe, será uma daquelas coisas que incham, desincham e passam. Nada que me preocupe. Pode parecer que são demasiadas coisas para desejar num dia só, seria preciso que estivesse tudo muito bem, mas sou optimista por natureza. Há-de correr tudo bem.... Caramba, de má sorte já tive quanto baste.

                                     António Capucha

                     Vila Franca de Xira, 3 de Janeiro de 2013 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Morte aos traidores.....




Sinto-me mal, pesaroso.... Ontem ouvi, com o pouco ouvido que tenho, o supremo magistrado da Nação Lusa, expor sem vergonha alguma a sua natureza impura e traiçoeira. O discurso muito bem alinhadinho, revela o que de facto este senhor é. Esta criatura, não pretence a coisa alguma, as coisas, todas elas, é que lhe pertencem..... A grupo social algum, a clube politico nenhum, A religião nenhuma.... Ao invés tudo isto lhe pertence e serve, para as suas maquinações.... O sem vergonha fez o miserável exercício de demarcação da estratégia do seu partido e seu governo, seu no sentido de posse, naturalmente, como se não tivesse nada a ver com isso..... O cara de pau, trai os seus, como quem vai de caminho.    
Não se iluda quem vê nele a imagem do equílibrio.... A traição sim, é o seu modo de vida, se repararem bem, vejam que tem sido uma constante ao longo da sua carreira politica. 
Roma não perdoava aos traidores, ainda que fossem beneficiários dessa traição. A razão é simples, Não se traiem os seus uma vez sem exemplo, traidor é-se sempre, é um traço de caracter, ou a falta dele..... Então quem traía os seus - condição sine qua non -  ainda que em beneficio de Roma, mais tarde iria trair Roma em beneficio sabe-se lá de quem! princípio simples, não é verdade? Executemos pois os traidores.... Ter uma pessoa assim à frente dum País, é motivo da mais alta preocupação.... Não sei o que é que impede este povo de ver o que há tanto tempo cresce, como um fungo, a olhos vistos e bem á nossa frente. Somos herdeiros da cultura romana, portanto: Morte aos traidores....

                                     António Capucha

                    Vila Franca de Xira, 2 de Janeiro de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Quer queiram, quer não......




Ano novo, vida nova..... Pese no entanto a ameaça descarada dos nossos governantes, Só nos podem roubar bens materiais, dinheiro e tal, mas não podem roubar-nos a vontade de viver.... Eles andam nisto há pouco tempo, nós temos quase um milénio de História de sacrifícios algumas victórias e muita luta, muita luta para vencer. E esse espirito vem-nos já inscrito no ADN. Não serão estes badamecos, que nos vão fazer desanimar. E a História não perdoa a traidores, hão-de cair sem glória e mais depressa do que para lá subiram. Vai uma apostinha!.... Os Coelhos, os Vitores, os Portas e travessas, vão ficar no nicho de História onde já estão os Vasconcelos, conde Peres de Trava e companhia. E nós cá estaremos a viver o dia-a-dia e a cagar muita merda para eles todos. Tiram-nos o dinheiro, mas a Alma essa está fora do seu alcamce, nem lhe chegam às bordas. Não comemos Robalo, comemos carapau de gato mas á fome também não consegirão matar-nos. Não comemos no Redondel, vamos ao galego comer umas sandes de coiratos. Não bebemos vinho da fundação Eugénio d'ALmeida, bebemos Arruda carrascão. Comemos fruta verde e tudo o que fizer gases para dar muitos peidos para estes cabrões de merda, E por cá andaremos, muito depois de a História os ter esquecido, a patrulhar as margens do Tejo, escrever, e ler poesia..... Isto foi só um dia mal passado e uma noite mal dormida.... 

                                      António Capucha

                    Vila Franca de Xira, 1 de Janeiro de 1013

domingo, 30 de dezembro de 2012

Que viva o teatro...



Luisa...




Luisa, já por diversas vezes aqui referida e contada a sua dura vida, é no entanto uma criatura feliz, que irradia simpatia, mas de convicções muito fortes e por vezes ásperas.... Fruto de levar uma vida de trabalho e luta constante, mais a frugalidade dos seus hábitos, eis as circunstâncias que forjaram não só a silhueta airosa e ágil, elástica, mas também a sua tenacidade e a sua força de carácter. 
Estava sentada ao serão com a sua mãe e a menina que dormia ao colo, e reparou num fiozinho de àgua que escorria da parede da salinha onde assistia a um programa de TV. Era só o que me faltava, não querem lá ver que tenho que fazer obras no telhado. Fica aí por um dinheirão, e o coração apertou-se-lhe. Onde havia de ir arranjar o dinheiro. O magro salário de operária textil, não lhe dava para mandar cantar um cego. Mas estava felizmente enganada. O fiuzinho de água, era fruto da condensaçãoda humidade do ar interior da casa que evaporava e condensava na parede que era mais fria, convertendo-se a humidade em água que escorria. A noite estava extraordinariamente húmida e a casa junto ao rio também não ajudava nada. Ainda bem que assim é, porque senão teria que fazer horas extraordinárias no trabalho, e isso era tempo que lhe roubavam ao convívio da menina. Esses eram os momentos de maior alegria, vê-la crescer assim saudável e risonha, era a luz dos seus olhos. Amanhã tinha que ir falar com o Sr. Alfredo, por via das obras no telhado, assim foi antes de ir para o trabalho foi a casa do pedreiro falar com ele e certar um preço. O Alfredo era felizmente um homem honesto e lá lhe foi dizendo que pelo que ela dizia, aquilo não era nada de errado com o telhado, mas sim da humidade. Mas  que estivesse descançada que ele passava por lá para dar uma vista d'olhos. A noite que passasse por lá que ele logo lhe diria. Foi dali para o trabalho , pensando que conversa havia de fazer ao chefe, para fazer umas horas extras. Que raiva que lhe fazia ter de andar a pedir "batatinhas" aquele burgesso.  ela bem via os olhares gulosos do lorpa, quando a saia subia um pouco acima do joelho, e estava sempre de pasmado a babar-se se o decote deixava ver um pouco de seio.... Porco de merda..... debruçava-se sobre ela sem haver necessidade disso e ela sentia-lhe o hálito avinhado, fétido..... Que nojo.... Mas lembrava-se do telhado e pronto estava decidido. Falava com ele, depois logo se via o que ele grunhia.....
Passou pelo café e deu-lhe um vontade enorme de entrar e beber um, mas lembrou o telhado e engoliu a saliva e pronto, estava feito.... 
O dia passou a correr, não teve ganas de falar com o encarregado, falaria amanhã com o patrão, mal tocou a busa disparou para casa do Sr. Alfredo e chegou lá estavam à mesa a cear, que se sentasse e comesse uma sopinha, enquanto estava quente e lá lhe foi dizendo que afinal não era nada com o telhado, que até estava muito bem. Mas já tinha dito àmãe o que havia a fazer, era abrir uma fresta numa janela e assim, livrava-se da humidade. A Luisa agradeceu o convite mas escusou-se, estava com pressa para ir ter com a sua menina. Bem bonita a sua menina, também tem a quem sair se me dá licença..... A Luisa ficou um tanto embaraçada com o elogio, mas os olhos brilhavam, afinal , não eram preciso obras, e despediu-se educada mas decididamente. E partiu num galope para casa. feliz e contente com o desfecho deste assunto.....

                                      António Capucha

              Vila Franca de Xira, 30 de Dezembro de 2012 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Si non est vero est bene trovato...





MUITO SÉRIO E GRAVE.
É preciso que a mensagem passe, contra os privilégios absurdos de alguns, que se estão nas tintas para a Crise (dos outros)...


António Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados: Austeridade e privilégios, no Jornal de Notícias. Excertos:

«[...] O primeiro-ministro, se ainda possui alguma réstia de dignidade e de moralidade, tem de explicar por que é que os magistrados continuam a não pagar impostos sobre uma parte significativa das suas retribuições; tem de explicar por que é que recebem mais de sete mil euros por ano como subsídio de habitação; tem de explicar por que é que essa remuneração está isenta de tributação, sobretudo quando o Governo aumenta asfixiantemente os impostos sobre o trabalho e se propõe cortar mais de mil milhões de euros nos apoios sociais, nomeadamente no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, nos cheques-dentista para crianças e ? pasme-se ? no complemento solidário para idosos, ou seja, para aquelas pessoas que já não podem deslocar-se, alimentar-se nem fazer a sua higiene pessoal.

O primeiro-ministro terá também de explicar ao país por que é que os juízes e os procuradores do STJ, do STA, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de todas aquelas regalias, ainda têm o privilégio de receber ajudas de custas (de montante igual ao recebido pelos membros do Governo) por cada dia em que vão aos respetivos tribunais, ou seja, aos seus locais de trabalho.

Se o não fizer, ficaremos todos, legitimamente, a suspeitar que o primeiro-ministro só mantém esses privilégios com o fito de, com eles, tentar comprar indulgências judiciais.»
"A vida corre atrás de nós para nos roubar aquilo que em cada dia temos menos."

 PS- enviado por e-mail pelo mano velho....

Que viva o teatro....




Há coisa de uns dois anos, três no máximo, o meu amigo Carlos Fernandes, pediu-me que escrevesse uma peça de teatro sobre a guerra colonial. O tema éra-nos, melhor, éra-lhe muito caro, pois ele viveu-a de "per si" na distante Bissau onde fazia Rádio para o exército. Lancei-me à obra e socorri-me de diversas memórias das quais tive contacto através de terceiros, uma vez que eu não estive na guerra. E criei uma peça em quatro actos, aos quais tive o cuidado de facilitar a sua eventual produção, em espectáculo teatral. Para tal socorri-me da minha experiência teatral, que terá sido fugaz mas intensa. O meu estimado sobrinho que vá estando atento, que um belo dia publico-o.Ele ao que sei, lidera um grupo de teatro muito produtivo e é a minha maior esperança de alguma vez o ver em cena. Ela está no disco duro de um computador que está desactvado há mais de um ano. E o Francisco, meu filho, fará o favor de o ir buscar, o computador naturalmente,  há-de estar cheio de falhas, por causa da humidade apanhada e outras novidades funestas. Esperemos que se consiga salvar o texto em causa.... 

                                  António Capucha

           Vila Franca de Xira,29 de Dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Encher pneus....




Tenho que encher os  pneus à minha bicicleta, porque está a deslizar mal. Está de direcção pesada. E esta "jinga", até rolava muito bem. Muito melhor que a "jinga" que eu tinha no Montijo. A senhora meio espanhola, que mora cá em casa disse, que ela está cada vez mais pesada e eu acredito também noto alguma relutância nas viragens rápidas. Está portanto na hora de bufar ar nas "camaradagens" dos "pneu". É uma actividade que enfim, me manterá ocupado neste tempo de equidistância entre os festejos natalicios e a passagem de ano, apenas quebrado pelos anos da Rita que quase,  quase ía nascendo na noite do caramelo. já lá vão trinta anos e parece que foi ontem. Aliás o mês de Dezembro é cheio como um ovo, de eventos. Se não vejamos. logo a abrir no dia dois, são os anos do Francisco, depois dia vinte e um, faço anos de casado. Dia vinte e cinco já se sabe é o Natal. Dia vinte e sete são os anos da Rita e trinta e um é a passagem d'ano. Cheio como um ovo como se deixa ver. 

                                  António Capucha

              Vila Franca de Xira, 28 de Dezembro de 2012  

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CR&F.




Carvalho Ribeiro e Ferreira, mais conhecido pela sigla CRF, é uma aguardente velha de qualidade que bebi hoje após o almoço. Soube-me que nem ginjas.... Combinou na perfeição com o café, pena foi que no restaurante não se pudesse fumar, assim o Havano ficou no bolso. O que foi uma pena.... Suponho que esta recente vaga de puritanismo anti-fumo e anti-tudo e mais alguma coisa, está a dar cabo das coisas boas da vida, e, em ultima análise é perniçiosa para o negócio dos restaurantes, nomeadamente. perseguindo tudo o que os moralistas consideram ser pernicioso aos costumes saudaveis. Mas isso é só uma desculpa. A verdade verdadinha , é que isto é proíbicionismo puro e duro, como o foi a proíbição dos bikinis e mini-saias. E se o ambiente fôr favorável, um governo conservador e tal, lá chegaremos... Eles que gostam tanto de estatisticas, porque não tornam público a eventual deminuição de casos de AVC's e outros, desde que foram  tomadas estas medidas de protecção dos chamados fumadores passivos. Suponho que será porque não há nenhum recuo da doença, isto é , a medida não produziu efeitos nenhuns. Apenas veio criar animosidades e cerciar o direito a alguns prazeres.... E isso sim, é o grande desígnio destes chicos-moralistas, roubar-nos os prazeres.... Todos eles.... Se são prazeres, são ilegítimos, qiçá, pecados a requerer expiação....
Malditos puritanos.... Capados de merda.... Velhacos .... Roubaram-me o prazer de um charuto com o café e o conhaque.... Manhosos......


                                   António Capucha

                 Vila Franca de Xira, 27 de Dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Já foi......




Mais um Natal, passado que foi fica a azia e a austeridade alimentar para recuperar os Kilitos, adquiridos à pala dos fritos e outros acepipes que nos cercavam e suplicavam que os comêssemos. Irresistiveis, de olhares doces e lânguidos.... Até a TV esteve à altura dos acontecimentos, passou uma série de filmes tó-tós, que mantiveram a família atenta e mobilizada. A casa acolhedora e quente, ao invés do tempo lá fora que estava de gelo, sei o que digo porque fui à rua. A casa do falecido Armando, meu pai, ter com os manos que lá se Juntaram, como fazem todos os anos por esta altura. Lá estavam nas paredes o adufe da minha mãe, Maria, a benção do Papa PIO XII ao casamento dos meus pais, e todo o passado passava por aquelas paredes. Fotos e enormes "pusel's" que a demência do Armando mandava construir, lá estavam a testemunhar isso mesmo. E uma ideia não me largava: Que prazer a Maria, minha mãe, não tiraria se tivesse Habitado aquela casa maravilhosa e confortável, Não lhe foi dado esse prazer para o fim da vida. Beirâ frugal e diligente, ainda assim, morreu feliz e contente com a vida que teve. Mulher duma cana........ Querida mãe, porque eras crente sei que estás lá onde tu acreditavas ser o teu lugar. Terias sido tu a espantar a morte que me rondou tão de perto? Sei que acreditavas tão intensamente nisso, que para mim, isso é quase uma realidade material. Quase me sinto mais pobre por não crer......

                                            António Capucha

                          Vila Franca de Xira,26 de Dezembro de 2012

PS_ Àh é verdade, as filhós ficaram boas....