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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Badamecos....

                                                                 
Que vergonha sinto de ser governado por esta gente. O novo plano de contenção de despesas é um manifesto acto de contas de sendeiro, que vergonha. Então o duodécimo que estávamos a receber por conta do que já nos tinha sido roubado em anos anteriores, é agora duodécimo por conta do subsídio de férias, o que equivale por dizer que o devido do passado, fica para as calendas. E depois há umas contas estranhíssimas que reduzem o subsídio de Natal a quase nada. Isto é bem pior que as contas do Galego: Cinco e quatro "nobe", e "bai" um. Que vergonha, criaturas com ar sisudo e tudo, quem os vê, não os leva presos E, curioso, não se deixam ver as criaturas do CDS-PP. Vêem-se os tenentes e milicianos do PSD, a "palavrarem" estas embustices, mas os parceiros, népia, será que ainda existe coligação? Ou está reduzida aquela criatura gorda, feia e proverbialmente estúpida, com ares de Madalena, mas que é Cristas... A pobre d'espírito, coitada, está toda desvanecida por ser Ministra. A espevitada, bem fez pela vidinha, na anterior legislatura, assumiu, o mais das vezes despudoradamente, de forma arrivista e atrevida, o assalto ao governo do José Sócrates... E esse protagonismo ter-lhe-á valido um lugarzito neste Governo de segundas e terceiras linhas.... À incompetência mais atroz, este governo soma a falta de dimensão política dos seus membros, o Tipo que fazia de ponto do chefe do grupo parlamentar do PPD-PSD da anterior legislatura, é agora Ministro Adjunto e de Estado. Mas quem seguisse os trabalhos do Parlamento de então não consegue imaginá-lo senão como mordomo do grupo do PPD-PSD, dáva dicas , soprava aos ouvidos do chefe, subservia.... E como ele, são quase todos os outros, uma corja de badamecos sem vergonha. Depois nem podemos contar com o Presidente da Nação, que faz do silêncio um "tabu". A quietude expressiva, é o seu método infalível de não fazer asneira.
Ministra da Agricultura e pescas
                                                          António Capucha

                       Vila Franca de Xira, 18 de Abril de 2013 

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Zé da fisga volta'tacar....


Noticia d'última hora... Ti-ri-ri-ti-ri.....

- Não se confirma que Cavaco Silva tenha ido à Colombia, negociar com as FARC a libertação de um casal de perús e um aligator, que esta organização terrorista reserva para o próximo Natal. Simultâneamente tentará introduzir o hábito de enfrascar os perús com bagaço e não com run caribenho, como vem sendo feito por lá, até ao momento. Menos conhecido que o tradicional perú o aligator é um requintado prato caribenho, que consta do dito bicho, com um abacaxi na boca e uma cenoura no cú, e nesses preparos vai ao forno durante uma tarde inteira. Consta que, vários "raparigos", se ofereceram para ocupar o lugar do "aligator", mas pediam a substituição da cenoura por um bom melão....
Por outro lado a Primeira Dama, foi vista a ler à sucapa, os "Cem anos de Solidão" do Colombiano Gabriel Garcia Marques, Prémio Nobel que terá disputado ombro a ombro, com a "dama de ferro" levada a fazer tijolo hoje, e que foi Primeira da Inglaterra, e por aí se fica, porque na Escócia e na Irlanda, não a chupam nem um bocadinho.... No país de Gales é tolerada porque partilhou com a população uma receita de "scones" que se tornou muito popular.... No entanto esta terá em tempos confessado a Carlos Pinto Coelho (vulgo Carlos Pintelho) em entrevista feita em águas internacionais algures entre as Malvinas e a Antártida, que de facto preferia trazer a desgraça a milhares de famílias de mineiros, que essa merda das receitas da porcaria dos "scones", mas a política tem dessas coisas....  
E "prontes".... São as notícias possiveis do jornal das quase doze horas....

                                                António Capucha

                                Vila Franca de Xira,17 de Abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Viva o Grande Sporting Clube de Portugal... Viva....




O que o "Grande Sporting Clube de Portugal", precisa... Tem.... De Portugal, que não de um bairro de Lisboa ou de uma cidade do Norte, é muita categoria, pergaminhos e passados brilhantes falam por si. O presente tem sido errante porque Ainda não se percebeu que as direcções dos clubes são distantes do dia-a-dia das equipas de futebol, que devem ser entregues a pessoas competentes, e não sujeitas ao rodar constante dos dirigentes, que ensaiam diversas formas de gestão mas não resistem à tentação de meter o bedelho, nas equipas de futebol. Dificilmente se encontrará alguém mais entendido que o presente treinador. É um grande formador e um corredor de fundo, como já o provou... Uma pessoa seriamente comprometida, e com competência específica na área que ao Sporting, convém. O professor Jesualdo, apenas precisa de tempo e que não interfiram no seu projecto. As direcções precisam de saber negociar com os bancos uma forma que não obrigue a equipa de futebol a vender jogadores, sempre os mais necessários, como é óbvio, estou farto de assistir a jogos de futebol entre duas equipas onde a nata delas  são ex-jogadores do Sporting, torço a orelha e não deita nada.... Entre as três primeiras equipas de futebol do nosso campeonato maior, abundam ex-sportinguistas, em lugares e a desempenhar funções estratégicas para essas equipas, ora isso quer dizer que foram mal vendidos e para os substituir , foram igualmente mal compradas, estrelas duvidosas, que nunca provaram nada, porque são de inferior qualidade, apenas convém aos nefastos "agentes desportivos" do compra e vende, e a ter que formar e estabilizar uma equipa todos os anos, a urgir  estabilidade, que desta forma é impossível conseguir. Assim não se vai lá! Terá o treinador necessidade de reforços aqui ou ali, é natural (encontrou uma equipa esfarrapada).... Faça a direcção um esforço para lhos dar, ele é que sabe, deixem-se de ideias refreiem o treinador de Bancada que temos todos dentro de nós. Restaurar a velha glória, passa por isso.... 

                                António Capucha

              Vila Franca de Xira,16 de Abril de 2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

IRS....

Este Mês é o Mês de santo IRS. O Ano passado dei de caras com uma verdadeira fraude por parte das finanças, que com esse ardil arrecadava só à minha conta com mais umas centenas largas de €uros. Um conselho de um profissional de contabilidade, salvou-me disso, mas não da multa que acabaram por arrecadar, indevidamente... Visto que a culpa do relaxe em relação ao prazo legal, foi deles e não minha.
Este ano já não me apanham descalço.... As tremendas maldades previstas para este ano, são várias, mas não me devem atingir, porque para minha desgraça, a junta médica atribuiu-me oitenta e quatro por cento de invalidez, o que me deixa ao abrigo de uma série de normas entre as quais a de isenção dos descontos do IRS mensais. Coisa que não cumpriram.... Agora pagam-no todo junto, mas como eles não pagam juros de mora, enquanto o retiveram foi vencendo juros para eles.... Isto é, o resultado é sempre o mesmo, e as finanças ganam sempre... É como nos casinos a banca ganha sempre.... As finanças só cruzam dados com as entidades pagadoras no seu próprio interesse. Ainda que seja para se cumprir um direito por mais elementar que ele seja, o cidadão que a ele tem direito tem que notificar toda a gente, além da finanças, o padre da paróquia, pelo sim pelo não, também o sacristão, o cão e o gato, e para não fumentar uma cena de ciúmes, o canário.... As finanças, como já disse, não cruzam dados quando é em benefício do cidadão.... Agora quando se trata do seu interesse, até cruza dados com o macho do "pitrolino"..... A ADSE, uma organização de trabalhadores, também se atrasa, com as comparticipações que nos são devidas. Pelos vistos quando se trata de assaltar o cidadão, é conveniente ter uma organização.... Melhor dizendo: As coisas não se organizam para servir melhor o cidadão, mas para optimizar a sua exploração. Maldita mentalidade que os corporativistas do tempo do fascismo nos legaram. As corporações, entidades que servem não se sabe bem o quê, servirão uma entidade abstracta, e de contornos indefinidos, menos as razões porque foram criadas. É um pecha que resistiu a tudo desde o vinte cinco d'Abril, aos Néo-Liberais. E é tão coriácea, que até come "troikas" ao pequeno almoço..... 

                                        António Capucha

                       Vila Franca de Xira,15 de Abril de 2013  

sábado, 13 de abril de 2013

Banca Internacional.

Por mais gritada que seja, as pessoas tendem a acreditar mais na mentira, que na revelação..... Não entendo bem porquê, mas parece ser assim....
               Capucha


  

 Amigos "lucidez precisa-se" e, como podem ver,
há muita gente a dizer a mesma coisa.  


Enviado por e-mail pelo amigo João Alves. Obrigado

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Uma "estória".




Deixem que vos conte uma "estória".... Vão uma paulada d'anos, numa passagem de ano, estava em casa com a minha mulher e uns primos a malhar champanhe e fumar charutos e pouco passava da meia-noite, A campaínha toca furiosamente e uma vizinha esbaforida, lá se fez entender, e que chegasse lá a casa, que o marido tinha caído.... Segui-a e ajudei o senhor a levantar-se, obridadinho sim senhor, mas que não era preciso mais nada, mas a vizinha insistiu que ele fosse ao Hospital. Se eu não me importasse, levava-o eu... Que sim senhor, claro.... O  homem, quando se apanhou sozinho comigo, disse : Óh vizinho não ligue.... Eu tenho "câncaro" e isto já passa.... Queria dizer na dele que não valia a pena ir ao Hospital, havia de voltar com ele na mesma, que não havia remédio.... Amanhã vem o meu filho passar o dia comigo e eu não quero estar no Hospital, mas como sempre, e em tudo, é a mulher que manda, vai daí, meti uns charutos no bolso e lá fomos. levei pelo sim pelo não, um saco de plástico com os medicamentos que ele estava a tomar. Eram uma "macheia" deles e lembro-me de ter pensado: não admira que esteja doente, porra..... 
Mal sabia eu, que volvidos uns anos, seria eu a andar com um saco enorme de "drunfos", atrás, e a fazer quartos de sentinela no hospital.... Já não com "câncaro", ( foi-me tirado um do intestino , mais precisamente do "cólon"), suponho, mas com os meus achaques.... Espero que a Nita, não tenha que andar a pedir socorro aos vizinhos, muito menos a uma passagem d'ano, em que toda gente o que quer é emborrachar-se à força toda e dizer babozeiras.... Sinto uma certa e doseada alegria de viver e enquanto assim fôr, acho que, não haverá novidade... Mas a quebra dar-se-á.... Disso posso estar certo.... Mas ainda falta algum tempo.... Utilizemo-lo portanto, enquanto é tempo.....

                                         António Capucha

                         Vila Franca de Xira, 12 de Abril de 2013

Que Viva o Teatro.....



Newsletter Digital ✺ Abril . Destaques / 2013 


As Alegres Comadres de Windsor teatro comunitário

Comédia de William Shakespeare reúne em palco cerca de 60 atores e músicos

Entre 1600 e 1601, William Shakespeare escreveu sua única peça em prosa, “As Alegres Comadres de Windsor”, usando como personagem principal Sir John Falstaff, o mesmo de “Henrique IV” e “Henrique V”. Nesta peça, Falstaff resolve seduzir duas mulheres casadas que tinham fama de controlar os seus próprios assuntos financeiros, com o objetivo de levar o seu dinheiro. Mas o que o Don Juan não sabia era que as duas eram comadres e, ao descobrir o plano, se vingariam dele. De todas, esta é a mais perfeita comédia de Shakespeare. Se a doce figura de Anne Page, a amada de Fenton e desejada por todos, comanda a história, não há dúvida de que é ao caratcter pitoresco de Evans e do Dr. Caius e ao horrendo Falstaff que devemos as melhores páginas da peça. Só Falstaff, o personagem exaustivamente trabalhado por Shakespeare, só a sua figura grotesca, bastava para interessar vivamente qualquer espectador...

ELENCO
Ana Ribeiro, Vânia Calado, Pedro Marcos, José Manuel Rodrigues, João Nunes, João Antunes, Pedro Cavaca, Constança Lopes, João Rolaça, Mário Júlio, Carlos Duarte, Bernardo Pereira, Rosário Narciso, Pedro Lino, Luis Cerqueira, José Falagueira, Mauro Cebolo, André Vieira, Miguel Viegas, Joana Santos, Pedro Ouro, João Pinheiro, Rita Raimundo, Mena Caetano, Helena Montez, Paulo Cabral, Inês Pestana, Carolina Viana, Maria Costa, Rita Camacho, Margarida Rafael, Inês Nunes, Maria F. Tereso, Bruna Cruz, Lara Leitão, Mateus Silva, Alexandre Amendoeira, Jeanine Steuve, Leónia Santos, Maria Barbosa, Paula Ferreira, Brigite Campanacho, Catarina Felicio, Isabel Vicente, Mª Fátima Correia, Maria Ramalho, Isabel Coelho, Bruna Diogo Santos, Adriana Oliveira, Aureliana Campanacho, Maria Cerqueira, Ana Rita Oliveira

FICHA ARTÍSTICA
Encenação e Cenografia – Frederico Corado
Cenografia – Frederico Corado e Carlos Ouro
Produção – Marco Guerra e Carlos Ouro
Direcção Musical – Nuno Mesquita
Direcção Vocal – Cátia Garcia
Coreografia- João Santos
Assistente de Encenação – Florbela Silva e Rita Correia Alves
Direcção de Cena – Mário Júlio
Cabelos – Rodrigo Variações
Fotografia – Vitor Neno
Contra-Regra – André Pita Groz
Montagem – Vitor Lima

Um espectáculo Área de Serviço
Uma Produção do Centro Cultural do Cartaxo, Mosaico e Entrar Em Palco

19, 20 e 22 Abril • Sexta, Sábado e Segunda • 21h30 ///// 21 Abril • Domingo • 17h
bilhetes: 3,5€ / M12

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Brevemente, a não perder ✺

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Psychic TV + Les Baton Rouge concerto

Lendária banda inglesa vem a Portugal para concerto único

Formados no inicio da década de 80 por Genesis P-Orridge, dos Throbbing Gristle, os Psychic TV são uma lendária banda inglesa avant-garde, famosa pela sua abordagem musical orientada para o choque e para a confrontação. A sua sonoridade abarca pop psicadélico, white noise quase inaudível, frágeis baladas, mesclas industriais, spoken word e música étnica experimental - tudo isto enlaçado por uma sensibilidade dadaísta. Os Psychic TV tocaram em Portugal apenas uma vez, em 2004, no Porto, pelo que esta é uma rara oportunidade de ver algo muito especial. Vão-se fazer acompanhar pelos Les Baton Rouge, o adorado colectivo pós-punk de Lisboa.

24 Abril • Quarta • 23h00
bilhetes: 15€ / M12

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Centro Cultural - Município do Cartaxo
Rua 5 de Outubro, 2070-059 Cartaxo
T. 243 701 600 / F. 243 701 602
E. centroculturalcartaxo@gmail.com
website / facebook

Horário bilheteira:
Quinta a Sábado • 15h às 22h / Domingo • 15h às 19h

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quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Sr. Gaspar...



O Sr. Gaspar para tecnocrata, evidencia muito pouca técnica. Não é uma afirmação peremptória, mas é uma expressão de mais que provável exactidão. Segundo as suas ordens os chefes seja lá do que forem, não podem sequer comprar um envelope que seja sem a sua permissão. Isso faz-me lembrar os tempos da tenebrosa Emissora Nacional, quando a gente adivinhava que havia problemas financeiros quando começava a faltar o papel higiénico nas casas de banho. Ora no que respeita a técnicas de contensão  não vejo grandes diferenças, entre o que era dantes e o que se passa agora. Logo não houve evolução. Não o havendo, este actual actor de gestão financeira, sendo igual aos antigos gestores, é tão básico quanto eles. E não tendo evoluído, não será bom técnicamente, sendo ele um tecnocrata em vez de político, só pode ser sumamente mau.... Entre um envelope e um rolo de papel higiénico, apenas o olho do cu, distingue.... Em matéria de contensão de despesas é exactamente o mesmo. O tecnocrata Gaspar, é um rapaz doutros tempos, com metodologias em tudo iguais à dos "fachos". Técnicamente desactualizado e politicamente fascista, e, ainda por cima, fala à "monga".... (com as minhas desculpas para as vítimas de mongolismo)

                                           António Capucha

                           Vila Franca de Xira, 11 de Abril de 2013

Espectáculo em Almada.



LULA PENA
TEATRO MUNICIPAL JOAQUIM BENITE
No próximo Sábado, dia 13 de Abril, às 21H30, Lula Pena apresenta-se na Sala Principal do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada. A aclamada e singular cantora interpretará temas dos seus dois celebrados álbuns, Phados e Troubador.
Está reunida a constelação de circunstâncias e acontecimentos para que, finalmente, possamos viver a Lula Pena que sempre desejámos. Para que a possamos mostrar àqueles com quem partilhamos as coisas mais preciosas, e para que eles alarguem ainda mais esse círculo. Trata-se de um inquestionável tesouro nacional, contemporâneo e irrepetível. Uma conjunção de música, expressão e som que nos dá o dom de melhor aprendermos a viver os dias como sendo mais nossos, mais belos. Se somos capazes de amar individualmente, por que não aceitamos o amor numa escala maior?

Pedro Gomes
LULA PENA
Lula Pena é cantora, “phadista”, e performer. Estudou desenho em Lisboa e viveu em Barcelona e Bruxelas, onde cantou em bares e clubes de jazz. Apresentou-se na Alemanha, França, Itália, Holanda e Marrocos. Lançou o seu primeiro álbum, Phados, em 1998 e, após um interregno de 12 anos, o muito esperado e aclamado Troubador. A sua abordagem única à música pode levar-nos do fado à bossa nova e ao tango, e valeu-lhe louvores de artistas como, por exemplo, Caetano Veloso.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

OS MITOS E AS MENTIRAS DA DIREITA NO ATAQUE `AO “ESTADO SOCIAL”


Caras Amigas/os



     Não pondo em causa o facto de que sem se produzir mais e melhor não saímos da situação em que estamos, questiono a política que tem sido seguida até agora face aos resultados obtidos e às respectivas consequências sociais.

     Mas inaceitáveis, não só por não corresponderem à realidade mas porque revelam que não há bases com que se justifique essa política, é o conjunto de inverdades que se utilizam para a justificar.

     Muito a propósito para o desmascaramento dessas pseudo justificações aqui vos envio este trabalho do economista Eugénio Rosa. 
     
     Tem como bases o Relatório do Orçamento de Estado de 2013 do Ministério das Finanças e o Eurostat e fala por si!

     Segue na íntegra, apenas com alterações na formatação para aparecer menos compacto.
   




Como está a ser feita a manipulação da opinião pública contra o “Estado Social” pela direita em Portugal
Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com 1
OS MITOS E AS MENTIRAS DA DIREITA NO ATAQUE `AO “ESTADO SOCIAL”
RESUMO DESTE ESTUDO
O Tribunal Constitucional declarou, como já tinha sucedido em 2012, inconstitucionais o
confisco do subsidio de férias aos trabalhadores da Função Pública e aos pensionistas, e ainda
mais duas outras normas da Lei do OE-2013 (o imposto sobre o subsidio de desemprego e de
doença e os cortes nos contratos de docência e de investigação) o que, em termos ilíquidos
corresponde a cerca de 1.600 milhões € (em valor liquido, e é este que tem efeitos no OE-2013
deverá representar um aumento na despesa – reposição dos subsídios de férias - e um corte na
receita que, somados, deverão rondar os 1.200 milhões €). Perante tal cenário que resulta deste
governo pretender violar pela 2ª vez a Constituição da República é previsível que os ataques às
funções sociais do Estado, por parte deste governo e dos seus defensores nos media se
intensifiquem ainda mais. E a arma mais utilizada, para procurar manipular a opinião pública, será
certamente a mentira. E as mais utilizadas para enganar a opinião pública, à semelhança do que
tem acontecido nos últimos tempos, serão certamente as seguintes: (1) Sem o empréstimo da
“troika” não haveria dinheiro para pagar salários e pensões; (2) A despesa do Estado em Portugal
é muito superior à de outros países da U.E.; (3) As despesas do Estado em Portugal com a saúde,
educação e a segurança social são insustentáveis. Por isso interessa já desmontar de uma forma
clara e objetiva essas mentiras, e para isso utilizaremos os próprios dados oficiais.
Comecemos pela 1ª mentira da direita sobre o empréstimo da “troika” para pagar pensões
e salários. Segundo o Ministério das Finanças, em 2011, as receitas dos impostos e contribuições
foram superiores à soma das despesas com Pessoal das Administrações Públicas mais despesas
com pensões e outras prestações (inclui saúde),em + 4.229,6 milhões €; em 2012 esse excedente
subiu para + 4.454,1 milhões €. E não consideramos todas das Administrações Públicas. Ainda
existem “Outras receitas” que, em 2012, foram mais 9.606,2 milhões €. Afirmar, como fazem
muitos comentadores, que o Estado foi obrigado a pedir o empréstimo à “troika” porque não tinha
dinheiro para pagar salários e pensões é ou ignorância ou a intenção de mentir descaradamente
para enganar a opinião pública, pois os impostos e contribuições pagas todos os anos pelos
portugueses são mais que suficientes para pagar aquelas despesas (Portugal paga uma taxa de juro
média de 3,4%, quando custa aos credores uma taxa média de 1,4%, e à Alemanha apenas 0,5%;é a solidariedade!)
Outra mentira é que a despesa do Estado em Portugal é superior à de outros países, e por
isso tem de ser significativamente reduzida. Segundo o Eurostat, em 2011, a despesa total das
Administrações Públicas em Portugal representou 49,4% do PIB português, quando a média na
U.E, situava-se entre os 49,1% e 49,5%, portanto um valor praticamente igual. E em 2012,
segundo o Relatório do OE-2013 do Ministério das Finanças, a despesa da todas as
Administrações Públicas (Central, Local e Regional) em Portugal reduziu-se para apenas 45,6%. E
neste valor estão incluídos os juros da divida que atingiram 7.038,9 milhões € em 2012. Se o
deduzirmos desce para apenas 41,4%. Afirmar ou insinuar, como muitos fazem, que a despesa
pública em Portugal é excessiva é ou ignorância ou a intenção de enganar a opinião pública.
Em relação à afirmação de que as despesas do Estado com as funções sociais em
Portugal são excessivas e insustentáveis por isso é necessário reduzir a despesa
significativamente, interessa dizer que, segundo o Eurostat, em 2011, a despesa pública com a
saúde em Portugal correspondeu apenas 6,8% do PIB quando a média na União Europeia
variava entre 7,3% e 7,4%. Em euros por habitante, em 2011, em Portugal o gasto público com a
saúde foi apenas de 1.097€, quando a média nos países da U.E. variava entre 1.843€ (+68% do
que em Portugal) e 2.094€ (+91). O mesmo se verifica em relação à proteção social, que inclui as
pensões. Segundo o Eurostat, em 2011, a despesa pública com a proteção social em Portugal
correspondia apenas a 18,1% do PIB quando a média na União Europeia variava entre 19,6% e
20,2% do PIB. Em euros por habitante, a diferença era ainda muito maior, Em Portugal o gasto
público com a proteção social por habitante era apenas de 2.910€, quando a média nos países da
União Europeia variava entre 4.932€ (+69% do que em Portugal) e 5.716€ (+96%). E nos países
desenvolvidos a despesa por habitante era muito superior (Bélgica:+126%; Dinamarca:+274%;
Alemanha:+114%). Mesmo se consideramos a totalidade da despesa com a saúde, educação e
segurança social, em 2011 ela representava em Portugal 63,4% da despesa total do Estado
quando a média na U.E. era de 65,7% Fazer cortes significativos na despesa com as funções
sociais do Estado com a justificação de que essas despesas em Portugal são excessivas e
superiores às dos outros países da U.E.é ou ignorância ou uma mentira para enganar a opinião
pública.
Como está a ser feita a manipulação da opinião pública contra o “Estado Social” pela direita em Portugal
Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com 2
O que é insustentável e inaceitável é uma politica recessiva aplicada em Portugal em plena
recessão económica, que está a causar uma quebra acentuada nas receitas do Estado e nas
contribuições da Segurança Social, o que põe em perigo não só a sustentabilidade das funções
sociais do Estado mas a do próprio Estado. Mais cortes na despesa pública só agravam a
situação. Como dizia Keynes, só os imbecis é que não entendem isso.
A mentira e a ignorância estão cada vez mais presentes nos ataques às funções sociais
do Estado pelos comentadores com acesso privilegiado aos media. É mais um exemplo concreto
do pensamento único sem contraditório atualmente dominante nos grandes órgãos de
comunicação social. Quem oiça esses comentadores habituais que muitas vezes revelam que não
estudaram minimamente aquilo de que falam, poderá ficar com a ideia de que Portugal é um país
diferente dos outros países da União Europeia onde o “Estado Social” é insustentável e está
próximo da falência por ter garantido aos portugueses uma saúde, uma educação e uma proteção,
que inclui o sistema de pensões, mais “generosos” do que a dos outros países e que, por isso, é
insustentável. Um dos arautos mais conhecidos dessa tese, não porque seja um estudioso
credível mas sim porque tem tido acesso fácil aos media, é Medina Carreira com as suas diatribes
periódicas contra o “Estado Social”. Mas antes de confrontarmos o que dizem estes comentadores
com os próprios dados oficiais, divulgados até recentemente pelo Eurostat, para que o leitor possa
tirar as suas próprias conclusões, interessa desconstruir uma outra grande mentira que tem sido
sistematicamente repetida em muitos órgãos de comunicação social sem contraditório o que tem
determinado que ela passe, a nível de opinião pública, como verdadeira.
SERÁ VERDADE QUE PORTUGAL FOI OBRIGADO A PEDIR O EMPRÉSTIMO À “TROIKA”
PORQUE NÃO TINHA DINHEIRO PARA PAGAR SALÁRIOS E PENSÕES?
Esta é mais uma das grandes mentiras repetidas sistematicamente que não tem qualquer
fundamento real, como os dados do quadro1, retirados do relatório do OE-2013 do próprio
Ministério das Finanças, provam.
Quadro 1- Receitas dos impostos e das contribuições, e despesas com pessoal de todas as
Administrações Públicas e com prestações sociais (inclui a saúde) – Anos 2011/2013
RÚBRICAS 2011
Milhões €
2012
Milhões €
2013
Milhões €
Receitas Fiscais (impostos) 40.352,3 38.583,8 41.476,5
Contribuições sociais (Segurança Social e CGA) 20.926,9 19.383,6 20.114,5
TOTAL (da Receita) 61.279,2 57.967,4 61.591,0
Despesas com Pessoal 19.425,7 16.661,4 17.285,9
Prestações sociais (inclui Segurança Social, CGA, e saúde) 37.623,9 36.851,9 37.628,9
TOTAL (da despesa) 57.049,6 53.513,3 54.914,8
SALDO (Excedente) + 4.229,6 + 4.454,1 + 6.676,2
FONTE: Relatório do Orçamento do Estado para 2013 - pág. 90 - Ministério das Finanças
Em 2011, as receitas dos impostos e contribuições foram superiores às despesas com
Pessoal de todas as Administrações Públicas mais as despesas com pensões e outras
prestações, incluindo as em espécie, que são as prestadas nomeadamente pelo SNS, em
+4.229,6 milhões €; em 2012 esse excedente subiu para 4,454,1 milhões € e, para 2013, o
governo previa que atingisse um excedente de +6.676,2 milhões €. Para além das receitas
consideradas, as Administrações Públicas têm mais receitas. Por ex. na rúbricas de “Outras
receitas” foram registadas, em 2012, mais 9.606,2 milhões € segundo o Ministério das Finanças. E
tudo isto num período de recessão económica em que se verifica uma forte quebra nas receitas
fiscais e contribuições. Afirmar, como fazem alguns comentadores e mesmo jornalistas, que o
Estado foi obrigado a pedir um empréstimo à “troika” porque não tinha dinheiro para pagar salários
e pensões é ignorância ou mentir descaradamente com o objetivo de manipular a opinião pública,
pois os impostos e contribuições pagas todos os anos pelos portugueses são suficientes para
pagar aquelas despesas. A razão porque se pediu o empréstimo à troika foi para pagar credores
leoninos, que são grandes bancos, companhias de seguros, e fundos muitos deles especulativos e
predadores.
Como está a ser feita a manipulação da opinião pública contra o “Estado Social” pela direita em Portugal
Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com 3
A DESPESA DO ESTADO COM AS FUNÇÕES SOCIAIS SERÁ EXCESSIVA E
INSUSTENTÁVEL EM PORTUGAL COMO AFIRMAM ESTES DEFENSORES DO PODER
DOMINANTE?
Esta é uma questão que tem de ser esclarecida pois também é utilizada para manipular a opinião
pública. Os dados do Eurostat constantes do quadro 1, em que é apresentada a despesa total do
Estado em percentagem do PIB, permite comparar a situação portuguesa com a de outros países
da União Europeia.
Quadro 2- -Despesa total das Administrações Públicas em percentagem do PIB
PAÍSES 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
EU - 27 países 44,8 46,2 46,6 47,2 46,8 46,8 46,3 45,6 47,1 51,1 50,6 49,1
Zona Euro 46,2 47,2 47,5 48 47,4 47,3 46,7 46 47,1 51,2 51 49,5
PORTUGAL 41,6 43,2 43,1 44,7 45,4 46,6 45,2 44,4 44,8 49,8 51,3 49,4
FONTE: Eurostat
Em 2011, e são os dados mais recentes disponibilizados pelo Eurostat, a despesa total
das Administrações Públicas em Portugal representava 49,4% do PIB português, quando a média
na União Europeia situava-se entre os 49,1% e 49,5%, portanto igual. E em 2012, segundo o
Relatório do Orçamento do Estado para 2013 (pág, 90) do Ministério das Finanças, a despesa
pública em Portugal reduziu-se para apenas 45,6% do PIB. E neste valor estão incluídos os juros
da divida que atingiram 7.038,9 milhões € em 2012 devido a juros leoninos pagos por Portugal. Se
deduzirmos aquela percentagem desce para apenas 41,4%. Afirmar ou insinuar, como muitos
fazem, que a despesa pública em Portugal é excessiva pois é superior à média dos países da
União Europeia é uma mentira. Mas é desta forma que se procura manipular a opinião pública
para levá-la a aceitar o ataque violento que está em curso em Portugal ao Estado Social, em que
um dos instrumentos é ameaça de mais um corte de 4.000 milhões € na despesa pública.
EM PORTUGAL A DESPESA PÚBLICA COM A SAÚDE É INFERIOR À MEDIA DA U.E..
O ataque ao Serviço Nacional de Saúde tem sido também um dos grandes objetivos destes
defensores do poder económico e politico com acesso privilegiado aos grandes media. O
argumento é que a despesa em Portugal é excessiva e superior à média dos países da União
Europeia. Os dados que o Eurostat divulgou, constantes do quadro 2, prova que isso é mentira.
Quadro 3– Despesa do Estado com a saúde nos países da U. E. – 2011
PAÍSES Em % do PIB Em euros/habitante. % em relação a Portugal
UE27 7,3% 1.843 € 168%
UE17 7,4% 2.094 € 191%
Bélgica 7,9% 2.655 € 242%
Dinamarca 8,4% 3.607 € 329%
Alemanha 7,0% 2.232 € 203%
Irlanda 7,5% 2.660 € 242%
França 8,3% 2.530 € 231%
PORTUGAL 6,8% 1.097 € 100%
FONTE: Eurostat
Como mostram os dados do Eurostat, tanto em percentagem do PIB como euros por
habitante, aquilo que o Estado gasta em Portugal com a saúde dos portugueses é
significativamente inferior não só ao que se verifica nos países mais desenvolvidos da União
Europeia, mas também em relação à média comunitária. Em 2011, a despesa pública com a
saúde em Portugal correspondeu apenas a 6,8% do PIB quando a média na União Europeia
variava entre 7,3% e 7,4% do PIB. E em euros por habitante, a diferença era ainda muito maior.
Em 2011, em Portugal o gasto público com a saúde por habitante era apenas de 1.097€, quando a
média nos países da União Europeia variava entre 1.843€ (+68% do que em Portugal) e 2.094€
Como está a ser feita a manipulação da opinião pública contra o “Estado Social” pela direita em Portugal
Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com 4
(+91%). E nos países desenvolvidos a despesa por habitante era muito superior à portuguesa
(Bélgica:+142%; Dinamarca:+229%; Alemanha:+103%; Irlanda:+142%; França : +131%), embora
a diferença de ganhos em saúde entre Portugal e esses países seja reduzida. Em 2012, com
cortes nas transferências para o SNS e para os hospitais públicos aquele valor ainda desceu mais.
A DESPESA COM A PROTEÇÃO SOCIAL EM PORTUGAL É INFERIOR TAMBÉM À MÉDIA
DA U.E.
Uma outra mentira é a de que a despesa com proteção social em Portugal, que inclui as pensões,
é superior às dos outros países. O quadro 4,com dados do Eurostat, mostra que não é verdade.
Quadro 4 – Despesa com a proteção social em Portugal e na União Europeia – 2011
PAÍSES Em % do PIB Em euros/habitante Valor per-capita % em relação
a Portugal
UE27 19,6% 4.932 € 169%
UE17 20,2% 5.716 € 196%
Bélgica 19,5% 6.577 € 226%
Dinamarca 25,2% 10.892 € 374%
Alemanha 19,6% 6.215 € 214%
Irlanda 17,3% 6.117 € 210%
França 23,9% 7.306 € 251%
PORTUGAL 18,1% 2.910 € 100%
FONTE: Eusrostat
Como mostram os dados do Eurostat, quer se considere em percentagem do PIB, quer em
euros por habitante, a despesa pública com a proteção social em Portugal, que inclui as pensões,
é inferior quer à dos países mais desenvolvidos europeus quer à média dos países da União
Europeia. Em 2011, a despesa pública com a proteção social em Portugal correspondia apenas a
18,1% do PIB quando a média na União Europeia variava entre 19,6% e 20,2% do PIB. E em
euros por habitante, a diferença era ainda muito maior. Em Portugal o gasto público com a
proteção social por habitante era apenas de 2.910€, quando a média nos países da União
Europeia variava entre 4.932€ (+69% do que em Portugal) e 5.716€ (+96%). E nos países
desenvolvidos a despesa por habitante era muito superior à portuguesa (Bélgica:+126%;
Dinamarca:+274%; Alemanha:+114%; Irlanda:+110%; França: +151%). Fazer cortes significativos
nas prestações com a justificação de que as despesas em Portugal são excessivas quando se
comparam com outros países da União Europeia é mais uma mentira para enganar a opinião
pública.
EM PERCENTAGEM DA DESPESA TOTAL DO ESTADO, A DESPESA COM AS FUNÇÕES
SOCIAIS EM PORTUGAL É TAMBÉM INFERIOR À MEDIA DOS PAÍSES DA U.E.
Por ignorância ou com o objetivo de enganar a opinião pública, Medina Carreira fala de um limite
mítico acima do qual o Estado e as funções sociais seriam insustentáveis, e que em Portugal esse
limite foi largamente ultrapassado. Observem-se os dados do Eurostat constantes do quadro 5 que
mostram que esse limite mítico é também uma mistificação e mentira.
Quadro 5- Percentagem que as despesas com as funções sociais representam em relação
às despesas totais do Estado em Portugal e nos países da União Europeia - 2011
PAÍSES Saúde Educação Proteção Social TOTAL
UE27 14,9% 10,9% 39,9% 65,7%
UE17 14,9% 10,1% 40,7% 65,7%
Bélgica 14,8% 11,6% 36,6% 63,0%
Dinamarca 14,5% 13,5% 43,8% 71,8%
Alemanha 15,5% 9,4% 43,3% 68,2%
Irlanda 15,6% 10,9% 35,9% 62,4%
Como está a ser feita a manipulação da opinião pública contra o “Estado Social” pela direita em Portugal
Eugénio Rosa – Economista – Este e outros estudos disponíveis em www.eugeniorosa.com 5
França 14,7% 10,8% 42,6% 68,1%
PORTUGAL 13,8% 12,9% 36,7% 63,4%
FONTE : Eurostat
Como revelam os dados do Eurostat, em 2011, 63,4% da despesa do Estado em Portugal
era com as funções sociais do Estado, quando a média nos países da União Europeia era de
65,7%. No entanto, na Dinamarca atingia 71,8%, na Alemanha 68,1%, e na França 68,1%,
portanto superior e, alguns deles, muito superior. Afirmar como alguns fazem que as funções
sociais do Estado apenas são sustentáveis se o Estado gastar com elas muito menos de 60% da
sua despesa total revela ou ignorância ou a intenção deliberada de enganar a opinião pública,
Será que a Alemanha, a Dinamarca, a França, são Estados inviáveis? Por outro lado, a
legitimidade do próprio Estado assenta fundamentalmente nas suas funções sociais já que elas,
através dos seus efeitos redistributivos reduz as desigualdades e melhora de uma forma
significativa as condições de vida da esmagadora maioria da população. Querer reduzir
significativamente a despesa com as funções sociais terá como consequência inevitável a redução
da legitimidade do próprio Estado aos olhos da população, e transformará a sociedade numa selva
em que só quem tem muito dinheiro terá acesso aos principais bens necessários à vida e a uma
vida humana com dignidade.
O que é insustentável e inaceitável é que se esteja a aplicar em Portugal uma politica
fortemente recessiva em plena recessão económica, que está a destruir a economia e a sociedade
portuguesa de uma forma irreparável, provocando a falência de milhares de empresas e fazendo
disparar o desemprego, o que está a causar uma quebra significativa nas receitas dos Estado e da
Segurança Social pondo em perigo a sustentabilidade de todas as funções sociais do Estado e do
próprio Estado. Mas disto aqueles comentadores com acesso privilegiado aos média não falam
nem querem falar. Os cortes sobre cortes na despesa pública não resolvem este problema,
apenas agrava ainda mais a recessão económica, agravando ainda mais todos estes problemas.
Como dizia Keynes só os imbecis é que não entendem isto.
Eugénio Rosa
Economista
eugeniorosa@zonmail.pt
6.4.2013

P.S.- Enviado por e-mail pelo primo joão Chaparro... Obrigado.

Estes "mequetrefes" do governo...



Estes "mequetrefes" do governo têm como base ideológica a premissa de que o Estado não tem nada que se intrometer em áreas que possam ser objecto de negócios privados. A saúde, a educação, e a segurança social, são coisas que apenas servem para aumentar a despesa pública, e que podiam muito bem ser de iniciativa privada. entregar os Hospitais ao grupo CUF e às Misericórdias, o Ensino á igreja, como as "madraças" islâmicas e a segurança social a companhias de seguros e bancos.... E o governo da Nação ficaria mais disponível para as coisas que são de facto da sua competência, como escolher os modelos da nova frota automóvel para os Sr.es Ministros etc.... E a "troika" pensa outro tanto. Essas coisas só dão despesa..... Portanto isto significa, que são objectivamente contra o chamado "Estado Social". Já viram o que seria, por exemplo, a banca encher-se de milhões de contas poupança-reforma, isso é que é boa economia...  Ou a Igreja zelar pela autoridade nas escolas e praticar um ensino dos bons hábitos cristãos.... Ou um plano de saúde, que previsse, a "extrema unção" à borla..... Isso é que era uma festa.... E para manter em segurança este conjunto de harmoniosos preceitos, reactivar a PIDE, cá por coisas..... Não vá o diabo tecê-las.... Isto é um bom plano, as pessoas é que ainda não entenderam que é tudo para o bem delas.... Voltávamos aos bons velhos tempos, os pescadores da Nazaré voltavam a morrer como moscas a passar a rebentação, muitos ficavam perdidos e enregelados na Terra Nova.... O bacalhau seria ao preço de "uva mijona" e o vinho daria de comer a milhões de portugueses. As "busas" das fábricas apitariam ao "meio-dia", para o frugal almoço, e as mulheres votariam a cultivar os valores da decência.... E a ter que fazer abortos clandestinos, depois, iriam arrastar os joelhos a Fátima, por via do perdão que a Senhora prodigabilizava.... Amen....

                                         António Capucha

                         Vila Franca de Xira, 10 de Abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

"Pândegos"



Vá lá alguém entender isto! Elementos da "troika" ou a sua total composição, mandam "bitaites" opinativos, se bem que em forma velada, mas mandam efectivamente, sobre a oportunidade do acordão do Nosso "Tribunal Constitucional". Onde é que isto chegou. Não basta a intromissão descarada nas nossas políticas, aproveitando a boleia do nosso "Vasconselesco" Governo. Agora também se atrevem a manifestar opinião sobre a soberania dos nossos Tribunais. Estes Governo é muito dado a este género de confusões.... Nestes dias é frequente vermos gestores de Bancos Nacionais a mandar " bitaites", sobre política. Até uma vez, que me lembre, um gestor dum grupo de Super-Mercados, veio a terreiro dizer coisas.... Somos um povo muito opinativo, mais "opinioso" que o cu do "Jaquim" Alberto, se me é permitida a referência, que não é do domínio público, mas é uma referência histórico-cultural de monta. E a pergunta que aqui cabe é a seguinte:
- Porque que é que os merceeiros deste país, não podem cagar postas de pescada? O que é que eles são menos que o cu, seja de quem fôr? Sim senhor tem "rezão", deixem falar o homem qu'ele tem "rezão".... 
Este governo é uma cambada de pândegos.... Põe-se naquele preparo de: Vêem, que nós até sabemos o que dizemos! temos esta gente toda a dizer o mesmo que nós.... Ele é a "troika" são gestores de topo, merceeiros de mercearias finas, Presidentes de Bancos, e outros "mequetrefes", todos em uníssono nesta missão patriotica! Falta-nos de momento a Igreja, Mas ela há-de cá vir bater.... É o destino!!!!

                                                 António Capucha

                                  Vila Franca de Xira, 9 de Abril de 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

As tretas da "Troika"....




E foi, passou o Fim-de-Semana, que não deu, em demissão, queda, ou desmoronamento, de seja o que fôr. Chato, longo e inútil.... Razões havia-as para dar e vender, mas a teimosia e cegueira deles, não deu para ver que era a única saída com jeito desta embrulhada que, aliás, criaram... Esperava-se mais destes neo-liberais da juventude Hitleriana... Esperava-se, legitimamente era esperado, que pelo menos soubesem as regras do jogo, mas nem isso sabem. Os opositores, chamados eufemísticamente de Lideres da oposição, são há sua (deles) exacta medida, seres de pálida tez, anémica e desorientada, perdida na sua própria teia. Nestas coisas não se pode ser e não ser ao mesmo tempo. Dar-se ares de lider de oposição e ao mesmo tempo e ocupando exactamente o mesmo espaço, notóriamente não querer ser alternativa.... Isto é: É evidente que não querem governar agora, porque amarrados ao Titanic do memorando da "troika", sem margem para aplicar o que dizem e defendem, dever ser feito. E esta contradição, trás vantagem ao governo e é um incentivo para se manterem.... Contradição estranhissima. Mas demasiadas vezes frequente em política. Por isso é imprescindível maturidade e cultura política certa, para se ser actor destes momentos. Isto não é para "boy's" e rapazinhos, Dr.s e Engenheiros, ou nem tanto, por muita verborreia que tenham..... É para homens de barba rija e nervos de aço. É preciso derrotar a "troika" e isso só é possível interpretando uma treta, ainda mais bem urdida, que a deles. Nós temos a vantagem de saber exactamente, passo a passo, como ela vai procedendo, é uma questão de jogar as biscas na altura certa. E o mais importante, ao contrário do que possa parecer, não é ter as biscas, é saber quando as devemos jogar. O jogo está aí a decorrer, e já não dá para o negar... Apenas se pode jogá-lo bem jogado. Claro que para isso é preciso termos consciência da natureza pervertida deste mesmo jogo. E esse é o primeiro erro deste governo. É que eles pensam que estão a jogar uma honestíssima bisca lambida e acreditam nas suas regras. E se o queremos ganhar a premissa é, nem por um instante aceitar como normais as suas exigências... A História revela-nos que em momentos de "à-rasca", este povo, soube sempre gerar as soluções e os actores ajustados às necessidades....  Estamos à espera do quê???

                                            António Capucha

                               Vila Franca de Xira, 8 de Abril de 2013  

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Òh Relvas , Òh relvas.....




Cheguei ontem de Peniche e volto hoje à noite para Peniche. Não, não estamos doidos.... É que nos esquecemos lá dos medicamentos e eu sem eles não sou ninguém. É uma dependência terrível, mas justificada. Na última consulta ao cardiologista perguntei-lhe directamente: isto a modos que o meu grilo, está melhor, ou não? Pois, respondeu, nem sim nem não. os problemas que tinha mantêm-se lá, continua a ter uma cicatriz de um enfarte havido há tempos e continua fraquinho, mas a diferença é que está tudo controlado. Se entendi bem deve ler-se medicado! O facto de já não ter a perna esquerda, ajuda à festa porque acabaram-se os entupimentos nas suas artérias que provocavam fortes esforços ao coração. Isso tudo junto dá-me a sensação de melhoria, mas é apenas aparente. Continuo a ter que ter cuidado, e um deles é tomar a tonelada e meia de "drunfos".... Os tempos de rapaz saudável, vão longe, fique muito embora a bonomia, que tinha na altura.... Quando tomo o pequeno almoço num café as pessoas que vêm até se espantam com a mão cheia de "pintarolas" que meto pela goela abaixo, com o parco cafézinho, que não dispenso... A minha dependência do café é tremenda, ainda hoje encomendei mais umas dezenas largas de cápsulas "nespresso".... Café delicioso que só tem o defeito de ser um pouco caro... O que não é de somenos....
Hoje é dia grande .... O Relvas teve dores fininhas no "útaro" e deu de frosques.... Os outros trastes não são tão "propênsicos" das "miudesas" e resistem....Continuam a expor a sua proverbial estupidez.... Se houvesse Deus eu pedia-lhe, daqui deste meu "púlpito", que desse a cada um deles um "câncarozito" daqueles pequeninos  que não os matasse, também não é caso disso, mas que lhes desse assim umas "caganeiras" bravas, qu'é para saberem o mal que nos têm vindo a fazer.... Era a vingança do Chinês.....

                                          António Capucha

                           Vila Franca de Xira, 5 de Abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Que viva o Teatro....

 


«Negócio Fechado» ou a corrida desenfreada contra o abismo

«Negócios Fechado» é a tradução do sonho americano visto do lado mais negro. Escrita por David Mamet, em 1983, a peça está agora em cena no Teatro Municipal Joaquim Benite, com encenação de Rodrigo Francisco. Apesar da distância temporal, esta é uma peça que, no fundo, vai buscar a essência da crise em que vivemos. Paulo Guerreiro e Miguel Sopas, dois dos atores, trouxeram aos estúdios da TSF um bocadinho desta peça de teatro.

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Boletim # 229 *
03-04-2013 * capucha@netcabo.pt

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Abril, águas mil....



Lá fora o escuro da noite envolve os contornos familiares do jardim. O pinheiro manso recorta-se contra o Céu estrelado e o silêncio é apenas cortado pelo grasnar de uma gaivota que perdeu o último autocarro para a Berlenga, e, o bategar de chuva nas folhas opulentas das "orelhas de mula",uma espécie de planta marciana, porque primeiro rebentam as flores, lindas, e grandes entre o vermelho e o laranja, que emergem da terra vindas do nada, isto por volta de Novembro, e só depois rebentam as folhas verdes e descomunais, em forma que não em tamanho, das orelhas de uma mula, ou de um jumento... Há um ninho no loureiro, ouço ruidos inconfundíveis, mas não vejo nada, de tão densa que é a folhagem, o lagedo está molhado e o ar cheira a terra molhada, um cheiro que nos recorda não sei o quê, mas tão familiar... Abril, águas mil.... Diz o povo, parece que com razão. Durante o fascismo, o Estado novo, velhacos e toscos, elegram Abril como a época do ano mais bonita para os "camones" visitarem Portugal, até fizeram uma cantiga roubando a música ao Fado de Coimbra do choupal /ainda és Capital/ do amor em Portugal, ainda..... E por aí fora.... E colaram-lhe a letra do Abril em Portugal..... E o que a malta gozava... "Chuvia, que Deus a dava"..... Andavam moçoilas em trajos regionais, à minhota, madeirense, nazarena e tal a correr a baixa de Lisboa a entregar às turistas, flores. Uma campanha levada muito a sério e com sombrinhas abertas, Mas..... "Da violeteira, hoje já ninguém tem esperança, deixou saudades, foi-se embora e à tardinha, está o Chiado carregado de mil tranças, mas tranças pretas, ninguém tem como ela as tinha..... Àh fadista.... 

                                       António Capucha

                                Peniche, 3 de Abril de 2013

A foto - Reencontro Meio Século Depois.



terça-feira, 2 de abril de 2013

Peniche


Península de Peniche

O Sol já raiou... O Sol já raiou.... E eu a absorvê-lo avidamente, deliciado com a sua temperatura - chapéu na cabeça Sr. tonica - sentencia a D. Lénia. Sou um menino cercado de cuidados.... As roseiras podadas começam a rebentar, as estrelícias, de pescoços esticados p'ró ar gritam os seus amarelos e azuis. e nos canteiros da esplanada da casa eclodiu a betadine, os estorninhos não se deixam ver, o diabo os leve de vez, deixaram o pinheiro maneta às rolas, e o seu arrulhar e o assobio dos melros volta a ser predominante, e, as nespreiras começam a dar fruto que o Sol vai pacientemente aloirando.... O pequeno bola de sabão, para alguns o caramelo, espantado com tudo isto corre ora p'ra dentro, ora p'ra fora de casa, e ladra a tudo quanto mexe.parece feliz. A sua mãe a inefável joaninha, gorducha de de opulenta pelagem, parece curtir tanto o Sol como eu... Por seu lado o estarola do timon, veterano destas coisas das delícias de Peniche, cheira o ar e sentencia a sua aprovação.... Os animais adoram isto, e compreende-se, saem a porta e estão na rua sem elevadores nem nada de permeio. Tudo reclama a Primavera que parece vir com "pézinhos de lã" a escapar do Sr. Inverno, austero e grave... Não digo feio, porque feio não é, é agreste e duro, mas também belo à sua maneira, sou disso testemunha maravilhada quando tinha a casa dos Remédios, onde o horizonte, era a curvatura do imenso Mar,  os seus dramáticos tons de cinza, e os rugidos do vento eram o acompanhamento a preceito desta música cósmica, que apenas ali se conjugam.... É preciso largueza de vistas para apreciar a beleza da invernia... A beleza e a fealdade não está nas coisas , mas nos olhos de quem vê.... Toma , que já almoçaste.....    

                                  António Capucha

                            Peniche, 2 de Abril de 2013 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Mau tempo na Costa Oeste....



O malvado tempo continua a fazer caretas. Chove e venta, que é um regalo. Não fora isso e nesta altura já ía muito longe nas estradas rurais do Oeste, a caminho de Peniche. Mas como já por diversas vezes disse, ir assim para Peniche, implica ficar fechado em casa, sem poder sair. Ora fechado em casa por fechado em casa, prefiro ficar aqui. Amanhã iremos, faça o tempo que fizer... Já fizemos este caminho com toda a sorte de tempo, desde dia glorioso de Sol aberto, até ao temporal mais descarado, ou de nevoeiro cerrado de cortar à faca, noites de Lua cheia e de Lua nova, enxurradas enormes, de fechar estradas, troncos d'árvore no asfalto.... Tudo.... Já a fizemos de todas as maneiras. Lembro ao acaso uma bela noite, depois de Jantar em que resolvi ir ao bar da "Nau dos Corvos" e no breve caminho entre a "Cruz dos Remédios" onde ficava a casa onde então morava e o Farol, tive imensas dificuldades em caminhar pela estrada porque o vento me empurrava fortemente para fora dela, e eu era na altura, um rapaz de lastro avantajado. Portanto, não é medo do tempo o que eu tenho.... É medo do tédio de ficar em casa sem poder sair, sem arriscar uma molha das antigas. Isso era coisa que não me fazia moça, mas agora faz... Desde que tive uma pneumonia, não possa arriscar outra, seria devastadora....E de devastações, já tive Q. B.

                                                António Capucha

                                 Vila Franca de Xira, 29 de Março de 2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

Mais um quarto de sentinela....



Ontem não cumpri o sagrado dever de escrever, porque pelas três da manhã tive que ir para o Hospital fazer um quarto de sentinela, com um a crise de falta d'ar. Estive por lá toda a noite a fazer oxigénio, e a ser picado como um boi numa corrida de touros à portuguesa. Chegou-se a dar ocaso de estar a enfermeira a tirar-me sangue do braço esquerdo ao mesmo tempo que a médica me espetava o pulso direito à procura, da veia "não sei quantos" que fica bem no meio do pulso.... Só saí de lá pelas nove da manhã e claro passei o resto do dia a dormir. Resultado desta "balhana" toda, mais um "drunfo" diário, a juntar à dezena e tal bem medida dos que já marchavam.... Parece que  faço retenção de líquidos em escesso que se acumulam junto ao coração pressionando-o e aos pulmões, e fazem inchar a perna.... Uma chatice, amigos.... Felizmente sou um rapaz saudável e estas coisas, vão-se, tão depressa como vieram, e deixam poucas marcas.... A premissa fundamental mantém-se, detesto Hospitais.... Já eu sabia que estava bom e cirandava por ali  a pedir a todas as enfermeiras que encontrava, que me tirassem o "catecter" do braço. Que não senhor ainda tinha que ser visto pela doutora, que sentenciou ter de ser visto pelo cardiologista, p'ra ver o que ele dizia, perdeu-se nisto um bom par d'horas..... Ele lá disse o que tinha a dizer e fugi dali a sete pés, o que é notável para um gajo que só tem um.... Espero, em suma, que esteja perdoado deste deslize, embora justificado não deixa de o ser.

                                            António Capucha

                          Vila Franca de Xira, 27 de Março de 2013