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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os sonhos

O Sonho - Pablo Picasso
Quando experimentamos o turbilhão de pensamentos sem os expressar. Ficamos empanturrados… Não podendo impedir-nos de criar pensamentos. Uns, meras posições filosóficas ou científicas, outras, sonhos acordados de uma realidade tão perto e tão longe, à exacta distância que medeia entre o que é e o que não é, que só em sonhos é possível medir a palmo. Por vezes tem a enormidade absurda do Universo. Para noutras ser infinitamente circunscrita ao pequeno micro sistema que somos nós e os nossos botões. É a única forma de voar. As palavras, essas coisas que expressam pensamentos, se pensadas são voláteis volteiam, volteiam e nunca se cansam como faúlhas de um fogo sagrado que é a nossa intimidade. Se ditas ou escritas ficam amarradas ao chão firme e estúpido que dizem ser a triste realidade e valem apenas aquilo que a semântica permite. Nos sonhos não! Atribuímos como entendemos o peso e significado de cada palavra de cada acto. É até possível inventar palavras para sentimentos fugazes que relampejam num ápice e se desvanecem sem percebermos muito bem o que foram. A norma é que nos deixem felizes, por vezes sem saber porquê.
Aliás os porquês valem o que se quiser…
O único senão é que este turbilhão já referido, tem limites. E esse limite traduz-se naturalmente na sua materialização…. Tem que ser dita, ou escrita, para libertar memória para o futuro e expectável exercício de voltar a sonhar… De entre elas, as memórias, umas há que têm anos que não é possível apagar, sem fazer perigar a fornalha dos sonhos. São estas as preferidas. Ternuras antigas. Amores profundos. Gostos e desgostos que fazem o que se é. Áh pois!!!! Somos o que sonhamos, não o que dizemos ou fazemos. Porque estes são determinados pelos outros. O que sonhamos determina o que somos capazes de fazer e de dizer, no fundo: De ser…. Não acreditam?
Experimentem deixar de sonhar acordados, de saborear as emoções intensamente sonhadas, inventadas até salivar abundantemente. Depois, quando por acidente se der essa realidade, vejam se são capazes de sentir algum sabor, algum prazer??….
Exemplo:
- Se fossemos como os cães, cruzávamo-nos com uma fêmea e independentemente de tudo, à excepção de um conjunto pícaro de odores, pulávamos-lhe para cima, In out-In out, e prontes estava feito….
Mas como não somos, andamos tempos e tempos, anos por vezes a sonhar, a imaginar-lhe a nudez, a colar-lhe uma atitude no amor, o roçar de lábios no pescoço o afagar de cabelos a firmeza dos seios sensíveis, a curva do ventre, a púbis em concha, os quadris, tipo pêra se possível… Inventam-se palavras libertam-se grunhidos, gritos abafados a morrer nas gargantas e doces mentiras que nunca mais acabam, até ao estertor do orgasmo que imaginamos sempre simultâneo, interminável, intenso, bruto como o champanhe….
É incomparável não é verdade?   
Melhor que a realidade, seguramente!
Os sonhos, são o sumo da vida….

Eles não sabem nem sonham,
que o sonho comanda a vida
Que sempre que o homem sonha,
o mundo pula e avança
como bola colorida ….
entre as mãos de uma criança.

(in “Pedra Filosofal” de António Gedeão)


                                            António Capucha

                            Vila Franca de Xira, Agosto de 2011

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