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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

UE....


 Mr Durau Burroso / ou o Cherne, como queiram


Está perdoado senhor Silva.... Afinal há uma personagem ainda mais sinistra que o senhor. Aliás, há mais que um.... Um conjunto de meliantes e meninos do coro, de mistura com uns betinhos, mais uns rapazes de gang, e umas meninas de má sorte - estranha associação. Cantaram umas lôas ao nosso pouco avisado povo, e gindaram-se a governantes de Portugal.... Isto nem na mais incipiente Republica Africana, ou Sul Americana, seria possível. Mas aqui, neste país com séculos de História, foi-o e é. Do mesmo quadrante político já tinhamos visto um Primeiro Ministro eleito sair para mordomo da Alemanha na Comissão Europeia, criando uma enorme crise política, cujos estretores ainda hoje se sentem.... E que tal dizer-se que há um enorme défice democrático na UE? Estas instituições que afinal nos governam a todos, quer sejam a Presidência da UE, quer seja o BCE, cujo poder e capacidade de intervenção, nos estamos agora a dar conta.... Essa gente é eleita por quem? Pois não sei! E duvido que alguém saiba. Aparentemente são nomeados por comissões sapientíssimas das chamadas famílias politicas que de momento estejam em maioria em Strasbourg..... A MAFIA não faria melhor..... Andamos nós a dar lições e a mandar ditaibes às democracias do Magrebe.... E todas as outras menos claras.....Quando aqui, bem dentro de portas, eu diria no âmago da Europa, temos destas coisas.... Um Régulo duma qualquer República centro africana, tem um poder bem menos descricionário. Rídiculo... É o mínimo que se pode dizer..... E é perigoso..... Se por acaso eles se entenderem a aprofundar aassociação europeia no plano político, os chamados federalistas, teriam que criar uma constituição, e criar metodologias eleitorais para todos esses cargos, que agora são de nomeação duvidosa do ponto de vista constitucional, que não existe.... Não sou ingénuo ao ponto de achar que tudo se esclarecia com eleições.... Se há coisa que se sabe, seguramente sabida, é que as eleições do ponto de vista da legitimidade, garentem cada vez menos..... Mas sempre nos dão uma ou outra hipótese de ter alguma mão no assunto. Portanto  já que vencemos algumas décadas na UE, mais vale que as coisa se clarifiquem nesse sentido.... Tem razão o Mário Soares, A UE transformar-se numa federação de Estados, é um Imperativo Histórico.... E resultaria numa mais valia para os povos europeus......

                                     António Capucha

                 Vila Franca de Xira,31 de Outubro de 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Afinal quem é presunçoso?



José Rodrigues dos Santos


Quem avaliar gráficamente o meu blogue, para além de o achar eventualmente pobre, julgará que é minha vocação pregar aos peixinhos. Nada mais errado. Cagava mais depressa um pé todo de merda até ao joelho, que perderia tempo a educar peixinhos. Escolhi aquele painel de azulejos, porque a obra do padre António Vieira, de seu nome: Sermão de S. António aos peixes, é o exemplo dado em vários dicionários da literatura portuguesa, acerca de peroração. Exemplar a vários niveis, de excelência literária, da beleza da prosa e sua fluidez, o padre António Vieira, é um dos seus mais elevados expoentes. Ao invés de ser um autor de causas perdidas, impossíveis ou de difícil comunicação. Sou afinal, mais um presunçoso. Colar-me assim a semelhante eminência. Bom mas isto é como tudo. Quem não arrisca,  não petisca..... E se havia de me encostar aos presuncosos autores que actualmente proliferam como cogumelos e vendem co'mócaraças. e apresentam telejornais na TV. Resolvo ir mais além e colar-me, ainda que abusivamente, aos mestres. Como o já referido António Vieira, Saramago, Eça. E não faço a coisa por menos. Nem contem comigo para baixar a fasquia. Prefiro ser julgado presunçoso, que idiota. Imitar figuras de plástico, do reino do nosso actual províncianismo e raquitismo intelectual.... Figuras de pacotilha!!!! Diria.... Aliás, presunçosos são eles. Um houve e há que, teve um programa na TV, em que entrevistava diversos autores nacionais e internacionais. Homens premiados com o Nobel e tudo. E atreveu-se a chamar-lhe, ao programa: "Conversas entre Escritores", colocando-se a ele próprio ao mesmo nivel dos seus brilhantes entrevistados....  Bem sei que o preço da água benta, já teve melhores dias, mas estes seres não se enxergam? São aliás os mesmos que ficam jactantes quando apresentam uma notícia com mais que um morto confirmado. Sinais evidentes da pequenez dos tempos que correm...  
                             António Capucha
        Vila Franca de Xira, 30 de Outubro de 2012   

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Que viva o Teatro...

Quer viva O TEATRO......
É com sentido prazer que público este boletim informativo do TMA

Recuso o estígma....





Estão a passar-se coisas na minha vida que não controlo. E isso é mau!!!!Não é só um pouco mau, é mesmo muito mau. De repente parece que tudo se desmorona, e o que fomos durante quase quarenta anos, deixa de ter algum significado, para desaparecer na voragem de peripécias recentes, episódicas, e sem significado se o compararmos com quase quarenta anos de vida em comum... Serão como em todos os casos um conjunto de rotinas sem peso nem sentido, dirão os mais irreverentes, mas o seu volume desmesurado faz toda a diferença. O coral é um ser microscópico. No entanto, o maior organismo vivo do planeta é o banco de corais da Austrália. Que aos mais desnaturados e informados, causam naufrágios, e perdas várias e enormes. E seria uma desgraça para todo o planeta se ele desaparecesse. E basta um ligeiro aquecimento ou arrefecimento das águas no qual plorifera, para o matar. Dá que pensar , não é verdade. Frágil e ao mesmo tempo poderoso. Aí está um conceito dificil de entender para os arrogantes imberbes. Digamos que é quase uma fatalidade dos nossos filhos, tão imaturos em determinadas questões, que obviamente desvalorizam, e tão abjectamente arrogantes, em quase tudo o que acham: Dominam....Melhor.... Acham que dominam..... Em boa verdade, ficam-se pelas aparências no que respeita a quase tudo, menos nas matérias que foram objecto do seu curso supetior, aí foram, e são eficazes. Para uma pessoa que se dá ao trabalho de pesar e pensar tudo, isto é um estígma dificil de ultrapassar. Ou seja: Aceitar opiniões irrefletidas, ou insuficientemente refletidas, ou ainda formadas com base nas aparências das coisas, quando comparadas com as suas, profundamente pensadas e sopesadas. Sobra-nos aqui uma boa dose de razão acrescida. E não estamos obviamente, disponiveis para aceitar os martírios com que nos querem castigar. 

                                          António Capucha

                      Vila Franca de Xira, 29 de Outubro de 2012

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pensar....


O pensador
Devo ser extra terrestre. Coisas que nem carecem de explicação, de tão evidentes que são, justificam ainda assim quilómetros de argumentos e razões colaterais, aos centos, cujas mais não fazem que distrair do elemento fundamental. que de tão evidente até fede intensamente. E gastam-se rios de meios e energias a explicar o que é elementar. Ora onde é que está o erro? São as coisas que não são suficientemente evidentes, ou as pessoas é que são eminenências pardas, para não dizer , burras. Tomemos ao acaso um qualquer tema. Um qualquer bem comum.... Por exemplo caso bem frequente, de uma mulher se sentir gorda. Esta seria a verdade plausível e ponto. Mas não!.... Passa horas ao espelho a aduzir razões, a lateralizar. Ora é esta saia que não me fica bem. Salienta-me a bilha descomunal..... Ora é este sotiã, que me faz as mamas grandes. Bom, lá bem no fundo, o meu homem até gosta de chicha..... E o verdadeiro assunto passa para segundo plano. Já fui gordo e agora não sou. sei portanto do que falo, e faço-o desapaixonadamente. Ser gordo, ter peso a mais, é mau. Não é saudável, esse é que é o verdadeiro problema que torna irrelevante o marido gostar, ou não, de chicha..... Mas por distorção dos mecanismos de pensamento das pessoas, estes, trocam de lugar na ordem de importância das coisas. O que é que se perde entretanto. Objectividade..... Por isso é que as coisas são assim, como são. Escolhem-se políticos pela sua aparência, e não pela sua capacidade, de tal maneira, que eles já nem se dão ao trabalho de se preocupar com isso. Escolhem-se as esposas pelo bem que ficam nos retratos de família. E assim por aí adiante.
É proíbido ser objectivo, melhor, é inconveniente pensar. É pernicioso, impróprio..... Quem tiver o mau hábito de pensar, é um ET.... Não faz falta , é inútil.... Já está tudo pensado.... Pensar para quê? 
 
                                          António Capucha
 
                      Vila Franca de Xira, 26 de Outubro de 2012   

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O caramelo.

Já começa  a ficar tarde. Mas acho que ainda vai a tempo.... Eis em directo e ao vivo, o Caramelo e sua ciosa mamã: Minhe-Jú.....
Caramelo


Avoengo espanhol.....




Hoje é o dias de intensidades várias.A tona da vida, à cabeça de tudo o mais, acresce que é dia de anos da excelssa senhora de origem espanhola, sobre a qual estou proibido de falar neste modesto blogue. Enfim coisas!!!! Fomos almoçar ao Cabeça de Toiro, e isso valeu-nos umas quantas molhas, já que isto está de gravaneios. Agora me lembro que ainda não esclareci devidamente o que vem a ser isso de dama de origem espanhola. Vou fazê-lo já de seguida e sem demoras. Um tio da dita senhora, que mora em S. Paulo, Brasil, onde é professor da Universidade local, de qualquer coisa na área do jornalismo. Acontece que ele e as suas irmãs e minhas tiaspor afinidade,  e sogra,  tiveram um pai extraordinário, uma pessoa muito acima do comum, apesar de não ter tido uma instrução por aí além. Era ferroviário e sindicalista naquela época brava do príncípio do Século passado, e participou activamente nas históricas  greves daquele tempo. Uma personagem notável a vários niveis. De forma que o tio da minha mulher, resolveu escrever um livro sobre o seu pai. Daí meteu-se num avião e veio cá para a zona de Marvâo, investigar, e revolver o passado da família e  entre outras coisas descobriu que a fámília teve na sua origem um tetravô, espanhol, talvez Andaluz, que casando com um alentejana terá originado esta geração. Estou ansioso por ler o que ele, o meu tio Manuel Chaparro, vai escrever. Possuo felizmente algumas memórias do avô Gabriel, e sou testemunha de que ele era uma personagem e tanto. Riquissímo.... Sentado no muro fronteiro às nossas casas, simplesmente apanhando Sol, com a sua bengalita, E contando-nos "estórias" de pasmar. Eu a dar os primeiros passos na vida adulta. Sou testemunha da enormidade do Avô Gabrie

                                       António Capucha

                      Vila Franca de Xira 25 de Outubro de 2012

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Finanças.


Paulo Núncio - Secretário de Estado dos assuntos fiscais
Já viram a carinha larocas do meu? Parece que veio agora da Primeira Comunhão! O sorriso alvar de quem nada deve nem teme, confiante, sereno..... No entanto é o responsável máximo pelas tropelias que as finanças nos fazem. São rasteiras miseráveis, truques de circo, vis, baixos, infantis.... É esta a ideia geral que todos nós, justificadamente temos. Mas não estou aqui e aqui chegado para falar de generalidades, posso e devo isso sim, referir processos que me foram aplicados contra toda a lógica das coisas. Este ano entreguei o IRS um dia depois de terminado o prazo. E porquê? Porque, só quando tive alta do Hospital, pude entregar-me a essa infausta tarefa. No último dia, portanto dentro de prazo,  tentei entregar o IRS através da net como sempre fiz. Mas um pequeno truque, vil e baixo, Impedia que o sistema, legitimasse a entrega. Os pulhas resolveram dividir ao meio, pelos sujeitos passivos A e B, as despesas da habitação. depois mais àfrente, na caracterização do prédio urbano não aceitava os valores e a caracterização do mesmo. Tentei até à meia-noite Que o sistema validasse a entrega, em vão.... Aconselhado por um profissional de contas, no dia seguinte criei uma terceira personagem : AeB e somei as partes. desta forma o sistema já validou a entrega. Não era nada, a diferença em numerário era de cerca de trezentos e tal €uros, que iriam cobrar a mais. Um roubo descarado e infame. Esperei a multa por atraso na entrega, mas como me teria que ser pago muito mais do que o valor da multa pensei que o descontassem no reembolso. Qual quê.... isso era esperar demais.... os alarves passaram-me efectivamente a multa, e dizem agora ter-me avisado através do Mail. Não dei por tal... Julgava eu que multas coimas e quejandos eram forcosamente comunicados via correio. A Nita, foi lá hoje às finanças e pagou, sob protesto, os quase trezentos €uros, que as bestas garantem serem devidos. Não os pagaste a bem paga-los amal.... É o que parece, não é? 
Cuidado com eles, parecem meninos do coro, mas têm ordem para matar,  como o 007... Quem se presta a habilidades destas, não merece o nosso respeito.... Vamos correr com eles...... Não passam de vulgares ladrões, com ares de tecnicos sapientíssimos. Não se iludam.... São vulgares ladrões... Sacos  de merda, é o que são... 

                               António Capucha

            Vila Franca de Xira, 24 de Outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Nua em frente ao espelho....




Chamava-se e chama-se Adelaide. Tem agora cinquenta e tal anos, e está nua em frente do espelho, de pé. Este devolve-lhe uma silhueta ainda agradável, as pernas sem varízes, nem derrames e a pele leitosa, uma ruga aqui e ali, e um pneuzito a esbater a anterior cintura de vespa. As ancas  amplas e a fazerem aquelas bochechas sexis, bem medidas. Ainda capazes de partir nozes, digamos assim..... Os olhos pararam-se-lhe no triângilo de farta cabeleira castanho arruivada que outrora terá sido penugem ruiva, e o pensamento regredindo décadas, voou até aqueles anos em que ainda menina, a "laidinha" de sua mãe, Brincava aos médicos e maridos com o "toninho" do terceiro esquerdo. Rapazola escorreito e bonito. E fincou-se-lhe uma sensação de prazer, doce , galopante e dolente ao mesmo tempo. Ah se pudesse voltar atrás. Em nome da virtude nunca alcançada, cortou-se de coisas feias, passou o Liceu a morder os lábios. O recato em vez da aventura e do desejo. A sua mão não parava de afagar a púbis, os olhos desvairavam-se-lhe, e o pensamento,  esse, voava longe e alto , fora de mão. Os rapazes que lhe rapavam as curvas, isso.... Só rapavam..... E o viço ia-se, à exacta medida em que o pudor e aquilo a que chamava virtude,  iam vencendo, queria-se limpa para comungar todos os dias.... Deus ganhava dia a dia uma amante segura e casta e os rapazes, pretendentes, fogosos e pinantes, ganhavam uma frustante tentativa. Endoideciam e iam para a Legião Estrangeira, espiar supostas insapiências. 
E agora aqui estava ela, a pensar no que houvera perdido em nome de sabe-se lá o quê. Daqui a nada sou velha ressequida e senil, e que tenho eu, terei garantido um lugar no Céu? Não sei, vezes sem conta cometi o pecado da arrogância, quando despedacei o coração de algum pasmado.... Achei-me boa demais para os indignos e voluptuosos corçéis que se cruzaram comigo na minha vida. Nem um filho tenho para me amar nem um ex-marido a quem chorar.... Seca,  seca de todo. Até que a senilidade venha e deixe de ter consciência de ser. "Vai o Rei que ninguém quis , Vai o passo de um anão, vai um tiro de canhão...... E o trono é do charlatão"..... Que fizeste da tua vida, Adelaide? Que foi Adelaide, resta-te a esperança de haver Céu.
Estarão neste momento a interrogar-se. Mas então este safardana do bloguista é um escritor, além de meia tigela, pornográfico!!!! Contesto veementemente. Este modesto texto é sobre sentimentos. É sobre o arrependimento de uma vida vazia que corre para o fim, sem ter tido meio. Isso sim..... Se não viram isso, arrependei-vos, antes de serem presentes ao tribunal do Céu..... O resto é "Mise en  scène"

                                           António Capucha

                     Vila Franca de Xira,23 de Outubro de 2012

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Coisas boas


Coisas boas
Não sei que maleita vem a ser esta. Fiz uma triste figura, vomitei-me todo, é o termo, a mim e à cama onde estava deitado, parecia que ia ser uma noite igual a tantas outras, mas, esta deu p'ró torto. Ele foi cara, cabelo, almofada, lencois , tudo, e mais que houvesse, chão. Que triste figura. O saco da colonoscopia explodiu, sujando tudo de novo. Estou um traste. A senhora de origem espanhola que vive comigo estava furiosa, e não é caso para menos, só que se engana nas causas, para ela é tudo culpa das porcarias que eu como. Mas para ela todo o mal veio ao Mundo daquilo que eu como. Mas até não foi um dia em que tivesse feito muita "jabardice" em matéria de comidas. Cá p'ra mim isto é uma daquelas viroses bravas, que vêm e vão sem que se saiba muito bem o que terá sido. No tempo em que era um rapaz saudável, nada disto me chegava. Agora que vou para velho, todas estas pequenas vergonhas me sucedem. Julgava eu, que já me tinha sucedido tudo o que havia para suceder. A tipa espanhola é que está de faca afiada, sei lá por quanto tempo vou fazer cruzes às belas sandes de presunto, e a uma ou outra coisa boa. Para amenizar o deserto de coisas boas que é o meu regime alimentar. Sorte marreca.....

                                                 António Capucha

                           Vila Franca de Xira, 22 de Outubro de 2012

domingo, 21 de outubro de 2012

O zé Grande.



mucxama de atum
Ao longe ao fundo da rua , não passava de um ponto escuro no horizonte avermelhado daquele fim de tarde no bairro periférico da cidade. O ponto, engrossava, à medida que vinha na nossa direcção. Quando se abeirou de nós, demos conta do porte da personagem. Um calmeirão p'raí d'um metro e noventa, com uns bem medidos cento e cinquenta quilos de peso, e uma alcunha a condizer: Zé Grande!!!! Cumprimentou-me com um aperto de mão e a minha desapareceu no meio das dele, que mais pareciam raquetes de ping-pong.
Tinha singolarmente uma voz agradável e bem tímbrada, doce mesmo. Pôs-me o braçalhão por cima do ombro,  puxou-me contra si e pergunta-me, então compadre o que o trás por cá? Nada de especial, respondi, matar saudades! Saudades de quê? Insiste. Ora sei lá , de tudo e de nada. Sabes como é? Com esta pergunta afastei um tudo nada, a perturbação de não saber muito bem, o que de facto fazia ali, Os passos distraídos, levaram-me lá, quando dei conta já estava quase a chegar. Dali fomos à tasca do Alberto poiso habitual do Zé, boas tardes saudou, boas tardes, respoderam os clientes do costume parando de beberricar, um poisou a navalha com que tirava lascas dum queijinho de ovelha seco e cortava buchas de pão. A navalha recordou-me o Ramelas o tal fuínha que retratei aqui há uns tempos neste blogue - podem rememora-lo da seguinte forma, escrevam na barra "pesquizar neste blogue": o Ramelas -. Perguntei ao Zé Grande o que havia sido feito do Ramelas. Que tinha ido embora, estava a definhar de dia p'ra dia, cada vez mais estranho, com um olhar amedrontado de doido e um dia desapareceu, O Zé Bruto ainda o viu uma vez na cidade, parecia um mendigo, mas depois disso, noticia nenhuma, eclipsou-se..... Pois, disse eu, não conseguiu ultrapassar aquela cena de tu lhe teres tirado a naifa e humilhado daquela maneira. Qúé que eu podia fazer ..... O tipo estava doido varrido ainda acabava por aleijar alguém, justificou-se o Zé..... Absolutamente anuí...... Estava a ficar fora de controlo, fizeste muito bem.....Óh Beto dá aí duas bejecas fresquinhas..... E o Zé tira do bolso do casaco um naco de "muxama"d'atum. E com a naifa tirada ao ramelas cortou duas pequenas lascas dizendo: toma é p'ra enxugar a cerveja. Afinal era destas coisas que tinha saudades, concluí.....

                               António Capucha

          Vila Franca de Xira,20 de Outubro de 2012   

O zé Grande.

Adicionar legenda
Ao longe ao fundo da rua , não passava de um ponto escuro no horizonte avermelhado daquele fim de tarde no bairro peiférico da cidade. O ponto, engrossava, à medida que vinha na nossa direcção. Quando se abeirou de nós, demos conta do porte da personagem. Um calmeirão p'raí d'um metro e noventa, com uns bem medidos cento e cinquenta quilos de peso, e uma alcunha a condizer: Zé Grande!!!! Cumprimentou-me com um aperto de mão e a minha desapareceu no meio das dele, que mais pareciam raquetes de ping-pong.
Tinha singolarmente uma voz agradável e bem tímbrada, doce mesmo. Pôs-me o braçalhão por cima do ombro,  puxou-me contra si e pergunta-me, então compadre o que o trás por cá? Nada de especial, respondi, matar saudades! Saudades de quê? Insiste. Ora sei lá , de tudo e de nada. Sabes como é? Com esta pergunta afastei um tudo nada, a perturbação de não saber muito bem, o que de facto fazia ali, Os passos distraídos, levaram-me lá, quando dei conta já estava quase a chegar. Dali fomos à tasca do Alberto poiso habitual do Zé, boas tardes saudou, boas tardes, respoderam os clientes do costume parando de beberricar, um poisou a navalha com que tirava lascas dum queijinho de ovelha seco e cortava buchas de pão. A navalha recordou-me o Ramelas o tal fuínha que retratei aqui há uns tempos neste blogue - podem rememora-lo da seguinte forma, escrevam na barra "pesquizar neste blogue": o Ramelas -. Perguntei ao Zé Grande o que havia sido feito do Ramelas. Que tinha ido embora, estava a definhar de dia p'ra dia, cada vez mais estranho, com um olhar amedrontado de doido e um dia desapareceu, O Zé Bruto ainda o viu uma vez na cidade, parecia um mendigo, mas depois disso, noticia nenhuma, eclipsou-se..... Pois, disse eu, não conseguiu ultrapassar aquela cena de tu lhe teres tirado a naifa e humilhado daquela maneira. Qúé que eu podia fazer ..... O tipo estava doido varrido ainda acabava por aleijar alguém, justificou-se o Zé..... Absolutamente anuí...... Estava a ficar fora de controlo, fizeste muito bem.....Óh Beto dá aí duas bejecas fresquinhas..... E o Zé tira do bolso do casaco um naco de "muxama"d'atum. E com a naifa tirada ao ramelas cortou duas pequenas lascas dizendo: toma é p'ra enxugar a cerveja. Afinal era destas coisas que tinha saudades, concluí.....

                               António Capucha

          Vila Franca de Xira,20 de Outubro de 2012   

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Minhe-Jú V


joaninha


A reeileição do Obama, a guerra da Síria, a crise capitalista do €uro, o aquecimento global,ou o das iscas, a crise que nos trás mergulhados na lama, a troyka, o FMI, A madame Merkel, as tropelias do Passos, que me desculpem , mas deixaram de ser noticia de primeira página. Vale mais que tudo neste momento, a maternidade da Minhe-Jú... Que aos poucos vai tomando forma. Dadas as circunstâncias e sequelas da cesariana, ele tardou a ter contacto com o bacorito. Logo não o aceitou às primeiras. Mas à medida que as dores mais agudas e insistentes vão passando, a atitude dela vai-se modificando. Ontem mesmo ele já mamou demoradamente na têta dela e  ela aguentou. Já hoje a cadela lambeu o parasitazinho e continuou a aceitar que ele mamasse o tempo que quisesse. Parece é que ela não tem assim tanto leite como isso. Tudo leva a crer que quando não tiver dores, será uma mãe normal... Também, cheia de dores, aquela coisa sempre é uma operação de barriga aberta, mais o efeito colateral da anestesia, é coisa que doi. Assim, aturar o cabeçudo a esmifrá-la constantemente custa. Até a um animal. Quanto mais a ela que é uma princesa.

                                            António Capucha

                      Vila Franca de Xira, 19 de Outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Minhe-Jú IV





joaninha




Hoje de manhã a minhe-jú teve o seu bacorito sem pescoço. Afinal era só um e descomunal para uma cadela tão pequena. O caramelo, assim parece vir a chamar-se, nasceu branco, com uma mancha preta num olho à pirata. Vamos ver se o feitio condiz. Por esta hora, a joaninha está a ser reanimada e a primeira impressão é de que não vai ligar nenhuma ao bacorito. Vamos ver como será, se o instinto prevalece ou não. Ela sempre foi dona de um instinto apuradíssimo em quase tudo. mas hoje em dia, quando os animais, já há muitas gerações, estão tão urbanizados,  que a maior parte deles do instinto apenas têm resquícios. E têm comportamentos estranhos. Veja-se por exemplo a quantidade enorme de ataques de cães a seres humanos. Tudo culpa dos donos. que os treinam nem eles sabem para quê. É capaz de ser o medo que leva os mais moles da cabeça a ensinar os chamados cães de ataque. Lá diz o ditado: Quem tem medo compra um cão! A moleza da cabeça e o romantismo cinematográfico dos herois do cinema e daTV , faz o resto. Bom , Mas a Jú há-de ser uma mãe extremosa e dedicada. Dar-lhe-á a têta sempre que ele tiver fome e terá paciência para as troprlias dele.
Joaninha estou a torcer por ti, não me deixes ficar mal.....
                                          António Capucha

                       Vila Franca de Xira, 18 de Outubro de 2012
           

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Primeiro Dia Sérgio Godinho

O primeiro dia.....


Hoje é o dia D, mas ao contrário. Enigmático não é? Esclareço já a seguir. É o dia D, porque é hoje que a S.ª D.ª Teresa sai do Montijo, e ao contrário porque o dia D refere-se a uma entrada, uma invasão e hoje é dia de saída.Também passei por esse processo. É uma sensação de tristeza de fragilidade de desamparo que só visto. Por isto tudo estará ela a passar agora mesmo. Abandonar a protecçâo que as residências Montepio do Montijo de que, o seu pessoal profissional, amigo, dócil e simpático nos trás cercados, provoca-nos face à sua ausência, uma sensação de tristeza, neste caso espero que, mitigada pelo regresso a casa dos saudosos familiares. Ainda para mais quando se julga saber que a senhora em causa ainda não atingiu a autonomia desejável e possível. Sei o que isso é, passei recentemente pelo mesmo. Se fôr o caso, que acredito será, da D.ª Teresa ler estas linhas, queira aceitar um beijo de encorajamento. Força senhora. Sempre para a frente. Pr'á frente é que é LIsboa.... Não olhe para trás.E continue em casa a fazer aquilo que o Gonçalo lhe ensinou. E se uma lágrima teimosa rolar, deixe-a rolar , não a reprima. Os sentimentos autenticos, valem sempre a pena serem sentidos e vividos, sejam eles quais forem. Fazem bem à Alma. Desopilam o fígado....
Como diz uma cantiga do Sérgio Godinho: Hoje é o primeiro dia, do resto da tua vida!
Coragem!!!!
                                António Capucha
             Vila Franca de Xira,17 de Outubro de 2012

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Mata mediterânica ....




A mata mediterrânica entre os Remédios e o farol do Cabo Carvoeiro em Peniche está linda, com os seus tufos de urze floridos e as camarinhas verdinhas mais os pinheiros rastejantes, prostrados perante Suas Altezas reais, Neptuno e Éolo que com o seus ceptros, obrigam até os altivos pinheiros a vergar a cervical. E não permitem arbustos mais  altos, que os pequenos tufos de urze de flores minusculas, entre o azul e o roxo. Conjuntura digna de ser admirada de tão bela que é. Tinha o são hábito de ir para lá passear os cães, que ficávam doidos varridos a seguir as pistas dos coelhos que por ali abundam. E os safardanas que não saem das tocas!.... Agora faço cruzes, porque a cadeira de rodas, não pode entrar naquela mata que de chão demasiado arenoso e solto, não lhe permite a circulação, enterrava-se logo até às orelhas. Mas tenho imensas saudades desses passeios, sob um Sol castigador e o vento agreste, áspero, e a salinidade do ar fruto destes elementos cruzados com a rebentação das ondas na falésia ali a dez metros ou menos. Dias houve em que ficávamos molhados da maresia que pairava inevitavelmente. E na pesca do alto da falésia com o mar vinte e tal a trinta metros abaixo. Ao fundo, quase na linha do horizonte, diáfana sob a neblina a Berlenga é um cântico à beleza, cantada à capela por um coro de querobins  e virgens nuas..... Uma benção para os olhos e a Alma. Se fosse, e é, possível transformar sons em imagens, teriamos aqui uma sinfonia. Ora rígida e majestosa. Como num ápice, vira frívola e leve. Mas sempre agradável ao ouvido. 
este tipo de coisas não se fecha nas palavras, Vai para lá d'elas. Subverte-lhes os sentidos e significados. Nem um quadro o mostra em toda a sua grandeza. As cores e a luz, estão sempre a mudar.... E com elas, os estados d'alma também são outros. Sempre em permanente mutação.

                                      António Capucha

                  Vila Franca de Xira, 16 de Outubro de 2012