Venha ao encontro da Banda do Bombarral e da Banda do Ateneu. 1 Novembro. 21h30. Entrada Livre.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Ateneu.
Orçamento e reforma....
Reforma do Estado....
É a matéria de fundo em discussão, em paralelo com o Orçamento do Estado. Se, e é um questão a ter em conta, tivermos em conta a acção governativa, Há que desconfiar que por Reforma, o Governo entende compressão, encolhimento e poupança de despesas. No entanto esta questão é de facto importante. Quem como eu foi funcionário público e trabalhava de olhos abertos, rapidamente percebe a necessidade de reformar o Estado, sobretudo dotando-o de boas práticas de gestão. Isso é uma coisa.... Outra será aproveitar o balanço para cortar serviços e funções naturais do Estado, na presunção neo-liberal de que o mercado executa melhor certas tarefes que qualquer Estado. E através dessa artimanha, encolher a despesa do Estado. Trata-se de uma filosofia barata, para enrolar tolos. O Estado, o sector público é neste momento uma mexcla de serviços tradicionalmente do Estado e um sector empresarial que lhe foi adicionado nem sempre por razões claras e lógicas. Se a saúde e o ensino são atribuições e deveres do Estado, outras Empresas são estratégicas e convém manter no âmbito público, mas outras são apenas e só a pastagem onde ruminam um exército de gestores públicos que mais não é, que o interesse exclusivo dos carreirismos dos Partidos do Centrão (PS/PSD) e até do centrinho (CDS), desmontar e secar esta teia, seria reformar o Estado. Mas não é isto que o Passos Coelho quer.... O que ele quer é limar serviços na área da saúde, e do ensino, por duas razões fundamentalmente, como neo-liberal que é, acha que os privados,o mercado devia ter a oportunidade de lucrar e establecer as leis do mercado nessa área e depois, daria muito jeito amealhar uns largos milhões e aliviar o orçamento de Estado, e a dívida pública assim chamada por ser transversal a toda a sociedade. E não apenas do Estado como querem fazer crer. Aliás, é sobretudo do sector bancário.... O sector empresarial público deva ser alvo esse sim de profunda reforma, quer quanto às suas práticas de gestão. quer quanto à sua génese. Algumas delas, não só não têm nada de estratégico, como até o são contra-natura. Se por exemplo a R e T de P. (RTP E antiga RDP) devia ser do Estado, não Empresa pública , mas do Estado, Os cimentos e estradas de Portugal não têm qualquer razão para ser do sector público a não ser, permitir a nomeação dos gestores amiguinhos e geralmente incompetentes.
Numa palavra..... É na arquitectura do Estado que deve incidir a reforma e não no seu conteúdo. Por muito que queira o PSD e CDS, extinguir o tribunal Constitucional, porque não gostam de ser controlados. Acham que têm o direito pleno do exercício do poder.... Têm disso uma visão de ditadores. Uma espécie de monarcas por direito divino. Em suma, não acredito nas intenções do governo.... Não quer reformar, quer apenas limar.... A troyka, aliás a própria UE (União Europeia) Também prefere as soluções de menos Estado, ainda que à custa de menos social... A direita sempre foi avessa aos direitos sociais dos povos.... É aliás uma velhíssima pecha.... A forma como a direita vê o mundo torna antagónicos os direitos dos povos e o lucro dos investidores, limitam uns, os direitos dos povos, para garantirem outros, os lucros obscenos dos capitalistas.... Só que os nossos governantes e os Cavacos silvas, apenas lambem migalhas da gamela dos capitalistas, não passam de sabujos.... Homens de mão.... Peões e joguetes dos poderosos....
António Capucha
Vila Franca de Xira, 30 de Outubro de 2013
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Soneto ao Amigo Buda....
No tempo e no espaço
Longe me ficas, perto estás
Une-nos uma liga mais forte que o aço
Mais doce que o mel
Tão bom quanto um "tintol"
de bom trato no tonél
De carvalho ou do Sol
Acúcares trazíamos nas algibeiras
Alambiques nas guitarras
Vozes uivando à Lua
Digo seguramente, sem peneiras
Do bote da vida desatavamos amarras
Tão perto me fica a memória tua
António Capucha
Vila Franca de Xira, 29 de Outubro de 2013
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Coisas do Coração....
E é por tudo o que em nós corre
Que se vive e que se morre...
Diz o poeta cantor.... É, em nós correm vários rios, que não vão para o mar. Limitam-se a correr frenéticos, em circuito fechado.... Soprados, não pela lei da gravidade, como os rios a sério, mas pelo velho bode, que de moto próprio, bombeia, nos dois sentidos, o que sai e o que entra, desde que nascemos, até à nossa Morte. A ele atribuímos coisas como a bondade, o amor, a compaixão, sei lá, um sem número de sentimentos, que ele não é capaz de produzir..... Apenas bate mais depressa ou mais lentamente, reagindo a alguns sentimentos, mais poderosos.... O bom coração não é o banana, o bonzinho, mas o que menos reage, o mais frio. Está provado! O melhor é o sossegado, que impávido e sereno bate sem alterações, aos sentimentos mais íngremes.... Sobressaltos, não nos fazem nada bem.... Há sempre um trambolho à solta, que empurrado pela borrasca cardíaca, pronto está para desnortear a correnteza, e provocar entupimentos e extravasos desnecessários e perniciosos. É sempre bom procurarmos os caminhos da paz e sossego. é a fase em que estou, neste momento. Estou nessa de combater o "streck" e as chatices... E não me estou a sair mal....
António Capucha
Vila Franca de Xira, 28 de Outubro de 2013
domingo, 27 de outubro de 2013
Que viva o Teatro.....
Não basta dizer “não”
A última encenação de Joaquim Benite
Realização de Catarina Neves
A última encenação de Joaquim Benite
Realização de Catarina Neves
O que leva alguém a adiar a morte para encenar mais uma peça, desafiar mais um actor, dar a descobrir mais um texto? Durante mais de 40 anos, Joaquim Benite mostrou que é possível encher espaços fora de Lisboa. Um dia a doença apanhou-o. Resistiu durante dois anos. Em Setembro de 2012 iniciou aquela que viria a ser a sua última encenação. Timão de Atenas, de Shakespeare, estreou no dia 20 de Dezembro. Benite já não assistiu aos últimos ensaios. O filme acompanha a última batalha de quem sempre soube que é urgente agir.
Catarina Neves (Lisboa, 1972) formou-se em Ciências da Comunicação na UNL e conclui o Mestrado em Estudos de Teatro na UL com a tese Jorge de Faria. Para um retrato inacabado do crítico. Tendo sido jornalista no Jornal de Letras, TSF, e Público, integra desde2000 a redacção da SIC. Em 2012 realizou O alívio dos apertos.
Catarina Neves (Lisboa, 1972) formou-se em Ciências da Comunicação na UNL e conclui o Mestrado em Estudos de Teatro na UL com a tese Jorge de Faria. Para um retrato inacabado do crítico. Tendo sido jornalista no Jornal de Letras, TSF, e Público, integra desde
Câmara Catarina Neves
Montagem Ricardo Sant’Ana
Pós-Produção Vídeo Isabel Cruz
Pós-Produção Áudio Miguel van der Kellen
Apoio Câmara Municipal de Almada
Pós-Produção Vídeo Isabel Cruz
Pós-Produção Áudio Miguel van der Kellen
Apoio Câmara Municipal de Almada
Projecções
2 NOV – 14.45, São Jorge – Sala Manoel de Oliveira
03 NOV – 18.00, Fórum Romeu Correia
03 NOV – 18.00, Fórum Romeu Correia
A realizadora estará presente em ambas as sessões
Vídeo: http://vimeo.com/68910473
sábado, 26 de outubro de 2013
Grupos de teatro.....
Depois de uma infrugal refeição a puxar pelo apetite de um havano e uma bebida espirituosa, irrompe uma conversa sobre essas coisas de grupos de teatro, daqui da região nossos conhecidos. À conversa para além de mim, estava uma amiga muito querida, também oriunda do grupo de teatro em que militei. A propósito do seu fim assumi a parte de culpa, que julgo me cabe, mas adusi que nestas coisas o drama é sempre o mesmo. Confunde-se sempre autoridade, inegável dos especialistas com responsabilidade de direcção do grupo que pode e deve ser natural. A encenação, e cenografia etc., têm a sua importãncia mas não devem ser confundidas com a direcção do grupo, nem a direcção do grupo deve interferir nos aspectos técnicos e artisticos que não lhe cabem... Sem essas premissas os grupos sejam de teatro ou do que quer que sejam, estão condenados a um fim a curto prazo. E em minha opinião foi exactamente o que se passou com o nosso grupo que apesar da sua expressão artistica de nivel superior, não resistiu à erosão destes principios básicos, isto é : uma deficiente estrutura do quem é quem e quê, no seu ceio. É um erro comum à maioria das empresas em portugal, e do país, ele mesmo, a padecer, deste erro de palmatoria, de tão primário e idiota que é. Mas voltemos ao nosso velho grupo de teatro. Confundiu-se autoridade técnica com autoridade directora de grupo e isso foi fatal porque um bom técnico, pode não saber liderar e, da mesma forma, um bom lider pode ser inferior tecnicamente. Dado que o tipo de problemas e a sua resolução são óbviamente diferentes..... E os problemas mal resolvidos ou simplesmente escondidos ou esquecidos, rebentam sempre com grande estrondo, e quando é menos oportuno. Sei-o seguramente sabido agora que já não há remédio....
António capucha
Vila Franca de Xira, 26 de Outubro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Newsletter Digital ✺ Outubro . Semana 43 / 2013
Isto É Que Me Dói teatro
Com José Raposo e Sara Barradas
26 e 27 Outubro • Sábado e Domingo • 21h30 e 16h00
José Raposo traz ao Cartaxo esta comédia, 36 anos depois de Raul Solnado ter interpretado a peça no Teatro Variedades.
«Pela admiração que sempre nutri por ele [Raul Solnado], decidi produzir a peça (com a Sara Barradas) no Teatro Villaret e interpretar este “Zé Tiago”, uma personagem de uma tremenda humanidade (como o Raul!), que combate até ao fim pela “única coisa que lhe resta que é o seu corpo”, mas acaba derrotado pelo sistema.» (José Raposo)
Agora, o texto do brasileiro Paulo Pontes ganha nova vida, para mostrar no palco as peripécias do internamento de um ator num hospital público. Esta acutilante e muito atual comédia reúne um elenco composto por José Raposo, Sara Barradas, Fátima Severino, Miguel Raposo, Ricardo Raposo e Joel Branco – que já em 1977 tinha feito parte do espetáculo – como ator convidado. A encenação estará a cargo de outro grande nome do teatro ligeiro, Francisco Nicholson, com a assistência de Frederico Corado.
Bilhetes: 10€ •• M12
Ainda este fim-de-semana... ✺
Marathon Boy cinema
Ciclo de Cinema Britânico
25 Outubro • Sexta • 22h
Com assinaturada HBO, este filme conta-nos a vida de Budhia que aos 4 anos já tinha corrido 48 maratonas. Passado na Índia, o filme é um testemunho de corrupção, ganância e intriga política, onde nada parece o que é.
Apoio: British Council
Ciclo Cinema Britânico || Programação Completa
Entrada livre •• M12
The Asteroid #4 (USA) + AleK Rein (PT) + The RocKandys (FR) concerto
Cartaxo Sessions
25 Outubro • Sexta • 23h30
Os Asteroid #4, compostos por Scott Vitt, Eric Harms, Adam Weaver e pelo guitarrista/compositor dos aclamados Dead Skeletons, Ryan van Kriedt, trazem na bagagem o seu mais recente disco, "The Journey", que conta com a participação da lenda do rock psicadélico dos anos 60, Peter Daltrey. Os Asteroid #4 assinaram pela editora de Anton Newcombe, a The Committee to Keep Music Evil, e gravaram recentemente um EP ensopado de verão, a que chamaram, "Windmill Of The Autumn Sky".
Bilhetes: 6€ •• M12
José Raposo Convida conversas
José Fonseca e Costa
27 Outubro • Domingo • 21h30
José Fonseca e Costa começou o início de uma importante carreira logo no seu segundo filme de ficção, em 1975, quando viu Os Demónios de Alcácer Kibir ser seleccionado para a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, o primeiro filme português a entrar nesta competição. Já este ano encenou a peça O Libertino, com José Raposo, Maria João Abreu, Custódia Gallego e Filomena Cautela. Venha conversar com esta incontornável figura do cinema e do teatro!
Entrada livre •• M12
Brevemente... ✺
Expressão Dramática curso
Inscrições abertas. Início a 5 de Novembro
Terças e Quintas • 18h30 às 20h30 •• até Junho de 2014
Utilizando “O Método” do Actor’s Studio, através do qual estudaram actores como James Dean ou Meryl Streep, este curso é da responsabilidade de Bruno Schiappa, Mestre em Estudos de Teatro, e que continua os seus estudos com Marcia Haufrecht, uma das mais prestigiadas professoras norte-americanas neste método.
O curso, criado em 1993 por Bruno Schiappa no Chapitô e estendido ao Cartaxo em 2005, inclui também trabalho físico (flexibilidade e ritmo) e vocal (respiração, apoio, dicção). O mesmo destina-se a qualquer pessoa que queira ter contacto com as técnicas de Expressão Dramática. Ao fim de três anos é passado um certificado com o nº de Formador de BS, mas ao fim de um ano pode ser pedido um certificado para efeitos de prova de formação. Para além da adequação profissional do curso em epígrafe, os interessados podem frequentá-lo para efeitos de autoconhecimento, sociabilização, terapia da timidez, etc.
No final do ano letivo há a apresentação de um espetáculo de Teatro escrito e encenado pelo próprio.
Mensalidade: 35€ •• Dos 16 aos 80 anos
Centro Cultural - Município do Cartaxo
Rua 5 de Outubro, 2070-059 Cartaxo
T. 243 701 600 / F. 243 701 602
E. centroculturalcartaxo@gmail.com
website / facebook
Horário bilheteira:
Quinta a Sábado • 15h às 22h / Domingo • 15h às 19h
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quinta-feira, 24 de outubro de 2013
As Árvores Morrem de Pé.
"Morta por dentro, mas de pé como as árvores". Frase "perorativa" da peça "As Árvores Morrem de Pé", nos idos de sessenta do século passado na TV1, e única na altura... Ainda a estou a ver a senhora Palmira Bastos a dizê-la, enquanto batia com a bengala no chão, a bengala , não sei se era adereço pessoal ou dela própria, a actriz, Já que ela na altura tinha noventa anos. Entretanto o teatro na TV, foi cedendo o lugar às telenovelas, novelas de muito má qualidade de cariz utilizando a técnica de deixar em suspenso o resultado dum novelo que se vai muito lentamente desenrolando e farto de pormenores, o mais das vezes absolutamente dispensável. Mas lá vai desempenhando o papel para que assim foi criado, torna o produto viciante para os incautos. Mas voltemos ao tema: A morte das àrvores. Em boa verdade às vezes nem morrem, ou melhor ainda não morreram. Basta ver as florestas petreficadas de Sequoias pré Históricas. E lá vemos hirtas e apontando o Céu e o Sol, que viram nascer e pôr-se, milhões de vezes. As florestas são talvez as ciações que maior longevidade atingem, tudo ou quase tudo nos leva a concluir da nossa pequenez face ao gigantismo da natureza e, isto sem sair da terra. se considerarmos a dimensão cósmica, a nossa pequenez ainda é maior. En nós, apenas uma coisa se pede comparar à grandiosidade cósmica: o nosso intelecto. Ainda assim muita coisa há que nem imaginar podemos , quanto mais sabê-lo. Será aí que se irá dar a grande evolução da espécie? Sermos capazes de utilizar mais partes do cérebro, que hoje não somos capazes de utilizar e, dessa forma sabermos entender para lá do que hoje entendemos. Penetrar na nuvem escura que é o desconhecimento, que leva ao misticismo..... Ou vamos apenas ficar mais estúpidos anémicos, dominados e inuteis.... Arrepiemos caminho.... A evolução está a ser levada para caminhos que não são do interesse da humanidade..... Evolui-se muito mais em função dos interesses de quem tem o poder, do que no nosso próprio interesse. Não é dificil prever que isso, não pode trazer nada de bom. Observem bem se os países mais evoluidos não fazem crescer exponencialmente os seus orçamentos para assuntos do poder militar, ou refinam a eficácia do sistema financeiro internacional, e cada vez menos na educação e saúde dos povos. E esse poder é cada vez menos eleito, pura e simplesmente impõe-se..... Vamos meus amigos, vamos ter que cortar a direito.... Um exemplo ao acaso: Quem é que elegeu a Comissão Europeia do Durão Barroso, uma das pontas da troyca? Se calhar os mesmos que elegeram o Banco central Europeu, outra ponta da troyca! E o FMI, foram e são nomeados pelos principais bancos financeiros mundiais. è a terceira ponta que faltava à troyca.... Legitimidade Democrática, zero...... Portugal faz parte do FMI, acaso fomos chamados a nomear alguém da sua direcção?
António Capucha
Vila Franca de Xira, 24 de Outubro de 2013
Que viva o Teatro.
EM DIRECÇÃO AOS CÉUS:
ESTREIA ABSOLUTA EM PORTUGAL
Horváth, conhecido no nosso País através de peças
como Casimiro e Carolina,
Noite italiana, ou
Lendas do bosque de Viena, é tido como um dos autores que descreveu
com maior acuidade as condições que levaram à ascensão do nacional-socialismo na
Alemanha: o ponto de vista dos seus textos é o do pequeno-burguês da Europa
Central, apanhado entre o desemprego crescente (em 1932 havia seis milhões de
desempregados na Alemanha) e uma das mais devastadoras crises económicas da
nossa História, que se seguiu ao crash
da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929.
Em
direcção aos céus, escrita em 1934, já depois de Horváth ter se ter
exilado da Alemanha nazi, é apresentada pelo próprio Autor como “uma
história de encantar em duas partes”. Numa época na qual os principais
teatros alemães e austríacos se recusavam a montar os seus textos, Horváth
refugia-se num “conto feérico” (no qual não deixam de intervir o Diabo e o próprio
S. Pedro) para, através da renovação das formas teatrais populares, “dizer
certas coisas que de outra forma não poderiam ser ditas”. “Coisas”
essas como a ridicularização do belicismo crescente, ou a incapacidade dos
sociais-democratas alemães para defenderem a democracia, ou a impostura risível
da simbologia nazi.
NOTA BIOGRÁFICA
Ödön von
Horváth (1901-1938), um dos maiores dramaturgos de língua alemã da
primeira metade do século XX, nasceu em Fiume (actual Rijeka, na Croácia), que
na altura fazia parte do Império Austro-Húngaro. Passou toda a sua infância e
juventude em itinerância, em virtude do cargo de seu pai, adido do consulado
imperial.
Frequentou escolas em Budapeste, Munique e Viena,
sem nunca ter obtido bons resultados, inscrevendo-se, em 1919, na universidade
de Munique, onde segue aulas de psicologia, literatura, estética, sociologia e
metafísica. Entre 1923 e 1938, ano da sua morte, escreverá cerca de vinte peças
– comédias, comédias populares, farsas e contos de fadas –, três romances,
alguns contos e prosas breves, e um sem-número de textos por concluir. Em 1931 a
sua peça Lendas do bosque de Viena é
distinguida com o prémio Kleist, o mais importante da república de Weimar.
O seu desejo de
“descrever
o mundo tal como
ele, infelizmente!, é” cedo lhe
trouxe a hostilidade dos nacional-socialistas que ascendiam ao poder na Alemanha.
Em 1936 é forçado a abandonar definitivamente território alemão. Morre no exílio,
a 1 de Junho de 1938, em Paris, atingido por um ramo de uma árvore, na sequência
de uma violenta tempestade nos Campos Elísios.
SINOPSE
Luísa (Ana
Cris) sonha ser cantora de ópera. Passa os dias no teatro, na companhia de
um porteiro (Paulo Guerreiro) que não
a deixa entrar; com o pensamento no director (Marques D’Arede), que se recusa a conceder-lhe uma audição; com
saudades da mãe (Teresa Gafeira), que,
no Paraíso, reza pelo seu sucesso. Sozinha, sem pai nem mãe, Luísa conta apenas
com o desprezo e a chacota dos demais. Até que, inesperadamente, o director do
teatro morre: a sua alma é reclamada pelo Diabo (Luís
Vicente), com quem, há 20 anos, tinha feito um pacto. Uma vez no Inferno,
agradam-lhe as torturas a que é sujeito. Já o tratamento especial e meigo que
lhe é prometido para pôr termo à sua felicidade –inadmissível num Inferno digno
desse nome – angustia-o… Desta forma, tenta acordar com o Diabo um prolongamento
da sua vida na Terra, prometendo trazer-lhe uma alma para toda a eternidade: a
de Luísa. O Diabo fica convencido, o director ressuscita e Luísa deixa-se
seduzir por uma vida de triunfos, do tamanho da sua ambição. O contrato com o
Demónio é assinado e tem início uma fulgurante carreira de soprano. Os sucessos
da jovem cantora alegram todos, em todo o lado… À excepção do seu coração, que
permanece frio. Luísa entedia-se com os admiradores, as flores que não param de
chegar… Deseja anular o contrato. E o Diabo vê-se forçado a permiti-lo: uma
passagem imprecisa torna o documento inválido. E Luísa pode então encontrar o
verdadeiro dono da sua alma: Lauterbach (Duarte
Guimarães), assistente de encenação numa vida anterior, agora empregado de
mesa.
Ao Diabo resta-lhe realizar mais um sem número de
boas acções para, com sorte, poder entrar nos domínios de S. Pedro (André
Gomes) e continuar a amena cavaqueira que já mantêm por telefone…
PROMOÇÃO JANTAR+ESPECTÁCULO: 14€
TMJB | SALA PRINCIPAL | M/12
TMJB | SALA PRINCIPAL | M/12
2 a 30 de NOVEMBRO |
QUA a SÁB 21H30, DOM 16H00|
DURAÇÃO: 2H00, com intervalo
PREÇO: 6€ a 13€
RESERVAS: +351 212 739 360
RESERVAS: +351 212 739 360
COMPRAR:
http://cta.bilheteiraonline.pt/
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Padre Moniz.
A
Câmara Municipal de Vila Franca de Xira em conjunto com a Comissão
Executiva das Comemorações do Centenário do Nascimento do Padre Dr.
Vasco Moniz, irão levar a cabo um conjunto de ações para assinalar a
data do Centenário do Nascimento desta figura que muito contribuiu para o
desenvolvimento cultural, desportivo e social de Vila Franca de Xira.
Esta
comemorações decorrem até ao mês de Dezembro e terão inicio com uma
exposição biográfica a realizar-se no próximo dia 21 de setembro de
2013, nas instalações do Museu Municipal de Vila Franca de Xira, cujo
convite enviamos em anexo e desde já vos convidamos a visitar.
Patente ao público até 26 de janeiro de 2014
3ª feira a domingo * 9h30/12h30 e 14H/17h30
Encerra às 2ªas feiras e feriados
Mecanismos.
Sou doido por sistemas mecânicos de precisão como por exemplo: relógios. Tenho actualmente dois um de bolso antigo, com caixa de prata e um outro de pulso dizendo-se digital. Ora tanto quanto sei de digital eles apenas têm a origem, um cristal que percorrido pela corrente eléctrica, oscila a uma frequência elevadíssima, da ordem dos vários mega Hertzes.... Depois essa frequência é dividida electrónicamente, até ao singular segundo. Depois esse impulso eléctrico é aplicado a um selenoide, que uma vez por segundo, faz rodar o restante mecanismo mecânico que por meio de relações de rodas dentadas conta o tempo em dias, horas, minutos e segundos. De digital nada tem, a não ser o nome. E é tanto mais preciso quanto mais elevada fôr a frequência a que oscila o cristal. Seja como fôr fascinam-me os mecanismos complicados, quanto mais complicados melhor, são os de corda os meus preferidos, mas os bons são a um preço de fazer corar uma vendedeira.
Na tropa era especialmente eficaz no entendimento dos mecanismos do armamento, chegava-se a dar o caso, de dar instrução a toda a companhia reunida num enorme quadrado. E o Comandante assistia embevecido com tamanha demonstração de excelência. Toda esta capacidade, não se repete no que respeita ao executar.... Sou um tanto azelha e impaciente, resultando normalmente, coisas deficientes. Dá Deus com uma mão o que tira com a outra....
António capucha
Vila Franca de Xira, 23 de Outubro de 2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
E vão duas....
De volta às rotinas diárias, após umas curtas férias em Peniche, onde as rotinas se tornam mais fluídas e, recuando ainda mais numa breve passagem pelo hospital, onde fiz mais um quarto de sentinela, este curtinho, foram dois dias e meio e de permeio, uma intervenção cirúrgica à bexiga. Há oito dias fiz a consulta de rotina e sim senhor, os bicho era maligno, mas enquanto tal, era dos mais bonzinhos e como não havia qualquer ramificação, nem vou precisar de fazer a nefasta quimioterapia, ou qualquer outro tratamento. Farei apenas em Janeiro/Fevereiro, um "exambre" com um nome esquisito e uma consulta de despistagem. Que, espero, revele que o bicho foi de vez para o Céu.
Devo ser de uma espécie particularmente ruím, que nem os bichos maus me cravam o dente! E vâo dois! Um no cólon e agora este.... Afinal sempre sou um rapaz saudável.... Sorte? Não seja que seja isso, gosto mais da ideia de que se deve à ruíndade residente. Quando as crianças bocejam dizia-se que era fome, ou sono.... Ou ruíndade do dono! A minha mãe, dizia-mo constantemente.... Fui um infante irrequieto e buliçoso, mas um bom rapazinho.... Aliás, não há rapazes maus, o Padre Américo acabou com eles. E dos que por acaso escaparam, o Padre Moniz acabou com o resto. Há outra razão para ser um rapaz saudável, os hectolitros de óleo de fígado de bacalhau, que me enfiavam goela abaixo. Com ele aprendi a fazer caretas e a ser saudável. Diz-se que agora o referido óleo, sabe a fruta, deve ser por isso que os putos agora, são todos tão menos expressivos e regulares até ao absurdo. Não aprenderam a arte histriónica de uma boa careta. Ou têm medo de parecer meninos feios. Sei lá.... Presunção minha.....
António Capucha
Vila Franca de Xira, 22 de Outubro de 2013
domingo, 20 de outubro de 2013
Cantilena do político.... À maneira....
Estou na merda! Que fazer?
Entrar para um partido....
Que sabes tu?
Áh, sei ler e tal....
A tudo me ajeito, sobretudo a obedecer....
Serves.... Amanhã começas.
És esperto, vamos-te meter na lista p'rá Assenbleia de Freguesia.
E se o povo não votar?
Três na peida e tá'ndar....
Tens-te portado bem, és bem falante e trajas bem.
Não queres ser deputado?
Primeiro vais p'ra suplente...
Quando os primeiros forem para o governo entras tu.
É fácil levantas-te e sentas-te a seu tempo.
E os discursos?
Se o discurso não pegar....
Três na peida e tá'ndar
Com o tempo vais tu para Ministro de Estado ou assim...
Mas do quê se eu nada sei!
A gente arranja-te um curso bonito, é só dizeres qual queres....
E a malta não fará falatório? Não irei p'ro calabouço?
Quais calabouço?
Três na peida e acabou-se....
Quais calabouço?
Três na peida e acabou-se....
Vais p'ra Ministro, qu'agente quer.
E se a coisa não pega, sim, se não penetra?
Se a coisa não penetra....
Três na peida e etecétera.....
António Capucha
Peniche,20 de Outubro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
Fato justo.
Óh fato justo.... Caricatural Charlotesco, com que a trupe do meu irmão Chinoca, presenteava algumas figuras a roçar o ridiculo. Ora bem, mudan-se os tempos, mudan-se as vontades, os ridiculos d'hoje vestem fatuchos Armani. Irrepreenciveis no corte, mas não no porte. Não passam de fantoches, sem a sua conotação artistica.... Não falam, vociferam..... Nâo pensam, cumprem.... Não vêem, nem enchergam, vegetam... Comem em restaurantes Gourmet, arrotam basófias, mas sobretudo cumprem, movem-se a mando, cospem fininho e não piam.... São doutores em várias sabedorias de que nada sabem, assessores, articulados pelas bandas da servis, a que Camilo chamava as suas curvaturas vertebrais... Tão serviçais. Sopeiras que nem sopa sabem fazer. Nem chegam aos calcanhares das moçoilas que eu via em casa da minha avó a amassar o pão num alguidar de barro, com os seus vigorosos e gentis braços nus. Dantes eram chamados os homens da Regisconta. Com as suas pastas negras, com sopas gravatas e tudo. Como dizia o Solnado. Sinto por essa fauna um misto de pena e desprezo, e explico: fazem-me pena porque são tão menos, que essa inferioridade causa-me sempre esse sentimento, e desprezo porque se dão ares de tanta arrogância, petulãncia e tolismo, que apenas me merecem desprezo.
António Capucha
Peniche, 18 de Outubro de 2013
O Cartaxo mexe....
Newsletter Digital ✺ Outubro . Semana 42 / 2013
Memórias de um psicopata teatro
Nuno Crespo interpreta e encena um texto de Bruno Schiappa
18 e 19 Outubro • Sexta e Sábado • 21h30
Memórias de um Psicopata foi um processo de escrita amadurecido pela leitura de vários textos cientificos e artísticos sobre processos de identificação artística entre o criador e o objeto criado.
Com um formato pouco comum, este espetáculo foi pensado em duas vertentes: o regresso do ator ao prazer puro e simples do fingimento, do jogo de pretender (sem relacionamentos religiosos, políticos, sociais, rituais ou outros) e a tentativa de levar o público a ter as emoções que procura no cinema de horror e suspense.
Autoria - Bruno Schiappa
Interpretação e encenação - Nuno Crespo
Direção artística - João Rolaça
Desenho e operação de luz - Vitor Lima
Sonoplastia - Pedro Bona
Bilhetes: 3,5€ •• M16
Lotação limitada a 60 lugares
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Ainda este fim-de-semana... ✺
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Man On Wire cinema
Ciclo de Cinema Britânico
18 Outubro • Sexta • 22h
Filme vencedor do BAFTA de 2008 na categoria documentário. Foi dirigido por James Marsh e conta a história de Philippe Petit na sua travessia através de um cabo de aço suspenso entre as torres do World Trade Center de Nova Iorque, em 1974. É baseado no livro de Petit, "To Reach the Clouds", que acabou por ser relançado sob o título de "Man on Wire". O título do filme foi tirado do relatório policial que levou à prisão (e posterior libertação) de Petit após sua performance, que durou quase uma hora. O filme desenrola-se como um filme de ação, apresentando imagens raras dos preparativos do evento e fotografias da caminhada no cabo de aço, juntamente com reencenações (com Paul McGill interpretando o jovem Petit) e entrevistas com as pessoas envolvidas.
Apoio: British Council
Ciclo Cinema Britânico || Programação Completa
Entrada livre •• M12
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Brevemente... ✺
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Expressão Dramática curso
Inscrições abertas. Início a 5 de Novembro
Terças e Quintas • 18h30 às 20h30 •• até Junho de 2014
Utilizando “O Método” do Actor’s Studio, através do qual estudaram actores como James Dean ou Meryl Streep, este curso é da responsabilidade de Bruno Schiappa, Mestre em Estudos de Teatro, e que continua os seus estudos com Marcia Haufrecht, uma das mais prestigiadas professoras norte-americanas neste método.
O curso, criado em 1993 por Bruno Schiappa no Chapitô e estendido ao Cartaxo em 2005, inclui também trabalho físico (flexibilidade e ritmo) e vocal (respiração, apoio, dicção). O mesmo destina-se a qualquer pessoa que queira ter contacto com as técnicas de Expressão Dramática. Ao fim de três anos é passado um certificado com o nº de Formador de BS, mas ao fim de um ano pode ser pedido um certificado para efeitos de prova de formação. Para além da adequação profissional do curso em epígrafe, os interessados podem frequentá-lo para efeitos de autoconhecimento, sociabilização, terapia da timidez, etc.
No final do ano letivo há a apresentação de um espetáculo de Teatro escrito e encenado pelo próprio.
Mensalidade: 35€ •• Dos 16 aos 80 anos
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Centro Cultural - Município do Cartaxo
Rua 5 de Outubro, 2070-059 Cartaxo
T. 243 701 600 / F. 243 701 602
E. centroculturalcartaxo@gmail.com
website / facebook
Horário bilheteira:
Quinta a Sábado • 15h às 22h / Domingo • 15h às 19h
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Vou indo...
O meu coração amarrado ao peito
Parte em demanda com a cicatriz do enfarte
A pesar-lhe o rabo que arrasto a direito
Pelas nervuras do caminho daqui aquela parte
Talvez me pese o pé saltitão
Me resvale a muleta manhosa
Mas o velho coração de leão
Vai na frente em marcha sinuosa
A troar trombetas "busas" e tambores
Numa algazarra infernal
Sai da frente óh labrego, vou a Mória
Qu'eu vou ali já venho, óh meus amores
Levo o farnel aqui no burnal
E no olhar a tua imagem de memória
António Capucha
Peniche, 16 de Outubro de2013
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Soneto ao Governo
Vocês são uma fraude consumada
Foram paridos na indecência
Vivem uma vida roubada
Fedem fealdade e incompetência
Dão-se ares de quem se banha com rosas
E sem qualquer pudor, ou arrependimento
Tal como prostitutas velhas e rançosas
Blenorrágicas, infectas, com esquentamento!
Saracoteiam-se, ostentam rouges e batons
Plumas, mini.saias e decotes
Pés de galinha, rugas e flacidez
Deixam um rasto pútrido, de pom-pons
Comissões troycas e dichotes
Ao foder-nos, infectam o povo português
António Capucha
Vila Franca de Xira, 9 de Outubro de 2013
terça-feira, 8 de outubro de 2013
O clima....
Vi uns pândegos na TV a falar sobre as consequências do aquecimento global, no território continental. Não sei o quê uma subida média de dois graus centígrados na temperatura.... Não sei, não discuto! É uma previsão arriscada.... A subida dos Oceanos é capaz de não vir a ser tão dramática quanto eles prevêem. Os Oceanos estão sujeitos às mesmas leis da física, mas não são propriamente a banheira lá de casa.
O que dá para ver é que está em andamento, é uma espécie de Tropicalização do clima. O que se traduz pela queda de duas das estações anuais, pelo menos tão vincadas quanto isso. A Primavera já foi de altas temperaturas , mais próprias do Estio, e com o Outono está a acontecer o mesmo. Vejam onde é que já vamos, e o calor que faz.Vai ficar uma estação seca e uma mais fria e húmida.... Uma espécie de Monção. Com enxurradas medonhas. E ventanias tremendas... Claro que toda a sociedade terá que se adaptar a essa nova realidade.... Até já temos Tornados devastadores e não os pequenos vórtices típicos das regiões quentes e secas do interior.
Pois é, vêm tarde, a questão já está aí, e deviam estar-se a fazer esclarecimentos intensivos da população e não a por em bicos dos pés os seus lóbies e, a amedrontar os incautos com cenários apocalípticos. Temos a mania da autoridade, mas esta não pode ser conferida a espanta pardais. Há efectivamente muita coisa para resolver, em muitos casos vai ser necessário substituir velhos hábitos, como é o caso da agricultura. Infelizmente temos nessa, como em todas as outras áreas, uma Ministra incompetente, engraxadora e petulante. Justamente precisamos do contrário... Competência e Honestidade.... E o que temos sobretudo, é desfaçatez, ignorância, Indecência, despotismo e sentido ditatorial....
António Capucha
Vila Franca de Xira, 8 de Outubro de 2013
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Coisas da "net"....
![]() |
| Francisco, o informático senior. |
António Capucha
Vila Franca de Xira,7 de Outubro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Ode/a Guarda...
Canta Fernando tordo o poema é do josé Carlos Ary dos Santos
O vento ondula a erva alta e seca, as moscas, num pronúncio de morte, tornam-se chatas, as nuvens correm tontas para lá e para cá, o Céu tomba em gotículas de chuva, o uivo ventoso sobrepõe-se ao ruído do trânsito... De longe em longe o grito raivoso de uma ambulância, um ronco de um motor mais opinioso quiçá, uma Harley.... O livro do Saramago ali pousado, e na TV as imagens e os sons obscenos do debate na Assembleia da República, sobre a oitava e nona avaliações da "Troyca". Aqui sentado no meu trono, a raiva cresce, extravasa,,, Como é possível a estes animais, dizerem tais coisas? Não há vergonha? A uma pergunta incómoda da deputada do Bloco, a Presidente da Assembleia, acode ao Primeiro Ministro: O Sr. PM, já não dispõe de tempo para responder.... É o regimento de Assembleia, a ditadura da burocracia, a perversão das maiorias e, esta é uma super maioria: uma maioria, um governo, um Presidente.... E que Presidente! Por um lado alimenta a estratégia do governo, por outro, diz-se defensor de outra coisa.... Um rematado troca tintas. Que espectáculo, que tristeza, é assim como uma tourada, só que em vez dos bravos e dos olés, soam "muitos bems" , palmas avulsas, frenéticas, histéricas e sorrisos lorpas.... Sim.... Uma tourada estranha, sem touro, sem cavalos, apenas jumentos... Um toureiro por cada grupo parlamentar e muitos peões de brega... Àh, e também há chocas, com gizos e chocalhos e, o mais estranho de tudo, é que estão todos embolados.... Estranho também é que não há inteligente, deu-lhe uma caganeira fininha e saiu pela esquerda baixa depois de uma colhida.... Ao corneteiro finou-se-lhe o sopro, deu três fífias e foi expulso debaixo duma vaia tremenda. As voltas de agradecimento não desencadeiam chuvas de flores e chapéus, ao invés chovem molhos de urtigas e bosta seca. O caldeirão borbulha, ferve em lume brando, e exala um fedor insuportável... A comanga está quase pronta .... Chafurdem seus bácoros.....
António Capucha
Vila Franca de Xira, 4 de Outubro de 2013
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