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domingo, 30 de dezembro de 2012

Que viva o teatro...



Luisa...




Luisa, já por diversas vezes aqui referida e contada a sua dura vida, é no entanto uma criatura feliz, que irradia simpatia, mas de convicções muito fortes e por vezes ásperas.... Fruto de levar uma vida de trabalho e luta constante, mais a frugalidade dos seus hábitos, eis as circunstâncias que forjaram não só a silhueta airosa e ágil, elástica, mas também a sua tenacidade e a sua força de carácter. 
Estava sentada ao serão com a sua mãe e a menina que dormia ao colo, e reparou num fiozinho de àgua que escorria da parede da salinha onde assistia a um programa de TV. Era só o que me faltava, não querem lá ver que tenho que fazer obras no telhado. Fica aí por um dinheirão, e o coração apertou-se-lhe. Onde havia de ir arranjar o dinheiro. O magro salário de operária textil, não lhe dava para mandar cantar um cego. Mas estava felizmente enganada. O fiuzinho de água, era fruto da condensaçãoda humidade do ar interior da casa que evaporava e condensava na parede que era mais fria, convertendo-se a humidade em água que escorria. A noite estava extraordinariamente húmida e a casa junto ao rio também não ajudava nada. Ainda bem que assim é, porque senão teria que fazer horas extraordinárias no trabalho, e isso era tempo que lhe roubavam ao convívio da menina. Esses eram os momentos de maior alegria, vê-la crescer assim saudável e risonha, era a luz dos seus olhos. Amanhã tinha que ir falar com o Sr. Alfredo, por via das obras no telhado, assim foi antes de ir para o trabalho foi a casa do pedreiro falar com ele e certar um preço. O Alfredo era felizmente um homem honesto e lá lhe foi dizendo que pelo que ela dizia, aquilo não era nada de errado com o telhado, mas sim da humidade. Mas  que estivesse descançada que ele passava por lá para dar uma vista d'olhos. A noite que passasse por lá que ele logo lhe diria. Foi dali para o trabalho , pensando que conversa havia de fazer ao chefe, para fazer umas horas extras. Que raiva que lhe fazia ter de andar a pedir "batatinhas" aquele burgesso.  ela bem via os olhares gulosos do lorpa, quando a saia subia um pouco acima do joelho, e estava sempre de pasmado a babar-se se o decote deixava ver um pouco de seio.... Porco de merda..... debruçava-se sobre ela sem haver necessidade disso e ela sentia-lhe o hálito avinhado, fétido..... Que nojo.... Mas lembrava-se do telhado e pronto estava decidido. Falava com ele, depois logo se via o que ele grunhia.....
Passou pelo café e deu-lhe um vontade enorme de entrar e beber um, mas lembrou o telhado e engoliu a saliva e pronto, estava feito.... 
O dia passou a correr, não teve ganas de falar com o encarregado, falaria amanhã com o patrão, mal tocou a busa disparou para casa do Sr. Alfredo e chegou lá estavam à mesa a cear, que se sentasse e comesse uma sopinha, enquanto estava quente e lá lhe foi dizendo que afinal não era nada com o telhado, que até estava muito bem. Mas já tinha dito àmãe o que havia a fazer, era abrir uma fresta numa janela e assim, livrava-se da humidade. A Luisa agradeceu o convite mas escusou-se, estava com pressa para ir ter com a sua menina. Bem bonita a sua menina, também tem a quem sair se me dá licença..... A Luisa ficou um tanto embaraçada com o elogio, mas os olhos brilhavam, afinal , não eram preciso obras, e despediu-se educada mas decididamente. E partiu num galope para casa. feliz e contente com o desfecho deste assunto.....

                                      António Capucha

              Vila Franca de Xira, 30 de Dezembro de 2012 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Si non est vero est bene trovato...





MUITO SÉRIO E GRAVE.
É preciso que a mensagem passe, contra os privilégios absurdos de alguns, que se estão nas tintas para a Crise (dos outros)...


António Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados: Austeridade e privilégios, no Jornal de Notícias. Excertos:

«[...] O primeiro-ministro, se ainda possui alguma réstia de dignidade e de moralidade, tem de explicar por que é que os magistrados continuam a não pagar impostos sobre uma parte significativa das suas retribuições; tem de explicar por que é que recebem mais de sete mil euros por ano como subsídio de habitação; tem de explicar por que é que essa remuneração está isenta de tributação, sobretudo quando o Governo aumenta asfixiantemente os impostos sobre o trabalho e se propõe cortar mais de mil milhões de euros nos apoios sociais, nomeadamente no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, nos cheques-dentista para crianças e ? pasme-se ? no complemento solidário para idosos, ou seja, para aquelas pessoas que já não podem deslocar-se, alimentar-se nem fazer a sua higiene pessoal.

O primeiro-ministro terá também de explicar ao país por que é que os juízes e os procuradores do STJ, do STA, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Contas, além de todas aquelas regalias, ainda têm o privilégio de receber ajudas de custas (de montante igual ao recebido pelos membros do Governo) por cada dia em que vão aos respetivos tribunais, ou seja, aos seus locais de trabalho.

Se o não fizer, ficaremos todos, legitimamente, a suspeitar que o primeiro-ministro só mantém esses privilégios com o fito de, com eles, tentar comprar indulgências judiciais.»
"A vida corre atrás de nós para nos roubar aquilo que em cada dia temos menos."

 PS- enviado por e-mail pelo mano velho....

Que viva o teatro....




Há coisa de uns dois anos, três no máximo, o meu amigo Carlos Fernandes, pediu-me que escrevesse uma peça de teatro sobre a guerra colonial. O tema éra-nos, melhor, éra-lhe muito caro, pois ele viveu-a de "per si" na distante Bissau onde fazia Rádio para o exército. Lancei-me à obra e socorri-me de diversas memórias das quais tive contacto através de terceiros, uma vez que eu não estive na guerra. E criei uma peça em quatro actos, aos quais tive o cuidado de facilitar a sua eventual produção, em espectáculo teatral. Para tal socorri-me da minha experiência teatral, que terá sido fugaz mas intensa. O meu estimado sobrinho que vá estando atento, que um belo dia publico-o.Ele ao que sei, lidera um grupo de teatro muito produtivo e é a minha maior esperança de alguma vez o ver em cena. Ela está no disco duro de um computador que está desactvado há mais de um ano. E o Francisco, meu filho, fará o favor de o ir buscar, o computador naturalmente,  há-de estar cheio de falhas, por causa da humidade apanhada e outras novidades funestas. Esperemos que se consiga salvar o texto em causa.... 

                                  António Capucha

           Vila Franca de Xira,29 de Dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Encher pneus....




Tenho que encher os  pneus à minha bicicleta, porque está a deslizar mal. Está de direcção pesada. E esta "jinga", até rolava muito bem. Muito melhor que a "jinga" que eu tinha no Montijo. A senhora meio espanhola, que mora cá em casa disse, que ela está cada vez mais pesada e eu acredito também noto alguma relutância nas viragens rápidas. Está portanto na hora de bufar ar nas "camaradagens" dos "pneu". É uma actividade que enfim, me manterá ocupado neste tempo de equidistância entre os festejos natalicios e a passagem de ano, apenas quebrado pelos anos da Rita que quase,  quase ía nascendo na noite do caramelo. já lá vão trinta anos e parece que foi ontem. Aliás o mês de Dezembro é cheio como um ovo, de eventos. Se não vejamos. logo a abrir no dia dois, são os anos do Francisco, depois dia vinte e um, faço anos de casado. Dia vinte e cinco já se sabe é o Natal. Dia vinte e sete são os anos da Rita e trinta e um é a passagem d'ano. Cheio como um ovo como se deixa ver. 

                                  António Capucha

              Vila Franca de Xira, 28 de Dezembro de 2012  

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CR&F.




Carvalho Ribeiro e Ferreira, mais conhecido pela sigla CRF, é uma aguardente velha de qualidade que bebi hoje após o almoço. Soube-me que nem ginjas.... Combinou na perfeição com o café, pena foi que no restaurante não se pudesse fumar, assim o Havano ficou no bolso. O que foi uma pena.... Suponho que esta recente vaga de puritanismo anti-fumo e anti-tudo e mais alguma coisa, está a dar cabo das coisas boas da vida, e, em ultima análise é perniçiosa para o negócio dos restaurantes, nomeadamente. perseguindo tudo o que os moralistas consideram ser pernicioso aos costumes saudaveis. Mas isso é só uma desculpa. A verdade verdadinha , é que isto é proíbicionismo puro e duro, como o foi a proíbição dos bikinis e mini-saias. E se o ambiente fôr favorável, um governo conservador e tal, lá chegaremos... Eles que gostam tanto de estatisticas, porque não tornam público a eventual deminuição de casos de AVC's e outros, desde que foram  tomadas estas medidas de protecção dos chamados fumadores passivos. Suponho que será porque não há nenhum recuo da doença, isto é , a medida não produziu efeitos nenhuns. Apenas veio criar animosidades e cerciar o direito a alguns prazeres.... E isso sim, é o grande desígnio destes chicos-moralistas, roubar-nos os prazeres.... Todos eles.... Se são prazeres, são ilegítimos, qiçá, pecados a requerer expiação....
Malditos puritanos.... Capados de merda.... Velhacos .... Roubaram-me o prazer de um charuto com o café e o conhaque.... Manhosos......


                                   António Capucha

                 Vila Franca de Xira, 27 de Dezembro de 2012

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Já foi......




Mais um Natal, passado que foi fica a azia e a austeridade alimentar para recuperar os Kilitos, adquiridos à pala dos fritos e outros acepipes que nos cercavam e suplicavam que os comêssemos. Irresistiveis, de olhares doces e lânguidos.... Até a TV esteve à altura dos acontecimentos, passou uma série de filmes tó-tós, que mantiveram a família atenta e mobilizada. A casa acolhedora e quente, ao invés do tempo lá fora que estava de gelo, sei o que digo porque fui à rua. A casa do falecido Armando, meu pai, ter com os manos que lá se Juntaram, como fazem todos os anos por esta altura. Lá estavam nas paredes o adufe da minha mãe, Maria, a benção do Papa PIO XII ao casamento dos meus pais, e todo o passado passava por aquelas paredes. Fotos e enormes "pusel's" que a demência do Armando mandava construir, lá estavam a testemunhar isso mesmo. E uma ideia não me largava: Que prazer a Maria, minha mãe, não tiraria se tivesse Habitado aquela casa maravilhosa e confortável, Não lhe foi dado esse prazer para o fim da vida. Beirâ frugal e diligente, ainda assim, morreu feliz e contente com a vida que teve. Mulher duma cana........ Querida mãe, porque eras crente sei que estás lá onde tu acreditavas ser o teu lugar. Terias sido tu a espantar a morte que me rondou tão de perto? Sei que acreditavas tão intensamente nisso, que para mim, isso é quase uma realidade material. Quase me sinto mais pobre por não crer......

                                            António Capucha

                          Vila Franca de Xira,26 de Dezembro de 2012

PS_ Àh é verdade, as filhós ficaram boas....   

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal.





Por esta altura Há cinquenta anos atrás na longínqua Tinalhas, aldeia beirã onde moram as minhas origens, como dizia por esta hora, raparigas saudáveis de braços nus, batiam a massa das filhós, enquanto nós os rapazolas aguçávamos o apetite, impelidos nas ondas odoríferas que vinham da cozinha. As cantigas de Natal enchiam o ar. enebriávam-nos de mistura com o cheiro a aniz das broas e da fritura das filhós, perfumes e sons que preencheram a minha infância, forjaram a minha cultura e escala de valores. Essa magia nunca me abandonou, é sempre um dia mágico que se renova todos os anos. Esteja onde estiver, são estes os cheiros e sons que me invadem. O Natal comercial dos centros e  super mercados impõem-se como inevitáveis, mas pouco podem contra estas  memórias, cada vez mais vivas. À medida que o tempo passa, mais se acentuam, mais presente vai ficando. Mais quentes e queridas são as memórias. Mais o coração se abre..... Feliz natal para todos.

                                          António Capucha

                      Vila Franca de Xira, 24 de Dezembro de 2012

sábado, 22 de dezembro de 2012

Filhós...



O grande desafio é amassar filhós. A minha mãe que Deus tem, fazia-o com uma "perna às costas", pela simples razão de que sabia o que esperar a cada momento da sua feitura. Ora eu, vou para isto completamente às escuras, sei lá em que ponto deve estar a massa, para repousar, melhor, levedar. Quero fazer obra asseada, disso não restam dúvidas. As melhores descrições encontradas na net, são demasiado vagas, assim do tipo: Quanto mais sovada estiver a massa mais leves ficam as filhós.... E o que é que isso quer exactamente dizer? Nada me diz que as filhós irão ficar leves e saborosas. Será que tenho que sovar a massa durante um dia inteiro? Não, a minha mãe não precisava de um dia inteiro para obter aquelas maravilhosas filhós. será que os cânticos de Natal beirões que ele cantava desempenhavam algum papel nisso? Pois vá o diabo sabê-lo! Provavelmente usar um determinado vigor de batida durante a duração de um determinada moda, ou conjunto de cânticos, é o segredo. Mas nunca o saberei.....  Há uma possibilidade num milhão de acertar. Tenhamos alguma fé, um gajo que fintou a morte  uma paulada de vezes, há-de por força, ser capaz de produzir alguma coisa.... Depois vos direi como me saí......

                                  António Capucha

              Vila Franca de Xira, 22 de Dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Afinal ainda há memória




Tenho uma triste notícia para dar aos comentadores e analistas políticos. Podem todos passar a dedicar-se à agricultura porque António Costa, em menos de 3 minutos, disse tudo, TUDO! Há instantes na "quadratura do círculo". E aqui está textualmente o que ele disse :
“A situação a que chegámos não foi uma situação do acaso. A União Europeia financiou durante muitos anos Portugal para Portugal deixar de produzir; não foi só nas pescas, não foi só na agricultura, foi também na indústria, por ex. no textil. Nós fomos financiados para desmantelar o textil porque a Alemanha queria (a Alemanha e os outros países como a Alemanha) queriam que abrissemos os nossos mercados ao textil chinês basicamente porque ao abrir os mercados ao textil chinês eles exportavam os teares que produziam, para os chineses produzirem o textil que nós deixávamos de produzir. E portanto, esta ideia de que em Portugal houve aqui um conjunto de pessoas que resolveram viver dos subsídios e de não trabalhar e que viveram acima das suas possibilidades é uma mentira inaceitável. Nós orientámos os nossos investimentos públicos e privados em função das opções da União Europeia: em função dos fundos comunitários, em função dos subsídios que foram dados e em função do crédito que foi proporcionado. E portanto, houve um comportamento racional dos agentes económicos em função de uma política induzida pela União Europeia. Portanto não é aceitável agora dizer… podemos todos concluir e acho que devemos concluir que errámos, agora eu não aceito que esse erro seja um erro unilateral dos portugueses. Não, esse foi um erro do conjunto da União Europeia e a União Europeia fez essa opção porque a União Europeia entendeu que era altura de acabar com a sua própria indústria e ser simplesmente uma praça financeira. E é isso que estamos a pagar!”


 

 PS- Enviado por E-mail pelo "mano Velho"... Obrigado.

Que viva o teatro....


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Mau tempo...




O tempo tem estado carrasco e há uma porção de semanas que não vou a Peniche. Isso está a alterar-me os ritmos biológicos. Preciso daquele ar pesado e forte, puro e agreste, que vem do Mar. Transporta não só aromas mas poesia, estados d'alma.... Este intercalar disso, com o "rame-rame" diário, faz o tempero da minha personalidade. Onde se misturam sem colisão, a cultura "pata-e-corno" de V.F. Xira e a marítima de Peniche. Há dois anos consecutivos que passamos o ano com os nossos vizinhos e amigos em Peniche. Mas este ano a SrªD. Anita espanholada, tem medo do tempo que não para de fazer caretas. e ela acha que eu sou de estufa, porque este ano já agarrei uma constipação brava, ele tem medo que reincida e volte a dar em pneumonia, como daquela vez em que uma pneumonia estabeleceu a fronteira entre ser um rapaz saudável, e aquela sucessão de enfermidades que ainda não acabou. Vamos com calma.... Efectivamente Peniche é bem mais húmida que a nossa casa daqui. As minhas naturais dificuldades de mobilidade, fazem o resto. Ir para Peniche e estar agarrado em casa, porque a chuva me impede de sair, não é opção que valha. Habituei-me a correr tudo o que são falésias, e caminhos, e para mim Peniche é sobretudo isso. Se o tempo não me deixar sair, estar em casa em Peniche é ficar agarrado ao computador e à TV. Ora para isso fico em casa também estou agarrado ao computador mas a TV tem muito maior diversidade de canais e tem um "ecrãm" muito maior. Áh.... E também tenho mais livros em casa.

                                    António Capucha

                Vila Franca de Xira, 20 de Dezembro de 2012

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"Analgas".....




Hoje logo de manhã, bem cedo fui fazer uma "analga"à densidade sanguínea. Agora é assim. Todas as semanas tenho que saber estas coisas, porque estes "pândegos" continuam a achar que eu, rapaz saudável, continuo em elevado risco de AVC. Por via disso, ando aqui mais picado que um touro, numa corrida à Espanhola. Tudo por causa do elevado risco, sete em oito, dizem, e não fazem a coisa por menos. Só que estão a basear-se no relatório do Hospital de S. Marta, que é demolidor. Até conseguem referir como certo os meus hábitos rituais de bebida, e de nada adiantou eu repetir vezes sem conta, que não senhor, havia mais que uma dezena de anos não alimentava esse hábito. De pouco valeu, a referência manteve-se, se calhar porque era mais uma achega para justificar o negrume do quadro clínico. Assim do tipo: quem tem o que eu tive , bebe, fuma e tem aqueles maus hábitos todos, qualquer lateralidade é mal vinda. Pelos vistos estão mais interessados em respeitar e avalizar as suas estatísticas, que ir ao fundo das questões e apurar a verdade.... Desculpem lá este mau jeito, mas a minha experiência diz-me que o rigor cientifico para este camarilha, é apenas vestígio, o importante é o parecer, não o ser. Bom, na verdade a medicina teve na sua origem druídas, Xamans, bruxos e adivinhos, feiticeiros e quejandos, e só muito recentemente começou a ter laivos de ciência. É pois maior a tradição da treta, que a do rigor. Mas enfim cá vamos, remando contra ventos e marés. Sou obrigado a reconhecer que é preciso bem mais do que isso para me deitar abaixo. Presunção direis, pois sim, mas em boa verdade assim parece. Mas apenas parece, não o é. Não tenho a menor dúvida disso. Alguma coisa anda aí.... Os Sr. doutores, é que se ficam pelo mais fácil.....

                                  António Capucha

              Vila Franca de Xira, 19 de Dezembro de 2012 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Qualquer dia!....




Não sei quando, mas é inevitável, mais tarde ou mais cedo vou criar uma obra literária de maior fôlego, que as que tenho editado. E então sim, terei a reposta às minhas incessantes dúvidas.... Terão ou não interesse literário as coisas que escrevo. É a maior dúvida que arrasto à perna, como uma grilheta. É uma questão de manter por mais tempo a concentração e o respeito pelo fio da "estória" e da definição das personagens que escolhemos para a interpretar. Nada demais, já não é a primeira vez que uma "estória" me leva mais que dois dias a escrever, e foi quase automaticamente que o fio da "estória" e a sua coerência, foi respeitado. Possuo, e estão editadas neste blogue, "estorias" de maior extensão que um conto ou crónica. Sem menosprezo para as outras, acho que consegui manter a intensidade dramática necessária à atenção do eventual leitor. A "temperatura de cor" da definição das personagens e da trama, equilibram-se por si e pela sua autenticidade, melhor, plausibilidade..... Isto sem peneiras de espécie nenhuma. Ou temos consciência do que fazemos, ou então muito mal nos vão as coisas. Desculpem lá este narcisismo, mas de vez em quando temos que reflectir sobre estas coisas. E caramba, seria deitar fora uma porção de anos de vida, não gostarmos daquilo que fomos fazendo, e eu isso, não sou capaz de fazer. Masoquista, não, muito obrigado.... Mais uma vez, desculpem lá este exercício intímo. E até amanhã.... 

                                             António Capucha

                         Vila Franca de Xira,18 de Dezembro de 2012     

Que viva o teatro



18 de Dezembro de 2012 10:55

Na próxima quinta-feira, pelas 19h00, o Teatro do Zero apresenta "Natal Embrulhado" no Ateneu.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Cabidela....




Ontem fiz um cozinhado de fio a pavio. Uma cabidela de galinha...Fiquei satisfeito, não só por o ter conseguido, mas porque a Maria me disse que não perdi a mão. Já não fazia um prato assim elaborado há algum tempo. Gostei! Vi a felicidade estampada no rosto dos outros que se lamberam até ás orelhas. Tudo como sempre a olho por cento, nada de seguir receitas a preceito. Amor e instinto, sal e pimenta e salsa e azeite, quanto baste. O resto é fogo gerido com o coração, água, cebola, alho, louro,  arroz carolino e galinha, se puder ser "pica no chão", melhor!!! Sangue da mesma dissolvido em vinagre, para não coalhar, e atenção aos tempos de cozedura. Atenção ao golpe final, e serve-se ainda a borbulhar.... Malandríssimo.... Nasci para estas coisas, que é que querem. No Natal, ceia de vinte e quatro e almoço do dia seguinte vou voltar à cozinha sem ser para fazer umas sandes  e um copo de leite, ou fazer café. Não .... Vou ser um "Metre" como já fui. Matéria prima felizmente, não vai faltar. Oxalá tenha tempo e paciência para as obras que já me foram destinadas. Amassar as filhós, vai ser talvez o maior desafio. Nunca o fiz e sei ser algo muito sensível e voláctil.... Um pequeno nada e vai tudo para o malaganho.... Rezem por mim....

                                  António Capucha

                vila Franca de Xira, 17 de Dezembro de 2012

domingo, 16 de dezembro de 2012

34.....


O Xico Braga e eu, ambos habitantes do 34


Naftalina, não é coisa que me incomode..... Não sou traça!! Na última Sexta-Feira, houve um jantar da naftalina. Isto é, juntamos num jantar no clube de Vila Franca, as pessoas que há quarenta anos formaram um grupo que ficou conhecido pelo grupo do 34. Era o nº da porta da casa que alguns de nós habitámos, e onde se faziam os célebres convívios, musicais, culturais, políticos e tudo, às Sextas-Feiras à noite. O 34 teve artes de juntar toda a oposição de Vila Franca, ao fascismo daqueles tempos de negrume. Havia reuniões de tudo o que mexia, do PC ao emergente MRPP, passando pelo democratas que vieram a dar origem ao actual PS, muitos católicos progressistas, tudo, CDE; CEUD, mesmo tudo, o que mexia contra o facho, se juntava ali. Eu fui dos que lá morei. E aquilo era uma espécie de república. Lá tiveram início muitas carreiras artisticas. De um modo geral foi um despertar colectivo para a cultura, para a poíitica e a intervenção cívica de um modo geral. Claro que a PIDE nos incomodou muito, o chefe Lopes, da PSP local, dava em doido connosco. metade de nós foram  presos por isto ou aquilo, mas sempre por actividades políticas... Mas nada travava aquela força emergente. Hoje somos entrados na terceira idade, mas temos ainda aquele brilhosinho nos olhos e a comichão nos dedos dos bichos carpinteiros a reclamarem acção. Transportar a carga de ter sido do 34, é por exemplo alimentar um blogue de opinião, como eu faço, outros são cantautores, outros poetas, fadistas, bons cidadãos somos todos.... E curioso, somos quase todos desempregados dos partidos.... Orgulhosamente.... Se nos perguntarem, somos rapazes do 34.... Que pintávamos paredes agitávamos as massas, organizávamos células nas escolas e nas Empresas, promovíamos as celebrações do 1º de Maio, na altura ilegais. Éramos levados da breca, mas generosos e valentes, leais e amigos....E éramos bonitos e cantávamos bem.....  

                                           António Capucha

                      Vila Franca de Xira,16 de Dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A corrupção na origem da crise...




Veja no YouTube
o debate
"A Corrupção na Origem da Crise"

A Corrupção na Origem da Crise (1 de 5) - Vasco Lourenço - Associação 25 de Abril

http://www.youtube.com/watch?v=HcTxAcE0n2o

A Corrupção na Origem da Crise (2 de 5) - Paulo Morais - Associação 25 de Abril

http://www.youtube.com/watch?v=aiTSJekHbxQ

A Corrupção na Origem da Crise (3 de 5) - Paulo Morais - Associação 25 de Abril

http://www.youtube.com/watch?v=7zool__iaGg

A Corrupção na Origem da Crise (4 de 5) - Pedro Bingre - Associação 25 de Abril

http://www.youtube.com/watch?v=yVBHuQRrBOk

A Corrupção na Origem da Crise (5 de 5) - Pedro Bingre - Associação 25 de Abril

http://www.youtube.com/watch?v=MBUs8sUVa7M

(Enviado por e-mail, de Almeirim, por João Chaparro.... Obrigado!)

Quem é que é amigo, quem é ?



Quem é que é amigo, quem é ?

O Gaspar é um gajo muito porreiro, apesar do que dizem as más línguas
. Ora vejam só:
De acordo com a nova lei, até nos " permite " deduzir 250 euros,
correspondente a 5% do IVA que seja pago com:

a) Manutenção e reparação de veículos automóveis;
b) Manutenção e reparação de motociclos, de peças e acessórios;
c) Alojamento e similares;
d) Restauração e similares;
e) Atividades de salões de cabeleireiro e institutos de beleza.

Ora, para que 5% do IVA pago perfaça 250 euros, bastam APENAS facturas
no montante total 26.739,13€ com cabeleireiros, restaurantes,
oficinas, etc, o que é a coisa mais natural e simples deste mundo...

Ou seja : 26.739,13 : 1,23 = 21.739,13, donde 21.739,13 x 23% =
5.000€, sendo que 250€ são 5% de 5.000€.

Fácil, não é ?

Ora, dividindo 26.739,13€ por 12 meses, basta que gastemos, em média,
TÃO SÒMENTE, 2.228,26€ por mês.

O que daí sobrar do nosso ordenado dará para alimentação, renda da
casa, saúde, vestir, calçar, gasolina, seguros, água, gás,
electricidade, telefone, etc.

DEPOIS DISTO,  E COM A VOZ EMBARGADA DE EMOÇÂO E GRATIDÂO, NÃO SEI QUE
MAIS DIZER SENÂO:

Bem haja , Sr. Ministro das Finanças!

Com esta brilhante, eficaz e  generosa medida, bem reveladora da sua
fina sensibilidade social, a nossa vida nunca mais será a mesma...



(Enviado por e-mail, pelo mano velho... Obrigado)


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

natal dos amigos


O Natal no Ateneu já começou. Ontem tivemos a...
Ateneu Artístico Vilafranquense (Oficial) 13 de Dezembro de 2012 16:27
O Natal no Ateneu já começou. Ontem tivemos a apresentação da disciplina de Piano e Coro Juvenil. Consulta o programa e passa o Natal com os amigos!
Natal dos Amigos no Ateneu
Natal dos Amigos, Ateneu Artístico Vilafranquense | 12 a 21 de Dezembro 2012

Preços....




Ontem bateu à minha porta um promotor/agente da Endesa. Sabem quem é esta entidade? É a concorrente da EDP, espanhola. Autorizada a actuar em Portugal, tal como a EDP está autorizada a cobrar pela energia em Espanha. Claro que nem um nem outra, fornecem aos consumidores energia própria. São apenas autorizaçãoes para contratar e comerciar serviços. Uma vez feito o contrato com um consumidor, a Endesa paga à EDP o que este consome e cobra ao consumidor isso , acrescido duma margem de lucro, que não há-de ser tão pouco como isso, porque caso contrário não o fariam e eles até procuram mais e mais contratos. A verdade é que, normalmente cobra menos do que a EDP cobrava. Então como é isso possível? Se a Endesa cobra menos que a EDP, e como tem que pagar à mesma EDP a energia consumida, só pode pagar um valor bastante abaixo do que os consumidores pagam. O que equivale por dizer que o preço do KW/hora que a EDP cobra a todos nós, autorizado pela famosa autoridade da concorrência, é tudo menos real. É um roubo descarado que o Estado autoriza às grandes Empresas Nacionais. As EDP's, as PT's e outras que tais, praticam preços que são autênticos regabofes.  O Estado ao invés de representar os interesses do povo, defende os empórios Empresariais e pactua com a exploração desalmada do povinho. Quem é que normaliza os preços neste País? Alguém vota essa gente? Quem pe rmite a escalada galopante dos preços? Por quanto tempo mais, vamos ter que aguentar esta canalha?

                                   António Capucha, 

                   Vila Franca de Xira,13 de Dezembro de 2012 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Hospital... E tal.....




Não sei que deva pensar. Nestes últimos dias estive por três vezes no Hospital de Vila Franca, vulgo Reinaldo os Santos. E senti com alguma clareza, diferenças acentuadas. para já no atendimento, que salvo a natureza destas coisas, me pareceu mais célere e ágil. Por várias vezes senti isso. Depois ao nível da oferta de novos serviços. Chamou-me a atenção nomeadamente o facto de haver uma rede nova de computadores, todos iguais, pareceu-me que funcionavam em rede tipo "eternet". A diferença é que entrou o grupo Melo, numa parceria público-privado. Provavelmente, novo modelo de gestão, que o pessoal é mesmo. De resto tudo novo:  cadeiras de rodas novas e de qualidade, camas e macas novas. Então se os privados conseguem fazer mais e obviamente ainda retirarem lucro, porque será que o modelo público, não consegue os mesmos resultados? A sério que dá que pensar. Respigo ao acaso um acontecimento muito frequente nestas coisas. Insurgi-me por uma vez, contra a ordem por que estavam a ser atendidos os doentes num determinado serviço. O habitual seria cair em saco roto. pois não senhor, eis senão quando uma, funcionária me pega na cadeira de rodas e por entre mil desculpas, me leva para a sala das radiografias. Não estava acostumado a isto. o que era bem frequente era os meus protestos esbarrarem na muralha de corporativismo. Mais se me adensou o mistério..... O que faz as pessoas serem relapsas e ineficientes nas estruturas públicas e mais diligentes no sistema misto? O que será? Deixo à vossa consideração a reflexão sobre este fenómeno..... 


                                          António Capucha

                       Vila Franca de Xira,12 de Dezembro de 2012    

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Que viva o Teatro....


TMA mantém a estreia de «Timão de Atenas»
Apesar do recente falecimento de Joaquim Benite, a Companhia de Teatro de Almada mantém a estreia absoluta em Portugal de «Timão de Atenas», de Shakespeare, no próximo dia 20 de Dezembro. A direcção do espectáculo ficará a cargo de Rodrigo Francisco, assistente de Joaquim Benite desde 2006, e que assumirá a Direcção Artística da Companhia de Teatro de Almada e do Teatro Municipal de Almada a partir de 2013: o TMA apresenta a sua programação anual em Janeiro, na qual serão anunciadas co-produções com o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro Nacional S. João, o Theatro Circo de Braga e o Cine-Teatro Constantino Nery de Matosinhos. Rodrigo Francisco assumira já este ano, dado o afastamento de Joaquim Benite por motivo de doença, a programação 2012 do TMA e do 29º Festival de Almada. A média de espectadores da CTA aumentou de 138 espectadores por sessão em 2011, para 197 espectadores por sessão em 2012: «O mercador de Veneza», de Shakespeare, com encenação de Ricardo Pais, foi o último grande êxito apresentado em Almada.
Rodrigo Francisco (n.1981) é formado em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade de Lisboa e estreou-se na escrita para teatro com “Quarto minguante” (2007), que conheceria uma versão televisiva para a RTP e duas traduções – em Espanha, pela revista «Primer acto», e em França, pela editora Éditions l’Oeil du Prince. Escreveu ainda “Tuning” (2010), peça nomeada pela SPA para o Prémio de Melhor Texto de Teatro Português estreado nesse ano.
Foi assistente de Joaquim Benite em encenações de textos de Molière, Saramago, Bernhard, Brecht, Shakespeare, e Feydeau; e nas óperas “A clemência de Tito” (2008), de Wolfgang Amadeus Mozart, “O doido e a morte” (2009), de Alexandre Delgado, a partir de Raul Brandão, e “A rainha louca”, igualmente com libreto de Alexandre Delgado. Assinou a sua primeira encenação em 2011, com “Falar verdade a mentir”, de Almeida Garrett, a que se seguiu, em 2012, “Dança de roda”, de Arthur Schnitzler. Prosseguindo o trabalho realizado por Joaquim Benite desde o início da actividade da CTA, coordena as publicações editadas pela Companhia de Teatro de Almada, para as quais tem contribuído com textos da sua autoria.

Timão de Atenas

de William Shakespeare
Encenação de Joaquim Benite com Rodrigo Francisco
Intérpretes Luís Vicente I Marques D’Arede I Paulo Matos I Ivo Alexandre I André Gomes I Alberto Quaresma I Manuel Mendonça I Miguel Martins I João Farraia I Pedro Walter I Celestino Silva I Ana Cris I Joana Francampos I Jeff de Oliveira
Versão dramatúrgica, segundo uma tradução de Yvette K. Centeno
Cenário Jean-Guy Lecat
Figurinos Sónia Benite
Desenho de
Luz José Carlos Nascimento
Voz e elocução Luís Madureira
Movimento Jean-Paul Bucchieri
Consultoria musical Fernando Fontes

Calendário:

20 a 22 de Dezembro e 9 de Janeiro a 3 de Fevereiro de 2013
Sala de Principal M/12

Quarta a Sábado 21h30 e Domingo 16h00 

Duração aprox. 2h00 com intervalo
Preço 6 a 15€

Reservas 212739360

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

E tudo....




José de Almada Negreiros, poeta d'orfeu, futurista e tudo, espírito rebelde e insubmisso, reza a História que fraquejou e terá ficado desvanecido por o ditador Salazar, se lhe ter referido elugiosamente. De tal maneira venerador, que nem pareceu o mesmo que condenou o canastrão do Julio Dantas à morte, pim..... Enfim coisas.... Um homem também tem direito a fraquejar ao menos uma vez na vida. Mas custa-me.... tê-lo visto como o vi no zip-zip, olhos imensos e irreverentes, a desferir bordoada a torto e a direito à acordar consciências. Bom, não faz mal foi um tropeção. Dou-lhe o privilégio da dúvida..... Ele lá sabe o que aquilo significou.... não foi a primeira nem será por certo a única vez que figuras que aprendi a respeitar, são apanhadas na voragem da vulgaridade. eu próprio que tenho peneiras de ser invulgar, exclusivo, dou comigo a ser ser mais vulgar que um qualquer. Sim que eu não sou um qualquer. ou por outro sou-o, mas diverso.

                                      António Capucha


                  Vila Franca de Xira, 10 de Dezembro de 2012

sábado, 8 de dezembro de 2012

Luisa....




A Luisa, Mãe solteira, operária fabril, rapariga despachada e vigorosa, não deixa por isso de ser bela. Fisicamente bem lançada, a sua farta cabeleira escura e brilhante, um olhar negro e vivo que fusila, interroga, o corpo elástico, disciplinado, o andar dançante, as ancas, não opulentas mas rebolonas, numa cadência de xula. Mesmo de indumentária singela, simples e pobre é um regalo p'rá os olhares gulosos dos "galarós" pulidores de esquinas e calçadas da Vilas. Por duas vezes cruza a Vila , uma vez para ir para a fábrica , outra para voltar da fábrica para casa, p'ra junto da sua menina. De cabeça bem erguida numa pose de raínha, não petulante, natural, Arrasta os olhares, uns descarados, outros disfarçados de casuais. todos eles eivados de gula incontida. Os importantes lá do burgo, proprietários rurais e outros que tais, bem se lhe fizeram ao piso, ofereciam-lhe mundos e fundos, juravam-lhe amores canalhas, rescendiam enxúndia libidiminosa. Mas o seu coração tinha dono, pertencia ao seu Manel, pai da sua menina e que se finara na guerra, lá longe em África dum tiro canalha. Nada se intrepunha entre ela a sua memória desse amor. estava tão vivo como quando rebolando no palheiro, tinham feito amor e a sua menina, por entre trocas de gemidos e grunhidos e caricias tantas. Juras mais que muitas foram feitas e são mantidas até hoje. E agora é o sustento da família, constituída por ela própria sua mãe já alquebrada, um mapa repleto de arterites e maselas várias e os seus olhos : a menina!
Com os seus imensos olhos verde-mar, onde todos os dias naufragava.
 Desejo ardentemente, que um belo dia tropece em alguém que a saiba amar e estimar e respeitar. Alguém que tenha o dom de polarizar e dar vazão à sua enorme capacidade de se dar, e que a saiba merecer. A humanidade não pode desperdiçar tanto assim!!!!


                                     António Capucha

                Vila Franca de Xira, 8 de Dezembro de 2012

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

D'um ao outro......




O velhaco do Paulo Portas, que disso não passa, só tem um objectivo politico em vista: É manter-se agarrado ao poder. Coisa para ele vital. Só estando no poder pode tornear as longas facadas que tem dado. Precede-o um infindável rosário de golpes, fraudes, tráfico de influências e tudo o que se diz à boca pequena, Mas que não são só boatos , não! A começar na "estória" mal contada do Jaguar, quando ainda era académico, até à longa golpada dos submarinos, esta mais recente, tem valido tudo.  A voracidade deste homem pelo poder é doentia, é física.... E a sua carreira política ressente-se disso mesmo, atropela tudo e varia como um louco, apenas para se manter a flutuar. Bom, no CDS, é um pantomineiro entre iguais, está como peixe na água, depois de desbaratar toda a concorrência de Históricos que lhe podiam causar engulhos. Recordem só a carreira ascenssional do melro no CDS, foi facada nas costas de tudo e todos. Pois agora, este dancarino de polcas a quem o outro, se bem que diferente, mais ao estilo paternalista épico: o Cavaco, despreza profundamente, e mal o disfarça, sente pelo arrivista Paulinho. E este, sem vergonha, cola-se descaradamente às declarações do Presidente. entre ambos têm em comum, o sentido apurado de traição, de deslealdade. Ambos apenas leais a si próprios. Diferentes no estilo, iguais nos objectivos. Seráfico e sibilante, um, dascarado, sem vergonha e tonitroante o outro. Sentido de Estado, nem um nem outro. Lembrem a "estória" de um e outro e verão que tenho razão. Pertencem ambos à mais sinistra galeria de políticos coruptos, sem ideias e sem ética.... 

                                      António Capucha

                 Vila Franca de Xira, 7 de Dezembro de 2012

Adeus Joaquim Benite.




Morreu o Joaquim. Morreu o nosso Mestre e o nosso Amigo.
Morreu a fazer teatro, que era o que ele melhor fazia: e fez teatro até ao fim. Dirigiu-nos até já não ter fôlego para puxar a fumaça dos cigarros que ia desfiando, um após o outro, nos ensaios (nas últimas semanas, resignado a ter de deixar de fumar, trazia para a sala um cigarro electrónico que alguém baptizou de Robocop).
Joaquim Benite foi e será o que se dirá agora dele: um intelectual de acção, um artista generoso, um Homem perseverante, com um aguçado olhar poético sobre o Mundo e uma grande intolerância contra a injustiça – que nalguns momentos da sua vida terá tentado beliscá-lo, mas que ele ignorou como quem dá um piparote numa beata pela janela do carro fora, como ele tinha o mau hábito de fazer.
Joaquim Benite foi e será muitas coisas. Para nós, os que temos vivido e aprendido com ele – para as várias gerações de actores, técnicos, encenadores, directores de teatros… – o Joaquim foi o Homem que nos revelou o segredo de que o teatro é um vício (quem lá entra, nunca mais de lá sai), mas é também um bálsamo (nós, os que temos esta profissão, somos uns privilegiados, porque nos momentos de dor imensa, como este, podemos sempre fugir para o palco: e lá a dor é outra).
Ficámos com uma peça nas mãos: o «Timão de Atenas», que de Atenas fala pouco, mas fala muito sobre a hipocrisia e a falsidade dos homens. O nosso “patrão”, como o Joaquim lhe chamou nos primeiros ensaios, tinha a mania de escrever para nós, e para “os que vierem depois de nós” – e os que vierem depois deles.
E agora chega de “palavras, palavras, palavras…” e vamos mas é trabalhar, que era talvez o que ele diria neste momento, se pudesse. Vamos cuidar dos vivos. Confortar a sua família – as suas irmãs, os seus filhos, os seus netos – e trazer a Teresa «Coragem» de volta às tábuas.
“E já que estamos em Shakespeare” (como tu próprio podias ter dito, meu querido Amigo…), citemos as palavras que o nosso “patrão” põe na boca daquele que, desiludido do caminho que a sociedade ia tomando, se afastou dos homens para morrer sozinho:
“Sol, esconde os teus raios: o Joaquim chegou ao fim do seu destino”
Companhia de Teatro de Almada
texto lido pelo actor Luís Vicente, esta tarde, no funeral.
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O Partido Comunista Português proporá amanhã, na Assembleia da República, pelas 12h00, um voto de pesar pelo falecimento de Joaquim Benite. A sessão é pública, e gostaríamos de contar com a presença de todos os amigos do Joaquim, e do seu público. A entrada far-se-á às 11h30, pela porta principal.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Chacais.....





Cavaco Silva, não tem família politica, tem capangas que, ou o servem, ou ele amua. O homem é um espanto.... Agora faz saber que afinal não está de acordo com o governo, e que Portugal deve renegociar o acordo com a troika, tal como ela, a troika, fez com a Grécia. Espantoso, este caramelo intrevem politicamente como se fosse um chefe da MÁFIA.... Por recados. Até o PS já veio a terreiro bater-lhe palmas... O homem é bronco mas não tanto, sabe perfeitamente que isso vai criar problemas ao Governo, mas ele faz tudo até trair o seus, por troca com ums aplausos fora do sua coutada. Já há tempos o parceiro de coligação do Governo se demarcou de uma medida muito impopular e errada como têm sido todas as medidas tomadas por esta corja. O bom do Paulo Portas montou uma encenação a propósito do orçamento para dois mil e treze, que terminou com a grande exibição do PP, a votar fvoravelmente apenas para não criar uma crise política, tadinho do riquinho, que quanto a Paulo Portas seria o descalabro e agravamento incontrolável da crise, desculpa esfarrapada destinada apenas a encobrir o essencial: a traição evidente do seu acto. São piores que chacais, esses têm a fama, mas não o proveito, sobretudo nas suas relações familiares, acasalam para toda a vida e são de uma dedicação a toda aprova aos filhos e fêmeas, um casal temível, quando caçam juntos. E a senhora Merkel, também é da mesma família política..... São piores que tubarões em fernesim alimentar. Esperemos que se devorem uns aos outros. Só temos a ganhar com isso.... 

                                     António Capucha

                   Vila Franca de Xira, 6 de Dezembro de 2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O Teatro está de luto.


Joaquim Benite (1943-2012)
O encenador Joaquim Benite, director do Teatro Municipal de Almada e do Festival de Almada, faleceu esta noite, na sequência de complicações respiratórias motivadas por uma pneumonia. O fundador da Companhia de Teatro de Almada preparava a estreia absoluta em Portugal de Timão de Atenas, de Shakespeare, que representaria o seu regresso à actividade após um período de ausência dos palcos por motivo de doença. O País perde assim um dos seus mais prestigiados encenadores, ligado ao movimento de renovação do Teatro português no período que antecedeu e que se seguiu à Revolução de 1974.
Joaquim Benite nasceu em Lisboa em 1943. Começou a trabalhar como jornalista, aos 20 anos, no jornal República. Posteriormente fez parte da redacção do Diário de Lisboa e foi chefe de redacção dos jornais O século e O diário. Foi crítico de teatro no Diário de Lisboa e em diversas revistas e publicações.
Em 1971 fundou o Grupo de Campolide e estreou-se na encenação com O avançado centro morreu ao amanhecer, de Agustin Cuzzani. Com a peça Aventuras do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança, de António José da Silva, ganhou, no ano seguinte, o Prémio da Crítica para o melhor espectáculo de teatro amador.
Em 1976, no Teatro da Trindade, transformou o Grupo de Campolide em companhia profissional. Em 1978 a sua companhia instala-se em Almada, cidade de onde não mais sairia, e que transformou num dos principais focos teatrais do País, cujo expoente máximo será porventura o Festival de Almada, criado em 1984, e que em 2013 terá a sua 30ª edição. Em 1988, Joaquim Benite inaugura o primeiro Teatro Municipal dessa cidade, e em 2005 é finalmente concluído o projecto do novo Teatro Municipal de Almada - num edifício da autoria de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira -, que se tornou num dos principais teatros do País.
Tendo criado mais de uma centena de espectáculos, Joaquim Benite foi responsável pela estreia em teatro de José Saramago, de quem dirigiu A noite (1979) e Que farei com este livro? (1980 e 2007). Encenou ainda obras de Shakespeare, Molière, Brecht, Lorca, Bulgakov, Camus, Adamov, Gogol, Beckett, Albee, Neruda, Thomas Bernhard, Sanchis Sinisterra, Antonio Skármeta, Pushkin, Peter Schaffer, Marguerite Duras, Dias Gomes, Nick Dear, O’Neill, Marivaux, Feydeau, Almeida Garrett, Gil Vicente, Raul Brandão, entre muitos outros.
Entre os seus últimos trabalhos contam-se: Que farei com este livro, de José Saramago (2007); as óperas A clemência de Tito, de Mozart (2008), O doido e a morte (2008) e A rainha louca (2011), de Alexandre Delgado; O presidente, de Thomas Bernhard (2008); Timon de Atenas, de Shakespeare (Festival de Mérida, 2008); A mãe, de Brecht (2010); Tuning, de Rodrigo Francisco (2010); Troilo e Créssida, de Shakespeare (2010); e Hughie e Antes do pequeno-almoço, de Eugene O’Neill (2010).
Entre os numerosos prémios e distinções com que foi distinguido, Joaquim Benite foi agraciado com as Medalhas de Ouro dos Municípios de Almada e da Amadora, e as Medalha de Mérito Cultural do Ministério da Cultura e Mérito Distrital do Governo Civil de Setúbal. Foi-lhe também atribuído o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique; os graus de Cavaleiro e Oficial da Ordem das Artes e das Letras de França; e o grau de Comendador da Ordem do Mérito Civil de Espanha.

Natal.




Apesar da consciência generalizada da crise e das políticas deste governo que nos rouba descaradamente os subsídios, o Natal aí está pujante, agressividade promocional disto e daquilo, desde cartões de crédito sem anuidade até colecções de encadernações de luxo de obras literárias, ele é um vê se te avias. Tudo a apelar ao consumo, que mais tarde iremos pagar com língua de palmo. O natal é, e sempre foi, um hino ao consumo, mas para nós sempre foi também, ou sobretudo, uma época de felicidade compulsiva. Não raro damos connosco a sorrir quase sem darmos por isso, sentimentos pobres, primários, mas de enorme força e do outro lado, oferta de coisas simples markting intuitivo, directo, Manter o apetite de consumo e manter a oferta. E a pedra de toque disto tudo, dinheiro livre para gastar.... E é interrompendo esta cadeia da forma que o fizeram, estes anormais do governo, condenam mais umas centenas de Empresas à falência e consequentemente mais uns milhares de portugueses ao desemprego, mais uns milhares de pessoas que deixam de descontar para a segurança social, e, pelo contrário vão viver do parco subsidio da segurança social. Tem vindo a ser assim que estes senhores têm promovido a destruição da nossa, já de si débil, economia. Em nome de, não sei exactamente o quê. Eu diria da agiotagem internacional, e das nossas más políticas de crescimento económico, que já vêm detrás, de muito longe, teríamos que remexer muito na nossa História e na nossa consciência colectiva para chegarmos a conclusões nessa matéria, mas não será estúpido referir, que não nos fez bem nenhum, antes pelo contrário, fez-nos muito mal, aqueles quarenta anos de obscurantismo, provincianismo e isolacionismo: O famoso " orgulhosamente sós", o "Deus Pátria e autoridade" e outros mimos da retórica oficial do fascismo. 
Sem peneiras nenhumas, devo dizer que é com prazer que me entrego ao devaneio desta insanidade colectiva. até porque me é permitido um sem número de abusos, que me estão vedados no resto do ano. Sempre posso malhar uns canecos e comer umas vitualhas, que as minhas guardas pessoais fecham os olhos.

                                         Antónío Capucha

                     Vila Franca de Xira, 5 de Dezembro de 2012       

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Que viva o teatro....



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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Cavaco Silva ou o Zé da fisga....




O pior dos Silvas é sem dúvida o Cavaco Silva. E porquê? Porque é Presidente da República, o nosso mais alto magistrado e representante. O que é que se pode dizer d'um sujeito que vale mais calado que por aquilo que diz.Não sei como é que essa Santa alma, consegue produzir tantam trivialidade mesmo em curtas declarações. É uma tristeza.... Podia dar-se o caso da esposa salvar tanta mediocridade, mas não. Nada a dizer se este Sr. Silva fosse apenas um pequeno-Burguês idiota, Há tantos. Que passam a vida na busca incessante de vantagem nos seus investimentos. Há de facto tantos que se perderia no Mar de charrocos da mesma igualha. Agora o homem que representa a República Portuguesa ser o campeão de trivialidades, é grave. Como é que este povo se pode enganar tanto em quem vota. provavelmente estará à medida de quem nele votou. Um povo de analfabetos funcionais, só pode eleger um igual. Resta-nos aguardar por melhores dias. Um dia chegará que ele dirá uma bestialidade tão grande que não lhe reste mais que sair de fininho pela esquerda baixa.....


                                          António Capucha

                        Vila Franca de Xira, 3 de Dezembro de 2012

domingo, 2 de dezembro de 2012

Parabéns baldemassa.....




O baldemassa, ou Zé broa, mais precisamente o Francisco, como se queira, faz anos, vinte e um, para ser mais preciso, parece que foi ontem, e já é um homem, já vota e tudo. E parece que bem.... Cedo comecou a revelar-se aquilo que cada vez mais se acentua. Muito pequenino quando ía connosco ao super mercado ficava muito concentrado a arrumar os garrafões de água que as pessoas deixavm desarrumados acartar coisas pesadissímas para  ele, era a sua actividade preferida, por um lado, por outro sentia-se nele uma vontade de ordenar e normalizar as coisas, e compreende-las, e isso era a sua forma de as entender, de as estudar, estudava-as fisicamente sopesando-as. Essa sua caracteristica vem-se acentuando com o passar dos anos, Hoje é aluno do Técnico, do terceiro ano e a nau avança sem detença nem parança. Teve foi o azar de nascer neste país de merda e o seu futuro bem como os demais jovens, está mais que hipotecado à estratégia de direita, que tem uma peculiar ideia de progresso. A direita tem complexos de raquitismo e não consegue ultrapassar isso. Será sempre pequena,  a dimensão das suas politicas, e ideias. Mas apesar de tudo o mais, ele o Francisco, continuará a acartar os garrafões e a pôr ordem nas coisas.

                                      António Capucha

                    Vila Franca de Xira, 2 de Dezembro de 2012    

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O meu Roteiro dos vinhos...



Ele não tem culpa da má fama que lhe criaram. E a propósito dele foram ditos tantos disparates, muitos mais que os que dele abusam disseram, dizem, ou dirão. Desde que beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses, até afirmações peremptórias de que é viciante, muito disparate foi, é e será dito. Naturalmente os "chicos moralistas" que fazem da função de proíbir, a sua realização pessoal, eles sim é que são viciados, viciados em mando e comando. 
Sempre tive uma boa relação com o vinho, sobretudo o tinto maduro, e desminto categóricamente que seja um mau hábito, viciante e desviante, Claro apanhei as minhas cadelas, que por vezes está a saber tão bem que não se pode parar, mas duravam um tanto, posto o que voltava ao normal. estive largos períodos em que não podia beber e isso, não me custou a ressaca que se afirma, à tôa, ser demente. Quando pude voltei a beber e sem mácula. Por prazer e com prazer. Nada compulsivamente. Só que há uma tendência para o poder encarar o prazer dos pobres como pecado que precisa de expiação. Foder, também é uma coisa mal vista, porca. A mossa sociedade ainda é muito tosca.
Bom mas vamos ao roteiro, aliás breve, Em princípio gosto de todas as pomadas feitas a preceito por métodos tradicionais, sejam do Dão do Douro, Alentejano, Extremenho, Algarvios, ou da Bairrada, passando pelos verdes e Alvarinhos , tudo cai bem. Mas o melhor vinho que alguma vez bebi foi uma pomada do Gabinete da Área de Sines, projecto industrial dos anos sessenta. A Área consta não só de industria mas tem vastas zonas rurais de criação de gado e pomares e vinhas. E faz um tinto que é de beber de joelhos, coisa pouca.... Aí à volta de quinze dezasseis graus, e de sabor inegualável. Que coisa meus amigos! 
E como é que eu ascendi a ele? perguntais! E respondo, que um amigo do peito, mal amanhado corisco,  é veterinário e tem um contrato com o Gabinete de Sines para tratar os animais da exploração. Claro que se trata de uma relação profissional, mas volta não volta lá lhe dão uma caixa ou duas de vinhaça, não se encontra de outra maneira, é distribuido pelos directores e funcionários superiores e vip's , como é o caso deste meu amigo. E foi assim que à sombra de uma árvore no jardim de uma casa que ele tem junto a Porto Covo, este vosso amigo esteve a beberricar esse fabuloso néctar, acompanhado de salpicôes e coisas do género. Pois é meus caros esqueçam os "Pêras mancas", os tintos da Herdade do "Esporão", os Borbas, os  Douros, os Dãos, aquele tintol faz esquecer tudo e todos, tudo ofusca. Parece que ainda lhe sinto o sabor.... 

                                         António Capucha

                      Vila Franca de Xira, 30 de Novembro de 2012