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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Soldadinho




O Francisco conseguiu "acordar" o disco duro onde estava esta, e outras obras. Tal como foi prometido publico hoje a minha primeira e única, até à data, incursão dramaturgica. Foi escrita a pedido de um amigo, o Carlos Fernandes, que aderiu ao teatro após a reforma. Nunca é tarde! corria o ano de dois mil e dez. 

                                    António Capucha


                  Vila Franca de Xira, 16 de Janeiro de 2013




O SOLDADINHO

Peça em Quatro actos

                        Personagens por ordem de entrada em cena
André – O Pinante
A mãe – Sr.ª Maria
O pai – Sr. Zé
Rosinha
Vários – cenas do cais
Alferes Mil. Almeida
Furriel Mil. Enfermeiro Fonseca – O Tesouras
O Armstrong – o Corneteiro
Soldado Joaquim – O Metralha
Capitão Faria
Tenente Fonseca – O Chico
Vários Militares – Mensagens de Natal
Os mesmos em Parada
Soldado maçarico
Capitão Salgueiro Maia

1ºACTO


Cenário: Cozinha de casa de aldeia. Lareira térrea, fogão de lenha, talha de água. Mesa sólida e rústica no centro. Adereços vários que se coadunem com as características sócio-culturais da ruralidade em finais dos anos sessenta do Século passado em Portugal.
Em cena está a mãe a preparar o almoço. Sentado no topo da mesa oposto à posição da senhora, está o pai que espera a refeição. Ela doméstica, ele pequeno proprietário rural. Ambos na casa dos quarenta anos bem puxados…. Usam trajos de trabalho, porque é dia de semana, uma Sexta-Feira que antecede os festejos da Rainha Santa Isabel, padroeira da aldeia…    
De fora de cena-
AndréMãe???… Ah ‘nha mãe…onde é que está a minha gravata de camurça?
Mãe - Está aí! Pendurada nas costas da cadeira para arejar.
Pouco depois ouvem-se passadas francas e descida ágil de escadas de madeira. André Entra em cena nos seguintes preparos: Colete, camisa branca bordada, calças da tropa, boina militar no alto da cabeça, botas da tropa desapertadas e a gravata, de uma cor bem contrastante: vermelha. 
 André –  ‘Nha mãe?’ Tou ou não ‘tou bonito? (e roda sobre si mesmo)
 Mãe Óh rapaz…(diz entre risos) “Antes descalço que sem gravata”.  Alvarenga! ‘Tás ‘tás, tás bonito!!!! E os sapatos ‘atão, são do melhor….
Pai – (Rindo também) As cachopas até vão cair de banda….
André – Meu Pai…. Vai ver que vou passar a noite toda a bailar c’a Rosinha….
Mãe - Por falar em Rosinha….Meu filho, se calhar é melhor não te chegares muito a ela. É que ouvi cá ‘mas coisas?!?!?!
André – Áh ’nha mãe…. Que é que a senhora ouviu?
Mãe - Nada…. Nada…. Anda, vai mas é tirar essa roupinha antes que a sujes, e anda comer.
André – Nã… Nã… Agora tem que dizer.
Mãe – Óh rapaz…. Não foi nada, sossega….
André – ‘Nha mãe?!?! (empertigado)
Mãe – Ai, ai….. Por que hás-de ser tu assim? Não tem importância nenhuma. São coisas que se dizem.
André- Mas o quê? Que é que a senhora ouviu? O qu’é que se diz?
O pai faz um gesto de assentimento para a mãe sem que o André dê conta
Mãe – (hesitante) É que tenho medo por mor de ti.
Os irmãos da Rosinha dizem que se fores ao baile e se te chegares muito a ela… Dão-te uma coça que sais de padiola….E….
André – E QUÊ ‘NHA MÃE?????
Mãe – Não é isso meu filho…. Eu tenho é medo que dês para lá uma tareia em alguém!!!!!
André – ÀAAh BEM….. (dá uma volta à cozinha, todo pimpão)
Depois, insufla o peito d’ar e sai por onde entrou… voltam a ouvir-se:  subir de escadas e as passadas firmes.
Pai - Já cheira!
Acto contínuo, a mãe pousa em cima da mesa a panela fumegante que tirara do fogão.
Mãe – ( gritando) ‘Tá na mesa….
Voltam as passadas. André entra e senta-se à mesa, já em trajos do dia-à-dia. O pai corta o pão em fatias…
Pai – ‘Atão a tropa rapaz?
André – (com desdém) Áhhhh aquilo é canja!
Vocemecê dizia que aquilo era UHHHH, do pior. Mas afinal aquilo não é, é p´ra meninas…. Só a comida é que… Não é aqui com’á da ‘nhã mãe n’a senhora…
Que saudades. Tá tão bom o caldo…. E o Pão? (cheira-o)
E come avidamente, que não alarvemente, mas com manifesta satisfação própria dum jovem que vende saúde.
Pai – Maria… Passa-me aí a broa. E bota um pouco mais de toucinho…
André – Pai, Como é que vai A courela da Tapada Nova? Já dá para semear qualquer coisa?
Pai – Ainda não! Aquilo é uma terra dum cabrão, dura como cornos!!!
A Maria interrompe-o! Benze-se.
Mãe –  Abrenúncio Zé…. Que linguagem! À mesa não se pragueja e à frente do rapaz e tudo…
André – Quais rapaz ‘nha mãe??? Eu já sou um “home” À tropa só vão os homens!!!!
Pai – Pois e eu que o diga, Fazes-me cá uma falta. Um braço-de-trabalho como tu e a Tapada Nova já rendia….
Ouvem-se pancadas fortes na porta da rua.
Pai - Deve ser o Zé tremoço… Combinámos ir ver umas rezes.
André –(fazendo menção de  se levantar) Eu vou abrir.
Mãe - deixa-te estar, acaba lá de comer.
Sai de cena, e ouve-se de lá.
Mãe - Áh é voçemeçê, sr. Adérito?
É o correio! (Diz para dentro).
O pai que entretanto já se levantara, volta a sentar-se.
Entra a mãe com uma carta na mão. Entrega-a ao André e diz com gestos equívocos… E o mal disfarçado desconforto típico dos infelizes analfabetos, que à época, eram uma grossa fatia da nossa população adulta….
Mãe – lê tu meu filho, q’eu n’a vejo bem, e n’a tenho aqui os óculos….
André – É p’ra mim…. É da tropa…
Com ansiedade mal contida abre o sobrescrito, desdobra o papel e lê.
André – Hã…aã…ã….ã…,ã…..ã….ã….., notifica-se o 1º Cabo André Vaz Silvados - Sou eu – de que deve apresentar-se no Regimento de Cavalaria 4 em Tancos, até ao dia 1 de Outubro, afim de formar Batalhão…Tal….tal…tal…. Junta-se Guia de marcha e requisição de transporte…..e por aí fora……... VOU P’RÀ GUERRA! Viva…. VOU P?RÀ GUERRA….
A mãe, como que fulminada, cai de joelhos. O pai fica de pé hirto e de olhar fixo não se sabe bem onde. O André rodopia e salta de contente.
André - Áh n’ha mãe…..não se amofine senhora n’há mãe…. Eu vou lá, mato os “turras” todos e não tarda um “fórfo”(um fósforo – popular)  estou de volta….Mãe fale…. Diga qualquer coisa!!!!
O pai sem abandonar o ar distante, diz por seu turno.
Pai – Bom mulher… eles na “tlefonia” Dizem que a nossa tropa esta a dar cabo deles. Que os pretos são uns cobardes. Só atacam civis, agricultores brancos, tementes de Deus, como nós…..
A mãe parece surda a tudo. A sua expressão revela que algo parou no seu mundo. É como se lhe tivessem esvaziado o cérebro. O pai prossegue após breve pausa…
Parece que se está a auto-convencer.
 Pai - “Ódespois” eles só têm catanas. Deus não passou por ali… Aquilo são uns selvagens que querem roubar aquilo que é nosso…
André – Mãe… Há-de passar-me a farda a ferro que é fardado que eu vou ao baile. Sempre quero ver a cara dos palermas dos irmãos da Rosinha…… E ela, por força que vai ficar caídinha por mim… Hei-de “bailhar” e “bailhar”, rodopiar tanto que levantamos voo. Até a Santa vai juntar a voz ao povo e gritar: Aí “bailhador”!!!
E quando eu voltar d’África vou casar com ela…. E é já que vou tratar disso. Se lá estiver o Sr. Jacinto, é amanhã mesmo que lhe peço a mão da Rosa – Sr. Jacinto… dá-me a honra de namorar a sua filha? (arremeda) E o que é que tu meu rapaz, tens para lhe dar. Saiba que quando voltar da guerra, venho feito Sargento…. É como estar aqui. (arremeda de novo) 

Sr. Jacinto - Bom se é assim!....
O pai lá no fundo acha que a telefonia mente, e o filho voa alto demais, mas mantém no entanto a atitude para não estragar a felicidade radiante dele, que de certa forma lhe agrada…. Moço valente!
A mãe, desde a infausta notícia ficou prostrada, balbucia coisas como quem reza. E em crescendo a sua expressão parece um balão prestes a estoirar. E estoira….
Mãe - (Agarrada ao vestido ao nível do peito, que torce e contorce como se quisesse dilacerar-se) Trouxe-te dentro de mim, rasgaste-me ao saires… amamentei-te, mimei-te… O meu menino… Agora levam-te não sei p’rá onde…. (num grito, bem do fundo da Alma estende os braços) MEU FILHO!!!!!

FIM DO 1º ACTO

                                                     

                                                      




2º ACTO
Cais da Rocha do Conde d’Óbidos, Lisboa. Transatlântico encostado …. É o Niassa 
                                                                    



 Depois da parada militar é permitido aos militares um último adeus à família e amigos. Eram naturalmente momentos de enorme intensidade dramática. Após o que embarcavam.
Ambientes iluminação e efeitos sonoros a propósito. Todos os elementos do grupo disponíveis, em palco como familiares que se despedem, ou militares que partem. De modo a não afectarem a percepção dos diálogos das personagens centrais, podem e devem intervir com frases a propósito que alternam com murmúrio de multidão segundo determinação da encenação.
Em cena André, a mãe, o pai e a Rosinha.
André, embora respeitosamente, tal como o”Niassa” está atracado ao cais, está ele por sua vez atracado à Rosinha.
Ela e a mãe de André, esforçam-se por reter as lágrimas. O pai figura patriarcal da família, parado direito e com um esgar facial entre a cãibra e o sorriso.
A mãe, entre o pai e a rosinha, não para de ajeitar a farda do garboso 1º Cabo André Silvados – o Pinante para os camaradas….
André – Rosinha? Esperas por mim?
Rosinha – Hei-de contar as semanas, os dias, as horas, os minutos e ao acordar será para ti o primeiro pensamento…  
Vou pôr flores ao pé do teu retrato, todos os dias. E vou começar a bordar o véu de noiva que hei-de usar quando casarmos.
André – E eu Rosinha, Fardado de Sargento, tudo a dourado…. Vais ver…
Rosinha – É mais bonita que a farda da “busa”? (a banda filarmónica)
André – Se é mais bonita???? É assim mal “acomparado” a Rainha Santa e a “T’amaratónha”(Ti’ Maria Antónia, uma anciã, que coitada pouco devia à beleza e “amandava” uma “bigodaça” de respeito)
Mãe – André!!!! Já te disse que não fales assim da velhota…. Ela até passou lá por casa e deixou uma bôla de carne para levares…. Diz que é pró caminho…
Desde que eras menino…. que ela gosta de ti… Eras um menino tão lindo…. (e as lágrimas atrevidas assomam-lhe às pálpebras, disfarça virando-se para o lado fingindo observar o paquete.)
André – Era não!!! Sou!!!!
Rosinha – Vaidoso!!!
Riem todos…
Pai – Gaba-te cesto!!....
Todos - …. Que amanhã vais à vindima!!!!  
Riem de novo.
Poderoso e fero, o “ronco”  da sirene do navio sobrepõe-se a tudo. 
André perfila-se perante o pai faz a continência a que o pai corresponde, e diz.
André – Estão a chamar-me…. Sua bênção meu pai!  
O pai puxa-o para si e abraça-o fortemente e vá lá saber-se como, uma lágrima bailarina, percorre-lhe a face sulcada de rugas e curtida pelo Sol e a neve.
André também passou a mão pelos olhos, mas logo um sorriso lhe assoma ao rosto, como o Sol que irrompe das nuvens…
André – Sua bênção ‘nha mãe.
A mãe cobre-o de beijos, de mistura com uma corrente indomável que lhe brota dos olhos. Mal conseguindo dizer:
Mãe - Deus te guarde meu filho… Deus te guarde….
Esta torrente maternal quase não tinha fim. Firme, se bem que suavemente o pai agarrando-a pelos ombros, tenta em vão separá-la do rapaz…Luta absolutamente desigual. Nada é mais forte que o amor maternal. O pai maneava a cabeça na direcção da Rosinha e então a pobre da Maria, lá aceitou ficar-se pela solidão das suas lágrimas.
O André “rouba” um beijo à cachopa. Os pais fazem de conta que não viram. Então a libido e os vinte anos de ambos fazem o resto… Fundidos num só, trocam carícias…
O “rásparta” do vozeirão do barco irrompe de novo, rugindo a ordem de embarque que o arranca aos braços trémulos da rosinha que lhe diz num soluço:
Rosinha – Escreve!!! Cá fico à espera! Escreve amor!!!!
Passam por eles camaradas do André… Perdão! Do Pinante….
1º Camarada – ‘Bora Pinante… é a última chamada!
2º Camarada – Pinante… “‘Tá do ir”….
Sobem as escadas de embarque a correr e vão empoleirar-se onde calha e de onde vêem, e acham que serão vistos, pelos seus durante mais tempo, numa tentativa vã de inverter a marcha do tempo….
 Acena-se freneticamente dum lado e doutro do cais. De cá, de permeio com lágrimas e lenços a acenar, que escrevem no espaço: Nós amamos-vos tanto…. E de lá, sorrisos confiantes que dizem: Não se preocupem. Vamos voltar…  Isto mesmo, pode ser dito de um lado e o outro do cais…
O navio afasta-se….
A mãe ainda balbucia:
 Mãe – Adeus meu querido filho!
Rosinha – Cá estarei meu amor!!!
Breve pausa.
Mãe – Eu cá só me apetece é ficar aqui até quê’le volte.
Rosinha – Eu fico consigo, senhora minha mãe.
Pai – Vá… Vamos mas é p’ró comboio, que os animais já hão-de estar com fome.



FIM DO 2º ACTO



INTERVALO


Aquartelamento militar da tropa portuguesa na mata africana de uma qualquer das nossas ex Colónias.  Pavilhões grandes com janelas e telheiros na frontaria, tudo cercado por uma paliçada, onde estão instalados vários postos de defesa do perímetro. Efeitos sonoros a condizer.
Passaram já quase dois anos desde que o Pinante largou do cais da Rocha do Conde d’Óbidos. É fim de tarde, um daqueles fins de tarde que só se vêem em África. Todos os elementos disponíveis fazem figuração de militares.
Em cena: o André –o Pinante – Um camarada – O metralha – O Capitão Faria, O Alferes Miliciano Almeida; o Furriel Miliciano Enfermeiro Fonseca - o Tesouras – O Tenente Esteves – o Chico – e o corneteiro – o Armstrong ….
Alferes Almeida – Óh Armstrong, Toca aí para o arriar da Bandeira!!!! (efeito sonoro correspondente)
Para além deste duvidoso interprete musical, perfilados no centro da parada estavam já o Pinante, cabo de dia à unidade; o Furriel Tesouras, Sargento de dia à unidade e o Alferes Almeida de Oficial de dia. Soa o toque e o Tesouras vai descendo a Bandeira Nacional e toda a gente presente na parada em continência. Terminado o acto o alferes Almeida comanda:
Alferes Almeida – Direita vol…. ERRRR. Destroç…ARRR.
Dirigiram-se todos para debaixo do telheiro.
Pinante – Óh Tesouras o “Heli” hoje trouxe correio? É que vai p’ra uma semana que tive o último “aerograma”
Tesouras – Não, não veio nada, só correio para o comando.
Metralha – Estás é mal habituado… Eu há mais de um mês que não me toca nada…É que ninguém me pergunta o q’ué q’eu tenho!!!
Pinante  - ’Atão tu não tens uma “flausina”lá na Châ, a morrer d’amores por ti.
Metralha – Só me escreve a velhota. Quer dizer… Escrever, escrever  não escreve. Quem escreve os aerogramas é o Padre…. Porra, é cada seca….A velhota, mesmo analfabeta, não dizia aquelas “parvoadas”. Um  dia destes mostro-tos, tenho-os todos guardado, percebes….  seja como for, são da minha mãezinha!
O Capitão Faria sai a porta do pavilhão do Comando com o tenente, e chama pelo Alferes.
Capitão Faria – Óh Almeida trate de avisar toda a gente que p’rá semana vem aí uma equipa da TV, para gravar as mensagens de Natal.
Alferes Almeida – OK Capitão, fique descansado.
Tenente Fonseca – o Chico - O pessoal que passe pelo Escovas – O barbeiro da companhia – q’ueu não quero gajos com mau aspecto a falar p’rá Metrópole…
Pinante – (Entre dentes…) Mau aspecto tens tu que andas sempre bêbado… Chico da merda.
Alferes Almeida – Coitado é um frustrado. Sabes ó Pinante, este gajo anda sempre bêbado e é assim porque é um menino da Academia Militar, foi fazer no curso de “paras” e chumbou. Esses tipos levam isso como um caso de honra, neste caso, de desonra. Então radicalizou-se militarmente para disfarçar o seu falhanço. Tu que és um tipo inteligente, entendes que ele é, é digno de pena.
Pinante – Não sei meu alferes…. Eu também cheguei aqui com montes de basófia, que ia matar “turras” como quem mata moscas, também vi destruídas a minhas convicções, e nem por isso me entreguei à bebida ou me tornei mau. Mas também não me tornei cobarde.
Alferes Almeida – Isso é verdade, diz-se p’raí que davas um bom Sargento…
Metralha – Elá… Ó meu Sargento Pinante. (mima a continência)
Pinante – Porra… Escolhe outro. Quero é ver-me livre desta estúpida guerra e ir para a terra estudar, casar e trabalhar.
Esta guerra não é p’ra mim… E se virmos bem, nem é para ninguém. (Sem se darem conta, a noite foi caindo. Efeitos sonoros de noite africana. O Pinante acende um cigarro, puxa duas fumaças e prossegue) ….
Lá em Portugal é fácil convencerem-nos de que esta guerra é uma guerra patriótica… E tal….. E porquê? Porque nós lá estamos completamente às escuras acerca do que é isto aqui.
Dei muita volta na cama e à cabeça, para encaixar nas minhas ideias, a valentia, as ganas, com que os pretos lutam. Claro que não encaixava! Lutar da maneira que lutam e serem cobardes!!!! Não bate certo. Então entendi que só podia ser por uma razão…. (puxou de mais umas fumaças. Notou então que os seus camaradas esperavam uma conclusão. E não os desiludiu)
Estamos aqui a fazer guerra em nome duma mentira pegada. Esta terra é deles, por isso a defendem com unhas e dentes. E, levem-me preso, façam o que quiserem, mas ninguém me tira desta.
Fez-se um silêncio sepulcral… Estavam todos ainda a digerir o que o Pinante tinha dito. Bom, todos não….Ao Alferes via-se-lhe um brilhozinho nos olhos. Levantou-se deu uma palmada amigável nas costas do Pinante e disse:
Alferes Almeida – Algo me diz que estás cheio de razão… Havemos de falar mais sobre isso. Mas agora vou Jantar. Boa Noite.
Tesouras – Também vou… Até amanhã.
Todos -  Boa noite… Até amanhã.
Metralha – Mas olha lá. Eu já estive contigo em combate e tu lutas como um leão!?!?
Pinante – É que temos de ser uns para os outros. Temos que nos proteger em conjunto, fazer uma equipa. É assim como treinar cães pastores lá na terra. O treino aproveita o instinto caçador dos animais tal como os que mandam, usam a nossa entreajuda para fazer esta guerra suja. Percebes?.... (o metralha não entendeu lá muito bem, mas faz que sim com a cabeça)
Bom…. Vamos jantar?
Metralha – Vamos embora. O que é que será a bóia?
Pinante - deixa-me adivinhar!!! É arroz…..
Metralha – Estou farto de arroz…. Um dia vou-me ao Bolinhas - o cozinheiro – e esgano-o.
Vão dali até ao refeitório. A cena fica vazia de personagens. Aproveita-se esse facto para, mantendo o cenário, avançar uma semana. Em cena o Pinante e o Metralha, mais uns quantos figurantes. Um operador de câmara e uma anotadora da produção da TV.
O operador fixa a câmara num determinado enquadramento e nele vão desfilando os diversos figurantes mais o Pinante e o Metralha E todos repetem como se de uma ladainha se tratasse. Apenas muda de caso para caso o nome e a povoação contactada, e as pessoas a que se dirige… (sugere-se, como mero exercício, que cada actor, respeitando a formula base, improvise e dê um nome da sua personagem, para onde e para quem se dirige a  sua mensagem…. Exemplo:
Metralha – Daqui fala o Soldado Joaquim de Sousa Mendes, para a Chã, Concelho do Sobral. Para a sua querida mãe, irmã, tias, tios, sobrinhos e primas, desejando um bom Natal e um Ano Novo cheio de prosperidades…. (alguns enganam-se e dizem: propriedades)…. Como vêem estou bem…. Adeus, até ao meu regresso!
Pinante - Daqui fala o 1º cabo André Vaz Silvados, directamente para Tinalhas para a sua noiva: Rosinha, pais restante família e amigos, desejo-vos um bom Natal e um ano novo prósporo.... Eu estou bem.... Adeus até ao meu regresso!
O desfile contará com o número de personagens disponíveis e tidos como necessários. E como é evidente pode-se explorar todo o tipo de “gags” possíveis, sem contudo, e isso é um cuidado que recomendo, fazer chacota primária com as situações. Para quem nunca viu, esclareço, que as mensagens de Natal eram e são um retrato sociológico da nossa tropa na Guerra Colonial e um evidente decalque da riqueza e diversidade do nosso povo, que como é óbvio, nos deve merecer o devido respeito.
Após esta cena, e ainda no mesmo cenário, Reinicia-se a acção cuja se situa temporalmente umas semanas depois. A tropa está formada na parada. À frente da Companhia está o capitão.
Capitão Faria – Antes de destroçarem tenho uma coisa para vos dizer…. Chega daqui a dois dias uma coluna de um Esquadrão de Cavalaria que nos vem render….
A tropa endoida…. Mandam os “quicos” ao ar, dão cambalhotas e saltos e gritam vivas…. O Capitão sorri complacente desta súbita anarquia…. As coisas vão a pouco e pouco serenando e a tropa retoma a formação de parada… O Capitão retoma a comunicação.
Capitão Faria – O esquadrão é comandado pelo Capitão Salgueiro Maia, um bom amigo e um militar a sério.
Aproveito para dizer que foi um prazer comandar-vos. E queria pedir-vos um último favor: Quando chegar a “maçaricada ”transmitam-lhes tudo o que acharem que lhes será útil no seu  futuro aqui no aquartelamento… (e olhando ostensivamente para o Tenente Esteves) …. Gostaria igualmente que não exercessem “praxes” ou outros estúpidos rituais, para fazer deles “homenzinhos”, porque isso é o que eles têm de mais certo. Daqui a nada já serão veteranos…. (o visado, o Tenente Esteves, Fazia com a cabeça que sim , mas a expressão normalmente aparvalhada pelo álcool, trazia algo de demoníaco à mistura….)
O Capitão conclui.
Capitão Faria - Bom Rapazes…. Atenção…. Firme… Sem…OP…. Direita vol…ER…. Destroç….AR.
Toda a gente voltou ao “Granel”… Mais parecem rapazolas felizes…..
As luzes em “fade out” Marcam  a mudança de cena.
 O mesmo local uma semana depois.
Nota – A propósito, revela-se necessário encontrar uma forma expedita de nestas sucessões cénicas com saltos temporais de monta, tornar-se expresso o enquadramento cronológico. A minha sugestão é que a preceder a cena uma voz “off” o anuncie. Neste momento em off, diria: UMA SEMANA DEPOIS. 
Há gente nova em cena, com um ar que revela: Como é que aqui viemos parar????
Formam-se pequenos grupos debaixo dos telheiros. O Tenente Esteves passeia-se pelos alpendres no seu passo incerto, recolhendo as “palas” (continências) como um artista cabotino recolhe os aplausos dos “fans”. Claro que só os novos é que assim procedem, os mais velhos, estão-se nas tintas para ele. Um mais distraído esqueceu a continência e o Tenente:
Tenente Esteves –Pst…Pst….Pst… Óh nosso pronto, então o que é que se faz quando passa por um SUPERIOR???
Maçarico – (perfila-se)  Desculpe meu Tenente não o vi!
Tenente Esteves – Pois devia ter visto! Como castigo Vai mais cinco distraídos da sua laia à água….
Ir à água era uma operação militar de algum perigo. Não raro, a pequena coluna militar em pouco mais de 3 Kms do quartel era emboscada….
O alferes Almeida, o Pinante e o Metralha, estavam a ver aquilo e trocaram uns olhares…. Diz o Pinante:
Pinante – (pegando na G3) Eu vou com eles antes que haja merda….
Tenente Almeida – Ia pedir-te isso mesmo.
Metralha – Vou contigo!!!
Pinante – porquê? ‘Tás com medo q’eu me perca???? Mas ‘tá bem anda lá.
E lá vão. O carro da água, a mula da Companhia, era uma GMC “muita” velha mas que até trepava paredes se fosse preciso, e tinha em cima um enorme depósito onde trazia a água. Ruido de camião a afastar-se.
Entretanto ouve-se uma forte explosão, tiroteio intenso, rajadas de metralhadora e explosões de granadas.
Alferes Almeida – Ninguém sai…. (grita) Peguem nas armas e corram para os abrigos…..
Pouco depois cessa o tiroteio… O pessoal começa a abandonar os abrigos… Os novos completamente aparvalhados.
Nisto entra a correr o Metralha. Em Grande agitação, apenas grita uma palavra…
Metralha – NÃO …. NÃO…. NÃO……
Alferes Almeida –  (sacudindo o metralha) O q’ué que foi???? Q’ué do Pinante?
O Metralha chora convulsivamente. Chegam-se ao pé dele o Capitão Faria E o Salgueiro Maia, outros oficiais, e todos se juntam fazendo uma meia Lua virada para a boca de cena, à volta do rapaz da Chã….
Metralha – O Pinante….. O Pinante…….
Corpo e mente endurecidos pela guerra, a pouco e pouco o Metralha vai retomando o auto-controle….
Caímos numa emboscada logo ali na curva mais à frente. Coitados dos novos ficaram sem cor e todos juntinhos sem saber o que fazer. Então cai uma granada no meio deles e o Pinante saltou para cima dela (soluça de novo) . Ficou todo aos bocadinhos espalhado pelo mato. Depois os “turras”, até parece que por respeito, pararam o ataque.
Capitão Faria – Guerra de merda!!!! É pá, óh Salgueiro Maia, quantos mais será  preciso sacrificar inutilmente para mandarem parar com isto?
Salgueiro Maia – Deixa estar que não perdem pela demora!!!!

FIM DO 3º ACTO     


EPÍLOGO / 4º ACTO
De novo Gare Marítima da rocha do Conde d’Óbidos
Em cena a mãe do André, o pai, e a Rosinha Todos de luto carregado.
O navio encosta lançam a escada e de imediato salta para o cais a soldadesca louca de felicidade ao encontro dos entes queridos….
A família do André está ligeiramente afastada da multidão e mais perto da boca de cena.
O Capitão Faria dirige-se-lhes. E estende para a moça um pequeno embrulho que trazia na mão.
Capitão Faria - Minhas Senhoras, meu caro senhor, (diz perfilado) Em meu nome e em nome da Companhia queria que soubessem que todos sentimos muito a perda do Pi…. Do André. Ele havia de querer que vos entregasse isto. São os “aerogramas” que recebeu de vós. Acho que é o mínimo que posso fazer pela vossa perda. Voltamos menos do que fomos, mas a perda do vosso filho e noivo, no último dia de “mato” e porque era um amigo de todos, é um espinho permanentemente cravado nas nossos corações.
Uniu os calcanhares, dobrou a cerviz, beijou a mão às senhoras e apertou a mão ao pai.
Capitão Faria – Então com vossa licença….
Rodou sobre os calcanhares e foi aos seus afazeres.
Irrompe alto e bom som a cantiga do soldadinho que volta numa caixa de pinho…. – Menina dos olhos tristes.
 Cantada por todos os que estão em cena, enquanto um esquife de pinho tosco é transportado até à família, posto o que dá a volta ao palco.  É pousado em cima de um estrado no centro da boca de cena….. Todos os actores desmancham as respectivas personagens e na boca de cena concluem a cantiga. E incentivam o público a acompanhá-los…..


Composição: José Afonso, Poema Reinaldo Ferreira

Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar


Senhora de olhos cansados
porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

A lua que é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar


                                                                                                                                                             
FIM


                                                                                                                                                                              
                                           António Capucha
                             Vila Franca de Xira, Maio de 2010
                                                


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cinema...




A Branca de Neve mudou de aspecto. Deixou de ser um boneco animado, que o nosso imaginário imediatamente reconhecia, é agora uma actriz, nova. Temos então que mudar o padrão, porque a fábrica dos sonhos mudou a referência. Desde meados do Século passado que o cinema, sobretudo o americano, nos faz confundir sonho e realidade, sendo praticamente impossível estabelecer com clareza as suas fronteiras. Elas fundem-se e confundem-se, de tal forma que o nosso pobre imaginário fica refém dele, da fábrica dos sonhos que é o cinema. 
O Francisco arranjou na "net" não sei como, um cópia autorizada do filme recentemente estreado: "O Hobbit".... Vi, não muito militantemente, mas vi-o, e entendamo-nos, não passa de uma colagem à saga do "Senhor dos Aneis". O resto são verbas exorbitantes... As mesmas soluções, a mesma trama novelesca, as mesmas batalhas, a mesma avalanche - só que desta vez é de rochas -, os mesmos abismos efalésias medonhas,  o mesmo Rei que ainda não é, mas que vai ser. Enfim um decalque puro e simples. Os indefectíveis desta saga, falam e discutem os personagens como se  reais fossem, e não personagens mais do que de ficção, são completamente irreais e por  demais, improváveis..... Bela fotografia, belíssima tecnologia, realização eficiente e de qualidade, pois sim senhor, quanto ao resto, estamos conversados.... A mensagem subjacente é o estafado "sonho Americano". Temos sempre hipóteses de conseguir a realização dos nossos sonhos, basta que o queiramos com muita força, e nunca contestemos a sua verosímilhança. E tal como os anãoes, também havemos de encontrar a nossa Pátria perdida.

                                   António Capucha

              Vila Franca de Xira, 15 de Janeiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Deficientes....




Quando ouço e vejo na TV programas sobre os jogos Para-Limpicos, por exemplo: natação, penso no meu íntimo: 
 - Áh são deficientes.... Eles, que não eu, eu apenas não tenho a perna esquerda, não sou deficiente..... Sou um gajo normal sem uma perna, o que é diferente. Não sei se me entendem.... Isto é, não estou preparado para ser objecto da piedade dos seres ditos normais... isto porque dêem lá as voltas que derem a questão é mesmo essa. toda essa cangalhada de eventos destina-se exactamente a isso a suscitar a piedade  e pena dos cidadãos. As questões racionais relativas a isso são outra coisa. são por exemplo, nunca fazer a pergunta se este ou aquele edificio deve ter rampa de acesso. É evidente que não tem discussão, nem deve ser considerada a hipótese de não ter. Devem ou não ser rebaixadas todos os lancis de passeios nas passagens de peões? Nem deve ser discutido se sim, se não.... Quando este tipo de questões estiverem automaticamente resolvidas, então deixam de ser hipocrisia, aqueles programas acerca dos coitadinhos. Quando nunca passar pela cabeça de uma Câmara Municipal, aprovar seja que projecto fôr, sem estar equipado com acessos a deficientes. Então outro galo nos cantará. Restaurantes cafés, edificios públicos, museus......etc.... Por exemplo,  não me dizem como é que eu por exemplo, sozinho, vou às finanças de VFX? E se eu fosse católico, como é que ia à Missa? Ou, como qualquer cidadão, como é que vou assistir a uma Assembleia de Municipio? Os super-mercados têm nesse particular algum cuidado, mas isso é porque os nossos €uros valem o mesmo que os dos outros. Agora os serviços públicos são uma vergonha nesse aspecto.... A qualidade de vida de uma comunidade vê-se pela forma como trata e integra as crianças, a terceira idade, e, os coitadinhos... Não se trata de caridade, trata-se de direitos.... Infelizmente as autarquias, já respiram a custo, quanto mais....Quero acreditar que a maioria dos autarcas são boa gente... Até conheço desde miúda a nossa Presidente da Câmara, e tenho alguma dificuldade em aceitar que ela se possa ter transformado num monstro administrativo, indiferente e déspota. Há qualquer coisa de muito pérfido, que os poderes centrais exercem sobre as autarquias.... Que faz com que por exemplo, elas, as autarquias, se tenham que virar para as negociatas de terrenos e outras bizarrias.... que tão mau aspecto lhes trazem.... À parte politíquices, um beijo Maria da Luz... Acredito que és ainda a menina que andou comigo na catequese, que cresceu e casou com o Rosinha, irmão mais velho do Zé Salvador, com quem partilhei muito da minha  infância e adolescência. E agora és Presidente da Câmara....

                                                 António Capucha

                               Vila Franca de Xira, 14 de Janeiro de 2013

sábado, 12 de janeiro de 2013

Poema

O Xico Braga e eu próprio em Dezembro de 2012


Estava de volta dos meus papeis e dei de caras com um poema que escrevi quando tomava uma bica à espera de serem horas de te ir ver, no S.Jose.
Um abraço
Xico


Set  2011

É senhor do claustro, aquele pombo!
Não entendo o que diz no sussurro de cada voo
mas algo sei: é comigo que ele fala.
Aqui, outrora, havia frades a intrigar com deus
Em rezas surdas, pediam companhia com certeza.
Não eram menos do que este pombo, senhor do claustro
feliz por ter agora parceiro no voo
daqui para ali e vice-versa. Arrola o pombo.
Ganhou, como se fosse frade, uma donzela.
Escrevo um poema num claustro antigo enfeitado a azulejos
os célebres azulejos do país que é Lisboa.
Disfarço. Em versos, recuso dizer a causa que me trouxe.
Falo de pombos, de claustro, de versos.
E não digo que menti.
Sim. Compreendi perfeitamente o que dizia o pombo
no seu voo enclausurado. Mas disfarcei.
Dói muito ouvir: “O teu amigo vai morrer!”
É senhor do claustro, aquele pombo.
E sabe. E tudo sabe. Sabe tudo, aquele pombo.

(Enganou-se, felizmente. Ou, de propósito, me enganou
para que eu relembre a dor que dói quando se veste de saudade.)


PS - Enviado pelo meu amigo Xico Braga via e-mail, e contém apenas um erro: em Setembro de 2011 eu estava em S. Marta, que tem de facto uns magníficos claustros... Obrigado...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Demónios.....




Os nossos demónios, tão velhos quanto o Mundo, continuam a atazanar-nos, a nós pobres mortais. Eles, impossibilitados, como parecem, de exercer maior pressão, fustigam-nos a nós como o fariam os "gremlins", pequenos diabretes que fazem partidinhas e partidonas. Assim são os nossos demónios, criam-nos pequenos problemas que todos juntos, fazem a nossa felicidade ou infelicidade. E de tal modo isso é certo, que pequenos nadas fazem as grandes diferenças... Mas não deixam de ser apenas pequenos nadas. As grandes maldades, já as suportei e deixaram as suas marcas, mas não me foram superiores... Fui mais forte que elas sem dúvida, resta-me apenas o demónio de explicar convenientemente, como foi possível inverter tudo.... Sempre me baseei na explicação lógica das coisas, mas desta não sou capaz de encontrar e isolar a razão. Vou ter que aprender a viver com essa dúvida. Não tenho outro remédio. O que não vou agora, é deitar fora uma vida inteira a racionalizar as coisas da vida, e passar a achar, que afinal há uma entidade superior ao nosso intelecto e esse sim tem o omni-poder sobre tudo e sobre todos. Não sou capaz desse exercício....Não vai ser por causa de uma simples dúvida que vou mudar de atitude..... Todos os dias faço um "scan"sobre a minha História recente, e estou certo que um qualquer pormenor, até então escondido num nicho de memória, se revelará, e explicará de uma forma racional, este bizarro desfecho...

                                       António Capucha


                     Vila Franca de Xira, 11 de Janeiro de 2013 

Donos de Portugal.


Depois de ver e ouvir este video até ao fim, o que passou depressa, ocorre-me uma "mensagem " ACORDAI !!!!
O filme da RTP 2, que passou às duas da madrugada
Documentário de 48' mas que é essencial ver (quando tiver tempo) para se perceber como se fizeram e se reproduzem as grandes riquezas em Portugal ...
As famílias que mandaram e mandam em Portugal...
O filme da RTP 2, que passou às duas da madrugada...se isto não é censura...
PS- Enviado por e-mail pelo meu primo João chaparro... Obrigado. 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

FMI.



Do alto da nossa História contemplamos estes trastes a fazer de gente. E esta gente a fazer de povo. E este povo a fazer de conta, que os trastes não existem. Não pode ser real aquilo que todos os dias ouvimos. E ouvimos coisas de pasmar. Parecem ser ditas por encomenda. Ainda há pouco o FMI, dizia que nos países aos quais  se aplica a receita de intervenção, deviam ser substituídos os conceito de contenção por acções de crescimento da economia, mas isso foi dantes, agora vem com um relatório em termos completamente opostos, a aconselharem cada vez mais contenção da despesa e retracção da economia. No fundo o que eles não querem é que o Estado, qualquer Estado tenha responsabilidades sociais... Depois não querem que digamos que isto é tudo uma brincadeira, um jogo, tão pérfido que um dos jogadores é em simultâneo árbitro, o zelador das regras.... E a nós, só nos resta o papel de trouxa... Armam-se em entidades independentes, supra-ideológicas, mas vai-se a ver, e são defensoras das doutrinas capitalistas onde se fundou a crise que agora vivemos, é essa a lógica do seu funcionamento. Querem que aceitemos que os "mercados assentam em bases racionais, e depois no espaço de um mês dizem uma coisa e o seu contrário. Estamos entregues à bicharada..... Dizem que Portugal é uma Fénix a renascer das cinzas, e logo a seguir dizem que pensando melhor, é preciso esticar mais a corda. Não há forma de entendermos alguma lógica nestas coisas,  que não seja a da exploração alarve dos mais indefesos.... Por mim....
Tenho dito.... 

                                            António Capucha

                            Vila Franca de Xira, 10 de Janeiro de 2013   

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Iscas, com elas....



Quando estive no Montijo, costumava fazer uma brincadeira sobre as iscas. Normalmente à refeição, sempre havia um ou outro comensal, que não gostava do prato do dia, e fazia caretas. Então eu, fazia bem alto a seguinte declaração:   Vou abrir uma roulote de sandes estaciono ali à porta e faço uma fortuna a vender sandes de iscas e copos de três ao pessoal daqui, não acha senhor Ricardo? E eu vou ser seu sócio! ripostava o interpelado. E ao lanche era o presunto de Barrancos e as malgas de Alvarinho....  Todos riamos das graçolas... Eram um pronúncio de saúde.... Tempos bons esses do Montijo.... Que saudades desses momentos e dos amigos, tantos, práticamente todos os funcionários. Mas permitam-me que saúde em especial a Marta, que espero esteja a ter uma boa gravidez. Isto tudo a propósito de iscas, que fizeram as minhas ultimas três refeições, como mais ninguém gosta cá em casa, banqueteio-me sozinho.... 
Não só para lembrar o Montijo, mas também, tenho ainda no pulso direito a fitinha vermelha que a Rute me atou, um beijinho Rute.... Dona dos mais límpidos e bonitos olhos azul turquesa, a pedir meças ao Céu. Quem vê com olhos destes, só pode ver beleza  e armonia. E a Catarina, minha fisioterapeuta muito querida, um beijo para ti menina bonita.... E a outra Marta a senhora serenidade em pessoa. Abraços ao pirata do André, do Gonçalo, do passarinheiro Claudio, do Francisco, bom amigo. Beijinhos às doutoras e enfermeiras e enfermeiros que me trataram, mais a Drª. da farmácia, A senhora assistente social, a terapeuta da fala a  recepcionista., sei lá beijinhos para todas, nunca vos hei-de esquecer..... Toda/os e cada um/a de per si, me ajudaram a passar, e transformaram, os meses que aí passei, nos melhores, desta minha cruzada contra a desdita....
Impossivel  esquecer-vos.... 
Abreijos.....

                                                  António Capucha

                                  Vila Franca de Xira,9 de Janeiro de 2013

   

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Blogoesfera.....



Este meu blogue, tem a rara capacidade de ser várias coisas numa só. Ele é confessionário, é jornal de parede, é um guia gastronómico, é repositório de contos e crónicas, é púlpito, é muro das lamentações, sei lá é tudo e mais alguma coisa que por acidente ainda não foi inventada. Áh, e não menos importante, é completamente honesto....  É ponto d'honra!!!! Em tempos idos mantive uma questeúncula com um rapaz bem pensante, Empresário e tudo, a propósito duma coisa publicada no seu blogue, o "Albergue Espanhol" Um pormenor mas que destoava da proposta de intenções do blogue. Por difinição albergue Espanhol, é um ponto de cruzamento de várias culturas e tradições, uma espécie de amalgama onde tudo parece misturar-se, numa quase anarquia. Pois não senhor o que aquilo era com todo o despudor, era um orgão oficial destes novos ventos PPD's. do Passos Coelho e camarilha. alguns membros do corpo redactorial até deram em deputados eleitos nessa lista partidária. Por detrás dessa cortina diáfana, do conceito de albergue Espanhol, Gato escondido, estava uma descarada máquina de propaganda situacionista. Claro que achei isso desonesto e disso os critiquei. mantive aceso debate nem sempre polido, valha a verdade, E o rapazinho recém formado jornalista revelou a sua falta de cultura, no fundo eram todos uns clientes do PPD, que estavam a pagar em géneros, os favores que os mantinham em lugares de topo do aparelho partidário. Apesar de o blogue ser bem sucedido, eles não passavam de rapazes e raparigas, tão pequeninos e já tão velhacos.... Por isso revelo tanto orgulho nas vinte mil entradas no meu blogue, é que ele é total e completamente independente e honesto..... Assumo por completo as afirmações produzidas. e não viro a cara à luta, muito menos uso máscaras.....Sou e serei o tonica, que alguns de vocês conhecem doutras lides, muitas e variadas, e esse grupo de amigos pode atestar a veracidade do que afirmo a pés juntos....Quem vem ao meu blogue sabe ao que vem, nâo vem ao engano....  

                                            António Capucha

                           Vila Franca de Xira, 8 de Janeiro de 2013   


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Vinte mil entradas....




É uma cifra importante e um número redondo... Vinte mil visitas ao blogue.... É obra.... Ainda que fossem entradas de tropeções casuais, que não são, seriam muitos enganos! É como a "estória" do Secretário de Estado das Colónias do tempo do facho que de visita a uma delas e perante uma vastidão enorme de terreno á sua frente exclama: É pà, que enorme roça de milho!!! O machambeiro que estava ao lado corrige-o: Óh senhor Secretário, isto não é milho, é capim..... Seja lá o que fôr, é muito!!!! riposta de pronto o secretário.... Bom, não será o caso..... Sei que tenho amigos fieis, esses sim...... Muitos... Que têm gosto em seguir as publicações que faço no blogue. para eles o meu Obrigado, espero nunca vos desiludir. E que a "veia tonta" não me falte....

                                        António Capucha

                        Vila Franca de Xira, 7 de Janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

U. E.




Dia de Reis, manda a tradição que se coma bolo-rei, cujo não era esta coisa furta-cores que é agora, mas es curo adoçado com mel ou melaço e tinha frutos secos, beber jeropiga e cantar, não o "tiro-li-ro", mas as janeiras. E acabar com as broas de mel e aniz, mais as filhós do Natal. Com o tempo, foi-se perdendo o significado desta festa, perdida na voragem comerciante do Natal. Seria hoje quase impossível restabelecer esta data-festa, que aqui ao lado, em Espanha, por acaso ainda mantém a importância, é hoje que as crianças recebem as prendas que os nossos petizes receberam no Natal e os nossos tetra-avós, nem isso. Os festejos desta época do ano celebravam o solesticio de Inverno e o ciclo interminável das actividades rurais, a eterna renovação e fecundidade da Terra e dos Homens que dela viviam. E de que já muito poucos ainda vivem, porque a Europa, isto é, a Alemanha, a França e o Reino Unido, não querem. E nós andámos a engordar porcos, que fingiam ser agricultores para receberem os subsídios para não semear.E a fechar as fábricas texteis para não, tirar o negócio à China, que tinha que comprar as máquinas ás Alemanhas, às Franças e às Inglaterras...... Agora estamos sem aparelho produtivo, e a ter que pagar aqueles que fizeram a nossa desgraça. Custa a engolir.... Espero que numa volta apertada, daquelas em que a História é fértil, estes países fiquem na merda, que eu ainda lhes mijo para cima..... O que nos estão a fazer é inaudito.... Vergonhoso....   

                                      António Capucha

                    Vila Franca de Xira, 6 de Janeiro de 2013

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dia muito positivo...




Dia muito positivo.... A consulta lá foi a tempo e horas o que é raro, e o Dr. Valente, sempre igual a si próprio, não deixou os créditos por mãos alheias, explicou-me tudo certinho direitinho, os passos que vamos dar daqui para a frente, uma vez que está tudo a correr bem. Vou fazer uns TAC's ao abdómen, e só após isso ele me encaminhará para o processo da processo da prótese. E muito depois com toda a segurança, desfaz o "estoma" e reconstroi o intestino.... Parece que vai ser um pouco mais complicado do que eu imaginava, mas ele é que sabe, ele é que tem os livros..... No entanto, acho que lhe agradou o meu estado geral..... Mas sim, estou à entrada da recta final.... E hoje foi o seu início.....Auspicioso... Evidente.... De marca forte e indelével.... O Dr. Valente não é um ilustre desconhecido, é um amigo..... Ele e a minha "benfeitora" a minha querida médica de família, a Drª. Eduarda, são os marcos da minha recuperação.... Devo-lhes a vida , tão só isso. Coisa pouca como se vê..... Ainda hoje me disse que  a operação que fiz era de elevado risco, mas a outra solução, era estar agora a fazer tijolo. Estarei sempre grato a estes dois amigos. 

                                              António Capucha

                                Vila Franca de Xira 4 de Janeiro de 2013  

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Amanhã é que vai ser....




Pode muito bem começar amanhã a última fase da minha recuperação. Amanhã está marcada uma consulta com o cirurgião que me operou. Acredito que me irá receitar a prótese para a perna esquerda e a partir daí basta-me aprender a andar com ela. Se se revelar necessário, voltarei para o Montijo para me adaptar a ela.Também pode amanhã ficar marcada a intervenção cirúrgica, para reverter o intestino e livrar-me de vez destes incómodos sacos pendurados do abdómen, colados como lapas. É portanto o dia D, desta minha saga. Tenho uma inflamação no coto da perna esquerda, mas não é nada que me preocupe, será uma daquelas coisas que incham, desincham e passam. Nada que me preocupe. Pode parecer que são demasiadas coisas para desejar num dia só, seria preciso que estivesse tudo muito bem, mas sou optimista por natureza. Há-de correr tudo bem.... Caramba, de má sorte já tive quanto baste.

                                     António Capucha

                     Vila Franca de Xira, 3 de Janeiro de 2013 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Morte aos traidores.....




Sinto-me mal, pesaroso.... Ontem ouvi, com o pouco ouvido que tenho, o supremo magistrado da Nação Lusa, expor sem vergonha alguma a sua natureza impura e traiçoeira. O discurso muito bem alinhadinho, revela o que de facto este senhor é. Esta criatura, não pretence a coisa alguma, as coisas, todas elas, é que lhe pertencem..... A grupo social algum, a clube politico nenhum, A religião nenhuma.... Ao invés tudo isto lhe pertence e serve, para as suas maquinações.... O sem vergonha fez o miserável exercício de demarcação da estratégia do seu partido e seu governo, seu no sentido de posse, naturalmente, como se não tivesse nada a ver com isso..... O cara de pau, trai os seus, como quem vai de caminho.    
Não se iluda quem vê nele a imagem do equílibrio.... A traição sim, é o seu modo de vida, se repararem bem, vejam que tem sido uma constante ao longo da sua carreira politica. 
Roma não perdoava aos traidores, ainda que fossem beneficiários dessa traição. A razão é simples, Não se traiem os seus uma vez sem exemplo, traidor é-se sempre, é um traço de caracter, ou a falta dele..... Então quem traía os seus - condição sine qua non -  ainda que em beneficio de Roma, mais tarde iria trair Roma em beneficio sabe-se lá de quem! princípio simples, não é verdade? Executemos pois os traidores.... Ter uma pessoa assim à frente dum País, é motivo da mais alta preocupação.... Não sei o que é que impede este povo de ver o que há tanto tempo cresce, como um fungo, a olhos vistos e bem á nossa frente. Somos herdeiros da cultura romana, portanto: Morte aos traidores....

                                     António Capucha

                    Vila Franca de Xira, 2 de Janeiro de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Quer queiram, quer não......




Ano novo, vida nova..... Pese no entanto a ameaça descarada dos nossos governantes, Só nos podem roubar bens materiais, dinheiro e tal, mas não podem roubar-nos a vontade de viver.... Eles andam nisto há pouco tempo, nós temos quase um milénio de História de sacrifícios algumas victórias e muita luta, muita luta para vencer. E esse espirito vem-nos já inscrito no ADN. Não serão estes badamecos, que nos vão fazer desanimar. E a História não perdoa a traidores, hão-de cair sem glória e mais depressa do que para lá subiram. Vai uma apostinha!.... Os Coelhos, os Vitores, os Portas e travessas, vão ficar no nicho de História onde já estão os Vasconcelos, conde Peres de Trava e companhia. E nós cá estaremos a viver o dia-a-dia e a cagar muita merda para eles todos. Tiram-nos o dinheiro, mas a Alma essa está fora do seu alcamce, nem lhe chegam às bordas. Não comemos Robalo, comemos carapau de gato mas á fome também não consegirão matar-nos. Não comemos no Redondel, vamos ao galego comer umas sandes de coiratos. Não bebemos vinho da fundação Eugénio d'ALmeida, bebemos Arruda carrascão. Comemos fruta verde e tudo o que fizer gases para dar muitos peidos para estes cabrões de merda, E por cá andaremos, muito depois de a História os ter esquecido, a patrulhar as margens do Tejo, escrever, e ler poesia..... Isto foi só um dia mal passado e uma noite mal dormida.... 

                                      António Capucha

                    Vila Franca de Xira, 1 de Janeiro de 1013